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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Levanta - te e Caminha - até A Tradição dos Antigos e dos Cristãos - Fim do Livro

LEVANTA-TE E CAMINHA

P – Cremos que a Doutrina do CEU veio para salvar o que estava perdido. Cada um, conhecendo a verdade das Leis de Deus, passa a ser o médico especialista de si mesmo! Como o Espírito da Verdade explica a maravilhosa cura do paralítico?

R – Harmonizemos Mateus, IX: 1-8, Marcos, II: 1-12 e Lucas, V: 17-26.

MATEUS: 1 – Tendo tomado de novo a barca, Jesus tornou a atravessar o lago e veio à sua cidade. 2 – Eis que lhe apresentaram um paralítico, deitado no seu leito. Jesus, vendo-lhe a fé, disse ao paralítico: “Filho, tem confiança; teus pecados te foram perdoados”. 3 – Logo alguns escribas disseram entre si: “Este homem blasfema”. 4 – Jesus, lendo os seus pensamentos, falou: “Por que abrigais maus pensamentos em vossos corações? 5 -  Que é mais fácil dizer: “Teus pecados te foram perdoados” ou “Levanta-te e caminha!”? 6 – Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na Terra o poder de remir os pecados, eu digo a este paralítico: “Levanta-te, toma o teu leito e volta para tua casa”. 7 – Imediatamente o paralítico se levantou e voltou para casa. 8 – Vendo isso, a multidão, tomada de espanto, rendeu graças a Deus, que deu aos homens tamanho poder.


MARCOS: 1 – Alguns dias depois, voltou Jesus a Cafarnaum. 2 – Mal ouviram dizer que ele estava em casa, reuniu-se lá tanta gente que a casa ficou apinhada, até fora da porta; e Jesus pregava a Palavra de Deus. 3 – Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4 – E como, por causa da multidão, não o pudessem levar até junto do Mestre, fizeram no teto uma abertura e por aí desceram o leito em que jazia o paralítico. 5 – Observando-lhes a fé, Jesus disse a este último: “Filho, são perdoados os teus pecados.” 6 – Ora, estavam por ali sentados alguns escribas, em cujos os corações se aninhavam estes pensamentos: 7 – “Que diz este homem? Ele blasfema” Quem pode perdoar pecados senão Deus, unicamente?” 8 – Jesus pelo seu Espírito reconheceu logo o que eles pensavam de si para si, e lhes disse: “Por que animais esses pensamentos em vossos corações? 9 – Que é mais fácil dizer a este paralítico: “São perdoados os teus pecados” ou “Levanta-te, toma o teu leito e caminha?” 10 – Para que saibais que o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar pecados, 11 – digo a este paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e volta para tua casa”. 12 – No mesmo instante, o paralítico se levantou, tomou o seu leito e partiu, diante de toda a gente. O povo se encheu de espanto e, glorificando a Deus, exclamou: “Nunca vimos coisa semelhante!”

LUCAS: 17 – Um dia, em que estava a ensinar entre os fariseus e os doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém e sentaram ao redor dele, e em que a virtude do Senhor estava com ele para os curar, 18 – eis que alguns homens, trazendo num leito um paralítico, procuravam meio de fazê-lo entrar na casa e chegar até junto do Cristo. 19 – Como não achassem por onde fazê-lo entrar, por causa da multidão, subiram ao telhado da casa e, levantando as telhas, por aí desceram o leito em que se achava o paralítico e o colocaram no meio da sala, diante de Jesus. 20 – Este, observando-lhes a fé, disse ao doente: “Homem, são perdoados os teus pecados”. 21 – Então, os escribas e os fariseus se puseram a pensar, dizendo de si para si: “Quem é este, que assim blasfema? Quem pode perdoar pecados senão Deus, unicamente? 22 – Jesus lhes conheceu os pensamentos e, respondendo, falou: “Que será mais fácil dizer: “São perdoados os teus pecados” ou “Levanta-te e caminha!” 24 – Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar pecados, eu digo a este paralítico: “Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa”. 25 – No mesmo instante, o paralítico se levantou diante de todos e, tomando o leito em que estivera deitado, voltou para sua casa, rendendo graças a Deus. 26 – Todos, tomados de assombro, glorificavam a Deus, e diziam cheios de temor: “Coisas maravilhosas vimos hoje!”

Jesus curou o paralítico pelos mesmos processos de que usou para com o servo do centurião. Operando aquela cura material, que os escribas, os fariseus e a multidão consideraram um “milagre” (assim como proferindo as palavras que dirigiu aos mesmos escribas e fariseus, cujos pensamentos LEU, POR SER SEMPRE ESPÍRITO, embora figuradamente encarnado num corpo perispirítico, na aparência da corporeidade humana), Jesus teve por fim, no momento, dar a ver aos homens que AQUELE QUE DISPUNHA DE TAL PODER ESTAVA ACIMA DE QUALQUER INTELIGÊNCIA, E FORÇA-LOS A CURVAR A FRONTE DIANTE DA AUTORIDADE DIVINA. E DIZ O Evangelho: “Vendo isso, a multidão se encheu de espanto e glorificou a Deus por haver dado tal poder ao homem”. A multidão, os escribas e os fariseus consideravam então Jesus, como sabeis, UM HOMEM IGUAL AOS OUTROS. Essas palavras, inspiradas à multidão e reproduzidas por Mateus sob a influência mediúnica, TINHAM UM FIM OCULTO, QUE SÓ MAIS TARDE, POR MEIO DE NOVA REVELAÇÃO, SE TORNARIA PATENTE: O DE PREPARAR OS HOMENS A COMPREENDEREM QUE – QUANDO TIVERAM ATINGIDO OS LIMITES EXTREMOS DA PERFEIÇÃO QUE PODEM CONSEGUIR NATERRA – TAMBÉM LHES SERÁ FACULTADO FAZER COISAS COMO AQUELAS, TIDAS NA CONTA DE MILAGROSAS, MAS NA VERDADE NATURAIS.



VOCAÇÃO DE MATEUS

P – Ao convocar Levi, o publicano, para o seu apostolado, Jesus deu uma lição impressionante de BOA VONTADE. Como o Espírito da Verdade, através do CEU da LBV, interpreta essa passagem do Evangelho?

R – Vamos harmonizar: Mateus, IX: 9-13, Marcos, II: 13-17 e Lucas, V: 27-32.

MATEUS: 9 – Ao sair dali, viu Jesus um homem chamado Mateus, sentado na coletoria, e lhe disse: “Segue-me”. Logo o homem, levantando-se o seguiu. 10 – E sucedeu que, estando depois Jesus à mesa, na casa de Mateus, vieram muitos publicanos e pecadores e sentaram à volta da mesa com Jesus e seus discípulos. 11 – Notando isso, os fariseus disseram aos discípulos: “Como é que o vosso Mestre come na companhia de publicanos e pecadores?” 12 – Jesus, ouvindo-os, falou: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, e sim os doentes. 13 – Ide, pois, aprender o que significa estas palavras: “Misericórdia quero, não holocausto”; porque não vim chamar os justos, mas os pecadores.


MARCOS: 13 – Jesus saiu de novo, em direção ao mar; todo o povo o seguia, e ele a todos ensinava. 14 – Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no telônio, e lhe disse: “Segue-me”; e Levi, erguendo-se, o seguiu. 15 – Aconteceu que, estando Jesus à mesa em casa desse homem, muitos publicanos e pecadores, que em grande número o acompanhavam, sentaram, também, à mesa com ele e os discípulos. 16 – Os escribas e os fariseus, vendo-o comer na companhia de publicanos e pecadores, disseram aos discípulos: “Então, o vosso Mestre come e bebe com publicanos e pecadores?” 17 – Ouvindo o que diziam, Jesus lhes observou: “Não precisam de médicos os sãos e sim os enfermos; eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”.

LUCAS: 27 – Jesus partiu, depois disso, e vendo um publicano de nome Levi, sentado na coletoria, disse-lhe: “Segue-me”. 28 – E o publicano, levantando-se e abandonando tudo, o seguiu. 29 – Mais tarde, Levi lhe ofereceu um grande festim em sua casa, onde havia muitos publicanos e outras pessoas, que também tomaram lugar à mesa. 30 – Os escribas e os fariseus murmuravam, dizendo aos discípulos: “Como é que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” 31 – Jesus, respondendo, lhes disse: “Os que têm saúde não precisam de médico, e sim os doentes. 32 – Não é aos justos, mas aos pecadores, que vim chamar a penitência”.

Efetivamente, Jesus provou, assim, que NÃO SE DEVE REPELIR OS QUE PAREÇAM INDIGNOS: onde não vedes senão fraudes ou impurezas, pode o Senhor ter colocado um germe de virtude que a cultura fará frutificar. Sede, pois, indulgentes para com vossos irmãos. Estendei mão protetora aos fracos; esforçai-vos por exaltar os aviltados; imitai, finalmente, o Divino Modelo, procurando os doentes e tudo fazendo para os curar. Mateus, que Jesus foi buscar entre os publicanos, era um Espírito elevado, que encarnara com a missão de auxiliar o Mestre, na obra que ele veio executar na Terra. Inspirado pelo seu Anjo Guardião e pelos Espíritos Superiores que o cercavam, obedeceu no mesmo instante ao chamamento do Cristo, e o seguiu. E, OFERECENDO AO MESTRE O GRANDE FESTIM DE QUE FALAM OS EVANGELISTAS, LHE PROPORCIONOU, COMO DEVIA SUCEDER, OPORTUNIDADE E MEIO DE DAR AQUELA LIÇÃO ETERNA. Tudo tinha sido previamente preparado: tudo se cumpria, por ordem do Senhor, sob a inspiração, a influência e ação ocultas dos Espíritos Superiores, obedientes à vontade do Mestre. Como discípulo do Cristo, Levi, filho de Alfeu, adotou como Apóstolo o nome de Mateus; mas por Levi é que era geralmente conhecido. “Não são os que têm saúde que precisam de médico – afirmou Jesus -  e sim os doentes”. E acrescentou: “Não vim em busca dos justos, mas dos pecadores”. Assim como aquele que goza saúde não precisa de médico, aquele que obedece conscientemente à Lei de Deus não precisa ser salvo: ELE SE SALVA POR SI MESMO. O Cristo chamava a si os que tinham reparações a fazer. Se convidava ao arrependimento, o seu convite só podia ser feito aos que tinham falido. “Ide, pois, (disse a todos) aprender o que significam estas palavras: MISERICÓRDIA QUERO, NÃO HOLOCAUSTO”. As palavras do profeta Oséias (VI: 6) com referência ao Senhor: “O que eu quero é a misericórdia, não o sacrifício, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos”, devem ser confrontadas com estas outras do profeta Samuel (Primeiro Livro dos Reis, II: 6-10): “O Senhor dá e tira a vida; leva à habitação dos mortos e dela retira. É o Senhor quem enriquece e empobrece; quem exalta e quem humilha. Levanta o pobre do pó, e do esterco levanta o indigente para sentar-se com os príncipes e ocupar um trono de glória. Porque do Senhor são os pólos da Terra, e sobre eles pôs o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, e os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não será forte na sua robustez. Tremerão diante do Senhor os seus inimigos, e dos céus trovejará sobre eles. O Senhor julgará as extremidades da Terra, e dará o império ao seu rei, exaltando a glória do seu Cristo”. São a origem divina das palavras do Salvador: “Misericórdia quero, não holocausto”. A Nova Revelação vem ensinar o seu significado. Vimos, em nome do Mestre, dizer a todos vós: SEJAM QUAIS FOREM AS FALTAS E OS CRIMES COMETIDOS, HAVENDO ARREPENDIMENTO, NÃO HAVERÁ – PARA O ESPÍRITO CULPADO – SACRIFÍCIO, ISTO É, PENAS ETERNAS. HAVERÁ, AO CONTRÁRIO, MISERICÓRDIA, O QUE QUER DIZER – PERDÃO, subordinado este apenas, conforme à bondade e à justiça infinitas de Deus e com o duplo fim de aperfeiçoamento moral e progresso, às duas únicas e inevitáveis condições seguintes: expiar o culpado, na erraticidade, após a morte, as faltas e crimes praticados, mediante sofrimentos morais apropriados, por meio da reencarnação e de novas provações. Sim, ONDE QUER QUE HAJA ARREPENDIMENTO, HAVERÁ PERDÃO. Jesus, portanto, queria a misericórdia, despertando no homem o remorso da falta ou do crime e o desejo da reparação: A REPARAÇÃO É A CONSEQÜÊNCIA DO ARREPENDIMENTO. Convidando aos arrependimento, Jesus facilitava a expiação e, assim, salvava aqueles que, de outro modo, estacionariam longo tempo na impenitência.





VELHAS E NOVAS DOUTRINAS

P – Só mesmo os Guias Espirituais da Humanidade nos podem orientar, porque estão acima de todos os sectarismos em conflito. São neutros, imparciais, sereníssimos. Como o Espírito da Verdade analisa as palavras de Jesus sobre o jejum, pano novo, odres velhos, vinho novo e vinho velho?

R – Vejamos estas passagens dos Evangelhos Sinóticos: Mateus, IX: 14-17, Marcos, II: 18-22 e Lucas, V: 33-39.

MATEUS: 14 – Então, vieram ter com ele os discípulos de João e lhe perguntaram: “por que os fariseus e nós jejuamos freqüentemente, e os teus discípulos não jejuam?” 15 – Jesus lhes respondeu: “Podem, acaso, chorar os filhos do esposo quando o esposo está com eles? Dia, porém, virá em que o esposo lhes será tirado; então, sim, eles hão de jejuar. 16 – Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo tira parte da roupa e o rasgão fica maior. 17 – E não se deita vinho novo em odres velhos; ao contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e os odres se perdem. Põe-se vinho novo em odres novos, e uns e outros se conservam.


MARCOS: 18 – Alguns discípulos de João e alguns fariseus, que costumavam jejuar, vieram a Jesus e lhe perguntaram: “Por que os discípulos de João e os fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam? 19 – Jesus lhes respondeu: “Os filhos das núpcias  podem, acaso, jejuar enquanto o esposo está com eles? Enquanto têm consigo o esposo não podem jejuar. 20 – Dias virão, contudo, em que o esposo lhes será tirado, e nesse tempo jejuarão. 21 – Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha, porquanto aquele arrancaria uma parte desta e tornaria maior o rasgão. 22 – Ninguém põe vinho novo em odres velhos, pois o vinho rompe os odres, e tanto se perde o vinho como os odres: vinho novo deve ser posto em odres novos.

LUCAS: 33 – Então, disseram a Jesus: “Por que é que os discípulos de João, assim como os fariseus, jejuam freqüentemente e fazem orações, enquanto que os teus comem e bebem? 34 – Jesus lhes disse: “Podereis obrigar os amigos do esposo a jejuar, enquanto o esposo está com eles? 35 – Dias virão em que o esposo lhes será tirado; então, eles haverão de jejuar.” 36 – Também lhes fez esta comparação: “Ninguém prega remendo de pano novo em roupa velha, porque o novo rompe o velho e, assim, não se ajusta à roupa velha o pano novo. 37 – Do mesmo modo, ninguém deita vinho novo em odres velhos porque, se fizer isso, o vinho novo rebentará os odres, se derramará e os odres se perderão. 38 – O vinho novo deve ser posto em odres novos, porque assim se conservam. 39 – E não há quem, bebendo vinho velho, prefira o novo, pois diz: o velho é melhor.

Todas as explicações cabíveis, aqui, para a compreensão do fim a que Jesus visava, com o ensinamento que ele deu de forma velada, se referem ao futuro espiritual da Humanidade. Os homens eram a roupa velha que, impensadamente remendada, teria sido destruída. Eram os odres velhos, impróprios para recipientes de um licor ativo que, fermentando, os despedaçaria. Vós, CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO, sois os odres novos em que o vinho novo é despejado abundantemente: guardai-o como preciosidade, e ele dará em vós bom produto; envelhecerá nos odres, ficará cada vez melhor, restituindo a força, a saúde e a vida aos que vierem bebê-lo. O termo “esposo”, pelo qual o Mestre se  designava a si próprio, era tomado às idéias, às tradições e aos costumes hebraicos, pela consideração dispensada aos judeus que se casavam. ORA, SENDO O CHEFE DESTRA DOUTRINA, QUE VOS TEM AMPARADO APESAR DE TODOS OS VOSSOS DESVIOS, Jesus era considerado como o jovem puro que depõe a coroa nupcial, a fim de assumir o governo da família que constituiu para si mesmo. OS FILHOS, OS AMIGOS DO ESPOSO, SÃO EXPRESSÃOES SINÔNIMAS, INDICANDO OS QUE ERAM MAIS CAROS E MAIS LIGADOS AO ESPOSO. Procurai compreender bem, segundo o espírito que vivifica, não segundo a letra que mata, estas palavras que o Mestre dirigiu aos fariseus e aos discípulos do Batista: “Podem os filhos, os amigos do esposo jejuar, enquanto este está com eles? NÃO PODEM JEJUAR, ENQUANTO O ESPOSO ESTÁ COM ELES. Mas dias virão em que o esposo lhes será tirado; então, sim, jejuarão”. A presença de Jesus entre os discípulos os mantinha na senda que deviam trilhar: não precisavam, portanto, submeter-se a privações expiatórias. Mas o FUTURO SE DISTENDIAS AOS OLHOS DO CRISTO E ELE ANTEVIA OS ABUSOS, OS TRANSVIAMENTOS QUE NÃO TARDARIAM A PERVERTER A IGREJA E SEUS FILHOS, ISTO É, A HUMANIDADE, E AQUELES QUE TOMARIAM A SI A CONTINUAÇÃO DA OBRA DOS APÓSTOLOS E DOS PRIMEIROS CRISTÃOS. Antevia, portanto, necessária a expiação como meio de reparação. E o jejum material era, entre os judeus, o emblema da expiação. O jejum de que Jesus falava – e que os homens teriam de praticar nos tempos que sucederiam o desempenho da sua missão terrena – NÃO ERA O JEJUM MATERIAL QUE OS FARISEUS E OS DISCÍPULOS DE JOÃO PRATICAVAM. JESUS ALUDIA ÀS EXPIAÇÕES A QUE OS HOMENS TERIAM DE SUBMETER-SE, PARA REPARAR AS SUAS FALTAS: ALUDIA, SIM, AO JEJUM MORAL. O jejum material constituía, entre os hebreus, um ato expiatório, destinado a reparar os erros leves da vida. Teve sua razão de ser, como explicaremos, numa época em que só as leis materiais podiam dominar a matéria. Já o JEJUM MORAL consiste no remorso das faltas graves que os homens cometem, todos os dias, para com Deus, transgredindo suas Leis, deixando de praticar o Amor e a Caridade, entregando-se ao orgulho, ao egoísmo, à inveja – vícios que não chegam a perceber no fundo de seus coração, tão grande é a sua cegueira, tanta a confiança que depositam em si mesmos. JEJUAI, MORTIFICANDO VOSSAS ALMAS, PARA QUE ELAS SE PURIFIQUEM. BOM É O JEJUM – MAS O JEJUM MORAL, PORQUE É SEMPRE ÚTIL À ALMA CULPADA, EXPURGANDO-A DE SUAS IMPUREZAS.



A IGREJA DO CRISTO – II


P – Os ensinos do CEU da LBV vêm abrir novos horizontes para aqueles que desejam progredir. Sinceramente, a parte relativa ao jejum moral é novidade para a maioria. Vamos, assim, que a Igreja do Cristo é bem diferente das Igrejas dos homens. Que diz a isto o Espírito da Verdade?

R – O jejum moral, O ÚNICO QUE DEUS EXIGE, consiste em a criatura não se submeter, nunca, aos seus maus instintos, por mais agradável que isso lhe pareça; em infligir humilhações à natureza animal, tendo por fim o adiantamento de seus irmãos, constituindo exemplo para eles; em não se entregar a ato algum de culposa leviandade; em não se dar a excessos de qualquer natureza. NÃO JULGUEIS SEJA “MUITO PENOSO” PARA O HOMEM VIVER TRANQUILAMENTE DIANTE DE DEUS: BASTA-LHE ESTAR COM A SUA CONSCIÊNCIA EM PAZ E SATISFEITA, PARA TER A FORÇA E A SAÚDE DO CORPO. De onde provém, senão dos excessos de toda ordem a que sujeitais os vossos corpos, a degeneração das raças humanas? Que é que produz o apoucamento da inteligência do homem senão o arrojo desavergonhado das suas idéias, o desejo imoderado de saber prematuramente mais do que lhe deve ser dado? Formais uma sociedade; portanto, vivei em sociedade. Sede solidários e bons, ------ olhos do Pai. Não procureis o luxo material que enerva nem adquirir, desequilibradamente, a ciência que desvaira. Jesus não pretendeu impor – E NÃO IMPÔS – A OBRIGAÇÃO DO JEJUM MATERIAL. Ele disse: “O que mancha o homem não é o que lhe entra no corpo, já que isso não lhe vai ao coração e é lançado fora. O que mancha o homem é o que lhe sai do coração: são os maus pensamentos, as más palavras, as más ações, os vícios que degradam a Humanidade, AS INFRAÇÕES DA LEI DIVINA CONSIGNADA NO DECÁLOGO E NO NOVO MANDAMENTO DE JESUS, O ÚNICO REPRESENTANTE DE DEUS EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE. Os  mandamentos humanos relativos ao jejum material, prescrevendo a privação de alimentos ou só permitindo – em determinados dias e em determinadas épocas – certas espécies de alimentos, FORAM E SÃO INÚTEIS PARA O HOMEM DE INTELIGÊNCIA E DE CORAÇÃO. JAMAIS O SENHOR LHE IMPÔS OBEDIÊNCIA A TAIS “MANDAMENTOS”. Entretanto, tiveram sua razão de ser. A observância desses preceitos, por mais ridículos que sejam em si mesmos, foi um freio posto aos excessos da gula e da luxúria, nas épocas em que somente as leis materiais podiam dominar a matéria. Sujeitando o corpo a um regime rigoroso, elas lhe diminuíam as forças animais e, assim, se continham muitos abusos. Mantendo as prescrições materiais do jejum e da abstinência,  a igreja humana se conservou contemporânea dos escribas e fariseus: impõe um fardo pesado, que já não é necessário. Não quis caminhar com a Humanidade, e hoje está distanciada desta. Mas TUDO VOLTARÁ AOS SEUS EIXOS, PORQUE DEUS ASSIM O QUER, E SUA VONTADE É IMUTÁVEL. Os versículos 16 e 17 de Mateus, 21 e 23 de Marcos, 36 e 39 de Lucas – encerram alegorias espirituais. Aos homens daquele tempo, e às gerações que se seguiram até aos vossos dias, precursores de novas Revelações, se referia Jesus quando falava da roupa velha, incapaz de receber REMENDO DE PANO NOVO; quando falava de velhos odres, dos quais o vinho novo – rebentando-os – escaparia, ficando um e outros perdidos. Quer isso dizer  que AQUELES HOMENS ERAM INCAPAZES DE RECEBER, aceitar e conservar uma nova Revelação que, assim, ficava reservada para os tempos vindouros, para quando chegasse o momento de cumprir-se a sentença. A LETRA MATA, O ESPÍRITO VIVIFICA. Só a reencarnação e os séculos – expiação, reparação e progresso – poderiam preparar as inteligências e os corações de maneira a fazer deles ODRES NOVOS, CAPAZES DE CONSERVAR O VINHO NOVO. Ignorantes, materiais, obstinados nos seus preconceitos e tradições, os homens daquele tempo teriam sido esmagados pelo peso de um fardo para eles insuportável: ou alijariam dos ombros esse “fardo” ou cegariam ante o brilho de tão viva Luz. Por isso lhes convinha, primeiro, a linguagem da parábola, o regime da letra, sujeita a interpretações humanas e materiais, a fim de que os necessários esforços e as lutas constantes do pensamento PREPARASSEM O ADVENTO DO ESPÍRITO. Constituem o vinho novo os ensinos de Jesus através dos Espíritos do Senhor, que vêm dispor as coisas de modo a ter fim  o mundo moral do erro e da mentira. Esses Guias Espirituais vêm explicar , tornar compreensível e desdobrar, em Espírito e Verdade, a Lei simples e sublime do Cristo, tirando da letra o espírito, libertando-a das falsas interpretações que lhe deram, e que a alteraram ou desnaturaram, impedindo-a de produzir os seus frutos. É o que significa esta frase do Mestre: “O VINHO NOVO DEVE SER PÔSTO EM ODRES NOVOS, PORQUE ASSIM TUDO SE CONSERVA. Os odres novos são os verdadeiros cristãos, aqueles que vivem o Novo Mandamento, que fará rebentar o odre velho, incapaz de resistir à fermentação das Novas Revelações. Sim o odre velho ainda existe em vossos dias: são aqueles que, cegos e interesseiros, bebendo em fontes impuras ou falsificadas, procuraram, procuram e procurarão entravar a Igreja do Cristo, cujo templo é o vosso planeta e a qual todos os homens serão fiéis brevemente, quando a RELIGIÃO DE DEUS estiver acima de todas as religiões dos homens.



   VINHO VELHO É MELHOR

   P – Um freqüentador do nosso Posto Familiar, assistindo a cruzada que realizamos toda semana, viu contradição entre “vinho novo” ( que representados NOVOS ENSINAMENTOS DOS ESPIRITOS DO SENHOR ) e “vinho velho”, que é melhor, segundo as palavras do próprio Jesus,  Como se explica isso o Espírito  da Verdade ?

   R – Nenhuma contradição. A Igreja que os homens fizeram tem de ser transformada, bem o sabeis, Portanto, vós – CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO – preparai os materiais que vão servir para a restauração, em Espírito e Verdade, das Leis Divinas, substituídas por preceitos humanos. Em verdade, os obreiros do Senhor, encontraram talhadas as primeiras pedras, já iniciaram a construção do edifício. O VINHO NOVO E O OBRE NOVO SE CONSERVARÃO PELA NOVA FÉ, NOVA NO SENTIDO DE QUE AVANÇARA POR ESTRADA MUITO DIVERSA DA QUE SEGUE A IGREJA HUMANA. Sim, Jesus afirmou: “Não há quem, bebendo vinho velho, prefira o novo, pois diz: o velho é melhor”. Entendei o sentido alegórico destas palavras do Cristo. Veladamente, ele se referia a era nova do Paráclito. O VINHO VELHO QUE DEVE SER PREFERIDO É O QUE JÁ SE DESPOJOU DE TODOS OS CORPOS ESTRANHOS, É AQUELE QUE, COLOCADO EM ODRES NOVOS, NESTES ENVELHECEU, TORNANDO-SE INCOMPARAVELMENTE MELHOR. Quando pois, vós outros, da nova geração , tiverdes deixado fermentar nos vossos corações os desdobramentos, que trazemos, da DOUTRINA AUTÊNTICA DO CRISTO, podereis dar a vossos irmãos, para que o saboreiem, O VINHO VELHO QUE SERÁ PREFERIDO AO RECENTE. Se é que sois odres novos, recebei o vinho novo tal como em vós o despejam os Espíritos do Senhor. Não  deixeis que altere, vicie, corrompa, obstando a fermentação que vos purifica as almas de suas leveduras. Toda doutrina fora da Lei do Amor e da Caridade, que Jesus pregou e ainda manda pregar; os erros em que esforçam por  vos mergulhar os cegos ou interesseiros, erros que são vinho novo adulterado, falsificado, a fermentar em alguns cérebros, enlouquecendo-os – eis o que impediria o vinho novo de envelhecer, ou o alteraria e corromperia em vós , arrastando-vos a atos de demência, Daí pois, o exemplo a vossos irmãos, PRATICANDO OS ENSINOS DOS ESPÍRITOS DO SENHOR, QUE ELES EXPLICAM EM TODA A VERDADE, SEM NENHUM SECTARISMO, A LUZ DO NOVO MENDAMENTO, Solidários, ligados sempre pelos sagrados laços da Caridade recíproca , preparai o advento do Amor Universal, o Amor tão velho quanto o Novo Mandamento do Redentor da humanidade. Então, emocionados e atraídos por esse vinho divino vossos irmãos terão a gloria de dizer: O VELHO É MELHOR, Sim, PORQUE O VELHO ESTÁ REALMENTE VELHO, EMBORA MUITOS O CONSIDEREM NOVO. POIS O QUE HOJE VOS PREGAMOS NÃO É O MESMO MANDAMENTO QUE HÁ DOIS MIL ANOS JESUS VEIO TRAZER? Que pretendemos nós senão fazer-vos voltar ao principio do Evangelho, em busca desse vinho que há dois mil anos, espera que todos o saboreiem? Ele é NOVO no sentido que está sempre atual, apropriado pela Nova Revelação, aos vos que devem conter. Ide e pregai, dizendo que, sem este NOVO MENDAMENTO, não há mais Bíblia, nem Evangelho, nem Apocalipse. ELE É A CHAVE DAVIDA E A CHAVE DA MORTE!





A FILHA DE JAIRO E A HEMORROÍSSA

P – As lições do Centro Espiritual Universalista, da LBV, alargam o nosso entendimento para a compreensão do Apocalipse, na Quarta e Última Revelação de Jesus à Humanidade. Todos, aqui, entendem isso perfeitamente. Como o Espírito da Verdade explica a “milagrosa” cura da hemorroíssa e da filha de Jairo?

R – Vamos harmonizar as seguintes passagens do Evangelho: Mateus, IX: 18-26, Marcos, V: 21-43 e Lucas, VIII: 41-56.

MATEUS: 18 – Tendo dito essas coisas, aproximou-se dele um chefe de sinagoga que, adorando-o, lhe disse: “Senhor, minha filha acaba de morrer; mas vem, impõe-lhe as mãos e ela viverá”. 19 – Jesus se levantou e, acompanhado pelos discípulos, partiu com o homem. 20 – Ao mesmo tempo, uma mulher que, havia doze anos sofria de um fluxo de sangue, acercando-se dele por trás, lhe tocou a fimbria da túnica, 21 – pois dizia consigo mesma: “Basta-me tocar nas suas vestes para ficar curada”. 22 – Jesus, voltando-se, a viu e lhe falou: “Filha, tem confiança, tua fé te curou”. E, desde aquele momento, a mulher se achou curada. 23 – Chegando à casa do chefe de sinagoga, disse Jesus aos tocadores de flauta e à multidão que lá encontrou: 24 – “Retirai-vos, porque a menina não está morta, apenas dorme”. Todos, porém, zombavam dele. 25 – Afastada a multidão,  ele entrou e tomou a mão da menina, que logo se levantou. 26 – E a notícia do fato se espalhou por toda a redondeza.


MARCOS: 21 – Tendo passado na barca para a outra margem, grande multidão o cercou à beira-mar. 22 – Um príncipe da sinagoga, chamado Jairo, que viera à sua procura, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, 23 – e lhe dirigiu esta súplica: “Minha filha está agonizante; vem e impõe-lhes as mãos, para que ela se cure e viva”; 24 – e Jesus partiu com ele, acompanhado pela multidão que o apertava. 25 – Então, uma mulher, que sofria de um fluxo de sangue, havia doze anos, 26 – e que padecera muito nas mãos de vários médicos, aos quais entregou todos os seus haveres sem melhorar do seu mal, que ainda se agravara, 27 – tendo ouvido falar de Jesus, se meteu na multidão e, aproximando-se dele por detrás, lhe tocou a túnica, 28 – pois dizia: “Se eu conseguir tocar-lhe apenas a roupa, estarei curada”. 29 – No mesmo instante, o sangue deixou de correr, e ela sentiu em seu corpo que estava livre do mal que a afligia. 30 – Jesus percebeu imediatamente que dele saíra uma virtude e, voltando-se para a multidão, perguntou: “Quem tocou as minhas vestes?” 31 – Os discípulos responderam: “Vês que a multidão te comprime por todos os lados, e perguntas quem tocou tuas vestes, Senhor?” 32 – Jesus, porém, passeando o olhar em torno de si, procurava descobrir quem o tocara. 33 – A mulher, que sabia o que nela se passara, atemorizada e a tremer, aproximou-se e, lançando-se aos seus pés, confessou toda a verdade. 34 – Jesus lhe disse: “Filha, tua fé te salvou; vai em paz, estás curada de tua enfermidade”. 35 – Estando ele ainda a falar, chegaram alguns familiares do príncipe da sinagoga e, dirigindo-se a este, disseram: “Tua filha morreu. Por que hás de dar ao Mestre o incômodo de ir mais adiante?” 36 – Jesus, porém, ouvindo isso, falou ao príncipe da sinagoga: “Não temas, tem fé”. 37 – E não permitiu que, afora Pedro, Tiago e João, mais alguém o acompanhasse. 38 – Chegando à casa de Jairo, encontrou um bando confuso de pessoas que choravam, soltando grandes lamentos. 39 – Logo que entrou na casa, disse a essas pessoas: “Por que vos afligis e chorais? A menina apenas dorme, não está morta”. 40 – Todos, porém, zombavam de suas palavras. Ele mandou que saíssem e, acompanhado pelo pai, pela mãe da menina e pelos que tinham vindo em sua companhia, entrou no aposento onde a menina estava deitada. 41 – Tomando-lhe as mãos, disse: “Talitha cumi”, isto é,  “eu te ordeno, menina: levanta-te!” 42 – No mesmo instante, a menina se levantou e se pôs a caminhar, pois já contava doze anos, ficando todos maravilhados. 43 – Jesus lhes recomendou, expressamente, que ninguém viesse a saber do fato, e mandou que dessem de comer à menina..

LUCAS: 41 – Veio ter com ele, então, um homem chamado Jairo, que era príncipe da sinagoga, e, lançando-se a seus pés, lhe pediu que entrasse na sua casa, 42 – dizendo ter uma filha única, de cerca de doze anos, que estava à morte. Partiu Jesus com ele, apertado pela multidão. 43 – Uma mulher que, havia doze anos, sofria de uma perda de sangue e que gastara com os médicos tudo o que possuía, sem que nenhum tivesse conseguido cura-la, 44 – se aproximou dele por detrás e lhe tocou a fímbria da túnica, e logo cessou o fluxo de sangue. 45 – Jesus, então, perguntou: “Quem me tocou?” Como todos negassem ter sido quem o tocara, Pedro e os que o cercavam lhe disseram: “Mestre, a multidão te aperta e comprime; como podemos perguntar quem te tocou?” 46 – Jesus replicou: “Alguém me tocou, pois senti que saiu de mim uma virtude”. 47 – A mulher, verificando assim não poder ocultar-se, aproximou-se toda trêmula e, prostrando-se aos pés de Jesus, declarou diante de todo o povo o motivo por que o tocara, ficando imediatamente curada. 48 – Jesus lhe disse: “Filha, tua fé te salvou; vai em paz”. 49 – Ainda não acabara de falar, chegou alguém e disse ao príncipe da sinagoga: “Tua filha morreu; não dês mis trabalho ao Mestre”. 50 – Mas, ouvindo isso, Jesus disse a Jairo: “Não temas, tem fé somente e tua filha será salva”. 51 – Chegando à casa de Jairo, não deixou que ali entrassem senão Pedro, Tiago e João, com os pais da menina. 52 – Todos a choravam e lamentavam. Jesus, porém, disse: “Não choreis, ela não está morta, apenas dorme”. 53 – Todos zombavam dele, pois sabiam que ela estava morta. 54 – Jesus, pegando-lhe na mão, exclamou: “Menina, levanta-te!” 55 – Seu Espírito voltou ao corpo, ela se levantou imediatamente, e Jesus mandou que lhe dessem de comer. 56 – Os pais da menina se mostraram cheios de espanto, e Jesus lhes ordenou que não dissessem a ninguém o que tinha acontecido.

Aí tendes a consolação de um pai; um exemplo de fé oferecido à multidão; a continuação, em suma, por parte do Cristo, daquela vida de ensinamentos no desempenho da sua missão terrena. Quanto a cura da hemorroíssa, Jesus a operou pelos meios que conheceis, pelo seu PODER MAGNÉTICO. Sempre envolto em fluidos vivificantes, o Mestre, os distribuía pelos que deles necessitavam. Quanto aos fluidos de que se serviu, para estancar o fluxo sanguíneo, ainda nada vos podemos dizer, por vos ser impossível entrar no CONHECIMENTO DAS COMBINAÇÕES FLUÍDICAS. O HOMEM AINDA NÃO SE ACHA CAPAZ DE COMPREENDER A NATUREZA DOS FLUIDOS, SEUS EFEITOS E SUAS PROPRIEDADES DE AÇÃO. Jesus dispunha dos fluidos vivificantes e reparadores: basta-vos isto, por enquanto. A pergunta “Quem me tocou?” (pergunta que, feita pelo Mestre, pode causar estranheza) ele a formulou intencionalmente, para provocar, diante da multidão, a confissão da mulher e, assim, tornar patente a todos o “milagre”. Tudo tinha a sua razão de ser, velado pela letra, até ao advento de nova Revelação.



   MORTE E CATALEPSIA

   P – Aqui, todos já compreendem por que não há segurança para ninguém, neste mundo, fora da Verdade, o que vale dizer, FORA DE DEUS. Só haverá Boa Vontade entre os homens quando todos se libertarem da ignorância espiritual e, portanto, dos sectarismos anticristãos. Como o Espírito da Verdade interpreta o caso da filha de Jairo?

   R – O Espírito não abandonara o seu corpo: apenas se ausentará, até que JESUS O CHAMOU, ordenando-lhe a volta imediata ao organismo da menina, Ele tivera permissão de prolongar sua ausência a fim de que o corpo tornando-se completamente inerte, apresentasse TODAS AS APARENCIAS DA MORTE. Para os homens, a filha de Jairo estava morta: esta era a aparência. Aos olhos de todos, a morte ali era positiva e indubitável. Na realidade, porem, NÃO HAVIA MAIS DO QUE UM ESTADO DE CATALEPSIA COMPLETA, um estado, portanto, de morte aparente, do modo a iludir os mais hábeis peritos. Havia, dissemos, inércia completa, isso suspensão de todas as sensações, de todos os movimentos, da vida em suma, com ausência de pulso, de respiração, de calor aspecto cadavérico, insensibilidade física, material, tão profunda que as pancadas mais ferimentos NENHUMA IMPRESSÃO PROVOCARIAM NENHUMA CONTRAÇÃO, NENHUM SINAL DE VIDA. Vindo ao encontro de Jairo, seus servos lhes disseram: “Tua filha morreu”. Mas ao que choravam e faziam grande alarido, Jesus disse: “Por que charas e vos afligis? A menina não está morta, apenas dorme”. Aos tocadores de flauta e as pessoas que faziam grande algazarra, falou: “Retirai-vos, pois a menina apenas dorme, não está morta.” E todos, diz o Evangelho, zombavam de Jesus, POR SABEREM QUE ELA ESTAVA MORTA. Ora, afastada a multidão, ele ordenou à menina: “Levanta-te!” E seu Espírito (ou Alma) – tendo voltado ao corpo, uma vez que ela não estava morta, pois apenas dormia – a menina se levantou imediatamente. “A meninas não está morta – disse Jesus – apenas dorme” – esta a realidade. Não havia ali, com efeito mais do que sono, sono natural ordinário o que não deveis ter dificuldade em compreender, pois sabeis que A AUSÊNCIA DO ESPÍRITO MERGULHA O CORPO NUM SONO PROFUNDO PELO DESPRENDIMENTO COMPLETO DO ESPÍRITO SE PRODUZ O ESTADO DE CATALEPSIA. Ao Espírito da filha de Jairo fora permItido ausentar-se, já o dissemos.  Ele tivera uma permissão não recebera uma ordem, porquanto. O ESPÍRITO NÃO PRECISA DE ORDEM PARA SE DESPRENDER DO CORPO; PRECISA, SIM, PAR ENTRAR NELE. O pássaro que se evade da gaiola apertada, onde definhava não deseja voltar para a prisão. Procurai compreender, aqui, a posição do Espírito, considerando os atos da humana: o soldado que obtém uma licença qualquer sabe a que horas ela termina . Com mais forte razão, o mesmo se dá com o Espírito em condições semelhantes. Se o Espírito da filha de Jairo tivesse esquecido a volta, ou resistindo ao progresso, os Espíritos Superiores que o cercavam (vigilantes para que a ausência prolongasse pelo tempo necessário à realização, exata integral, da obra que Jesus tencionava realizar), certamente o teriam impedido de frustrar por essa forma. à execução do intento do Mestre. Alias, semelhante resistência seria uma rebelião que de modo algum se verificaria  contra a vontade do Cristo, acrescentando que aquele Espírito não podia pensar em tal. UMA VEZ QUE ACEITARA A MISSÃO QUE DESEMPENHOU. O estado de catalepsia em que amenina caiu é que deu causa à crença na morte real, e portanto numa “ressurreição”, no sentido que entre os homens esta palavra tem, se produziu porque estava nos desígnios do Senhor que assim acontece PARA CUMPRIMENTO DA MISSÃO DE JESUS e para que desse os frutos que devia dar, naquele momento e no futuro, tudo o que, assinalou a passagem do Cristo pela Terra fora previsto e preparado, mediante as encarnações dos Espíritos que haviam de concorrer para a execução  da sua obra de emissário do Senhor. Supondes que Deus possa esperar alguma coisa do que chamais EFEITOS DO ACASO? Repetimos, portanto: o Espírito da filha de Jairo não abandonara o corpo Completamente desprendido deste, que estava imerso em profundo sono estava ele preso pelo cordão fluídico do perispírito, invisível aos olhos humanos. Graças a essa ligação do Espírito com o corpo, a vida neste continuava a ser mantida, mas estava suspensa pelo estado de CATALEPSIA COMPLETA, QUE DAVA AOS HOMENS A IMPRESSÃO DA MORTE REAL. Mas Jesus disse aos que o cercavam: “A menina dorme, não morreu”. Por ato da sua vontade poderosa, ele fez voltar o Espírito à sua prisão e, pela ação magnética, restituiu a saúde ao corpo da menina: assim é que houve o despertar e a mocinha foi curada. Para prender mais a atenção dos homens, mandou o Mestre que lhe dessem de comer. Quanto á presença dos tocadores de flautas, isso indica a observância de um costume hebraico, em situações como aquela. O rumor da “ressurreição” e do restabelecimento da filha de Jairo se espalhou por todo o país. Entretanto, Jesus ordenara aos pais da menina que a ninguém falassem do acontecido. A multidão, como sabeis, não entrara, pois o Mestre a deixara de fora. Qual o motivo da proibição? É que Jesus conhecia o que o futuro reservava: não queria que naquele momento, sua fama se estendesse até aos sacerdotes e levitas. O desprezo que uns e outros votavam á credulidade e a ignorância do povo os mantinha em guarda (no sentido de que NENHUM CRÉDITO LHES DAVAM) contra os fatos “milagrosos”, isto é, impossível para eles, de se produzirem e que a voz pública  espalhava. Aspecto diverso, porém, tomaria o caso SE A “RESSUREIÇAO” DA FILHA DE JAIRO FOSSE ATESTADA PELO PRÓPRIO JAIRO, CHEFE DE SINAGOGA. Homem justo e estimado. Se a propósito da notícia emanada do povo, Jairo fosse interpelado, um pretexto qualquer lhe teria bastado  para tapar a boca dos inquisidores. Entretanto, nada disso aconteceu: os sacerdotes e os levitas pouco se preocupavam com o que pessoalmente não lhes dizia a respeito e, sobretudo, com os falatórios do povo.





CEGOS CURADOS

P – Só mesmo os ignorantes das Leis Divinas podem acreditar em “milagres”, com derrogação dessas Leis Como o Espírito da Verdade explica, ainda, a cura dos cegos no Evangelho segundo Mateus, IX: 27-31?

R – Vamos recordar.

MATEUS: 27 – Ao sair Jesus dali, dois cegos o seguiram, clamando: “Filho de David, tem compaixão de nós!” 28 – Quando entrou na casa, os cegos se aproximaram e ele lhes perguntou: “Credes que eu possa fazer o que me pedis”? Os dois responderam: “Cremos, Senhor!” 29 – Então, ele lhes tocou os olhos, dizendo: “Seja feito conforme à vossa fé” 30 – Os olhos de ambos se abriram, e Jesus lhes proibiu, terminantemente, que falassem do fato, dizendo: “Vede que ninguém o saiba”. 31 – Mas os dois se foram e espalharam por toda a parte a fama do Mestre.

A cura dos cegos se operou como todas as outras curas materiais, anteriormente registradas: por ato da vontade do Cristo e por sua ação magnética. ELE FEZ CONVERGIR, SOBRE OS OLHOS DOS CEGOS E SOBRE OS ORGANISMOS DE AMBOS, OS FLUIDOS APROPRIADOS A NATUREZA E A CAUSA DA CEGUEIRA QUE OS HAVIA ATACADO. Se o Espírito condenado às trevas humanas, quer nascendo cego, quer cegando mais tarde, só tem de sofrer esta condenação, por um certo tempo, ele encontrará, ao longo do seu caminho, a luz de que se acha privado. Tais casos são raros; entretanto, quanto mais a Humanidade se purificar, menos longa e penosa será a expiação humana, e mais apto estará o homem para o emprego daqueles meios de cura que O SENHOR VOS COLOCOU NAS MÃOS E QUE AINDA DESCONHECEIS. O emprego dos fluidos magnéticos pode fazer cessar a cegueira, quaisquer que sejam a sua natureza e a sua causa, assim como a surdez e a mudez, mas somente no caso em que o Espírito haja de suportar apenas uma prova passageira E A SUPORTE DE MODO A OBTER DO SENHOR A SUA CESSAÇÃO. Se resmunga, se não a sofre com resignação e paciência, o castigo pode ser prolongado; e, neste caso, os meios de destruir o mal são postos FORA DO ALCANCE DO HOMEM. Não é impossível a este conseguir, acidentalmente, aquele resultado, por ato da sua vontade e pela ação magnética: mas, para isso, se faz mister que UMA GRANDE PUREZA LHE DE TÃO GRANDE PODER, COM O AUXÍLIO (QUE, ENTÃO, NÃO LHE FALTARÁ) DOS ESPÍRITOS SUPERIORES, OS QUAIS PROCEDEM A ESCOLHA E LHE COLOCAM À MÃO OS FLUIDOS APROPRIADOS AO RESULTADO QUE DEVA OBTER. Tais casos são raros, dissemos antes, mais ficai sabendo: o Espírito, que haja sido condenado a sofrer apenas por um certo tempo as trevas humanas, achará no seu caminho Espíritos encarnados com a missão de pôr termo a essas provações ou expiações transitórias. O Senhor tudo prepara e prevê, a fim de que todas as coisas se passem como se devem passar. Por isso é que Jesus, falando aos seus discípulos dizia sempre: É PRECISO TER OLHOS DE VER E OUVIDOS DE OUVIR.



QUANDO O HOMEM PODE CURAR

P – Disse Jesus: “Tudo o que eu faço vós o podereis fazer”. Gostaríamos de fazer esta pergunta ao Espírito da Verdade: – Poderá o homem, realmente, curar como o Cristo curava?

R – Tudo é possível naquele que crê, como vos ensinou o Mestre. Para chegar, de modo seguro e previsto, a curar a cegueira, a surdez, a mudez, todos os males e enfermidades como os curava Jesus, é preciso que o homem, ao mesmo tempo, SE ELEVE ESPIRITUALMENTE E SE PONHA EM  CONDICÕES DE APRECIAR O VALOR DOS FLUÍDOS DE QUE SE POSSA SERVIR , DE CONHECER E DISTINGUIR A NATUREZA, OS EFEITOS E AS PROPRIEDADES DE AÇÃO DOS FLUÍDOS VIVIFICANTES, FORTIFICANTES E REPARADORES, DOS FLUÍDOS PURIFICADORES E REGENERADORES, PRÓPRIOS A DESTRUIR AS CAUSAS DE ENFERMIDADES E DOENÇAS, TANTO QUANDO ESSAS CAUSAS SEJAM INTERNAS PELO VICIAMENTO DO ORGANISMO, COMO SEJAM EXTERNAS.  Neste ultimo caso os fluídos purificadores e regeneradores destroem e devoram de pronto, com muito mais eficácia e muito melhor do que por meio de uma intervenção cirúrgica, as substancias estranhas causadoras do mal. Os fluídos fortificantes e reparadores se destinam a destruir as causas de enfermidades de origem nervosa ou paralisante. Toda enfermidade que contribua, de maneira sensível, para modificar a existência ordinária do homem é PROVAÇÃO OU EXPIAÇÃO. A cegueira, quer permanente, quer temporária, é imposta – como provação ou expiação – segundo o grau de culpabilidade, aquele que recusou auxílio a seus irmãos, que abusou de suas faculdades, fossem eles quais fossem, e que assim ficou SUJEITO A SOFRER A PENA DE TALIÃO. Terá de viver na dependência dos outros e suportar as privações resultantes da ausência daquelas faculdades QUE FORAM SUA FORÇA E SEU ORGULHO EM EXISTÊNCIA ANTERIOR. Perguntais quanto à proibição, de Jesus aos dois cegos, de falarem da cura que neles acabara de operar. Pois bem: tinha por objetivo NÃO DAR A CRER AOS HOMENS QUE SE VALEU DE MEIOS HUMANOS, PROPRIOS A CRIAR UMA REPUTAÇÃO HUMANA. Aquele que tais coisas fazia proibindo que as divulgassem, não podia passar – aos olhos de seus irmãos – por ser um charlatão ou um homem comum, ávido de uma fama que atraísse doentes, tendo em vista vantagens mercantis. JESUS, EM CERTAS OCASIÕES, COMO QUE SE CERCAVA DE MISTÉRIO PARA QUE A FAMA DOS SEUS “MILAGRES” CRESCESSE, REALÇADA POR ESSA AURÉOLA FASCINANTE: PROCEDIA SEMPRE DE ACORDO COM AS CIRCUNSTÂNCIAS E COM O MEIO EM QUE SE ACHAVA. Os efeitos tirados das leis naturais então conhecidas deviam ter um alcance moral, MAS NEM TODOS ESTAVAM APTOS A RECEBÊ-LO NAS MESMAS CONDIÇÕES. Para uns a publicidade era necessária, outros acolhiam mais favoravelmente o que lhes contavam com a sombra do mistério. O grande talento do médico está em SABER APLICAR O MEDICAMENTO NA DOSE APROPRIADA A FORÇA DO DOENTE.
                              


O POSSESSO MUDO

  P – Nada como a Luz da Verdade para sobrepujar a força da treva. Já que o Espírito da Verdade falou da cura dos cegos, poderia explicar o caso do mudo possesso?

  R – Vejamos Mateus, IX: 32-34 e Lucas, XI, 14-20.

MATEUS: 32 – Logo que eles saíram, apresentaram a Jesus um homem mudo, possesso do demônio. 33 – Tendo sido este expulso, o mudo falou. E a multidão, admirada dizia: “Nunca vimos coisa semelhante em Israel!” 34 – Mas os fariseus diziam: “Ele expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios!”.

LUCAS: 14 – Jesus expulsou o demônio de um homem que estava mudo e, logo que o demônio saiu, o mundo falou e todo o povo se encheu de admiração. 15 – Mas, entre os populares, alguns diziam: “É por Belzebu, príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios.” 16 – Outros, para o tentarem, lhe pediam um sinal do céu; 17 – Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse: “Todo reino dividido contra si mesmo será desolado, e casa sobre casa cairá. 18 – Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá subsistir o seu reino? Sim, porquanto, dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19 – Ora, se é por Belzebu que eu expulso os demônio, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso serão eles mesmos os vossos juízes. 20 – Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, é que o reino de Deus já desceu até vós..

Exercendo uma ação fluídica sobre os órgão da voz, da palavra, é que o mau Espírito – obsessor daquele homem, a quem chamavam “possesso do demônio” – o tornava mudo, subjugando-o completamente. Da mesma forma que o obsessor do cego lhe paralisa a vista, como o obsessor do surdo lhe inutiliza o ouvido (cobrindo cada um desses órgãos com uma parte do fluido que o envolve e retirando-lhe, assim, momentaneamente, as faculdades), o obsessor do mudo também lhe paralisa a voz, privando-a da faculdade de falar. Jesus ordenou ao Espírito mau que abandonasse a vítima. Tendo-se afastado o obsessor, cessou a ação fluídica que produzia a mudez, e o mudo falou. A SUBJUGAÇÃO A QUE ESTAVA SUJEITO O HOMEM E A SUA CONSEQÜENTE MUDEZ ERAM, PARA ELE, UMA PROVAÇÃO E UMA EXPIAÇÃO. Quando observardes uma punição, procurai do outro lado o abuso, falta ou crime a cuja reparação ela se destina. O mudo, constrangido a guardar silêncio, quando as palavras e a ânsia de se exprimir lhe fervilhavam no íntimo, EXPIAVA UM ABUSO DE ELOQÜÊNCIA: ORADOR DE TALENTO, CONTRIBUÍRA PARA ARRASTAR MULTIDÕES A ERROS PROFUNDOS. Expiava, portanto, a sua leviandade. Mas a provação e a expiação da mudez lhe foram impostas por limitado tempo. Sofrera o castigo sem resmungar, resignado e paciente. Por isso mesmo, Jesus o libertou. A acusação dos fariseus e dos sacerdotes era análoga à que hoje procura atingir os conhecedores das Leis Espirituais. Não são eles acusados de manter relações com Satanás? Não é ao “demônio” que AINDA HOJE acusam de vos pregar o Novo Mandamento contra a “Igreja de Jesus Cristo”? Assim sendo, é fácil compreender a acusação que fizeram ao Mestre. “Se me odeiam a mim – disse Jesus – também vos odiarão a vós”. Caminhai, portanto, nas suas pegadas, firmando-vos na sua resposta que é irrespondível: “Se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes”. Por estas palavras, o Cristo aludia aos que, seguindo-lhe os passos, procuram purificar-se espiritualmente, expulsando os “demônios” pelo jejum e pela oração. Os verdadeiros CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO são esses filhos dos homens que se purificam e se elevam acima de seus pais, pois se tornam seus juízes naturais, diante da LEI DE DEUS.
                              


OVELHAS SEM PASTOR

  P – A revelação do Novo Mandamento é a última palavra de Jesus à Humanidade, neste final de ciclo. Agora sabemos que HAVERÁ UM SÓ REBANHO PARA UM SÓ PASTOR. Como o Espírito da Verdade interpreta a passagem evangélica das ovelhas sem pastor?

  R – Evangelho segundo Mateus, IX: 35-38.

35 – Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino, curando todos os males e enfermidades. 36 – E, vendo aquelas multidões, teve piedade delas, pois estavam maltratadas e jaziam por ali como ovelhas sem pastor. 37 – Então, disse aos seus discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 – Rogai, pois, a Deus que mande trabalhadores para a sua seara”.

Os homens, entregues a si mesmos, precisavam ser grupados sob uma lei a que pudessem obedecer, porquanto a Lei de Moisés (apesar de todos os Mandamentos de Deus) se lhe tornara, no tocante às prescrições materiais, um jogo que repeliam, como fazeis hoje com o que, na Lei da Igreja, é obra meramente humana – os mandamentos humanos, as interpretações humanas que, fazendo aditamentos ao Decálogo e ao Novo Mandamento, os alteraram, falseando-lhes o sentido e a verdadeira aplicação. Ora, a multidão era grande. Dispondo de tempo limitado para estar entre os homens, Jesus concitava seus discípulos a reunirem em torno dele TODOS OS DE BOA VONTADE QUE PUDESSEM PREGAR A MORAL PURA, QUE ELE ENSINAVA. O Pastor vigilante precisava de outros pastores que fossem, por toda parte, arrebanhar suas ovelhas. Não nos cansaremos de repetir: TUDO TEM SUA RAZÃO DE SER. Tanto da parte dos incumbidos de continuar a obra de Moisés, como da parte da igreja encarregada de continuar a obra de Jesus, tudo o que ocorreu tinha de ocorrer, de acordo com os tempos e as inteligências, sob a ação e por entre as lutas da razão humana e do livre arbítrio do homem, a se debaterem nas mãos possantes do progresso. TUDO TEM SUA RAZÃO DE SER, CONFORME ÀS ÉPOCAS E A CADA FASE DA VIDA DA HUMANIDADE, QUE VAI RECEBENDO PROGRESSIVA E SUCESSIVAMENTE, EM CADA ERA, NOS TEMPOS PREDETERMINADOS PELO SENHOR E MEDIANTE UMA NOVA REVELAÇÃO, O DESENVOLVIMENTO E A EVOLUÇÃO ADEQUADOS AO ESTADO DAS INTELIGÊNCIAS. A hora da letra passou e, nos vossos dias, em que se abre uma era nova, Jesus – vendo (como ao tempo da sua missão terrena) todos os povos carregados de males e dispersos como OVELHAS SEM PASTOR -  deles se compadece, e lhes dá o Espírito da Verdade. Nós vimos, em seu nome e por ordem do Senhor, repetir-vos as palavras que o Mestre dirigiu aos seus discípulos: A SEARA É GRANDE, MAS OS TRABALHADORES SÃO POUCOS. ROGAI, POIS, A DEUS QUE MANDE TRABALHADORES PARA A SUA SEARA”. Tratai de reunir, em torno de vós, todos OS HOMENS DE BOA VONTADE, que possam pregar a moral que Jesus ensinou. Pastor vigilante, o Cristo convoca todos os pastores que possam arrebanhar as suas ovelhas, sejam quais forem suas crenças, em todos os cantos da Terra. Cristãos do Novo Mandamento, ide – guiados pelos Espíritos do Senhor – restaurar os ensinos do Salvador! Ide a todas as nações, e explicai-lhes a Nova Revelação, com as instruções daqueles Espíritos, virtudes do Céu que de lá se abalam para vos amparar; exortai a todos os vossos Irmãos, pela palavra e pelo exemplo, na ordem material, moral e intelectual, à prática do trabalho e da fraternidade, da Caridade e do AMOR UNIVERSAL. Tendes de reconduzir ao divino aprisco ovelhas desgarradas, que erram pelas charnecas do erro e da mentira, presas do fanatismo, da intolerância, da superstição, do despotismo religioso ou da incredulidade materialista. Ide e dizei que é chegada a hora do espírito que salva, formando UM SÓ REBANHO PARA UM SÓ PASTOR!





OS APÓSTOLOS DE JESUS

  P – Muitos não entendem como Jesus, a maior potência espiritual abaixo de Deus, pôde ter entre seus Apóstolos um traidor. Como o Espírito da Verdade explica esse fato?

R – Harmonizemos Mateus, X: 2-4, Marcos, III: 13-14, 16-19, e Lucas, VI: 12-19.

MATEUS: 2 – Estes são os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, que é chamado Pedro, e André, seu irmão; 3 – Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 – Simão Cananeu e Judas Iscariotes, que o traiu.


MARCOS: Subindo a um monte, chamou Jesus a si os que quis e acudiram ao seu chamado. 14 – Designou doze para estarem com ele e para serem enviados a pregar, dando-lhes o poder de curarem enfermidades e expulsarem demônios, 16 – a saber: Simão, a quem deu o nome de Pedro. 17 – Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais chamou Boanerges, que significa filhos do trovão. 18 – André, Felipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão Cananeu 19 – e Judas Iscariotes, que o traiu .

LUCAS: 12 – A esse tempo, tendo Jesus subido a um monte para orar, lá passou toda a noite falando com Deus. 13 – Quando amanheceu, chamou os discípulos e escolheu entre eles doze, chamando-lhes apóstolos: 14 – Simão, a quem chamou de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João, Felipe e Bartolomeu, 15 – Mateus e Tomé, Tiago, filho de Alfeu, e Simão Zelote; 16 – Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. 17 – Jesus, em seguida, desceu com eles do monte e se deteve numa planície, cercado dos discípulos e de grande multidão de toda a Judéia, de Jerusalém e das regiões marítimas de Tiro e de Sidon, 18 – gente que viera para ouvi-lo e para ser curada de suas enfermidades. Também eram curados os que se achavam possessos de Espíritos imundos. 19 – Todos procuravam tocá-lo, porque dele saía uma virtude que a todos curava.

Jesus, para os homens, subira a um monte, a fim de orar, e ali passara a noite, falando com Deus. Na realidade, porém, VOLTOU ÀS REGIÕES SUPERIORES DE ONDE PRESIDE A MARCHA DO VOSSO PLANETA E DISTRIBUIU AS ORDENS DO TODO-PODEROSO. Lá permaneceu enquanto esteve fora das vistas humanas. Quando amanheceu, tornando-se novamente visível e tangível, chamou os discípulos e procedeu, entre eles, à escolha dos doze apóstolos. Quanto os apelidos que lhes deu, TINHAM POR FUNDAMENTO O CARÁTER E A MISSÃO DE CADA UM DOS APELIDADOS. Entre os doze estava Judas Iscariotes, que traiu seu Mestre. Conforme vereis, pelas explicações que mais tarde daremos, JUDAS ERA UM ESPÍRITO ELEVADO EM INTELIGÊNCIA; MAS PEDINDO PERMISSÃO PARA AUXILIAR JESUS, SE ENCARREGARA DE UMA MISSÃO ACIMA DE SUAS FORÇAS. TOMARA UM PESO SUPERIOR AO QUE LHE ERA POSSÍVEL SUPORTAR, E POR ISSO FALIU. Quando chegar o momento, nós vos diremos como foi essa missão perdida, como lhe foi concedida e como foi ele arrastado a falir. Relativamente à cura das enfermidades e ao afastamento dos Espíritos obsessores, já recebeis todas as explicações. Finalmente compreendeis o que era A VIRTUDE QUE SAÍA DE JESUS: eram os fluidos que, por ato de sua vontade e do seu poder magnético, ele dirigia sobre os doentes – principalmente os que dele se aproximavam – para operar aquelas curas maravilhosas. E NENHUMA DELAS FOI MILAGRE.


A MISSÃO DOS APÓSTOLOS

  P – Depois de quase dois mil anos, nem todos entendem as instruções dadas por Jesus aos seus Apóstolos. Como o Espírito da Verdade analisa o assunto?

R – Harmonizemos Mateus, X: 1 e 5-15; Marcos, III: 15 e VI: 7-13 e Lucas, IX: 1-6.

MATEUS: 1 – Tendo vindo os doze apóstolos, Jesus lhes deu poder sobre os Espíritos impuros, a fim de os expulsarem, e o de curar todas as doenças e enfermidades. 5 – E enviou os doze, depois de lhes dar as instruções seguintes: “Não procureis os gentios e não entreis nas cidades dos samaritanos; 6 – Ide, antes, em busca das ovelhas perdidas da casa de Israel. 7 – Ide e pregai, dizendo: o reino dos céus está próximo; 8 – curai os doentes, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios, daí de graça o que de graça recebeis. 9 – Não tenhais ouro, nem prata, nem qualquer moeda nos vossos cintos, 10 – nem alforge para viagem, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão: porquanto o obreiro é digno de que o sustentem. 11 – Ao entrardes em qualquer cidade ou aldeia, procurai onde há um justo e permanecei em sua casa até que partais de novo. 12 – Ao penetrardes na casa saudai-a, dizendo: que a paz esteja nesta casa. 13 – Se a casa for digna disso, vossa paz descerá sobre ela; e, se não for, vossa paz voltará para vós. 14 – Quando alguém não vos quiser receber e não vos escutar as palavras, ao sairdes da casa ou da cidade onde tal se deu, sacudi o pó dos vossos pés. 15 – Em verdade vos digo: no dia do juízo, menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.


MARCOS: 15 do III – E Jesus lhes deu o poder de expulsar os demônios. VI: 7 – Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os Espíritos imundos. Recomendou-lhes que levassem consigo apenas o bordão; que não levassem nem alforge, nem pão, nem dinheiro nos cintos; 9 – que calçassem unicamente suas sandálias, mas não cuidassem de ter duas túnicas. 10 – E lhes dizia: na casa, em que entrardes, permanecei até partirdes de novo. 11 – Quando encontrardes pessoas que não vos queiram receber nem escutar, sacudi, ao vos retirardes, a poeira dos vossos pés, dando assim testemunho contra elas. 12 – Tendo partido, os apóstolos pregavam aos povos que fizessem penitência; 13 – expulsavam muitos demônios e ungiam com óleo muitos doentes, curando-os.

LUCAS: 1 – Jesus, tendo reunido os doze apóstolos, lhes deu poder e autoridade sobre todos os demônios e o poder de curar enfermidades. 2 – E mandou que fossem pregar o reino de Deus e curar os doentes. 3 – E lhes disse: não leveis em viagem nem bordão, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas. 4 – Na casa em que entrardes ficai, e dela não saiais. 5 – E, quando encontrardes pessoas que não vos queiram receber, sacudi, ao deixar-lhes a cidade até o pó dos vossos pés, para que isso constitua um testemunho contra elas. 6 – Os apóstolos partiram e foram de aldeia em aldeia, evangelizando e curando os enfermos por toda parte.

Jesus mandou que os apóstolos pregassem, primeiro, aos da sua nação “humana”, para que mais se apertassem os laços da fraternidade, da família e da pátria. Proibiu-lhes se munissem do que quer que fosse, a fim de que eles compreendessem bem que, missionários do Senhor, deviam tudo esperar dele no tocante às coisas da vida E NENHUMA IMPORTÂNCIA DAR AO BEM-ESTAR MATERIAL. Recomendou-lhes que abençoassem os lugares onde encontrassem boa acolhida e que sacudissem a poeira dos pés onde os repelissem, para os convencer de que por toda parte os acompanhava o Mestre, ligando o que eles (não os seus pretensos sucessores) ligassem e desligando o que eles desligassem. Jesus atuava humanamente sobre a imaginação humana de seus discípulos quando, ao pronunciar palavras positivas, se dirigia àqueles a quem falava. Ao mesmo tempo, aludia figuradamente à missão de todos os que, como os Apóstolos, seriam destacados para levar, de porta em porta, a Palavra de Deus. Dizemos figuradamente porque ELE TAMBÉM SE DIRIGIA ÀS GERAÇÕES FUTURAS, QUE VIRIAM COLOCAR-SE NAS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À EXECUÇÃO DESSA OBRA. MAS, SE O PREFERIS, PODEIS USAR O TERMO “PROFETICAMENTE”, SE BEM QUE AQUELA PROMESSA DEVERIA CUMPRIR-SE EM TODOS OS SÉCULOS. Se é certo que tem havido pastores infiéis ou falsos profetas, não menos certo é que sempre houve, também, guardas severos de seus rebanhos, praticantes da Moral que pregavam de coração limpo, não unicamente com os lábios. ESSES, SIM, É QUE SE PUNHAM E SE PÕEM NAS CONDIÇÕES DE LIGAR E DESLIGAR, NA TERRA COMO NO CÉU. VÓS OS CONHECEIS PELA VIVÊNCIA PERMANENTE DO NOVO MANDAMENTO DO CRISTO DE DEUS. Os discípulos tinham de espalhar a Verdade, como hoje vos cumpre a mesma tarefa. Ponde-vos, pois, a caminho, seguindo os verdadeiros discípulos do Salvador, que vos preparam as estradas. Entrai nelas resolutamente, porque está próximo o fim dos tempos!



LIGAR E DESLIGAR

P – Disse o Espírito da Verdade: “Jesus atuava humanamente sobre a imaginação humana de seus discípulos e figuradamente aludia à missão de todos os que, como os apóstolos, seriam destacados para levar, de porta em porta, a Palavra de Deus”. Quais o sentido e o alcance destas palavras, referentes aos discípulos: “para convencê-los de que toda parte os acompanhava o Mestre, LIGANDO O QUE ELES LIGASSEM E DESLIGANDO O QUE ELES DESLIGASSEM”? E destas outras, referentes a todos os que viviam a Moral que pregavam. “Esses se punham e se põem nas condições de ligar e desligar, na terra como no céu”?

R – Os verdadeiros sucessores dos Apóstolos de Jesus podiam alcançar o s mesmos privilégios, COM A CONDIÇÃO DE ADQUIRIREM E MANTEREM A MESMA PUREZA, ASSIM É QUE AQUELES DENTRE VÓS QUE TENTAREM, COM TODAS AS SUAS FORÇAS, ELEVAR-SE AO SENHOR, PORÉM LIGAR E DESLIGAR NA TERRA CERTOS DE QUE LIGARAM E DESLIGARAM, IGUALMENTE, NO CÉU. Mas a acepção verdadeira, na qual a vossa humanidade deve entender essa faculdade, é a seguinte: homem não pode traçar linhas de conduta que o Senhor haja de seguir, nem, portanto, lhe ditar suas maneiras de ver. O Espírito encarnado, porem, tendo atingido, certo grau de elevação, pode e deve compreender de antemão, as vontades do Supremo Juiz. Eis por que, pelos atos humanos, o mesmo Espírito se encontra em estado de sentir, dentro de si mesmo, a sentença que será proferida e, pela sinceridade do arrependimento, a indulgência com que o Juiz sentenciará. Tal o sentido em que deveis entender aquelas palavras, que o orgulho humano falseou, fazendo-as imprimir um ato arbitrário (arrogando-se o poder de absorver ou condenar, concedendo ou recusando a absolvição, de perdoar ou não os pecados, não como simples declaração MAS COMO SENTENÇA PROFERIDA EM JULGAMENTO); um tráfico vergonhoso pela venda de indulgências, e não uma faculdade altíssima, de cujo uso aquele que tais palavras abusaram SENTIAM BEM, E SENTEM HOJE MAIS DO QUE NUNCA, SER INCAPAZES. Servindo-nos dos termos ligar e desligar, empregamos as expressões e as Escrituras adota, e que explicaremos de modo especial, quando chegar à ocasião. Os discípulos fieis de Jesus eram Espíritos elevados que não se deixavam dominar pelo sentimento da animosidade pessoal e que, com segurança, julgavam do Espírito e não do homem, visto que se achavam em condições de apreciar (pela inspiração que recebiam sob a influencia e a ação espirituais) o valor daqueles a quem se dirigiam. Se, portanto, encontravam Espíritos retos e humildes, eles os abençoavam exortando-os a seguir a trilha do único Mestre; e Jesus lhes aprovava o proceder. Se, ao contrario, se viam diante de Espíritos atrasados, cujas provas longe estavam de chegar a seu termo, rebeldes ao que eles pregavam, sacudiam contra esses a poeira que traziam nos pés, isto é, se afastavam, porque OS ESPÍRITOS DE ORDEM SUPERIOR NÃO SE JUNTAM AOS ESPÍRITOS CULPADOS E SOBRE ESTES DEIXAVA O SENHOR CAIR O PESO DA EXPIAÇÃO, POR MAIS DOLOROSA QUE TIVESSE DE SER; E AI ESTÃO OS FRUTOS DO ERRO DA IGREJA, APOIANDO-SE NAS PALAVRAS QUE JESUS DIRIGIA A ESPÍRITOS EM MISSÃO NA TERRA, ELA ACREDITOU PODER APOSSAR-SE DA HERANÇA DE INFALIBILIDADE QUE, NOS APÓSTOLOS APROVADOS, O ESPÍRITO SANTO VIERA SELAR, isto é, da infalibilidade que, por ordem do Senhor, lhes vinha da assistência, da inspiração, do amparo, da proteção, do concurso permanente dos Espíritos Superiores, esquecendo-se, entretanto de chamar a si a herança de santidade, de virtudes e de elevação moral por eles deixada. Pretendeu ela, portanto, fazer uso de armas que era incapaz manejar : ter em suas mãos – vazias da pureza das mãos dos Apóstolos fieis.E MUITAS VEZES MANCHADAS, A CHAVE DA MORADA DE TODA A PUREZA. Assim repeliu os eleitos e acolheu os repelidos. Voluntariamente cega, mergulhou cada vez mais nas trevas que o orgulho e confiança em si mesma geraram. Ela despertará, porém, neste final de ciclo: a trombeta do Juízo Final vai retumbar para ela nos quatro cantos do mundo. Os Anjos do Senhor aparecerão em sua gloria, não do modo por que ela o diz, nas sua errôneas interpretações, mas na gloria da pureza. E os discípulos fies do Cristo, reencarnados para acabarem a obra que começaram VIRÃO AGORA LIGAR E RELIGAR NA TERRA, E O SENHOR LIGARÁ E DESLIGARÁ NO CÉU, POIS DELES É TAL MISSÃO E O JULGAMENTO NÃO SE ACHARÁ INQUINADO DE NULIDADE! Coragem, pois, filhos da nossa Igreja – A IGREJA DO SENHOR – porque breve esta o tempo em que o Mestre e os discípulos aparecerão de novo entre vós vossos olhos desvendados verão O JUSTO nas nuvens do céu, em que ao Anjos (isto é, os Espíritos purificadores) descerão a terra, para vos estenderem seus braços fraternais. Entoai cantos de alegria, rejubilai, porque essa hora já se aproxima!



IDE E PREGAI

P – Desejamos saber o que significam duas passagens do capitulo em estudo: “Não procures os gentios e não entreis nas cidades dos samaritanos; ide, antes em busca das ovelhas perdidas da casa de Israel”. Principalmente esta: “Ide e Pregai, dizendo: o reino de Deus está próximo!” Quais o sentido e o alcance de tais palavras de Jesus, segundo o Espírito da Verdade ?

R – Quando a primeira, Jesus queria – antes de tudo – ensinar o apoio aos parentes, estreitando aos olhos dos homens os laços da fraternidade, da família e da pátria. Igualmente, queria evitar se agitassem desde logo os preconceitos dos judeus, que se julgavam OS UNICOS APTOS A RECEBER OS BENEFÍCIOS DE DEUS. Esses gritariam: ”Sacrilégio” se vissem os discípulos do Cristo falando de arrependimento e pregando a Palavra do Senhor aos que eles, os hebreu, consideravam excluídos pelo próprio Deus da parte da herança que lhes devia tocar. Assim a pregação dos gentios se faria mais tarde, a tempo e hora. Os samaritanos como sabeis, formavam seita dissidente do hebraísmo. E gentios eram TODOS OS QUE NÃO PROFESSAVAM A FÉ DOS JUDEUS. Quanto a segunda entendei: o Reino de Deus está próximo todas as vezes que o homem aceita os maus de chegar a esse reino. O Cristo ensinava aos homens as virtudes humanas, que lhes poderiam abreviar a serie das provações terrenas. Portanto, O REINO DE DEUS ESTAVA PRÓXIMO PARA OS QUE LHE SEGUIAM OS ENSINAMENTOS. Ainda hoje, hoje mais do que então, Jesus – por nosso intermédio - diz aos verdadeiros cristãos: - O Reino de Deus está próximo porque não mais se vos apontam CAMINHOS INDIRETOS para chegardes lá. Não vos podeis mais extraviar, tomando FALSA DIREÇÃO. Servindo-se dos ESPÍRITOS DO SENHOR, que vos trazem a Nova Revelação. Ele vos mostra a estrada reta e continua em que todos vos deveis entrar. Ele vos assinala previamente esta Revelação, os obstáculos que vos detiveram os passos até agora, e diz: - EVITAI-OS! EU VOS ESTENDO AS MÃOS PARA VOS AJUDAR A TRANSPÔ-LOS! E vos mostra os sítios de repouso, onde podereis as forças gastas na jornada: a prece, o amor e a fé, praticados sinceramente e não apenas com os lábios. Mostra-vos a verdade, a vos clarear o caminho com o seu facho divino, caldo o véu que, por tanto tempo, vos impedia de ver essa claridade libertadora do Evangelho, que restitui a vista aos cegos. Mostra-vos a esperança, a vós estender a mão e vos conduzindo ao lugar em que descansareis. E vos mostra o amor que, poderoso do vosso Deus, abrindo-vos as portas do santuário, pensando-vos as chagas, curando-vos as feridas; o amor que, no limiar da morada celeste; vos diz: VINDE TODOS VÓS, QUE CHAMEI DOS QUATRO CANTOS DO MUNDO E REPOUSAI DE TODAS AS VOSSAS DORES! Não vos equivoqueis quanto ao sentido destas palavras figuradas que acabamos de vos dirigir, e que a vossa inteligência pode facilmente compreender. O LUGAR EM QUE DESCANSAREIS é o espaço infinito, onde os Espíritos bem-aventurados gozam, numa eterna atividade, da alegria dos eleitos, QUE TODOS OS HOMENS SÃO CHAMADOS A GOZAR E DA QUAL TODOS GOZARÃO.Esse repouso, ou descanso, exprime a calma do Espírito que chegou ao termo de suas provações , mediante a comparação com um viajante extenuado, que alcançou o lugar em que repousará, depois da fadiga da marcha e dos rigores do sol. Mas, bem o sabeis, tanto para o Espírito que chegou ao fim de suas provações, como para aquele que percorre o caminho delas, O TRABALHO E NÃO A INÉRCIA NUMA CONTEMPLAÇÃO ETERNA, CONSTITUI A LEI IMUTÁVEL, DENTRO DA ETERNIDADE, NA CONDIÇÃO DE OBREIRO E SERVO DO PAI QUE TRABALHA SEMPRE, QUE CRIOU, CRIA E CRIARÁ INCESSANTEMENTE! Todavia ,para o Espírito que chegou ao fim de suas provações, o trabalho não é o que é para vós,.Ele encontra no trabalho uma alegria imensa, complemento da que lhe está prometida. O trabalho, para nós, é MIL VEZES MAIS SUAVE DO QUE, PARA VÓS, O REPOUSO INDOLENTE DA EXISTÊNCIA TERRESTRE.



O PODER E A AUTORIDADE

P – Destacamos , do ponto em estudo, estes versículos: Mateus, 1 – “E Jesus deu aos doze Apóstolos poder sobre os Espíritos impuros, para os expulsarem, e de curar todos os males e enfermidades”; Marcos, 15 – “E lhes deu o poder de poder de curar as doenças e de expulsar os demônios”; Lucas, 1 – “Jesus, tendo reunido seus doze Apóstolos, lhes deu poder e autoridade sobre todos os demônios e poder de curar as enfermidades”. Ainda este versículo 8 de Mateus: “Curai os doentes , ressuscitai os mortos , limpai os leprosos , expulsai os demônios”. Ao Espírito da Verdade perguntamos: qual (despojado da letra o Espírito imortal) a significação dessas palavras do Cristo de Deus?

R – Os Apóstolos aprovados eram Espíritos evoluídos , encarnados em missão, e que aceitaram as condições rigorosas da primeira fase de suas existências humanas, FASE QUE LHES PRECEDEU A VOCAÇÃO, A FIM DE CONCORREREM PARA A OBRA DE REDENÇÃO DA HUMANIDADE. Em seus trabalhos tiveram o auxilio dos Espíritos Superiores, que os acompanharam sempre, neutralizando neles a influencia da carne sobre o Espírito , adicionando-lhes às faculdades aquelas de que dispunham , DESSE CONCURSO RESULTARAM AS GRANDES COISAS QUE OS APÓSTOLOS REALIZARAM, depois da ascensão de Jesus, Eles aceitaram aquela existência humana , cuja primeira parte devia transcorrer em condições tão humildes quanto vulgares, para melhor fazerem sentir a transformação do portageiro, do pescador inspirado, manejado, de todos os idiomas , capaz operar “milagres” à vista das multidões maravilhadas . Assim, Jesus deu aos Apóstolos poder e autoridade sobre todos os maus espíritos , o poder de curar todos os males e enfermidades, de restituir a saúde aos doentes, de ressuscitar os mortos , de purificar os leprosos , de expulsar os demônios (obsessores) - dando-lhes a assistência, e apoio e o concurso dos Espíritos Superiores, sustentados estes Pelos Espíritos Puros que tem PODER IMEDIATO sobre todos os Espíritos maus, bem como o de curar todas as enfermidades e RESSUSCITAR OS MORTOS SEGUNDO O ENTENDER DOS HOMENS. Os Apóstolos - já o sabeis - eram médiuns , quer dizer: intermediários dos Espíritos Superiores que os assistiam, junto aos homens . Com o auxilio das faculdades mediúnicas , sob a ação e a influência mediúnicas , é que eles falavam e operavam, contribuindo para a Obra de Regeneração Humana. Para expulsarem os maus Espíritos, isto é, PARA LIBERTAREM OS HOMENS DA SUBJUGAÇAO , TANTO CORPORAL COMO ESPIRITUAL OU MORAL, ORDENAVAM AOS OBSESSORES QUE SE AFASTASSEM DA VITIMA , EMPREGANDO AS MESMAS PALAVRAS DE QUE USAVA O MESTRE: “SAI DESSE HOMEM!” E os obsessores se afastam no mesmo instante, por ato da vontade dos Espíritos Superiores. Para restituir a saúde aos doentes , limpar os leprosos, curar todos os males e enfermidades , impunham as mãos e ungiam com óleo os enfermos, operando pela própria vontade e pela ação magnética humana. Ao mesmo tempo, os Espíritos Superiores, associando sua vontade à deles POR MEIO DO MAGNETISMO ESPIRITUAL, escolhiam e lhes punham, ao alcance, os fluidos apropriados aos eleitos, aos resultados que tinham de ser obtidos, á cura que se havia de operar, Entendei: UNGIAM COM ÓLEO, MUITOS DOENTES APENAS PARA TORNAR A AÇÃO QUE EXERCIAM MAIS COMPREENSÍVEL AOS HOMENS, NENHUMA NECESSIDADE TINHAM, PARA OBTEREM A CURA, DE RECORRER A ÊSSES MEIOS MATERIAIS, EXTERNOS , PORQUANTO A MÃO DO MAGNETIZADOR HUMANO OU A VONTADE DO CRISTO TERIAM ENVIADO, SEM ISSO AO ORGANISMO DOENTE OS FLÚIDOS DE QUE SE ACHAVA CARREGADO O ÓLEO .Aplicando o das oliveiras, usavam dos meios postos a seu alcance, a fim de mostrarem que tudo pode servir para a execução dos desígnios de Deus, quando se tem a fé inabalável. Quanto às palavras “RESSUSCITAI OS MORTOS”, Tratai de compreendê-las em Espírito e Verdade. As Leis Naturais, que Deus estabeleceu desde toda a eternidade, são IMUTÁVEIS, e a vontade – também imutável – do Criador NÃO AS DERROGA NUNCA, NEM JAMAIS FORÇA O ESPÍRITO A SE UNIR A PODRIDÃO, ISTO É, AO CADÁVER. Jesus precisava, para o bom êxito de sua missão terrena, para que ela produzisse os devidos frutos naquele momento e no futuro, impressionar fortemente a imaginação dos homens atrasados da época, apropriando, ao mesmo tempo, a linguagem às crenças e os preconceitos dos hebreus. Precisava preparar as gerações que teriam de receber, nos tempos determinados pelo Senhor e quando o indispensável progresso estivesse realizado, a Nova Revelação que fora predita e vos é trazida hoje pelo Espírito da Verdade. O estado cataléptico, reconhecido mais tarde, era quase ignorado dos antigos que, solícitos em afastar de si os focos de infecção, QUEIMAVA SEUS “MORTOS” OU OS ENCERRAVAM EM TÚMULOS, LOGO QUE SE APRESENTAVAM SINAIS INDICADORES (PARA ELES) DA CESSAÇÃO DA VIDA ! Muitas expiações, pelo fogo ou pela fome, assim se verificaram naquelas épocas em que a ignorância dos homens servia para que muitos pagassem crimes cometidos em existências anteriores. Dissemos que os antigos quase ignoravam o estado cataléptico, porque somente alguns homens – mais adiantados – tinham dele noção; esta era, porem, muito vaga, porque, não há compreendiam, nem espiritual nem cientificamente. Os Apóstolos, os discípulos, a multidão em volta, a turba do escribas, dos fariseus e dos sacerdotes O DESCONHECIAM COMPLETAMENTE. Os Evangelistas, médiuns historiadores inspirados, reproduziram (debaixo da influencia e da inspiração mediúnicas) tal qual Jesus as pronunciara, estas palavras: “Ide...e ressuscitai os mortos”. Empregaram as expressões de que dispunham para relatar os fatos, mas SEM POSSUIREM O SEGREDO DO PENSAMENTO QUE JESUS OCULTAVA SOB AQUELAS PALAVRAS, AS QUAIS – PARA ELES COMO PARA OS OUTROS HOMENS – FICAVAM SUJEITAS AS INTERPRETAÇÕES HUMANAS. Já o dissemos e insistimos ; todas as ressurreições de pessoas consideradas mortas pelos homens - tanto no Velho quanto no Novo Testamento da Bíblia Sagrada – não foram mais que a suspensão do estado cataléptico. Todos os indivíduos tidos por mortos estava nesse estado, não se havendo produzido neles o rompimento do laço que prende o Espírito ao corpo. Considerados por todos como mortos, mortos teriam eles ficado , realmente, sem socorro dos Espíritos Puros e dos Espíritos Superiores, os quais – com a sua vontade poderosa  e com o seu poder magnético – assistiam tanto os Profetas  (que inconsciente desse concurso, atribuíam à ressurreição do “morto” a uma ação direta de Deus) quando os Apóstolos  (que também inconscientes dessa presença, atribuíam, todas as “ressurreições” a ação direta do próprio Jesus ). Mas – quer com relação aos Profetas , quer com relação aos Apóstolos – os Espíritos Puros e os Espíritos  Superiores agiam sob a direção do Cristo , pois, como sabeis e jamais podereis perder de vista. Jesus é O PROTETOR E GOVERNANTE SUPREMO DO VOSSO PLANETA. PRESIDIU A SUA FORMAÇÃO E DESDE ESSES TEMPOS IMEMORIAIS, O DIRIGE, COMO TAMBEM A HUMANIDADE TERRENA, QUE SERÁ POR ELE CONDUZIDA A PERFEIÇÃO.



HONESTIDADE NAS COISAS DE DEUS

P – Os ensinamentos do Espírito da Verdade são de uma clareza meridiana. Por isso, perguntamos ao Paráclito: – Qual o sentido das palavras de Jesus: “Daí de graça o que de graça recebeis”?

R – No pensamento do mestre essas palavras eram ditas  para aquele momento e também para o futuro. A mediunidade ou carisma, as faculdades que os Apóstolos possuíam , a assistência e o concurso dos Espíritos puros e dos Superiores eram, ao mesmo tempo e concomitantemente, os meios pelos quais , no desempenho de suas missões, eles pregavam o Evangelho, anunciavam o Reino de Deus, curavam as moléstias e as enfermidades, ressuscitavam os que eram considerados mortos, expulsava os demônios ou maus Espíritos. E esse carisma, essas faculdades mediúnicas, essa Assistência e esse concurso ERAM UM DOM GRATUITO DE DEUS DIZENDO AOS APÓSTOLOS ”DAÍ DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA O QUE RECEBEIS DE GRAÇA”, JESUS LHES ENSINAVA QUE AS COISAS DE DEUS JAMAIS DEVEM CONSTITUIR OBJETO DE TRÁFICO, DE ESPECULAÇAO, DE MEIO DE EXISTENCIA MATERIAL HUMANA.Isto é: no desempenho das missões de que se achavam investidos, suas palavras e seus atos não deviam  ter por móvel senão o amor a Deus, o amor desinteressado ao próximo, a mais completa humildade. Pois aquelas palavras também eram dirigidas aos que – médiuns, investidos de faculdades mediúnicas, para o serviço divino – SERIAM OS INTÉRPRETES E OS INTERMEDIÁRIOS DOS BONS ESPÍRITOS JUNTO DOS HOMENS. Sim, eram dirigidas a todos os que apóstolos da nova Revelação, inspirados pelos Espíritos do Senhor, seriam chamados a pregar a LEI DE JESUS, QUE É O NOVO MANDAMENTO, EXPLICADA EM ESPIRITO E VERDADE. O Cristo, por nosso intermédio, diz a todos vós como disse aos Apóstolos: “DAI DE GRAÇA, SEGUINDO-LHES AS PEGADAS, O QUE DE GRAÇA TENDES RECEBIDO”; PORQUANTO, PARA VÓS COMO PARA ELES, TUDO VEM DE DEUS E VOS É DADO DE GRAÇA, A FIM DE CUMPRIRDES HONROSAMENTE A VOSSA MISSÃO.
                                                                                             


A INSTRUÇÃO ESPIRITUAL

P – Como o Espírito da Verdade está procedendo à revisão das Revelações conhecidas, gostaríamos de saber – face nos termos dos versículos 9 e 10 de Mateus, 8 e 9 de Marcos, 3 de Lucas – quais foram, NA RELIDADE, as palavras ditas por Jesus e qual o seu significado  real. É possível?

R -  As palavras realmente ditas pelo Mestre são: “Não tenhais e não leveis convosco nem alforje, nem pão, nem ouro, nem prata, nem moeda nos vossos cintos; não tenhais duas túnicas; toma um bordão, para vos apoiardes durante a viagem, e colocai aos pés sandálias para suportardes a caminhada”. Por essa ordem, diretamente dada aos seus Apóstolos, O CRISTO ENSINAVA A HOMENS MATERIAIS O DESPREZO DOS BENS TERRENOS E A CONFIANÇA INABALÁVEL NA PRESENÇA E NO PODER DE DEUS. Para os homens dos vossos dias, mas principalmente para vós, consideradas aquelas palavras como ditas por Jesus tendo em vista o futuro, o ensino é este: “Não ligueis vossa missão  as coisas transitórias, mas aquelas que não perecem; não cuideis antecipadamente de vos proverdes de erudição  e ciência humana, E SIM DE VOS INSTRUIRDES NO QUE CONDUZ A VIDA ETERNA.” Não quer isto dizer que vos concitamos a desprezar os estudos e os cuidados que a vossa existência reclama. Esta apresenta exigências, a que vos deveis submeter: é uma obrigação a cumprir MAS NÃO DEVEIS TORNÁ-LAS O OBJETIVO ÚNICO DE TODA A VOSSA VIDA. Armazenai, portanto, pão  que sustenta o corpo, tanto para vós como para os vossos irmãos que não tiverem podido fazer o mesmo; MAS ARMAZENAI, SOBRETUDO, O PÃO DA VIDA. Sim deveis adquirir a instrução necessária ao desenvolvimento da vossa inteligência. MAS TRATAI DE ADQUIRIR, PRINCIPALMENTE, A INSTRUÇÃO ESPIRITUAL QUE VOS LEVARÁ AO BOM TÊRMO DA VOSSA MISSÃO – EVANGELIZAR E APOCAPLIPTIZAR AS MASSAS TÃO NECESSITADAS DE AMPARO NA HORA DO PRÓXIMO E ÚLTIMO ARMAGEDON  DESTE CICLO
                          


QUEM É JUSTO?

P – Mereceram nossa atenção, na Cruzada do Novo Mandamento no Lar, estas palavras do Mestre: “Ao entrardes em qualquer cidade ou aldeia, perguntai onde há UM JUSTO, e em sua casa permanecei até partirdes de novo. Ao penetrardes na casa, saudai-a, dizendo: - Que a paz esteja nesta casa. Se ela for, mesmo, digna disso, vossa paz descerá sobre essa casa; mas, se o não for, voltará para vós a vossa paz”. Como o Espírito da Verdade nos explica esta passagem?

R – Entrando na casa do justo, os discípulos pediam as bênçãos do Senhor e, portanto, A PROTEÇÃO DOS BONS ESPÍRITOS PARA AQUELE QUE OS ACOLHEU. Se, no entanto, era falsa a apreciação humana, se o homem considerado justo por seus irmãos era velhaco e mentiroso, um rematado hipócrita, COMO O HOMEM PODE ILUDIR OS OUTROS MASNÃO ILUDE A DEUS, AS BENÇÃOS – EM VEZ DE DESCEREM SOBRE ELE – CAÍAM SOBRE O QUE SE MOSTRAVA DIGNO DELAS. Afastavam-se do falso e se aproximavam do puro. Quereis saber quem é justo, e nós respondemos: O JUSTO É AQUELE QUE SE ESFORÇA POR TRILHAR O CAMINHO DO MESTRE E JAMAIS SAIR DELE. É aquele que pratica as virtudes impostas ao homem como condição para chegar a Deus; o que pratica a verdadeira Caridade do Novo Mandamento; o que se oculta, vela seus atos e palavras, se faz humilde no SEGREDO DO CORAÇÃO, porquanto – se sois caridosos, mas confiais em que praticastes um ato meritório DE QUE OS OUTROS NÃO SERIAM CAPAZES – insignificante é o vosso mérito! O justo é aquele que faz o Bem sem egoísmo, sem idéia preconcebida, sem esperar o reconhecimento dos beneficiados ou o louvor dos indiferentes e, ainda mais, SEM CONTAR COM A RECOMPENSA DO MESTRE. O justo é aquele que tem a fé inabalável, que a tudo resiste, que não se impõe pela força, mas se patenteia na prática das boas obras, pela palavra e pelo exemplo. A fé que pode levar os outros homens a dizerem dele: - Por que não tenho a sua fé? Eis aí um JUSTO AOS OLHOS DE DEUS!



O  PÓ DAS SANDÁLIAS

P – No mesmo capítulo, disse Jesus aos seus discípulos: “Quando encontrardes pessoas que vos queiram receber nem escutar, sacudi – ao vos retirardes – a poeira dos vossos pés, a fim de que isso constitua um testemunho contra elas. Em verdade vos digo; no dia do juízo haverá menos rigor para Sodoma e Gomorra  do que para essa cidade”. Perguntamos ao Espírito da Verdade: – Quais são, despojados da letra o Espírito,  o sentido e alcance dessas palavras?

R – Tais palavras, segundo o pensamento do Mestre, foram ditas para aquela época e para os tempos vindouros. Dirigiam-se, não só aos discípulos de então como também aos que viriam a se discípulos na Era Nova. Aqueles, quem o Senhor envia a Luz e que recusam  aceitá-la, são mais culpados que os infelizes, imersos nas trevas, QUE NENHUM SOCORRO DIRETO RECEBEM, PARA SAIR  DELAS. Não vos conserveis perto dos primeiros: não percais vosso tempo é precioso: ide pois trabalhar sempre na Vinha do Senhor. Ela se abre em aléias  diante de vós e borda o caminho , mas nem todas as cepas são boas. Ao tentardes melhorar aquelas que vos pareçam estéreis, se virdes  que – apesar de todos os vossos esforços – não dão fruto algum, deixai-as se tempo ainda não chegou. Passai a outras em que, com inteligentes e afetuosos cuidados, podereis observar o desenvolvimento dos sucos, que dão  força e vida. Não percais o vosso tempo. Trabalhai sempre com ardor. MAS TRABALHAI CAMINHANDO PARA FRENTE, POIS TENDES DE PERCORRER ESTRADA MUITO LONGA PARA CHEGARDES AO FIM. Sim no dia  do juízo, haverá menos rigor para Sodoma e Gomorra, isto é para com os Espíritos culpados que, afogados nas trevas, não tiveram socorro direito para saírem delas, do que para os Espíritos rebeldes que recusaram receber a Luz que o Mestre, ainda hoje, lhes envia por meio de seus novos discípulos. Sim, quem rejeitou os socorros para se tornar melhor É UM ESPÍRITO OBSTINADO NO MAL, E LONGA SERÁ POR ISSO, A DURAÇÃO DAS SUAS PROVAS E EXPIAÇÕES: INFINIDADE DE SOFRIMENTOS CORRESPONDENDO A INFINIDADE DE FALTAS. Quer dizer: os sofrimentos  ou torturas morais, apropriados e proporcionais às faltas, ao grau de culpabilidade, suportados  na erraticidade após  a morte, ao fim de cada existência sucessiva, e a reencarnação nos mundos inferiores, SE REPRODUZIRÃO, PARA O ESPÍRITO CULPADO, ATÉ QUE POR MEIO DE PROVAÇÕES BEM SOFRIDAS, DEIXE ELE DE SE MANTER REBELDE À LEI DE REPARAÇÃO E DE PROGRESSO, SEGUNDO A QUAL PURIFICARÁ. PARA TOMAR LUGAR  ENTRE OS BONS ESPÍRITOS; ISTO OCORRERÁ QUANDO, POR SE HAVER TORNADO INCAPAZ DE PRATICAR O MAL, SÓ DESEJE PRATICAR O BEM.





OVELHAS NO MEIO DE LOBOS

  P – Uma frase que muito se comenta, em nosso Posto Familiar, é esta de Jesus: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos”. É que a maldade humana parece concentrar-se contra os verdadeiros cristãos! Que diz a isto o Espírito da Verdade?

R – Harmonizemos Mateus, X: 16-22 e Lucas, XII: 11-12.

MATEUS: 16 – Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos, portanto, sede simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes. 17 – Guardai-vos dos homens, pois vos farão comparecer perante seus tribunais e vos flagelarão nas suas sinagogas. 18 – Sereis levados, por minha causa, à presença dos governadores e dos reis, para dardes testemunho de mim diante deles e das nações. 19 – E, quando vos fizerem comparecer, não vos preocupeis com o que havereis de falar: na ocasião vos será dado o que direis, 20 – porque não sois vós quem fala, mas é o Espírito de vosso Pai quem fala em vós. 21 – O irmão dará morte ao irmão e o pai ao filho; os filhos se revoltarão contra seus pais e os farão morrer. 22 – E todos vos odiarão por causa do meu nome; mas aquele que persevera até ao fim será salvo.

LUCAS: 11 – Quando vos conduzirem às sinagogas e à presença dos magistrados e poderosos, não vos cause inquietação o modo por que respondereis, nem o que direis, 12 – pois o Espírito Santo falará por vós.

Estas palavras do Mestre, conquanto aplicáveis a todas as épocas e a todos os Homens de Boa Vontade, eram dirigidas principalmente aos Apóstolos, e se referiam às perseguições físicas. Jesus os prevenia da sorte a que iam estar sujeitos, eles e seus seguidores, nos séculos que se seguiriam ao cumprimento da sua missão terrena, ATÉ AOS TEMPOS EM QUE A INTOLERÂNCIA, O FANATISMO, A IGNORÂNCIA, A SUPERTIÇÃO, A AMBIÇÃO INSACIÁVEL E O DESPOTISMO RELIGIOSO DEIXARIAM DE TER SOB O SEU DOMÍNIO E POR AUXILIARES OS REIS, OS MAGISTRADOS, O BRAÇO SECULAR; EM QUE DEIXARAM DE FAZER VÍTIMAS POR MEIO DAS TORTURAS, DOS AUTOS DE FÉ, DAS FOGUEIRAS INQUISITORIAIS, E CEDERIAM LUGAR, RESPEITADA A VIDA DO HOMEM, A LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E AO LIVRE EXAME, TARDIAMENTE PROCLAMADAS ENTRE VÓS E DESFRUTADAS PELOS POVOS CIVILIZADOS. “Eu vos envio (dizia o Mestre aos discípulos) como ovelhas para o meio de lobos. O irmão dará morte ao irmão e o pai ao filho; os filhos se revoltarão contra os pais e os farão morrer”. Dessa forma, ele vos avisava das perseguições físicas, que teriam de sofrer e das dissensões que surgiriam no seio da Pátria, da família e nos lugares mais íntimos do lar doméstico. Também vós, apóstolos da Nova Revelação, deveis esperar as perseguições, senão físicas, pelo menos morais. É uma lei humana: TODOS OS QUE SE ACHAM MAIS ELEVADOS DO QUE AQUELES QUE OS CERCAM PROVOCAM O INVEJA DESTES. No século que atravessais, no qual predomina o amor ao dinheiro, às dignidades, às honrarias, aos gozos materiais, à superstição e à religião das conveniências, geralmente os homens (apenas sob o ponto de vista material) despertam a inveja daqueles que o cercam, pela fortuna que possuem ou pela inteligência que demonstram no que diz respeito às coisas do mundo. Entretanto, não vos iludais: o sarcasmo, a ironia, o deboche SÃO A MÁSCARA QUE COBRE O SENTIMENTO INSTINTIVO DA INVEJA. Os que zombam de vós sentem, no fundo de seus corações, que caminhais com mais segurança do que eles e, por isso mesmo, que mais depressa alcançareis a meta. As perseguições de que já sois (e ainda sereis) alvo constante, são estas: os escribas e fariseus de vossos dias vos atingirão com seus ódios e suas injúrias, formulando contra vós as mesmas acusações que faziam a Jesus: agentes do demônio, da charlatanice e da loucura. Pois eles são de tal feitio que – a fazerem qualquer esforço por galgar o cimo da montanha, para ali respirar um ar puro e vivificante – preferem miná-la pela base, correndo o risco de serem esmagados pelo seu desmoronamento. Esta a razão porque toda inteligência superior se torna objeto das perseguições da ignorância, da cupidez, do orgulho e do egoísmo – principalmente quando se constitui, na ordem moral e na ordem intelectual instrumento de uma verdade nova, de um novo progresso e como tal se choca, INEVITAVELMENTE, com os “prejuízos”, as idéias aceitas (e tão cômodas), os interesses e as paixões de toda ordem. SOMENTE A DOR DAS PROVAÇÕES E DAS EXPIAÇÕES SUCESSIVAS PODERÁ HUMANIZAR E, DEPOIS, ESPIRITUALIZAR ESSAS NATUREZAS ANIMAIS!



PRUDENTES COMO AS SERPENTES

P – Uma recomendação de Jesus aos discípulos escandaliza, ainda hoje, certos livre-pensadores: “Sede prudentes como as serpentes”. Como Espírito da Verdade interpreta essas palavras?

R – Realmente, disse o Mestre: "Sede simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes”. Tendo de fazer triunfar a Divina Moral que pregavam, os apóstolos, para o conseguirem, DEVIAM EMPREGAR OS MEIOS QUE SE TORNASSEM NECESSARIOS MAS CONSERVANDO INTEGRA A PUREZA DE PENSAMENTO E DE AÇÃO. Não acredites, jamais, que – para obterdes o triunfo real , das vossas máximas . das verdades imutáveis que pregais – devas falar em todas as ocasiões no mesmo tom. Não, A CIÊNCIA DO PREGADOR ESTÁ EM APROPRIAR SUA LINGUAGEM AS INTELIGÊNCIAS DAQUELE A QUEM FALA. Se traçardes a seguirdes sempre uma só norma de proceder, em tal matéria, tereis bom êxito com uns e sereis mal sucedidos com outros; TENDE, PORTANTO, A PRUDENCIA DAS SERPENTES. Não é que possais fazer vitima, nem sufocar o desgraçado que apanheis; e que, falando os Espíritos orgulhosos e suscetíveis, cumpre avanceis com prudência. Envolvei-os destramente com os vossos raciocínios, atai- os com os vossos exemplos, de tal modo que, quando perceberem que procurais apoderar-vos deles, não mais lhes seja possível evitar essa benéfica “prisão” da Moral do Cristo. Mas, para chegar-vos a semelhante resultado, nunca empregueis se não os meios que a Boa Vontade vos faculte. SOBRE VÓS MESMOS É QUE DEVEIS EXERCER TODO O VOSSO IMPERIO, DE MODO QUE AS VOSSAS ”VITIMA” SÓ O SEJAM DO VOSSO AMOR SEM LIMTES, NASCIDOS DO NOVO MANDAMENTO DE JESUS. Sim, sede prudentes porque também – como advertiu o Mestre - “sereis levados, por minha causa a presença dos governadores e dos reis, para dardes testemunho de mim diante deles e diante das nações. Quando vos fizerem comparecer, quando vos conduzirem as suas Sinagogas, a presença dos magistrados e dos poderosos, não vos cause inquietação o COMO HAVEIS DE FALAR, nem o que pensareis, nem que respondereis; o que tiverdes que viver vos será dado na ocasião, pois o Espírito Santo vos ensinará, no mesmo instante, o que houverdes de expressar, “POIS NÃO SOIS VÓS QUEM FALARÁ, MAS O ESPÍRITO DE VOSSO PAI QUE FALARÁ EM VÓS”. Se os Apóstolos não fossem prudentes, senão depositassem confiança no Mestre, eles que eram homens saídos do povo, sem educação, sem maneiras, sem requintes, não teriam caminhado para a frente. A desconfiança de si mesmos os teria paralisado. Mas, certos de que a inspiração do Espírito Santo os iriam amparar. AVANÇARAM COM PASSO FIRME PARA TODAS AS LUTAS. As ciências, latentes neles, se desenvolveram; a assistência dos Espíritos do Senhor os fortificou; a fé inabalável os impeliu e a obra se executou, de modo tanto mais frisante, tanto mais notável para as massas, quanto. NINGUEM IGNORAVA DE ONDE PROVINHAM AQUELES HOMENS QUE, COM TAMANHA FACILIDADE FALAVAM AS LINGUAS ESTRANGEIRAS, DEFENDIAM COM SUMA ELOQUENCIA A SUA PRÓPRIA CAUSA E AS DE  SEUS IRMÃOS DE HUMANIDADE. Mostravam em tudo , finalmente, um saber, um cabedal de conhecimentos que ninguém poderia supor que possuíssem. Notai, de passagem, que em parte alguma se diz que qualquer um deles era senhor de todas as ciências. Cada um tinha suas especialidades, DE ACORDO COM OS ANTECEDENTES DA SUA EXISTÊNCIA.



PERSEVERAR ATÉ AO FIM

P – É impressionante a transformação que Jesus operou naqueles humildes pescadores, que foram os seus Apóstolos! Quem eram eles, afinal ? E que diz o Espírito da Verdade sobre a necessidade de perseverar ATÉ O FIM?

R – Os Apóstolos eram médiuns inspirados e conforme as circunstancias e necessidades da atenção audientes e falantes.Quando inspirados, O MECANISMO DA PALAVRA LHES PERTENCIA; SÓ O PENSAMENTO LHES ERA DADO. Toda vez que excepcionalmente, se fazia necessário, eles se tornavam médiuns falantes, e, como tais, INSTRUMENTOS DOS ESPIRITOS SUPERIORES QUE OS GUIAVAM e que pela ação de seus perispíritos sobre os deles, atuando fluidicamente sobre o órgão da palavra, se serviam deste, fazendo-os dizer o que devia ser dito. Espíritos elevados em missão na terra, tinham nos apóstolos grande facilidade de comunicação com os Espíritos Superiores, o que tornava suas mediunidades diferentes das vossas. PARA VÓS, AS MEDIUNIDADES OU CARISMAS AINDA NÃO CHEGARAM AO SEU COMPLETO DESENVOLVIMENTO; NEM MESMO OS COMPREENDEIS. Que é que se dá, em certos casos, com o orador cuja linguagem muda de repente, sob a inspiração do momento? Que acontece com o orador que – tendo-se preparado para tratar do assunto desta ou daquela maneira – SE VE ARRASTADO POR UMA FORÇA IRRESISTÍVEL, A DESENVOLVÊ-LO SOB OUTRO PONTO DE VISTA? Direis eu cede à “inspiração do gênio”. Mas de que gênio, senão do Espírito que veio em seu socorro e lhes prestou auxilio momentaneamente, fazendo dele um MÉDIUM INSPIRADO, MUITAS VEZES INCONSCIENTE DA INFLUÊNCIA A QUE FICOU SUJEITO? Aquelas expressões de que Jesus se serviu falando aos discípulos “O ESÍRITO SANTO”, “O ESPÍRITO DE VOSSO PAI” significam: os Espíritos Superiores, designados pelo Senhor para os guiar. Também tinham por fim fazer-lhes compreender QUANTO ERA ELEVADA A INSPIRAÇÃO. Não convindo, ainda, que revelasse aos homens a hierarquia espiritual o Mestre Senhor não inspira diretamente o homem; enviá-lhe seus Espíritos para que o guiem. Ora, os Espíritos que serviam ao Cristo, no desempenho de sua missão terrena, eram entidades elevadas, assistidas por Espíritos ainda mais elevados. A INSPIRAÇAO DIVINA AOS APÓSTOLOS VINHA, PORTANTO, MAIS DIRETAMENTE. Pelas locuções Espírito Santo, Espírito de vosso Pai, já o sabeis, se designam os Espíritos Puros, os Espíritos Superiores e os Bons Espíritos. QUE O SENHOR ENVIA PARA GUIAR OU INSPIRAR OS QUE TEM POR MISSÃO FAZER TRIUNFAR A VERDADE; OS QUE SAIRAM PARA VENCER, COM ESTÁ NO APOCALIPSE, DAÍ SE CONCLUI QUE AS PALAVRAS DE JESUS, DIRIGIDAS AOS APÓSTOLOS, SE APLICAVAM TAMBEM, NO SEU PENSAMENTO, A TODOS OS HOMENS DE BOA VONTADE QUE, o mestre não podia indicar mais que o seu ponto de partida: O PAI, isto é, DEUS O ENTÃO E NO FUTURO, SE CONSTITUíSSEM OS CAMPEÕES DA VERDADE. Podeis, e sempre podereis, verificar a realidade desse apoio dado ao fraco cheio de fé, quando lhe é necessário, não para brilhar e prender a atenção. MAS SEMPRE QUE SEJA PRECISO REVELAR UMA VERDADE SÉRIA QUE NÃO É DE NENHUMA CORRENTE RELIGIOSA, MAS DE DEUS, O PAI CELESTIAL. Ainda hoje o Espírito Santo vos ensina o que deveis dizer, porque ainda hoje “fala em voz o Espírito do vosso Pai”, pois o Senhor envia seus Espíritos para vos guiar e inspirar, quando falais aos homens com fé e humildade, não visando as glorias pessoais mas à VITÓRIA DA VERDADE, A PROPAGAÇÃO DA LEI DE JESUS E DA NOVA REVELAÇAO. Por isso mesmo, o Salvador adverte: “TODOS VÓS ODIARÃO POR CAUSA DO MEU NOME; MAS AQUELE QUE PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO”. E, em nome do nosso Mestre, vos dizemos: – Sereis objeto do ódio e das injurias dos homens que se acham ligados, pelo interesse, pelo orgulho, pelo espírito de dominação e intolerância, a esse PASSADO PRESTES A SER ESBOROAR E QUE ELES EM VÃO, TENTAM MANTER DE PÉ. Sereis alvo das ironias, dos sarcasmos, dos deboches dos que – pela incredulidade, pela ignorância espiritual, pelo materialismo dialético, pelo sensualismo e pelos apetites animais – se conservam afastados de Deus. Imitai, portanto os Apóstolos a provados de Nosso Senhor e Mestre! Aquele que, verdadeiro. CRISTÃO DO NOVO MANDAENTO, DÓCIL À VOZ DO CRISTO, PERSEVERAR ATÉ AO FIM, SERÁ SALVO PARA SEMPRE., ISTO É, TOMARÁ LUGAR ENTRE OS BONS ESPÍRITOS, DE ACORDO COM O GRAU DE PUREZA E ELEVAÇÃO QUE HAJA ATINGIDO PELO SEU MERECIMENTO.





A VOLTA DE JESUS

P – Disse o Mestre aos seus discípulos: “Não tereis percorrido todas as cidades de Israel antes que volte o Cristo”.  Como o Espírito da Verdade explica essas palavras ?

R – Temos de reunir estas passagens dos Evangelhos: Mateus, X: 23-27 e Lucas XII: 1-3 e VI: 39-40. 

MATEUS: 23 – Quando, pois, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: não tereis,percorrido todas as cidades de Israel antes que venha o Filho do Homem. 24 – O discípulo não está acima do Mestre, nem o servo acima do Senhor.  25 – Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo como o senhor. Se ao pai de família chamaram Belzebu, quando mais aos seus domésticos! 26 – Não os temais, porém, porque nada há oculto que não venha a ser revelado e nada secreto que não venha a ser conhecido. 27 – O que vos digo nas trevas dizei-o às claras; o que escutais no ouvido pregai-o sobre os telhados.

LUCAS: 1 – Tendo-se reunido grande multidão em torno de Jesus, de tal modo que uns aos outros se apertavam, entrou ele a dizer aos seus discípulos: guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2 – porquanto nada há de oculto que não venha a ser conhecido, 3 – Assim o que dissestes nas trevas será ouvido às claras, e o que houverdes dito ao ouvido dentro dos aposentos, será pregado de sobre os telhados. 39 – Também lhes propôs esta comparação: pode, acaso , um cego guiar outro cego ? Não cairão ambos no posso? 40 – O discípulo não está acima do seu mestre ; mas todo discípulo perfeito se for como o seu mestre .
         
As palavras de Jesus se aplicam principalmente, no tocante às perseguições físicas, aos apóstolos e aos seus seguidores até a época do ADVENTO DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E LIVRE EXAME DAS ESCRITURAS SAGRADAS, em que já seria respeitada a vida dos homens. Aplicavam-se especialmente, atenta a profecia da volta do Mestre, aos tempos – marcados pelo Senhor – que se seguiram á Revelação do Espírito da Verdade, da qual vos é portadora A ERA NOVA DO CRISTIANISMO DO CRISTO, APLICANDO-SE IGUALMENTE A NOVA MISSÃO DOS APÓSTOLOS E SEUS SEGUIDORES, MISSÃO QUE VAI PRECEDER A SEGUNDA VISITA DO CRISTO, POR ELE MESMO PREDITA QUANDO DESEMPENHAVA A SUA MISSÃO TERRENA. Sob todos os aspectos, elas se referem á época em que eram ditas e ao futuro, em todos os séculos. Portanto, deveis imitar aquele que vos conduz . O amo não é mais do que o servo quando o servo se coloca a altura do amo (altura moral, bem entendido). Procedei. pois, como o vosso Mestre: Praticai a Moral que ele vivia, dentro do seu Novo Mandamento, e atingireis a felicidade eterna. “Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra”. Com relação a todos vós, chamados q propagar a fé e espalhar a Nova Revelação no seio dos povos civilizados (os quais, portanto,não têm e não terão que temer e sofrer se não às perseguições morais), aquelas palavras significam: NÃO DESANIMEIS DIANTE DOS OBSTÁCULOS E, SE TIVERDES DE ENFRENTAR ESPÍRITOS ENDURECIDOS E REBELDES, DEIXAI-OS POR ALGUM TEMPO E IDE A OUTROS, A FIM DE OS ENCAMINHARDES AO SALVADOR. “Em verdade vos digo: não tereis percorrido todas as cidades de Israel antes que volte o Cristo”. AS CIDADES DE ISRAEL SÃO, SOB O VÉU DA ALEGORIA, TODAS AS NAÇÕES DA TERRA, do mesmo modo que a geração á qual Jesus se dirigia é a geração de Espíritos que purificados com o auxilio do tempo das expiações e reencarnações sucessivas, executarão , NAS ÉPOCAS PREDITAS, AS COISAS ANUNCIADAS.



AS TRÊS MISSÕES DO CRISTO

P – Os incrédulos ouvem a pregação do nosso Posto Familiar, mas fazem perguntas assim: “– De que valeu a vinda de Jesus a este mundo ? E qual a finalidade da sua volta?” Procuramos explicar tudo, dentro de nossas possibilidades , mas achamos insuficiente a nossa explicação . Que diz a isso o Espírito da Verdade?

R – O Cristo se manifestará a todos os homens, quando for chegada à hora. ESPIRITO PROTETOR E GOVERNADOR DA TERRA, CUJA FORMAÇÃO PRESIDIU, ENCARREGADO DO VOSSO PROGRESSO E DE VOS LEVAR A PERFEIÇÃO, ELE RECEBEU DO PAI – NOSSO DEUS E VOSSO DEUS – TRÊS MISSÕES IMPORTANTES. As duas primeiras consistiram em preparar, entre os homens, a realização do progresso físico do vosso planeta; do progresso físico moral e intelectual da Humanidade terrestre e da regeneração humana. A terceira consiste em LEVAR A EFEITO A REALIZAÇÃO TOTAL DAQUELA OBRA CONDUZINDO-VOS A PERFEIÇÃO PROFETIZADA. A primeira missão ele a cumpriu estando pessoalmente entre vós e continuou a cumpri-la no estado de Espírito invisível aos homens, com o concurso do Espírito Santo, isto é, dos Espíritos Puros, dos Espíritos Superiores e dos Bons Espíritos, os quais – sempre sob a sua direção – trabalham na sua Obra. A segunda missão é a Era Nova do Espírito da Verdade, que vem – por intermédio dos messias, isto é, dos enviados especiais e dos missionários, errantes e encarnados – conduzir progressivamente as gerações humanas à Verdade, ensinar-lhes todas as coisas e anunciar – lhes AQUELAS QUE HÃO DE VIR. A terceira missão ele a virá cumprir no “fim dos tempos”, como ESPIRITO DA VERDADE TOTAL, trazendo o complemento do Evangelho que é o seu Apocalipse, sem véu. ENTÃO, O CRISTO SE MANIFESTARA AOS HOMENS EM TODO O SEU PODER, EM TODA A MAJESTADE DA SUA PUREZA PERFEITA E IMACULADA, CERCADO DOS ESPÍRITO PUROS, DOS ESPÍRITOS SUPERIORES E DOS BONS ESPÍRITOS, QUE VOS TERÃO PREPARADO E LEVADO AQUELES TEMPOS, EM QUE SEREIS, DO MESMO PASSO, CAPAZES E DIGNOS DE RECEBER O MESTRE E SUPORTAR TODA A VERDADE SEM VÉU. Sim, tudo se cumprirá. Jesus preparou a infância; hoje prepara e desenvolve a inteligência da idade madura. Dentro em pouco, virá colher os frutos de seus trabalhos e receber aqueles de seus discípulos, que hajam aproveitado os seus ensinamentos. Ninguém se engane a respeito do sentido destas palavras “dentro em pouco”, nem, do sentido das palavras “breve”, “depressa” e outras do próprio Cristo, quando na terra falava do futuro, da aproximação dos tempos, Ele não conta e vós bem o sabeis. OS ANOS E OS SÉCULOS NA ETERNIDADE COMO CONTAIS OS MINUTOS E AS HORAS, OS DIAS E OS ANOS DA VOSSA EXISTÊNCIA TERRENA.



TODOS SÃO IGUAIS

P – A Doutrina do Novo Mandamento resolve todos os problemas de cada um de nós. Por isso lamentamos o que pretende o materialismo ateu: Igualar os desiguais, diante da Lei Divina. No ponto em estudo Jesus diz: “O discípulo não está acima do Mestre, nem o servo acima do Senhor; basta ao discípulo ser como o Mestre e ao servo como o Senhor”. Como interpreta estas palavras o Espírito da Verdade?

R – Aos olhos do Senhor Eterno são iguais todas as condições sociais dos homens;por conseguinte, o Senhor não é mais do que o servo. Só tem maior valor aquele que pratica, sempre com humildade, a Lei do Amor que Jesus veio trazer. Só será igual ao Mestre em moral, aquele que praticar sua moral. Compreendam bem os homens, no seu principio, no objetivo e nas suas conseqüências. A LEI NATURAL (E DIVINA) DA REENCARNAÇÃO, QUE LHES ENSINA SEREM A VIDA HUMANA E AS CONDIÇÕES SOCIAIS, PARA CADA UM DELES, UMA PROVAÇÃO OU UMA EXPIAÇÃO. Compreendam, e não esqueçam jamais que, pela pluralidade das existências e conforme ao grau de culpabilidade, as provações e as expiações – tendo por fim a purificação e o progresso – são apropriados às faltas cometidas nas encarnações procedentes. Assim, por exemplo, o Senhor de ontem, duro e arrogante, que faliu nas suas provas como senhor (fossem quais fossem, dentro da ordem social, sua posição ou poder no mundo). É O SERVO OU O CRIADO DE AMANHÃ. O sábio que ontem, materialista e orgulhoso, abusou da sua inteligência ou da sua ciência para desencaminhar os homens, peã perverter as massas populares, É O CEGO O IDIOTA OU O LOUCO DE AMANHÃ. O orador de ontem, que abusou gravemente da palavra para arrastar os homens ou aos povos a erros profundos. É O SURDO –MUDO DO DIA SEGUINTE. O que ontem dispôs da saúde, da força ou da beleza física, e gravemente abusou de tudo isso. É O SOFREDOR, O RAQUÍTICO, O DOENTE, O DESERDADO DA NATUREZA, O ENFERMO DE AMANHÃ. Se for certo que os corpos procedem dos corpos, não menos certo é que eles são apropriados às provações e às expiações por que o Espírito haja de passar, e que A ENCARNAÇÃO SE DÁ NO MEIO E NAS CONDIÇÕES ADEQUADOS AO CUMPRIMENTO DE TAIS PROVAÇÕES E EXPIAÇÕES. É o que explica como e por que, na mesma família, dois filhos, dos homens nascidos do mesmo pai e da mesma mãe, se encontram em condições físicas tão diversas, tão opostos! De igual modo a diferença nas provações e a disparidade do avanço realizado nas vidas precedentes explicam por que e como – do ponto de vista moral ou intelectual – esses dois irmãos se acham em condições tão diversas, tão opostas! Compreenda o homem, e não esqueça jamais, que o mais próximo e mais querido parente de ontem e o mais caro amigo da véspera PODEM VIR A SER (E SÃO , MUITAS VEZES) O EXTRANHO E O DESCONHECIDO DO DIA SEGUINTE, QUE ELE A TODO INSTANTE PODERÁ ENCONTRAR, ACOLHER OU REPELIR.Que os homens, portanto, cientes e compenetrados de que a vida humana e as condições sociais são provações e, ao mesmo tempo, meio e modo de amparo e de concurso recíproco nas vias da reparação e do progresso PRATIQUEM A LEI DO AMOR QUE É O NOVO MANDAMENTO DE JESUS, PARTILHANDO MUTUAMENTE O QUE POSSUAM DE NATUREZA MATERIAL OU INTELECTUAL, DANDO AQUELE QUE TEM AO QUE NÃO TEM DANDO DE CORAÇÃO O AUXILIO DO CORAÇÃO, DOS BRAÇOS, DA BOLSA, DA INTELIGÊNCIA, DA PALAVRA E, SOBRETUDO, DO EXEMPLO. Então quando isso se verificar, estarão cumpridas em toda a sua verdade – sob os auspícios e a pratica da Boa Vontade recíproca e solidária – estas palavras do Mestre: “Basta ao discípulo ser como o Mestre e ao servo como o Senhor”. Porque, não vos enganeis, NÃO HÁ IGUALDADE REAL FORA DA LEI UNIVERSAL DA REENCARNAÇÃO.



PODE UM CEGO GUIAR OUTRO CEGO?

P - São palavras de Jesus: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no fosso ?” Que significado oferece a esta lição do Cristo o Espírito da Verdade ?

R - “O cego que conduz outro cego” é aquele que, em vez de praticar a Lei do Amor, de a ensinar e exemplificar ao que é por ele guiado, se adstringe exclusivamente às praticas materiais, exteriores, e a elas mantêm adstrito o outro, a quem se encarregou de guiar e cujos olhos tapa com espessa venda, obstando-lhe assim a percepção da Luz e da Verdade. AMBOS CAIRÃO NO MESMO FOSSO, ISTO É , SERÃO AMBOS SUBMETIDOS À EXPIRAÇAO, MAS O CEGO QUE SE FEZ GUIA DE OUTRO CEGO SERÁ MAIS CULPADO QUE ESTE E MAIS TERÁ DE EXPIAR! Se quiserdes guiar vossos irmãos, começai por examinar o vosso proceder, e deve ser irrepreensível. Se quiserdes dar um conselho, começai por praticar o que aconselhais e não cometer as faltas que censurais nos outros. Ensinai, pois, o caminho, percorrendo-o sem desvio, e então sereis discípulos dignos do vosso Mestre. “O discípulo não está acima de seu Mestre; o discípulo será perfeito se for como o seu Mestre”. Jesus, modelo de perfeição, vos diz, dessa forma, que o Mestre não está acima do discípulo PORQUE O DISCIPULO PODE TORNAR-SE IGUAL AO MESTRE ,ORA , COMO SERÁ ISSO POSSIVEL SENÃO TRILHANDO O DISCIPULO, SEM DESVIOS, AS PEGADAS DO MESTRE, PERCORRENDO PASSO A PASSO A ESTRADA QUE ESTE LHE ABRIU, SEGUINDO SEMPRE OS MOVIMENTOS E A DIREÇÃO DO MODÊLO QUE O GUIA? Palavras de sublime humildade! Não levam encorajamento a vós outros? A esperança de chegardes, um dia, pela aquisição da pureza perfeita, a igualar aquele que o Pai vos enviou como o tipo mais perfeito da humanidade, não é de molde a sustentar vossa coragem, levantar as vossas forças e vos fazer marchar para frente, sempre para frente? Mas, “se ao Pai d família chamaram belzebu, quanto mais aos seus domésticos!” Também estas palavras de Jesus, dirigidas aos discípulos, se referiam àquela época e aos então futuros tempos; a todos vós, CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO! Assim como o Mestre não foi compreendido pelos que presenciaram suas obras, incompreendidos serão igualmente (e escarnecidos) os que hoje reavivam sua lembrança e lhe seguem os passos! Mas a paciência e a perseverança triunfarão da malignidade e da calunia.”Não os temais, portanto; nada há ocultado que não venha a ser revelado e nada secreto que não venha a ser conhecido”. Por maiores que tenham sido os esforços dos inimigos de Jesus por impedi-la, sua divina pregação não deixou de atravessar os séculos. Ainda hoje, sejam quais forem os esforços que façam por lhe deter o vôo, alcançareis o fim., pois A NOVA REVELAÇÃO VEM, PELO ESPÍRITO DA VERDADE, CONTINUAR A OBRA DE JESUS, ALARGANDO CADA VEZ MAIS O ESPAÇO E O FUTURO AOS ESPÍRITOS PROGRESSISTAS. Nada, portanto, do que o homem deva saber poderá ficar oculto. E o homem chegou ao ponto em que o seu saber tem de aumentar rapidamente, porque os tempos chegaram. “Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia, por nada há oculto que não venha a ser revelado e nada secreto que não venha a ser conhecido”. Em nome do Mestre, nós vos repetimos estas palavras que Ele dirigiu aos Apóstolos, mas que – no seu pensamento – se aplicavam a todos os tempos e eram também, dirigidas a todos os que se tornariam seus discípulos, sobretudo na época da Nova Revelação. O vosso pensamento, como o vosso proceder, precisam ser sempre puros aos olhos do Senhor. DE QUE SERVERIA ILUDIR OS HOMENS, AFETANDO SEMELHANTEDE VIRTUDES, SE AQUELE QUE SONDA OS CORAÇÕES E AS ENTRANHAS SÓMENTE VIR A HIPOCRISIA EM VOSSO ÍNTMO? PARA DEUS NADA HÁ OCULTO; PORTANTO, NADA FICARÁ OCULTO AOS HOMENS, TODOS ESTES LERÃO NO PASADO COMO NO FUTURO, O LIVRO QUE TEM ABERTO DIANTE DE SEUS OLHOS. Mas é necessário que o homem se ache em estado de compreender. Quem é que dá, para ser lido, à criança que apenas soletra em francês, uma obra de Schiller em alemão? Quem haverá que peça a previsão das tempestades a alguém que não saiba distinguir o dia da noite? Sabereis tudo o que os Espíritos do Senhor tem para vos ensinar, MAS SÒMENTE QUANDO FORDES BASTANTRE LÚCIDOS PARA COMPREENDER; QUANDO ESTIVERDES BASTANTE ADIANTADOS NOS ESTUDOS PRELIMINARES, A FIM DE VOS PREPARARDES PARA OS ESTUDOS SUPERIORES, POR ISSO, VOS REPETIMOS AS PALAVRAS DITAS POR JESUS AOS SEUS DISCÍPULOS: “SO VÓS É DADO O QUE PODEIS ENTENDER; PROGRESSIVAMENTE VOS SERÁ DADO DE ACÔRDO COM A VOSSA CAPACIDADE DE COMPREENDER”. É A LEI .



SOBRE OS TELHADOS

P – Disse Jesus, no capitulo em pauta: "O que vos digo, nas trevas, dizei-o vós, às claras, e o que escutais no ouvido pregai-o de sobre os telhados; porquanto o que dissestes nas trevas será dito às claras e o que houverdes falado ao ouvido, nos aposentos, será pregado de sobre os telhados". Qual a explicação destas palavras, no CÉU da LBV, pelo Espírito da Verdade?

R – Sendo pequeno o numero das inteligências capazes de o compreenderem, a Jesus não era possível espalhar abertamente a sua Doutrina, para não encher de espanto e paralisar, a bem dizer, a Boa Vontade daqueles que o ouviam SEUS DISCIPULOS, POREM, QUE VIVIAM SEMPRE ENTRE OS HOMENS, ESSES – TENDO DE ESPARGIR A LUZ EM DIVERSOS PONTOS AO MESMO TEMPO – NÃO ALARMARIAM  TANTO OS ESPÍRITOS FRACOS AOS QUAIS SE DIRIGISSEM. Entendei: o Mestre falava á multidão apenas por parábolas, a fim de preparar as inteligências, sem as sobrecarregar com um fardo de peso excessivo para a fraqueza delas. Se pregasse a sua Moral sublime em termos preciosos e claros, teria assustado a maioria dos seus ouvintes que, percebendo o abismo entre as crenças que professam e a Boa Nova que lhes era trazida, não ousariam, sequer, uma tentativa para o transporem. Meditai: AS PARABOLAS APRESENTAVAM AOS ESPÍRITOS ORIENTAIS A VANTAGEM DE PERMETIR QUE PRCURASSEM DAR-LHES A INTERPRETAÇÃO QUE LHES PARECESSE MAIS APROPRIADA OU MAIS LÓGICA. Desse modo eles se familiarizavam com as verdades novas, ainda cobertas por véus, cabendo aos discípulos arrancar, uma a uma, porem sempre sob o império e o véu da letra, as vendas que ocultavam a Luz àquelas inteligências obscurecidas.  Novos Apóstolos que sois do Cristo, chamados a pregar a mensagem final deste ciclo de 2.000 anos, procurai honrar a confiança do Redentor O ESPÍRITO DA VERDADE DESCE PARA (DESPOJANDO DA LETRA O ESPÍRITO, LEVANTANDO O VÉU QUE JESUS TEVE DE LANÇAR - E LANÇOU - SOBRE AS SUAS PALAVRAS) EXPLICAR E DESENVOLVER A SUA DOUTRINA, TÃO SIMPLES E TÃO SUBLIME, OS FATOS QUALIFICADOS DE "MISTÉRIOS" E "MILAGRES" OS ENSINOS POR ELE DADOS, AS REVELAÇÕES QUE FEZ E FAZ, AS PROMESSAS QUE FORMULOU.  Publicai e pregai o que assim vos ensinam os Espíritos do Senhor, como órgãos do Espírito da Verdade na grande obra da Salvação. Arrancai, uma por uma, todas as vendas que ocultam a Luz às inteligências obscurecidas. Paciência e perseverança; nós vos assistiremos, ATÉ AO FIM DOS TEMPOS!



TEMER SOMENTE A DEUS

          P – Os Legionários da Boa Vontade costumam cantar, em todo Brasil: “Pois, se nós não tememos a morte, a quem é que nós vamos temer?” É claro que isso foi inspirado nas palavras de Jesus: temer só ao Todo-Poderoso. Que nos diz, a respeito, o Espírito da Verdade?

R – Harmonizemos: Mateus, X: 28-31 e Lucas, XII: 4-7.

MATEUS: 28 – E disse Jesus: “Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma. Temei, sim, Aquele que pode precipitar tanto o corpo quanto a alma na geena. 29 – Não é verdade que dois pássaros se vendem por um asse? Pois nenhum desses cai na terra sem que seja pela vontade do vosso Pai. 30 – Até os cabelos das vossas cabeças então todos contados. 31 – Nada temais, portanto: bem mais valeis do que muitos passarinhos”.

LUCAS: 4 – “Eu vos digo: não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. 5 – Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei Aquele que, depois de haver tirado a vida, tem o poder de lançar na geena; a esse, sim, eu vos digo, temei. 6 – Não se vendem cinco pássaros apenas por dois asses? Entretanto, não há um só deles que Deus tenha esquecido. 7 – Até os cabelos das vossas cabeças estão contados. Portanto, não temais: bem mais valeis dos que muitos passarinhos.

Apropriando sempre sua linguagem à época e ao estado das inteligências, de modo a impressionar fortemente aqueles a quem falava, Jesus dirigia estas palavras aos seus discípulos para infundir confiança a homens que se atemorizavam com a perspectiva das missões cheias de provas e perigos, que lhes eram confiadas. Dizendo-lhes que NÃO TEMESSEM OS QUE MATAM O CORPO, MAS QUE NÃO PODEM MATAR A ALMA, QUE SÓ TEMESSEM AQUELE QUE PODE PRECIPITAR A ALMA E O CORPO NA GEENA, O CRISTO LHES ENSINAVA QUE NÃO RECEASSEM OS HOMENS, NÃO RECUASSEM DIANTE DE NENHUM PERIGO, DE NENHUMA PERSEGUIÇÃO, DE NENHUM ATO DOS HOMENS, MAS QUE TEMESSEM SOMENTE  A DEUS. Dizendo-lhes que dois passarinhos não valem mais do que um asse, que cinco não valem mais do que dois asses, que nenhum deles cai na terra sem ser pela vontade do Pai Eterno, que Deus de nenhum se esquece e, acrescentando que “todos os cabelos das vossas cabeças estão contados, que valeis muito mais do que muitos passarinhos e nada deveis temer”, O MESTRE LHES INSPIRAVA A CONFIANÇA SEM LIMITES QUE O HOMEM DEVE DEPOSITAR EM DEUS. Ele os engrandecia aos seus próprios olhos e lhes fazia compreender que, diante do Senhor, muito mais importância tinham do que essas criaturinhas a cuja existência os homens de então nenhum valor conferiam, ignorantes de que TUDO SAI DO MESMO PRINCÍPIO, POR EFEITO DA MESMA VONTADE SOBERANA. Jesus foi o primeiro a dizer aos hebreus que a onipotente bondade do Senhor vai ao ponto de não descurar a existência de criaturas tão fracas. Preparava-os, por essa forma, para compreenderem que – muito embora o Espírito humanizado seja, como dizeis, o rei da criação – tudo o que se move no Universo, tudo o que existe pela vontade suprema de Deus que, com o mesmo carinho paternal, olha tanto para o oução como para o homem. As palavras que dirigia a todos os homens, daquela época e do futuro, vos devem ser explicadas em Espírito e Verdade: pois foi por tomar a letra pelo espírito que a Igreja incorreu em todos os seus erros. As palavras do Redentor objetivam mostrar ao homem que seu proceder e seus sentimentos DEVEM SER REGRADOS PELA VONTADE DAQUELE QUE PUNE OU RECOMPENSA, DAQUELE CUJO AMOR INFINITO VELA CONTINUAMENTE PELA MENOR DE SUAS CRIATURAS. Elas restabelecem a confiança da criatura no Criador, cuja inteligência ilimitada pousa sobre todos os mundos, distinguindo no seio da massa geral as mínimas particularidades, sem jamais separar estas daquela. Exprimindo-nos assim, é nosso intento levar-vos a compreender que o olhar do Pai tudo envolve num golpe de vista infinito. Sem fazer distinção entre o conjunto do Universo e os milhões e milhões de partículas que o integram. TUDO, MESMO O QUE SE OCULTA NOS ESCANINHOS MAIS RECONDITOS, ESTÁ PATENTE AOS SEUS OLHOS. E, TODAVIA, SOMENTE O CONJUNTO O PODE TOCAR.



INVOLUÇÃO E EVOLUÇÃO

P – Disse Jesus : “Não temais os, que matam o corpo, mas que não podem matar a alma . Temei, sim, Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena; a esse , sim, eu vos digo, temei”. Como o Espírito da Verdade interpreta essa passagem?

R – Tais palavras têm por fim, segundo o espírito, LIBERTAR O HOMEM DO AMOR A SI MESMO E CHAMAR-LHE A ATENÇAO PARA O QUE, NELE NÃO PODE PERECER, isto é, para a Alma filha de Deus, a inteligência que de Deus provem é que, partindo do infinitamente pequeno para chegar ao infinitamente grande, tem de voltar a Ele, na individualidade e na imortalidade. Os que tornaram a letra pelo espírito consideraram a geena UM LUGAR MATERIAL E CIRCUNSCRITO UM INFERNO A MANEIRA DO TÁRTARO DO PAGANISMO; A MANEIRA DA CLOACA, DA CAVERNA QUE O REI JOSIAS MANDOU CONSTRUIR PERTO DE JERUSALÉM; ALI OS JUDEUS LANÇAVAM AS IMUNDICIES DA CIDADE E OS CADAVERES PRIVADOS DE SEPULTURA; ALI SE ALIMENTAVA UM FOGO CONTÍNUO, PARA CONSUMIR AS MATERIAS MAIS VÍS, MAIS DESPREZIVEIS. A palavra “geena” (despojado da letra o espírito) é uma expressão alegórica de significação complexa. Geena é a imensidade onde quando errante o Espírito culpado passa pelos sofrimentos ou torturas morais apropriados e proporcionais às faltas e crimes por ele cometidos. Geena abrange, também as terras primitivas que todos os outros mundos inferiores, de provações e expiações, onde – pela encarnação ou reencarnação – se vêem lançados os Espíritos criminosos, a Alma e o corpo que ela reveste, corpo que, para a Alma, é igualmente uma “geena”, como o são, na erraticidade, aqueles sofrimentos ou torturas morais. Sim, NÃO TEMAIS OS HOMENS, JAMAIS! Quando vos for preciso, para salvar a Alma, sacrificar o corpo, não recueis diante dos que o podem matar E NADA MAIS. Temei , porem, Aquele que pode, se falirdes nas vossas provas, lançar-vos – por ato da sua justiça, sempre infalível, que se exerce para vossa melhoria e vosso progresso – na geena dos sofrimentos, das torturas morais na erraticidade após a morte, na geena da reencarnação na Terra e nos outros mundos de provações e expiação. Repetimos: O HOMEM NÃO DEVE VER NO SEU CORPO MAIS QUE UM ÍNVOLUCRO, O APARELHO, O INSTRUMENTO DAS PROVAÇÕES, DAS EXPIACÕES, DA PURIFICAÇAO E DO PROGRESSO DO ESPIRITO, SE O ESPÍRITO, PORTANTO, CORRER O RISCO DE PERDER-SE, DEVE O HOMEM SACRIFICAR, SEM PENA, O ÍNVOLUCRO PERECÍVEL. O Espírito, que provém do Senhor, lhe deve a existência e não pode dar valor real senão aquilo que de Deus o aproxima. Guarda do envoltório material cumpre-lhes isentá-los de todas as máculas; mas se tiver de escolher entre a pureza espiritual e a do corpo, deverá sacrificar esta para conservar aquela. Se numa emergência perigosa, a vida do corpo se achar em paralelo com a do Espírito, isto é, com a sua pureza, com seu progresso, se o Espírito estiver na iminência de incorrer numa culpabilidade que o levará à morte moral, teve a criatura sacrificar o vaso ao precioso perfume que ele contem; deixar que se quebre aquele para que este possa – como incenso odorífero – subir ao trono de Deus. Por isso e que Jesus perguntava: – DE QUE VALE AO HOMEM CONQUISTAR O MUNDO INTEIRO E PERDER A SUA ALMA? 





FATALISMO E LIVRE ARBÍTRIO

P – Afirmou Jesus: “Dois pássaros não custam mais do que um asse, e cinco não valem mais do que dois asses. Entretanto, nenhum deles cai na Terra sem que seja pela vontade do Pai, que não é indiferente nem à morte de um pardal”. E mais: “Até os cabelos das vossas cabeças estão contados”. Qual a explicação dos Espíritos da Verdade para essas palavras do Mestre ?

R – Não é Deus a bondade infinita, cujo olhar criador envolve num só golpe de vista, todas as suas criaturas? Não é Ela a vontade onipotente que governa o Universo? E tudo o que acontece não acontece com a sua permissão? Todavia, NÃO ACREDITEIS QUE A SUA GRANDEZA INFINITA DESÇA A OCUPAR-SE COM AS PARTICULARIDADES DA VOSSA EXISTÊNCIA ÍNFIMA.Uma vez , porém, que seu poder regula todas as coisas; que os Espíritos prepostos à organização dos mundos – desde o ato da formação deles até às mais insignificantes particularidades – não agem senão de conformidade com a impulsão superior que receberam; e que, passando de um a outro, chega até vós, pode-se dizer que NEM MESMO UM PASSARINHO CAI NA TERRA SEM QUE SEJA PELA VONTADE DE DEUS. Mas não concluais desta explicação que o vosso livre arbítrio esteja, assim, comprometido de qualquer forma. A ação dos Espíritos, exercendo-se sob a potente direção do Soberano Senhor, em nada altera essa prerrogativa do Espírito, encarnado ou não; O LIVRE ARBÍTRIO É EMANAÇAO DIVINA, ETERNA, QUE O SENHOR CONCEDE AS SUAS CRIATURAS, FOGO SAGRADO QUE LHES CUMPRE ALIMENTAR. PARA DELE PRESTAREM CONTAS NO DIA DO JUIZO. Diante disso cabe-lhes entender a sentença do Cristo: “Até os cabelos das vossas cabelos estão contados”. Tomadas ao pé da letra, estas palavras levariam a negação do livre arbítrio no homem, fortalecendo a crença no fatalismo. Elas são alegóricas, tais como as outras que o Mestre proferiu, a título de ensinamento. O homem goza da liberdade de praticar, ou não, um ato qualquer; mas esse ato TEM SEU PRINCÍPIO E SUAS CONSEQUÊNCIAS REGULADOS PELAS LEIS NATURAIS, IMUTAVEIS E ETERNAS CUJA APLICAÇAO E CUJA EXECUÇAO ELE PROVOCA, NADA LHE SUCEDE QUE NÃO TENHA SIDO PREVISTO PELA ONICIÊNCIA DO SENHOR, A QUAL, ENTRETANTO, DEIXA QUE OS ACONTECIMENTOS DA VIDA HUMANA SIGAM SEU CURSO E SUA MARCHA, CONFORME AO USO QUE O HOMEM FAZ DO SEU LIVRE ARBÍTRIO. Se bem que, sujeito a experimentar as boas e más influencias que se exercem continuamente sobre ele lhe caiba lutar entre o bem e o mal. o homem dispõe sempre do livre arbítrio, de uma vontade própria pessoal; portanto. em virtude desse livre arbítrio, dispõe da faculdade de praticar tanto o bem quanto o mal DEPOIS DA MORTE, PROCEDE-SE A APURAÇAO DOS PENSAMENTOS, PALAVRAS E ATOS, BONS E MAUS, DE CADA CRIATURA HUMANA. Sim, a bondade infinita de Deus vela, incessantemente, por todos os seus filhos. É assim que, em lhe sucedendo qualquer coisa na existência terrena, a solicitude do Senhor, por intermédio dos Bons Espíritos, faz sentir as sua influencia no homem. Nenhum ato e nenhum dos seus mais secretos pensamentos escapam à percepção do Senhor; chagada a hora da prestação de contas pode ele estar.



JESUS VEIO TRAZER FOGO À TERRA

P – O Cristo declarou que não veio trazer paz e sim a espada, a divisão, a fim de que seja conhecido e até que o seja. Como nos explica isso o Espírito da Verdade?

R – Vamos harmonizar Mateus, X: 32-36 e Lucas, XII: 8-9 e 49-53.

MATEUS: 32 – Aquele que me testemunhar, diante dos homens, também eu o testemunharei diante do Pai que está nos céus. 33 – Aquele que me nega, diante dos homens, também eu o negarei diante do Pai que está nos céus. 34 – Não penseis que vim trazer paz à terra: não vim trazer paz, e sim o gládio; 35 – portanto, vim separar de seu pai o filho, de sua mãe a filha, de sua sogra a nora. 36 – O homem terá por inimigos os de sua própria casa.

LUCAS: 8 – Ora, eu vos digo que aquele que der testemunho de mim, diante dos homens, dele o Cristo dará testemunho diante dos Anjos de Deus. 9 – Mas aquele que me negar, diante dos homens, também será negado diante dos Anjos de Deus. 49 – Vim trazer fogo à terra; que mais quero senão que ele se acenda? 50 – Tenho de receber um batismo, e ansioso estou para que ele se cumpra. 51 – Pensais que vim trazer paz à terra? Não, eu vos digo, vim trazer separação; 52 – porquanto, doravante, se numa mesma casa se encontrarem cinco pessoas, estarão todas divididas, três contra duas, duas contra três; 53 – estarão divididos o pai contra o filho, o filho contra o pai, a mãe contra a filha, a filha contra a mãe, a sogra contra a nora, a nora contra a sogra.

Não há dificuldade em compreender estas palavras de Jesus, claras por si mesmas e confirmadas pelos fatos. Vejamos os versículos 32 e 33 de Mateus e, de Lucas, os versículos 8 e 9: aquele que, humilde de espírito e simples de coração, anda pelo caminho da verdade, das boas obras, do amor e da Boa Vontade, vivendo o Novo Mandamento de Jesus, dá testemunho dele e se encontra, portanto, NA ÚNICA ESTRADA QUE CONDUZ À SALVAÇÃO. JESUS, O DIVINO MODELO, QUE TODOS DEVEMOS IMITAR, LEVA A PORTO DE SALVAMENTO AQUELE QUE ASSIM ESCOLHEU A BOA ESTRADA. Aquele que, ao contrário, prefere os caminhos tortuosos, isto é, do egoísmo, do orgulho, da hipocrisia, dos vícios e das paixões que degradam a Humanidade, evidentemente, se afasta do alvo, renega o Bom Pastor, repudiando-lhe a doutrina de amor. Ora, o Cristo não pode receber na classe dos Bons Espíritos nem apresentá-lo ao Pai Celestial. Este estará, portanto, renegado, até que venha a dar testemunho do Mestre. Tomando o seu caminho, pela prática da Moral sublime que ele personifica. Examinemos, agora, os versículos 49 e 50 de Lucas: Jesus vinha trazer fogo à Terra, dando – pelo desempenho da sua missão terrena – lições e exemplos de fé, esperança, caridade, desinteresse, abnegação, devotamento, amor, em suma – de todas as virtudes, para os homens atrasados daquele tempo, enleados na teia dos abusos, dos preconceitos e das tradições que o seu Evangelho vinha destruir, e que eram sustentados pelos escribas, pelos fariseus, pelos sacerdotes orgulhosos e cúpidos. JESUS QUERIA QUE ESSE FOGO SE ACENDESSE, ISTOÉ, QUE OS HOMENS SE REUNISSEM À SUA VOLTA, PARA POREM EM PRÁTICA AS SUAS LIÇÕES E OS SEUS EXEMPLOS, ESPALHANDO-OS PELAS MULTIDÕES. POR ISSO, MANIFESTAVA O ARDENTE DESEJO DE RECEBER O BATISMO QUE LHE ESTAVA RESERVADO, A SABER, SANCIONAR A SUA MISSÃO PELO SACRIFÍCIO DO GÓLGOTA, QUE LHE DARIA TODOS OS SEUS FRUTOS, PREPARANDO O FUTURO ADVENTO DE NOVA REVELAÇÃO – A DO PARÁCLITO OU ESPÍRITO DA VERDADE, APTO A EXPLICAR O SEU AVANGELHO E O SEU APOCALIPSE.



DIVISÃO ATÉ AO FIM DO CICLO

P - A muitos parece cruel esta assertiva de Jesus: “Pensais que vim trazer paz à terra? Não, eu vos digo, vim trazer separação”. Gostaríamos de receber explicação profunda do Espírito da Verdade, a respeito do assunto. É possível?

R – Tal separação é referida nos versículos 51 a 53, de Lucas, no capítulo em pauta. Entendei; trazendo os Espíritos atrasados o progresso, JESUS IA PROVOCAR A LUTA ENTRE OS QUE DESEJARIAM ENTRAR NO CAMINHO DA SALVAÇÃO E OS PREGUISÇOSOS, OU OBSTINADOS, QUE PREFERIAM PERNANECER ESTACIONADOS, ATOLADOS NOS SUES VÍCIOS E PAIXÕES. O Cristo antevia a divisão que a marchado progresso espiritual iria determinar, entre os homens e, mesmo no seio das famílias. Assim foi, realmente, e assim será até o fim deste ciclo. Preparai-vos portanto, desde já , pois que – ao tempo da colheita – se estivésseis todos maduros, inútil será proceder-se a uma escolha entre vós e trazer-vos os raios da Luz que acabará de dourar a messe que os Espíritos do Senhor vêm Fazer. Completando os de Lucas, vejamos os versículos, 34 e 35 de Mateus: JESUS PREVIA OS ÓDIOS E AS INIMIZADES QUE NASCERIAM ENTRE OS MAIS PRÓXIMOS PARENTES, SOB O MESMO TETO: ANTEVIA O SANGUE DERRAMADO EM SEU NOME! Antevia sua doutrina e seu Evangelho mal compreendidos e irreconhecíveis, substituídos por uma fé cega e falsa; desonrados o amor, a caridade e a fraternidade que ELE DECLAROU SEREM – PARA OS HOMENS – TODA A LEI E OS PROFETAS! Previa os massacres levados a efeito em seu nome, as lutas sangrentas e fratricidas que em seu nome se travariam entre adeptos de todas as religiões ditas cristãs pesar de ter dito a eles: TODOS VÓS SOIS IRMÃOS E UM SÓ O É O VOSSO MESTRE. Antevia as torturas praticadas as fogueiras acesas, sempre em seu nome! Tudo causado pela ignorância, pelo fanatismo, pela intolerância, pela superstição e pelo anseio de dominação permanente . Sim, o Salvador via, já então as ondas de sangue que iriam jorrar desde o sacrifício do primeiro martírio até o dia vindouro da paz mundial. Desgraças foram, sem duvida, provando a que ponto os Espíritos na Terra estavam e estão ainda atrasados. Mas foram DESGRAÇAS NECESSÁRIAS QUE DERAM MARGEM A REGENRAÇÃO DE MUITOS. Dissemos “dia vindouro da paz mundial”; o estado atual das coisas claramente vos mostra que a paz mundial, cujo reinado se há de implantar na Terra, só virá depois do próximo e ultimo ARMAGEDON DO APOCALÍPSE. Com o abrir, para vós, a Nova Revelação esta NOVA ERA, os Espíritos do Senhor vêm, tal qual Jesus no desempenho da sua missão terrena., ATEAR NOVAMENTE FOGO A TERRA TRAZER NÃO A PAZ O COMODISMO. MAS A DIVISÃO DO ESPÍRITO DA VERDADE É JESUS PRESENTE ENTRE VÓS: É ESTA INFLUÊNCIA QUE IMPELE O HOMEM PARA O PROGRESSO E LHE ABRE A EESTRADA POR OPNDE CHEGARÁ MEIS DEPRESSA AO REINO DE DEUS. Quando mesmo por último vier o Mestre completar, pela separação do joio e do trigo, a obra que adiantamos, haverá divisão entre vós, porquanto – qualquer que seja o vosso progresso – AINDA HAVERÁ ESPÍRITOS ATRASADOS . A divisão entre os homens será sempre a propulsora do progresso, até ao dia em que acabada aquela separação, completada assim a obra de Jesus todos os Espíritos rebeldes voluntariamente cegos, tenham sido relegados para outros mundos em que possam melhorar. Dó ai A MISSÃO DO CRISTO SE TORNARÁ, MISSÃO DE PAZ; DEPOIS DE TER SIDO O REI DA JUSTIÇA, JESUS DRÁ FINALMENTE O REI DA PAZ. Por tanto , cristãos do Novo Mandamento trabalhai pelo advento da Paz Mundial, aplainando as dificuldades que surge de todos os lados. Trabalhai com ardor, arrancando os parasitos que sufocam a vinha do Senhor. Iluminai as inteligências obscuras .Sustentai os fracos na fé. Ajudai vossos irmãos de todas as crenças para que cheguem ao ponto em que já vos achais. Brilhe a vossa luz diante de todos. PARA QUE POSSAM GLORIFICAR O PAI QUE ESTÁ NO CÉU!



JESUS E O AMOR DA FAMÍLIA

P – Muitas pessoas acham que “Jesus foi desumano ao exigir que seus discípulos abandonassem a família para segui-lo” Qual, a respeito do assunto, a explicação do Espírito da Verdade?

R – Harmonizemos: Mateus, X: 37-39 e Lucas, XIV: 25-27.

MATEUS: 37 – “Aquele que ama a seu pai ou a sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; e aquele que ama a seu filho ou a sua filha mais do que a mim não é digno de mim. 38 – Aquele que não toma a sua cruz, para me seguir, não é digno de mim. 39 – Aquele que quiser salvar sua vida a perderá; mas aquele que perder a sua vida, por minha causa, certamente a salvará”.

LUCAS: 25 – Jesus, voltando-se para a multidão que o acompanhava, disse: 26 – “Aquele que vem a mim e não odeia o seu pai e a sua mãe, a sua mulher, a seus filhos, e seus irmãos, a suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo; 27 – e aquele que não toma a sua cruz, para me seguir, não pode ser meu discípulo”.

Muitíssimo comentados têm sido estes versículos. FORAM, PORÉM, MAL COMPREENDIDOS (OU NÃO O FORAM JUDICIOSAMENTE) POR HOMENS QUE NÃO SOUBERAM LEVAR EM CONTA OS TEMPOS, OS LUGARES E AS INTELIGÊNCIAS A QUE JESUS FALAVA. Sem procurar penetrar-lhes os espírito, detiveram-se na letra, atendo-se principalmente a um termo que, com significação demasiado forte na vossa linguagem, a tradução emprestou ao Mestre. Poderia falar em ódio quem deu a vida por todos, deixando à Humanidade o seu Novo Mandamento? A expressão que, na língua hebraica, corresponde a essa palavra não tem tanta energia nem encontrou equivalente da parte das tradutores. Compreendei, primeiro, EM ESPÍRITO E VERDADE, CONFORME AO ESPÍRITO QUE VIVIFICA E NÃO SEGUNDO A LETRE QUE MATA, as palavras do Cristo, o pensamento a que servem de roupagem, o ensinamento que delas decorre. Para o homem, o único interesse deve ser o do futuro de seu Espírito. Se, portanto, um laço humano qualquer é de molde a desvia-lo do caminho que deve trilhar, cumpre se liberte dele. Não suponhais que Jesus tenha pretendido pregar – que nós preguemos em seu nome – o egoísmo místico e a secura de coração. Longe disso, pois o homem PODE AMAR A DEUS ACIMA DE TODAS AS COISAS E, COM MAIS FORTE RAZÃO, ISTO É, POR ISSO MESMO, CUMPRIR TODAS AS OBRIGAÇÕES QUE LHE IMPONHAM OS DEVERES PARA COM A FAMÍLIA, qualquer que sejam as dissensões existentes entre o pai e o filho, entre a mãe e a filha: dissensões no modo de pensar. Ele pode e deve cumprir todos os deveres humanos, no que tenham de mais escrupuloso. O QUE JESUS QUIS FAZER SENTIR É QUE POR CONDESCENDÊNCIA OU INTERESSE HUMANO QUALQUER, A NINGUÉM SERÁ LÍCITO JAMAIS RENEGAR A LEI DO AMOR QUE ELE VEIO PREGAR E VIVER. Não pratiqueis, portanto, nenhuma ação repreensível, tendo em vista satisfazer a esta ou aquela pessoa, objeto do vosso amor no mundo, pois, do contrário, renegareis o vosso Mestre, que a seu turno vos renegará. Como vedes, só entende a palavra do Redentor quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, principalmente agora, A UM PASSO DO PRÓXIMO E ÚLTIMO ARMAGEDON DO APOCALIPSE.



PERDER E SALVAR A VIDA

P – Há pontos que merecem cabal explicação, como esse do perder e salvar a sua vida, no capitulo em exame. Como explica essa passagem o Espírito da Verdade?

R – Vejamos o versículo 37 de Mateus: “Aquele (disse Jesus) que ama a seu pai ou a sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e aquele que ama a seu filho ou a sua filha mais do que a mim, não é digno de mim”. Não vos é difícil compreender; aquele que, por agradar a seu pai ou à sua mãe, a seu filho ou à sua filha, COMETER UM ATO CONTRÁRIO AOS ENSIINOS DE JESUS, NÃO É DIGNO DELE, NÃO PODE SER SEU DISCÍPULO. Jesus personificava e personifica a sua Doutrina Moral e, portanto, a Fé. Como poderia o Cristo, modelo de amor, condenar o amor da família? Certamente, não vos passa tal coisa pela cabeça. O que o Mestre fez foi atacar o abuso. Por mais vivo que seja, O AMOR DA FAMÍLIA JAMAIS DEVERÁ LEVAR O HOMEM A UM ATO CULPOSO. Admitido que haja atos desculpáveis pelo motivo que os determinou, quantos homens não se julgariam absolvidos de qualquer ação má, desde que pudessem açoitar-se por trás do “devotamento à família”? Como lição, Jesus praticava aos olhos dos homens, o Mandamento HONRA A TEU PAI E A TUA MÃE; mas também lhes recordava que, acima de tudo, está o dever a cumprir. Lembrai-vos da resposta que deu á Virgem Maria, quando ela e Jose voltaram a Jerusalém à sua procura e o acharam no templo, entre os doutores, Aos doze anos, ele colocava o Pai acima do mundo. Examinemos, agora, o versículo 38, também de Mateus: “Aquele que não toma a sua cruz, para me seguir, não é digno de mim, não pode ser meu discípulo”. É muito simples; aquele que não aceita com resignação, e mesmo com reconhecimento, as provações de que está cheia a vida humana, não é digno de Jesus, não está capacitado para ser seu discípulo; PORQUE O MESTRE AS ACEITOU, EM BENEFÍCIO DE TODOS, COMO LIÇÃO E EXEMPLO AOS HOMENS, QUANDO NENHUMA LHE CUMPRIA SOFRER! Assim, cada um deve submeter-se às suas provações, em proveito do seu próprio adiantamento espiritual. Analisemos, a seguir, o versículo 39 de Mateus, no mesmo capítulo: “Aquele que quiser salvar sua vida a perderá; mas aquele que perder a sua vida, por minha causa, certamente a salvará”. Estas palavras dirigidas especialmente aos discípulos, eram para eles UMA ADVERTÊNCIA. Tinham por objetivo fazer-lhes entender esta verdade; aquele que falhasse no desempenho da sua missão, por conservar a vida humana, renunciaria ao acabamento da obra: PERDERIA A VIDA ESPIRITUAL, E, AO CONTRARIO, AQUELE QUE NÃO RECUASSE DIANTE DA MORTE, E A SOFRESSE PARA LEVAR A CABO A OBRA DO MESTRE, TERIA A VIDA ETERNA. De modo geral, referindo-as a todos os tempos e a todos os homens essas palavras do Cristo exprimem este pensamento; A VIDA DO ESPÍRITO É A ÚNICA EXISTÊNCIA REAL , PORTANTO, SE – DURANTE A ENCARNAÇAO – O ESPÍRITO PRATICA UM ATO CONDENÁVEL, TENDO EM VISTA CONSERVAR O CORPO, PERDERÁ A VIDA ESPIRITUAL, POIS FICA OBRIGADO A RECOMEÇAR SUAS PROVAS EM NOVA ENCARNAÇÃO AQUELE QUE, CONTRARIAMENTE SACRIFICAR O CORPO, QUANDO FOR INEVITÁVEL, PARA NÃO FALIR NAS SUAS PROVAÇÔES, RECEBERÁ NUM MUNDO MELHOR A RECOMPENSA DAS PROVAS BEM SUPORTADAS, GRAÇAS AQUELE SACRIFÍCIO.



ODIAR PAI E MÃE?

P – Muitos se obstinam em não aceitar as palavras de Jesus, no versículo 26 de Lucas, no capitulo em estudo. Pedimos, por isso, uma resposta especial, através do CEU da LBV. Que diz o Espírito da Verdade?

R – Vamos reler: “Aquele que vem a mim, e não odeia a seu pai e a sua mãe, a seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Esta expressão NÃO ODEIA,          oriunda de tantas traduções, e tão forte no vosso idioma, não tem – já o dissemos – tamanha energia na língua judaica JESUS LANÇAVA UMA SEMENTE QUE TINHA DE FRUTIFICAR EM SOLO ÁRIDO E INGRATO; PRECISAVA, PORTANTO, QUE FOSSE VIGOROSA, PARA NELE ENTERRAR AS RAIZES. Acreditais que o Mestre pudesse falar aos homens daquele tempo – sobretudo aos hebreus – a linguagem que hoje falais? Não tenteis vestir num povo a roupa de outro; deixai a cada um o que lhe foi, o que lhe é necessário. Tendes a pretensão  de admirar os autores antigos; admitis a linguagem de que usaram, tão diferente da vossa, sob o pretexto de que estava adequada ao século em que viveram, e  não quereis que seja assim na era em que Jesus apareceu aos homens? E o Mestre não falava a sábios, habituados às elegâncias ou atícismos de linguagem. MAS AO POVO ATRASADO, MATERIAL E ENDURECIDO, A MASSA QUE – PARA SE DECIDIR A COMPREENDER- PRECISAVA OUVIR PALAVRAS ENÉRGICAS E OBSERVAR EXEMPLOS FRISANTES. Não! Por aquelas palavras, Jesus não pretendeu condenar, e não condenou, o amor da família, mas o excesso que em tudo prejudica o homem e, afinal, o transvia. Sim, o homem deve consagrar-se à família, cumprir devotadamente todos os deveres para com ela, MAS NÃO DEVE FAZER DISSO UM CULTO, NÃO DEVE SACRIFICAR AO AMOR QUE CONSAGRA A SEUS PARENTES OS SAGRADOS INTERESSES E A FELICIDADE DE TODOS OS SEUS IRMÃOS EM DEUS : SERIA IMPERDOÁVEL EGOISMO! Jesus, com o coração cheio de amor e devotamento para com todos, empregava as expressões que mais impressionassem seus ouvintes, visando a libertá-los desse egoísmo, fazendo-lhes compreender que – devendo o futuro do Espírito ser O ÚNICO INTERESSE DO HOMEM – desde que um laço humano qualquer o possa desviar do caminho que tem de percorrer, importa que ele se desprenda desse laço. Para finalizar: PARA SER DISCÍPULOS DO CRISTO, JAMAIS SERÁ LICITO AO HOMEM, SOB O PRETEXTO DO AMOR AOS SEUS OU PARA CONSERVAR A VIDA HUMANA, PRATICAR UM ATO CONTRÁRIO AO EVANGELHO DO MESTRE, QUE É EXATAMENTE O EVANGELHO DE DEUS.





PENSAR ANTES DE AGIR

P – Uma passagem que muitos nos preocupa e a do alertamento que Jesus faz aos seus discípulos, como vemos no Evangelho segundo Lucas, XIV: 28-33. Como a interpreta o Espírito da Verdade?

R – Eis a passagem:

LUCAS: 28 – Qual aquele dentre vós que, desejando edificar uma torre,não orça de antemão, com vagar e prudência, a despesa necessária, para saber se tem com que terminá-la, 29 – par não suceder que, por não poder acabá-la depois de lhe haver lançado asa fundações, todos os que a vejam escarneçam dele, 30 – dizendo: “Este homem começou a construir, mas não pode acabar”? 31 – Ou qual o rei que, tendo de entrar em guerra contra outro rei, não examina antes,  com vagar e calma, se pode marchar com dez mil homens contra o inimigo que vem ao seu encontro com vinte mil? 32 – Se o não pode fazer, manda embaixadores, quando o inimigo ainda está longe, e lhe apresenta proposta de paz. 33 – Assim, pois, aquele que, dentre vós, não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo.

Interpretemos os versículos 28, 29 e 30: antes de entrar em novo caminho, o homem precisa verificar se terá A ENÉRGICA VONTADE DE PERCORRÊ-LO, pois não é bom que para depois de haver começado o percurso da estrada do progresso. Uma vez desencarnado, o tempo perdido se lhe patenteia, e amargo será o seu pesar, ao saber da distância que teria percorrido, se houvesse perseverado, e o resto que lhe falta percorrer. A INDECISÃO AUMENTA SEMPRE AS DIFICULDADES. Versículos 31 e 32: aquele que não se sentir com a força necessária para levar a cabo GRANDES COISAS, não as empreenda. Que espere e se fortaleça. Pense bem, estude e trabalhe sobre si mesmo, MAS NÃO SE AVENTURE A TENTATIVAS INFRUTÍFERAS. Finalmente, o versículo 33 – Para marchar na via do progresso, da CARIDADE UNIVERSAL, cumpre que o homem se desprenda dos bens materiais, que não se escravize a eles, que os tenha unicamente COMO MEIO DE CONSEGUIR O BEM E O ALÍVIO DE SEUS IRMÃOS. Mas entendei: renunciar ao que se possui não é jogá-lo fora, não é desfazer-se de tudo: É NÃO SE APEGAR AO HAVERES TRANSITÓRIOS, MAS FAZÊ-LOS PROSPERAR COM O BOM EMPREGO QUE LHES POSSA DAR, EM BENEFÍCIO DA HUMANIDADE. Assim age o verdadeiro discípulo do Cristo, a quem foram confiadas riquezas que devem ENRIQUECER SUA ALMA, JAMAIS EMPOBRECER O SEU ESPÍRITO.



A RECOMPENSA DO FIEL

P – Um ponto que mereceu as atenções do nosso Posto Familiar é o que se refere à recompensa do discípulo fiel, no Evangelho segundo Mateus. Como o Espírito da Verdade explica essas palavras de Jesus?

R – Examinemos MATEUS, X: 40-42 e XI: 1.

40 – “Aquele que vos recebe a mim me recebe; e aquele que me recebe recebe o Pai, que me enviou. 41 – Aquele que recebe o profeta como profeta receberá a recompensa do profeta; aquele que recebe o justo receberá a recompensa do justo. 42 – Todo aquele que der de beber um copo d’água fria a um desses pequeninos, só por ser dos meus discípulos, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.” X:1 – Logo que terminou essas instruções aos seus discípulos, Jesus partiu, para pregar e ensinar nas cidades vizinhas.

O sentido e alcance destas palavras, dirigidas por Jesus, como ensino, aos homens de então e do futuro, podem resumir-se da forma seguinte: AQUELE QUE DEPOSITA SUA FÉ EM DEUS, E PROCEDE TENDO EM VISTA A VIDA ETERNA, OBTERÁ A RECOMPENSA RESERVADA AO FIEL. As palavras dos versículos 40 eram endereçadas aos Apóstolos: “Aquele que recebe os vossos ensinamentos recebe os meus, e quem recebe os meus ensinamentos recebe os do Pai, que me enviou.” As palavras do versículo 41 são simbólicas: AQUELE QUE PROCEDE COM LOUVÁVEL INTUITO SERÁ RECOMPENSADO PELA SUA INTENÇÃO, DENTRO DA LEI DE AMOR E CARIDADE. Quanto às do versículo 42, encerram a seguinte lição para todos os homens: “O bem que fizerdes vos será contado no Livro da Vida, POR MENOR IMPORTÂNCIA QUE TENHA O VOSSO ATO, E SEJA QUAL FOR A DOS IRMÃOS QUE TIVERDES SOCORRIDO.” Este versículo, contém o símbolo sagrado do copo d’água fluidificada, em que a Divina Providência, medicando vossas almas, purifica vossos corpos. Pois, na verdade, SE DEUS CRIOU A ÁGUA – E ESTE É O “GRANDE MILAGRE” – QUAL O REMÉDIO QUE ELE NÃO PODE COLOCAR DENTRO DELA? Tudo depende, apenas, do vosso merecimento.



MISSÃO DOS 72 DISCÍPULOS

P – Todos, aqui, estudam as lições do CEU da LBV, com muito interesse. Um dos integrantes do nosso grupo quer saber o significado da missão dos 72 discípulos do Cristo. Que diz o Espírito da Verdade?

R – Vejamos LUCAS, X: 1-12 e 16.

1 – Algum tempo depois, o Senhor escolheu setenta e dois outros discípulos e os enviou dois a dois, precedendo-o, a todas as cidades e a todos os lugares aonde ele próprio tinha de ir. 2 – E lhes dizia: “A seara, na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos: rogai, pois, ao dono da seara que mande obreiros para ela. 3 – Ide; eu vos mando como cordeiros para o meio de lobos. 4 – Não leveis bolsa, nem alforge, e a ninguém saudeis pelo caminho. 5 – Ao entrardes em qualquer casa, dizei primeiro: Paz a esta casa. 6 – Se aí estiver algum filho da paz, vossa paz ficará com ele; se não, voltará para vós. 7 – Permanecei na casa comendo e bebendo do que nela houver, pois digno é o operário do seu salário; não andeis de casa em casa. 8 – Quando entrardes numa cidade qualquer, onde vos acolham, comei do que vos apresentarem; 9 – curai os doentes que aí encontrardes, e dizei-lhes: o reino de Deus está próximo de vós. 10 – Mas, se entrando nalguma cidade, não vos receberem, ide pelas ruas e dizei: 11 – Sacudimos contra vós até a poeira da vossa cidade que se agarrou aos nossos pés; sabei, todavia, que o reino de Deus está próximo. 12 – Eu vos digo que, naquele dia, os habitantes de Sodoma serão tratados com mais indulgência do que os moradores de tal cidade. 16 – “Aquele que vos escuta a mim me escuta; aquele que vos despreza a mim me despreza; e aquele que me despreza em verdade despreza o Pai que me enviou”.

Jesus deu aos setenta e dois discípulos as mesmas instruções que dera aos apóstolos. Tudo já vos foi suficientemente explicado, e não há necessidade de voltarmos a esses pontos. Todavia, algumas passagens precisam de EXPLICAÇÕES ESPECIAIS.  “Não saudeis a ninguém pelo caminho”, disse o Cristo aos setenta e dois discípulos. Preciso é tirar da letra o espírito. Com tais palavras, o Mestre lhes recomendava: “Não vos deixeis desviar do caminho que seguis; não pareis. Avançai para a vossa meta, até que a tenhais alcançado”. Vejamos, no versículo 6, as expressões “filhos da paz” e “a vossa paz”. Por “filhos da paz” designava Jesus os que estavam dispostos a enveredar pela nova estrada, em que realmente poderiam adiantar-se nas vias do Senhor. “A nossa paz”, a paz dos discípulos, se deve entender no mesmo sentido. Por essa PAZ se compreendem a fé e os conhecimentos que possuíam, e que para eles voltavam desde que se achassem num meio refratário a aceitá-los. “Permanecei na mesma casa; não passeis de uma casa para outra”. Desta forma, JESUS ACONSELHAVA AOS DISCÍPULOS A PERSEVERANÇA. AS MUDANÇAS COMPROMETERIAM OS RESULTADOS A QUE ELES VISAVAM, E QUE SÓ PERSEVERANDO ALCANÇARIAM. “Comei e bebei do que na casa houver e vos for apresentado; porquanto o operário é digno do seu salário”. Compreendei: OS DISCÍPULOS DAVAM O ALIMENTO DO ESPÍRITO E RECEBIAM, DE OUTROS, O ALIMENTO DO CORPO. Nem só pelo Espírito vive o homem: cumpre-lhe, portanto, prover as necessidades do corpo. MAS OS DISCÍPULOS TINHAM DE SE LIMITAR A SATISFAÇÃO DA NECESSIDADE E DAR GRATUITAMENTE O QUE GRATUITAMENTE HAVIAM RECEBIDO. Longe disso está o que fazem aqueles que, dizendo-se discípulos do Cristo e sucessores dos Apóstolos, mas pretextando que o operário é digno do salário, traficam com as coisas de Deus e recebem dinheiro pelas suas orações; que se esforçam por conseguir o bem-estar material inoperante, o luxo, a voluptuosidade, o fausto; que desse modo vivem à custa de seus irmãos, absorvendo inutilmente a alimentação, o pão cotidiano de inúmeras famílias. TODO AQUELE, QUE REALMENTE QUISER SER DISCÍPULO DO CRISTO, SEJA PADRE OU CHEFE DE FAMÍLIA, TEM DE SE CONTENTAR COM O NECESSÁRIO A SUA MISSÃO; VIVER NO LUXO, NA OSTENTAÇÃO – NUNCA! Possuindo mais do que o necessário, deixa o homem de ser discípulo do Mestre, que deu na Terra a lição e o exemplo da humildade, do desinteresse, do devotamento, da abnegação, da caridade e do amor, que O DISCÍPULO AUTÊNTICO DEVE TER E PRATICAR JUNTO DE SEUS IRMÃOS.



DIREITO DE VIDA E MORTE SOBRE A ALMA

P – Disse Jesus aos 72 discípulos: “Aquele que vos escuta a mim me escuta; aquele que vos despreza a mim me despreza; o que me despreza a mim despreza. Aquele que me enviou”. Como o Espírito da Verdade interpreta estas palavras?

R – Estes dizeres se aplicavam AOS APÓSTOLOS E AOS DISCÍPULOS ESCOLHIDOS QUE, UNS E OUTROS, TINHAM A ASSISTÊNCIA E O CONCURSO DO ESPÍRITO SANTO, isto é, dos Espíritos Superiores que constantemente os acompanhavam no desempenho de suas missões e que assim, como ECOS FIÉIS DOS ENSINAMENTOS DO CRISTO, OS REPETIAM E PUNHAM EM PRÁTICA, JUNTANDO DESSE MODO, ENTRE AQUELES A QUEM PREGAVAM, O EXEMPLO À PALAVRA. Entretanto, apoiando-se nessas proposições de Jesus, os homens se arrogaram o direito de vida e de morte sobre as almas: NÃO COMPREENDERAM QUE NÃO SE CONFIA A EXECUÇÃO DA OBRA SENÃO AO OPERÁRIO CAPAZ DE A EXECUTAR, E QUE NÃO BASTA QUE O PAI TENHA SIDO HÁBIL PARA QUE O FILHO O SEJA IGUALMENTE. Enviando os discípulos que escolhera para transmissores de sua palavra, com autoridade para abençoar ou reprovar JESUS NÃO DEU ESSE DIREITO A QUEM QUER QUE ENTENDESSE DE EXERCÊ-LO. Conquanto um gentio pudesse expulsar os demônios em seu nome, ainda assim era preciso que o invocasse seriamente, isto é, com fé viva, humildade, caridade e amor. Disse Jesus aos discípulos: “ Ide levar minha palavra a todas as cidades e a todas as povoações; ide pregar a Boa Nova. A Verdade vos pôs nas mãos o seu facho; iluminai com sua luz todas as inteligências. Que a luz se espalhe. Ai dos que se recusarem a vê-la! Em torno deles, mais densas as trevas se farão. Entretanto, não condeneis os que a repelem, mas sacudi a poeira dos vossos pés, isto é, afastai-vos sem deles nada aceitar ou levar, nem mesmo a poeira que vossos passos levantem. Esses serão tratados com mais rigor que os de Sodoma e Gomorra, pois a luz lhes foi mostrada e eles fecharam os olhos; a palavra de paz lhes foi levada e taparam os ouvidos.” OS QUE, APLICANDO A SI MESMOS AS PALAVRAS DO MESTRE, SE INVESTIRAM DO PODER DE LIGAR E DESLIGAR, ESQUECERAM QUE JESUS RECOMENDAVA AOS DISCÍPULOS QUE NÃO SE MUNISSEM DE DUAS TÚNICAS, NEM DE DOIS PARES DE SANDÁLIAS. Nisto, como em tudo, cada um tomou o que lhe convinha, sem se importar com o resto. Dando aquele poder aos Apóstolos e discípulos, o Cristo lhes proibiu, ao mesmo tempo, que cogitassem do bem-estar pessoal, que recebessem coisa alguma em troca de seus ensinamentos e suas preces, que pensassem no exibicionismo de autoridade, sob qualquer aspecto, junto aos poderosos ocasionais do mundo. Como procederam os que interpretaram e aplicaram as palavras de Jesus? Como ousaram, desde o momento em que se tiveram por herdeiros dos poderes que o Mestre conferiu aos que chamou, transgredir suas ordens, ao ponto de passarem a vida no fausto e na voluptuosidade, ligando e desligando do alto de seus tronos mundanos, pregando o desprendimento e a abstinência do seio do luxo e da abundância, lavando os pés de alguns e permitindo que lhes beijem os seus? Para vergonha sua, O HOMEM NÃO COMPREENDE QUE A ÚNICA FORMA DE ERIGIR PARA SI MESMO UM TRONO CONSISTE EM ASSENTÁ-LO NO EXEMPLO DE UMA VIDA AUSTERA E HUMILDE, PRIMANDO POR SEGUIR AS PEGADAS DO CRISTO, POR IMITAR SEUS APÓSTOLOS E DISCÍPULOS, VIVENDO OS ENSINOS DO EVANGELHO DE DEUS. Maior seria o poder desses homens, que se dizem herdeiros dos Apóstolos, mais persuasivas e escuadas seriam as suas palavras, mais obedecidos e respeitados seriam eles se, pelo exemplo, pregassem as virtudes que apenas lhes saem dos lábios rosados, como ironia atirada à face dessas pobres, macilentas e miseráveis criaturas, a quem recomendam o desprendimento das glórias do vosso mundo! Não está, porém, dentro deste quadro a nossa tarefa atual; por isso encerramos, aqui, nossas observações. A cada dia basta o seu labor. As virtudes cristãs, que hão de atrair os homens, virão breve assentar-se, brilhantes e perenes, no cimo da montanha. Mas não esqueçais: SOMENTE OS QUE EM TUDO SE ESFORÇAM POR SEGUIR OS PASSOS DE JESUS, OS QUE IMITAM OS APÓSTOLOS E DISCÍPULOS, OS QUE PRATICAM SINCERAMENTE AS SUAS LIÇÕES SUA DOUTRINA ETERNA, TEM O DIREITO – SEJAM O QUE FOREM – PADRES OU LEIGOS, JUDEUS OU GENTIOS, DE SE DIZEREM CONTINUADORES DO CRISTO,  aplicando a si mesmos estas palavras: “ Aquele que vos escuta a mim me escuta; aquele que vos despreza a mim me despreza; e o que me despreza despreza o Pai que me enviou”. Os termos do versículo 16 também se aplicam, hoje, a vós outros, CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO, guiados e inspirados pelos Espíritos do Senhor chamados a divulgar a Nova Revelação, a ensinar o Evangelho e o Apocalipse em Espírito e Verdade. Sede, portanto, os legítimos descendentes e herdeiros dos Apóstolos, caminhando sempre com a BOA VONTADE DE DEUS. Que nenhuma nódoa possa tisnar a túnica alva de que vossas almas se revestiram, para a LIBERTAÇÃO ESPIRITUAL DE TODA A HUMANIDADE!



REGRESSO DOS SETENTA E DOIS

P – Na passagem referente a volta dos 72 discípulos, Jesus disse: “Eu via Satanás caindo do céu como relâmpago”. Como explica isso o Espírito da Verdade?

R – Vejamos LUCAS, X: 17-20.

17 – Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: “Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome!” 18 – Jesus lhes disse: “Eu via Satanás caindo do céu como relâmpago. 19 – Vedes que vos deis o poder de esmagar as serpentes, os escorpiões e todo o poder do inimigo; nada vos causará dano. 20 – Contudo, não vos alegreis por estarem os espíritos submetidos a vós; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos no céu”.

Dizendo aos discípulos que via Satanás cair do céu qual relâmpago, Jesus lhes falava, como sempre, figuradamente. Toda vez que tentardes combater o mal sob qualquer forma que se apresente, mas tendo em vista O PROGRESSO E O AMOR UNIVERSAL, O MAL SE PRECIPITARÁ NOS ABISMOS INSONDÁVEIS E SUA QUEDA SERVIRÁ PARA VOS ESCLARECER. Sempre que vos aventurardes por uma estrada desconhecida, perigosa e difícil, mas ao fim da qual podeis entrever o bem de vossos irmãos e o progresso da Humanidade, caminhais desassombradamente. Os répteis venenosos, que se ocultam por onde passais, não levantarão as cabeças malfazejas contra vós, nem vos lançarão seus dardos mortíferos. E vós os esmagareis com os pés, e eles se ocultarão envergonhados da derrota. DEUS PROTEGE OS QUE TRABALHAM COM ZELO NA OBRA QUE LHES CONFIOU. Por isso mesmo, não vos orgulheis nunca do que o Senhor permita que façais. Vosso objetivo e vossa única ambição devem constituir em ganhar a recompensa prometida. REJUBILAI-VOS, POIS, SE VIRDES QUE VOSSAS OBRAS VOS AUTORIZAM A ESPERÁ-LA, MAS NÃO TIREIS DAÍ NENHUM MOTIVO DE VAIDADE.  Na verdade, os que ando sinceramente no caminho do Mestre podem rejubilar-se, pois seus nomes ESTÃO ESCRITOS NO CÉU. O Cristo paga sempre ao trabalhador na razão do seu trabalho. Se, portanto, sentirdes que vossas obras são boas, sabeis igualmente que tendes os nomes escritos para o recebimento do salário. Daí a afirmação de Jesus: “Vedes que vos dei o poder de esmagar as serpentes, os escorpiões e todo o poder do inimigo: NADA VOS CAUSARÁ DANO. Contudo não vos alegreis por estarem os obsessores submetidos a vós; alegrai-vos antes POR ESTAREM OS VOSSOS NOMES ESCRITOS NO CÉU”. Cristãos do Novo Mandamento, igual a dos discípulos deve ser a vossa alegria, porque também sois designados para trabalhar na Obra e conseguireis tudo o que tentardes em seu nome, com o fim exclusivo de impulsionar o progresso da Humanidade!
JESUS E OS DISCÍPULOS DE JOÃO

P – Dizem os Evangelhos segundo Mateus e Lucas que João enviou dois de seus discípulos a Jesus, para saber se era ele, realmente, o Cristo anunciado desde Moisés. Como o Espírito da Verdade interpreta essas passagens da Bíblia?

R – Harmonizemos: MATEUS, XI: 2-6 com LUCAS, VII: 18-23.

MATEUS: 2 – Tendo, na prisão, sabido das obras de Jesus, João mandou que dois de seus discípulos fossem ter com ele, 3 – dizendo-lhe: “És aquele que devia vir ou esperamos outro?” 4 – Jesus lhes respondeu: “Ide contar a João o que ouvis e vedes. 5 – Os cegos vêem, os coxos caminham, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam; o Evangelho é pregado aos pobres. 6 – Bem-aventurado o que não se escandaliza de mim.”

LUCAS: 18 – Os discípulos de João lhes referiram todas as coisas que Jesus fazia. 19 – E João chamou dois deles e os mandou a Jesus, para lhe perguntarem: “És aquele que tinha de vir ou é outro o que devemos esperar?” 20 – Esses homens,  encontrando Jesus, lhe disseram: “João Batista nos mandou aqui para te perguntarmos se és aquele que tinha de vir ou é outro o que devemos esperar?” 21 – Nesse mesmo instante, Jesus curou muitas pessoas de enfermidades, de chagas e de maus Espíritos, e restituiu a vista a muitos cegos. 22 – Em seguida, respondendo aos discípulos de João, disse: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos estão vendo, os coxos estão andando, os leprosos estão limpos, os surdos estão ouvido, os mortos ressuscitam e o Evangelho é anunciado aos pobres. 23 – Bem-aventurado será aquele que não se houver escandalizado de mim.”

As rivalidades, decorrentes das paixões doutrinárias, explicam o fato. Mesmo entre os melhores discípulos do Evangelho, traídos pela paixão de Deus, surgem ciumadas e dissensões perigosas. A fama levara aos discípulos do Batista o rumor dos atos de Jesus. Eles não tinham a certeza de que o Mestre fosse QUEM DEVIA SER. Não se trataria de algum hábil impostor? Foi, portanto, para comprovar a sua identidade que João lhe enviou dois emissários. O Precursor queria que eles se certificassem, com os seus próprios olhos, de que JESUS ERA, REALMENTE, AQUELE CUJA VINDA ELE MESMO ANUNCIARA. Quanto aos chamados “milagres”, que Jesus praticou diante dos discípulos de João Batista nada precisamos dizer por ser inútil repetir explicações já divulgadas. O Mestre disse: “O EVANGELHO É PREGADO AOS POBRES”. As palavras “aos pobres” eram ditas mais para aquela época do que para o futuro. Os pobres se viam desprezados, efetivamente abandonados; ninguém se importava com eles. Falando como falou, Jesus tinha em mira ELEVAR AQUELA CLASSE MISERÁVEL, FAZÊ-LA PARTÍCIPE DO PROGRESSO INTELECTUAL HUMANO. Tomadas numa acepção geral, aplicadas a todas as épocas, as palavras “aos pobres” se devem entender como abrangendo TODOS OS QUE, SENTINDO A NECESSIDADE DE SE ENRIQUECEREM COM A PALAVRA DE DEUS, DESEJEM OUVIR DE CORAÇÃO AS VERDADES ETERNAS DO EVANGELHO, COMPLETADAS AGORA PELAS VERDADES FINAIS DO APOCALIPSE. Por isso advertiu o Cristo: “Bem-aventurado aquele que não se houver escandalizado de mim”. Quer dizer: REPELE O MESTRE QUEM REJEITA SEU ENSINAMENTO. Feliz, pois, á aquele que escolhe os seus preceitos e os põe em prática, porque progride e não tem que temer sua repulsa naquele terrível Dia do Senhor .





A MISSÃO DO PRECURSOR DE JESUS

P – As palavras de Jesus sobre a figura de João, o Batista, são realmente consagradoras. Qual, segundo o Cristo de Deus, a missão do Precursor, na análise do Espírito da Verdade?

R – Antes vamos harmonizar: MATEUS, XI: 7-15, LUCAS, VII: 24-30, e XVI: 16.

MATEUS: 7 – Logo que eles se foram embora, começou Jesus a falar de João, dirigindo-se ao povo nestes termos: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8 – Que é que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Na casa dos reis é que vivem os que se vestem assim. 9 – Que é que, então, fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e mais que profeta; 10 – porquanto dele é que está escrito: Eis que envio na tua frente o meu anjo, que vai preparar-te o caminho. 11 – Em verdade vos digo: nenhum dos nascidos de ventre de mulher é maior do que João Batista, mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele. 12 – Desde os dias de João até o presente, o reino dos céus sofre violência e os violentos os arrebatam; 13 – pois, até João, todos os profetas e a lei profetizaram; e, 14 – se quereis saber, ele á Elias que há de vir. 15 – Ouça quem tiver ouvidos de ouvir.”

LUCAS: 24 – Logo que foram os mensageiros de João, entrou Jesus a falar dele à multidão, dizendo: “Que é que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 25 – Pergunto: que é que fostes ver? Um homem trajando roupas finas? Na casa dos reis é que se encontram os que se vestem magnificamente, e vivem nas suas delícias. 26 – Que é, então,  que fostes ver? Um profeta? Sim, certamente, e eu vos digo: mais do que profeta. 27 – Porque de João é que está escrito: Eis que, na tua frente, envio meu anjo, para te preparar o caminho adiante de ti. 28 – E por isso eu vos digo que, dentre os nascidos de mulher, nenhum ainda houve maior do que o Batista; mas aquele que for o menos no Reino de Deus é maior do que ele.” 29 – Todo o povo, e os publicanos que o ouviram, se submeteram aos desígnios de Deus recebendo o batismo de João. 30 – Mas os escribas e os doutores da lei desprezaram os desígnios de Deus para com eles, não se fazendo batizar por João. XVI: 16 – A lei e os profetas duraram até João, desde então, o Reino de Deus é pregado aos homens e cada um lhe faz violência.

Falando de João nesses termos, Jesus dava testemunho da missão que o Precursor viera desempenhar, assim como anunciava A NOVA E FUTURA MISSÃO QUE ELE DESEMPENHARÁ, e lançava a pedra fundamental em que assentaria o edifício da regeneração da Humanidade. A época do aparecimento de Jesus na Terra, sob a forma corporal humana, vos é indicada como sendo a base do progresso que nas idéias se havia de produzir. E elas se elevaram, lentamente, é verdade, mas o bastante para se despojarem do envoltório material que as constringia. E tendem a elevar-se, cada vez mais, para às regiões espirituais. O ACABAMENTO DESSA GRANDE EMPRESA, A CONTINUAÇÃO DA OBRA DE JESUS, EIS A TAREFA QUE NÓS DESEMPENHAMOS, SOB AS VISTAS E A DIREÇÃO DO MESTRE. Referindo-se ao Precursor, disse Jesus à multidão: “Fostes ver um profeta? Sim, e mais do que profeta, porque dele é que está escrito: ENVIO À TUA FRENTE O MEU ANJO, PARA TE PREPARAR O CAMINHO.” Jesus se exprimiu assim porque João, Espírito adiantado, já atingira um grau de elevação mais alto que os dos profetas. Contai os séculos de trabalho e de saber, decorridos depois da existência de Elias, e entendereis que, comparando os profetas, nas diversas épocas em que apareceram, COM ELIAS REENCARNANDO COMO PRECURSOR DO CRISTO, Jesus mostrava a longa trilha de progresso que fora percorrida. Hoje, ELIAS, É MUITO MAIS AINDA QUE O ELIAS DOS HEBREUS. Ao cumprir sua derradeira missão, encerrando sua passagem pela Terra, maior ainda será, não sob o aspecto da austeridade dos costumes e do Espírito, mas sob o aspecto do poder e da ciência. NADA HÁ IMUTÁVEL NA CRIAÇÃO: O PROGRESSO MORAL SÓ PODE PARAR NO SEIO DE DEUS. Ele prossegue sempre, até ao instante em que atinge, aos pés do Eterno, os últimos limites da perfeição moral. QUANTO AO PROGRESSO EM CIÊNCIA UNIVERSAL, ESTE É INDEFINIDO: PARA O ESPÍRITO QUE SE TORNOU PERFEITO, VEM ELE DIRETAMENTE DE DEUS A QUEM, TODAVIA, O ESPÍRITO JAMAIS SE PODERÁ IGUALAR.





JOÃO ESPÍRITO E JOÃO HOMEM

P – No ponto em estudo, Jesus afirma: “Em verdade vos digo que nenhum dos nascidos de ventre de mulher foi maior do que João Batista; entretanto, o menor no Reino do Céu é maior do que ele”. Como o Espírito da Verdade explica esta assertiva do Mestre?

R – Falando desse modo, Jesus procurava impressionar fortemente os homens atrasados a quem se dirigia. Apresentando-lhes João, que tão grande era na Terra, como inferior ao que fosse o menor no Reino dos Céus, intentava desenvolver naqueles homens a aspiração por esse reino e o desejo de alcançá-lo, ouvindo e guardando as palavras do Precursor e as suas próprias palavras, seguindo os caminhos que ambos traçaram: A DIFERENÇA ESTABELECIDA POR JESUS ENTRE JOÃO HOMEM E JOÃO ESPÍRITO DIZIA RESPEITO AOS ENTRAVES DA MATÉRIA. Por mais elevado que seja, o Espírito sofre sempre a influência do corpo que o constrange. Mas, por isso mesmo, o Senhor não se serve de uma só medida, como faz a Humanidade, para julgar dos atos de seus filhos. Quantas vezes o homem anatematiza seu irmão, por faltas derivadas da organização da máquina, E FECHA OS OLHOS  ÀS FALTAS GRAVES PROVENIENTES DE DESVIOS DO ESPÍRITO. João humanizado era naturalmente menor do que João Espírito. E Jesus, comparando-o ao menor no Reino dos Céus, queria que o homem compreendesse a  DIFERENÇA QUE EXISTE ENTRE O ESPÍRITO LIVRE DE ENTRAVES E O ESPÍRITO APRISIONADO NO CORPO. ALÉM DISSO, AFIRMAVA INDIRETAMENTE (SOB O VÉU QUE SÓ A NOVA REVELAÇÃO PODERIA LEVANTAR) SER SUPERIOR A JOÃO, PORQUE ELE – JESUS – NÃO NASCERÁ DE VENTRE DE MULHER.  E  isso constitui a prova definitiva do que ensinamos a respeito da origem do Cristo e da virgindade de Maria Santíssima.



A VIOLÊNCIA E O REINO DOS CÉUS

P – Anotamos, no ponto em exame, estas palavras do Mestre: “Desde os dias de João até ao presente, o Reino de Deus sofre violência, e os violentos o arrebatam”. Que sentido dá o Espírito da Verdade a essas palavras profundas?

R – Esta afirmação do Mestre encerrava uma figura, destinada a fazer sentir aos judeus que OS QUE PRETENDIAM SER OS ÚNICOS A ALCANÇAR O REINO DE DEUS ERAM INCAPAZES DE ENTRAR NELE. Tais palavras, repetimos, foram empregadas figuradamente, porquanto o Espírito culpado jamais gozou, nem gozará jamais, da felicidade celeste, ENQUANTO NÃO SE HOUVER TRANSFORMADO, VENCENDO O MAL COM O BEM. E “os violentos o arrebatam”, acrescentava Jesus, porque os escribas e os fariseus entendiam que só eles alcançavam a Paz do Senhor, PRATICANDO OSTENSIVAMENTE A LEI QUE VIOLAVAM COM O CORAÇÃO. Alardeando a posse de todas as graças de Deus, com requintes de hipocrisia, não arrebatavam eles, AOS OLHOS DA MULTIDÃO IGNORANTE, a morada eterna? Na verdade, AOS OLHOS DE DEUS, não havia da parte deles nenhum esforço, nenhuma tentativa, nenhum merecimento para tamanha pretensão. Eram o que são os inquisidores de todos os tempos supostos herdeiros do Cristo e do Cristianismo. Eram o que são os vossos “filósofos”, os vossos “ espíritos fortes”, os vossos “ crentes” que interiormente em nada crêem. CEGAVAM A MASSA POPULAR, CHAMAVAM A SI AS HONRAS E OS PROVEITOS, E AINDA USURPAVAM, À VISTA DAQUELES POBRES CEGOS, A FELICIDADE E A PAZ DO CEU. Mas continua Jesus: “Pois, até João, todos os profetas e a lei profetizaram”. E ninguém escutou as profecias; ninguém procurou, verdadeiramente, conquistar a morada celeste, MAS TODOS (PELO PENSAMENTO) A USURPARAM. O “Elias que tem de vir” realmente veio: João, o Batista. Os publicanos constituíam a classe dos empregados subalternos que, obedecendo aos chefes da sinagoga, arrecadavam os impostos; desempenhavam, portanto; funções que sempre despertavam a animosidade popular. Eram com mais humildes: receberam com o povo a palavra de João e, por conseqüência, o batismo de penitência. MAS OS FARISEUS ERAM OS SECTÁRIOS ORGULHOSOS, QUE CUMPRIAM AS MAIS DIFÍCEIS PRESCRIÇÕES DE MOISÉS COM O FIM EXCLUSIVO DE DEMONSTRAR A SUA SUPREMACIA, E, NA SUA “SUPERIORIDADE”, IGNORAVAM QUE JOÃO ERA O PRÓPRIO MOISÉS REENCARNADO, PARA CONTINUAR SUA MISSÃO.  Os doutores da lei eram os que preparavam e punham sobre os ombros de seus irmãos – como advertiu Jesus – os fardos que eles mesmos não ousariam tocar com o dedo. Os escribas e os fariseus, acastelados no seu orgulho, rejeitaram a palavra e o batismo de João, repelindo os desígnios de Deus para com eles próprios, desprezando a ocasião de entrarem no Reino do Céu: o batismo era um emblema ou um símbolo, mas a palavra de João era o meio. Daí a sentença do Redentor: “A lei e os profetas duraram até João; a partir de então, o Reino de Deus é pregado aos homens e cada um lhe faz violência”. Violência inútil, já o sabeis; cada um lhe faz violência (linguagem figurada) no sentido de que NINGUÉM SE APLICA A FAZER O QUE DEVE PARA ALCANÇA-LO, COMO AQUELES DE QUEM JESUS FALAVA, AINDA EM VOSSOS DIAS CADA UM DELES TRABALHA POR CRIAR PARA SI MESMO O REINO DA TERRA E FORÇAR O REINO DO CÉU, ISTO É, FAZ DA HIPOCRISIA OU DO ANÁTEMA UM MEIO DE CONQUISTÁ-LO, MAS NENHUM PROCURA PENETRAR NELE. PARA LÁ SE MANTER, DENTRO DA LEI DIVINA.



ELIAS DE NOVO NA TERRA

P - Já sabemos que João era o “Elias que há de vir”, conforme às Sagradas Escrituras. Mas que diz o Espírito da Verdade sobre a “futura missão” de Elias?

R – Disse o Mestre: “Se quiserdes compreender, João é o Elias que há de vir”. E concluiu, dizendo: “Ouçam os que tem ouvidos de ouvir”, Ele o fez para chamar a atenção, tanto dos homens daquele tempo como dos homens do futuro, para as palavras que acabava de proferir,  AS QUAIS ENCERRAVAM UM SENTIDO OCULTO,  pois o Elias que havia de vir já viera. Sabeis que Jesus tinha a presciência do futuro: TODOS OS SÉCULOS VINDOUROS SE LHE PATENTEAVAM AOS OLHOS.  Essas palavras, portanto, devem hoje prender-vos a atenção, tal como sucedeu na época em que foram ditas: CUMPRE QUE CONCLUAM A OBRA TODOS AQUELES QUE A COMEÇARAM. Assim, não acrediteis que, terminada a sua missão terrena, como Precursor do Cristo, João tenha deixado de trabalhar pelo progresso da Terra. Na condição de Espírito, ele continuou a cumprir sua missão. Neste momento, quando se prepara a volta de Jesus ao vosso mundo, escutai a palavra de Elias, que novamente clama aos povos, dizendo: “Arrependei-vos! Aproxima-se a hora do julgamento, e a morte pode surpreender-vos e entregar os Espíritos culpados à expiação na erraticidade e, depois, as penas e angústias da reencarnação! Não vem longe o instante em que a Terra passará pelo cadinho da depuração, em que OS MAUS SERÃO SEPARADOS DOS BONS; O INSTANTE EM QUE OS ESPÍRITOS CULPADOS E REBELDES, VOLUNTARIAMENTE CEGOS, SERÃO DEPORTADOS PARA OS MUNDOS INFERIORES, ONDE TERÃO DE EXPIAR A SUA REBELDIA DURANTE LONGOS SÉCULOS! ORAI E VIGIAI, PARA NÃO SERDES SURPREENDIDOS; PURIFICAI-VOS PORQUE, EMBORA USURPADORES DESEJEM PENETRAR NA MORADA CELESTE, SÓ OS ELEITOS ALI RECEBIDOS. E TODOS VÓS SOIS DESTINADOS A FIGURAR ENTRE OS ELEITOS, OS QUE TAL SE TORNAREM PELO SEU MERECIMENTO!”  Ouçam os que tem ouvidos de ouvir: Moisés – Elias – João, o Precursor, revive no meio de vós. Sua presença assinala imenso progresso, tanto no terreno espiritual quanto no moral e intelectual-científico. Sua missão é a do AMOR UNIVERSAL, CONSEQUÊNCIA DO NOVO MANDAMENTO QUE O CRISTO VOS LEGOU, HÁ QUASE DOIS MIL ANOS.  Os tempos chegaram, com as clarinadas imortais do Apocalipse! Breve, também tereis na Terra os casos de aparição IDÊNTICOS AO DA APARIÇÃO DE JESUS, ISTO É, POR INCORPORAÇÃO PURAMENTE PERISPIRÍTICA, MEDIANTE O REVESTIMENTO DE UM PERISPÍRITO TANGÍVEL COM A APARÊNCIA DO CORPO HUMANO! COMO VOS DIZ A PALAVRA DE DEUS: O CRISTO VOLTARÁ COM OS SEUS ANJOS!





JOÃO E JESUS INCOMPREENDISOS

P – Jesus censurou os judeus porque não souberam compreender o Cristo e o seu Precursor. Como o Espírito da Verdade nos explica essas palavras do Mestre?

R – Harmonizemos Mateus, XI: 16-19 e Lucas, VII: 31-35

MATEUS: 16 – Com que hei de comparar esta geração? Ela se assemelha a crianças que, sentadas na praça pública e aos gritos, 17 – dizem aos seus companheiros: “Tocamos flauta para vós outros e não dançastes! Entoamos lamentações e não chorastes!” 18 – Pois veio João e, porque não come nem bebe, dizem: “Está possesso do demônio!” 19 – Veio o Filho do Homem e, porque come e bebe, dizem: “Ali está um comilão e um bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores!” Todavia, a sabedoria é justificada por seus filhos.

LUCAS: 31 – Disse o Senhor: “Com que poderei comparar os homens desta geração? A quem se assemelham? 32 – Assemelham-se a meninos que, sentados na praça e falando uns para com os outros, dizem: “Tocamos flauta para vós e não dançastes! Nós nos lamentamos e não chorastes!” 33 – João Batista veio e, porque não come pão nem bebe vinho, dizeis: “Ele está possesso do demônio!” 34 – O Filho do Homem veio e, porque come e bebe,  dizeis: “É um comilão e beberraz, amigo dos publicanos e dos pecadores!” 35 – Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

Nesta linguagem, apropriada à capacidade intelectual daqueles que o ouviam, Jesus fazia ver aos homens que suas inteligências rebeldes recusavam todos os testemunhos, quaisquer que fossem, procurando para o que observavam UMA RAZÃO DE SER ESTRANHA À BONDADE DE DEUS, não se rendendo nem à evidência dos fatos. E completava: “Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos”. Já estas palavras visavam ao futuro: OS QUE VIRAM NÃO COMPREENDERAM; COM O CORRER DOS SÉCULOS, OS ESPÍRITOS SE DESENVOLVERAM E, HOJE, VÓS OS COMPREENDEIS. Sábios, filhos de Jesus, são os que compreendem as verdades que os cegos negaram.



COMER E BEBER

P – Muitos acham contradição entre os hábitos de Jesus e de João, o Batista, com referência ao “ comer e beber”. Que diz a isso o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Nenhuma “contradição”. Tudo certo e perfeito, segundo os superiores desígnios do Alto. João vivia afastado dos homens, porque assim o exigia sua missão. Sua grande sobriedade espantava os judeus, que sacrificavam o que lhes fosse possível  a satisfação dos apetites materiais. Por isso, a vida de insulamento, de contemplação, de toda sorte de continência, que o Batista se impusera, causava surpresa ao povo, E COMO NÃO PUDESSEM COMPREENDER QUE UM HOMEM, VOLUNTARIAMENTE, SE SUBMETESSE A TAL EXISTÊNCIA, TINHAM-NO POR VÍTIMA DE POSSESSÃO QUE O IMPELIA PARA O DESERTO, A VIVER FORA DE TODAS AS LEIS ESTABELECIDAS.  João, porém, assim procedendo, cumpria exatamente sua missão de Precursor, dando o ensinamento e o exemplo da penitência, que tinha por símbolo o batismo às margens do Jordão, sendo a sua palavra o meio de os homens se prepararem para entrar no CAMINHO DO SENHOR. Ao contrário de João, Jesus tinha de viver no meio dos homens, a fim de mostrar a todos  O QUE É PRATICAR O AMOR E A CARIDADE. Vulgarizava, por assim dizer, as virtudes que pregava, para torná-las mais compreensíveis. Incorporava-se as classes desprezadas, para mostrar aos orgulhosos que O PRIMORDIAL DEVER DO HOMEM É DISPENSAR ASSISTÊNCIA, PRIMEIRO, AOS QUE ESTÃO (OU QUE ELE JULGA ESTAREM) ABAIXO DE SI.  Sentava-se, diante dos homens, à mesa do pobre, para que este aprendesse a descobrir o verdadeiro sabor do seu pão. Dormia (como todos supunham) sob o teto do portageiro, para lhe dar a sentir  A CALMA QUE RESULTA DA PUREZA DE CONSCIÊNCIA. Navegava com os pescadores, a fim de lhes incutir o desprezo à morte, tendo por fundamento a Fé e a Eternidade. “Vivia” a vida do homem na companhia do homem, mas não ao lado d orgulhoso, razão pela qual os orgulhosos o acusavam de se comprazer nos “centros abjetos” da sociedade de então. Porventura, terão mudado os homens, que dizem – com Jesus – que ele não veio curar os que gozam saúde, nem salvar os que não se perderam, nem dar ainda coragem aos que não desesperam? Mudaram, porventura, os homens? Cristãos do Novo Mandamento, fazei como Jesus, sem vos preocupardes com os orgulhosos escribas e fariseus do vosso tempo! Como não podeis viver na solidão, como o Precursor, procurai seguir sempre o exemplo de Jesus: COMEI E BEBEI, COMO O CRISTO, A MESA DO POBRE, DO DESPREZADO, DO RÉPROBO, PORQUE ASSIM PODEREIS DAR-LHE O ALIMENTO QUE O SUSTENTARA PARA SEMPRE: O PÃO DA VIDA QUE NUTRE A ALMA, CLAREIA A INTELIGÊNCIA E PURIFICA O CORAÇÃO!





A PECADORA E O FARISEU

P – Uma das componentes do nosso Posto Familiar pergunta qual a verdadeira interpretação da passagem da pecadora que banhou de lágrimas os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos, na casa do fariseu Simão. Como à interpreta o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Trata-se de Lucas, VII: 36-50.

36 – Tendo um fariseu pedido a Jesus que fosse comer em sua casa, ele foi e tomou lugar à sua mesa. 37 – Logo uma pecadora da cidade, sabendo que Jesus estava na casa do fariseu, aí veio ter, trazendo um vaso de alabastro cheio de bálsamo; 38 – e, colocando-se por trás dele, se pôs a banhar-lhe de lágrimas os pés, e a enxugá-los com seus cabelos, ao mesmo tempo que os beijava e os ungia com o bálsamo. 39 – Vendo isso, o fariseu disse de si para si: “Se  este homem fosse profeta, saberia quem é a mulher que o toca, pois é uma pecadora!” 40 – Jesus, então, lhe disse: “Simão, tenho alguma coisa a te dizer”. Ao que ele respondeu: “Mestre, fala”. 41 – Jesus falou: “Um credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentos denários e outro cinqüenta. 42 – Como não tivessem com que pagar, o credor perdoou as dívidas a ambos. Qual dos dois, em conseqüência, mais o estimará?” 43 – Simão respondeu: “Creio que aquele a quem mais perdoou”. Jesus replicou: “Julgaste bem, Simão”. 44 – E, voltando-se para a mulher, disse ainda ao fariseu: “Vês esta mulher? Entrei na tua casa e não me deste água para lavar os pés, enquanto que ela, ao contrário, banhou meus pés com suas lágrimas e o enxugou com seus cabelos. 45 – Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrou, não cessa de me beijar os pés. 46 – Não me ungistes a cabeça com bálsamo, ao passo que ela me unge com bálsamo os pés. 47 – Por isso eu te declaro que muitos pecados lhe são perdoados, porque ela muito amou. Aquele a quem menos se perdoa menos ama”. 48 – E disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”. 49 – Os que com ele estavam à mesa, na casa de Simão, começaram a dizer entre si: “Quem é este que até perdoa pecados?” 50 – Mas Jesus disse à mulher: “Vai-te em paz; tua fé te salvou”.

O fato aqui referido constitui UM EXEMPLO DA IMPORTÂNCIA QUE O ARREPENDIMENTO REPRESENTA SOBRE OS DESTINOS HUMANOS. Não por haver banhado os pés de Jesus com bálsamo e com lágrimas obtém a pecadora o perdão, mas porque esse gesto era a conseqüência do pesar, sincero e profundo, que lhe causavam suas faltas, e por serem imensas sua esperança e sua fé naquele diante de quem se prosternava. Mulher de costumes livres, que vendia o corpo, ela – no esplendor da sua beleza – se humilhava, enxugando com os cabelos aqueles pés que o seu arrependimento banhava de lágrimas. Ela, que era vaidosa de seus encantos, SACRIFICAVA AO ARREPENDIMENTO OS PERFUMES QUE SERVIAM PARA TORNÁ-LA MAIS SEDUTORA E PARA – PELO AROMA PENETRANTE – EXCITAR OS DESEJOS DOS QUE PAGAVAM SUAS CARÍCIAS. ESSES PERFUMES, ELEMENTOS DAS SUAS ORGIAS, SE SANTIFICAVAM AO CONTATO COM O SANTOS DOS SANTOS. E a pecadora se limpava das suas faltas pela satisfação com que se separava desses objetos de luxo, os únicos que possuía. Renunciava, assim, ao seu passado de desordens e fazia sinceras promessas de reparação no futuro. Não zombeis, portanto, da pecadora aos pés do Cristo. Ao contrário, imitando-a, vinde todos – TODOS, SEM EXCEÇÃO – derramar na fronte do Mestre os inebriantes perfumes que vos perdem, e ouvireis de sua boca palavras de paz, consolação e amor. A JESUS, E SOMENTE A JESUS, O PAI ONIPOTENTE DEU O PODER DE LIGAR E DESLIGAR, NA TERRA E NO CÉU. Os Apóstolos lhe obedeciam, eram os instrumentos que ele escolhera, e operavam guiados pelos Espíritos Superiores, quando também ligavam e desligavam na terra e no céu.



CILADA, PERDÃO E GRAÇA

P – No ponto em estudo, há uma coisa que merece explicação: o fato de uma pecadora conhecida entrar na sala do festim, na casa do fariseu. Que explicação nos oferece, a respeito, o Espírito da Verdade?

R – A pergunta é oportuna e podeis formular essa outra: – Como veio a Simão a idéia de convidar Jesus para entrar na sua casa e sentar-se a sua mesa? Há que O FARISEU QUERIA SONDAR O MESTRE PARA DESCOBRIR NELE O PONTO VULNERÁVEL. Só se aproximando de Jesus podia esperar consegui-lo. Mesmo a introdução de Maria, naquela sala, era uma cilada. De outra forma ela não teria podido entrar lá, do mesmo modo que, sem a vossa autorização, uma “desclassificada” não entrará em vossas casas. Dirigindo a Simão as palavras dos versículos 43 a 46, referentes aos devedores, o Mestre estabeleceu uma comparação toda material, para ser compreendido por um homem material. Os fariseus não só eram orgulhosos, como também avarentos e cupidos. O exemplo que Jesus figurou não podia, portanto, deixar de ser apreciado e compreendido por um espírito dessa natureza. Sim, aquele a quem mais se perdoa será certamente, o mais reconhecido. Todavia, o perdão não é concedido sem ser suplicado; e as súplicas devem ser fervorosas e reiteradas, pois O SENHOR NÃO SALDA AS DÍVIDAS DE QUEM SE MOSTRE PROPENSO A CONTRAIR OUTRAS. ELE O FAZ SOMENTE ÀQUELE QUE SEJA CAPAZ, NO FUTURO, DE MANTER-SE SEM DESVIO NO CAMINHO RETO.  Jesus, com o que disse ao fariseu (vs. 44 a 47), apontando para a mulher, aludia respectivamente aos sentimentos dele e dela: lendo o pensamento de Simão, conhecia a razão do “acolhimento” que este lhe dispensara. Falou, então, à mulher: “Teus pecados estão perdoados” (v. 48). A GRAÇA NÃO É O QUE A IGREJA HUMANA FORJOU. No caso da pecadora, havia remorso sincero e profundo. Seguir-se-ia a reparação, que não lhe seria duramente imposta, como sucede quando se trata de culpados endurecidos mas  UMA REPARAÇÃO FEITA COM ALEGRIA E FELICIDADE, visando a alcançar o progresso, que deixara de realizar, e entrar de novo em graça perante o Amor do Pai. Disse, ainda, Jesus: “Vai-te em paz; tua fé te salvou.” A FÉ QUE ELA TIVERA NO CRISTO LHE ABRIRA OS OLHOS PARA O SEU MAU PROCEDER. A comparação entre a vida sem mácula do Mestre e os excessos inumeráveis da sua própria vida de pecadora foi o que a impressionou e impeliu a vir suplicar o perdão de suas faltas, AOS PÉS DAQUELE QUE ELA CONSIDERAVA O ENVIADO CELESTE. Nas suas interpretações, os homens se equivocaram completamente quanto ao sentido destas palavras de Jesus ao fariseu Simão: “Eu te declaro que muitos pecados lhe são perdoados porque muito amou”. Dizendo de Maria que muito lhe era perdoado por haver amado muito, o Mestre não entrava em nenhuma das considerações a quem deram motivo humanas interpretações. O AMOR DE QUE ELE FALAVA ERA O AMOR CONSIDERADO DO PONTO DE VISTA DA CARIDADE. Embora mulher de vida dissoluta, Maria tinha um coração sensível às misérias de seus semelhantes. De natureza fraca e impressionável, sua existência depravada era mesmo devida AO EXCESSO DO SEU AMOR À FAMÍLIA, COM A QUAL REPARTIA, EM LARGA ESCALA, O PRODUTO DO SEU VERGONHOSO COMÉRCIO. Grande era a sua caridade para com outros: jamais um infortúnio apelara em vão para a sua piedade. Sua própria queda foi um ATO DE DEVOTAMENTO. Aí tendes o que não vos tinham dito; aí tendes, ainda, o que será encarado como estímulo ao vício sob o pretexto de devotamento a pais pobres; aí tendes, todavia, a fonte de tantos vícios que repelis com horror quando muitas vezes, um conselho e um socorro fariam o que fizeram as santas palavras do Mestre, Espírito fraco, Maria quisera lutar contra a sua fraqueza; quisera, sim, o combate excessivamente rude. Sucumbiu, a princípio, mas se levantou mais forte e mais valorosa. NÃO AOS OLHOS DOS HOMENS, QUE NADA PERDOAM, TENDO ELES TANTA NECESSIDADE DE PERDÃO, MAS AOS OLHOS DAQUELE QUE SONDA OS CORAÇÕES E AS ENTRANHAS, E PARA QUEM O PENSAMENTO CULPOSO E OCULTO EQUIVALE AO ATO CONSUMADO!





CIDADES IMPENITENTES

P – O Evangelho nos fala das “cidades impenitentes”, censuradas por Jesus. Pelo CEU da LBV poderia o Espírito da Verdade explicar essa passagem?

R – Harmonizemos Mateus, XI: 20-24 e Lucas, X: 13-15.

MATEUS: 20 – Jesus começo, então, a exprobrar às cidades onde realizara tantos milagres o não terem feito penitência: 21 “Ai de ti, Corozain! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os prodígios operados, dentro de vós o tivessem sido em Tiro e em Sidon, eles teriam feito penitência em cilícios e cinza! 22 – Eis porque vos digo que no dia do juízo, Tiro e Sidon serão tratadas com menos rigor do que vós. 23 – Tu, Cafarnaum, porventura te elevarás até ao céu? Serás abatida até ao inferno, porquanto, se os milagres operados dentro dos teus muros o tivessem sido em Sodoma, talvez esta ainda hoje subsistisse! 24 – Eis porque te digo que, no dia do juízo, a terra de Sodoma será travada com menos rigor do que tu”.

LUCAS: 13 – “Ai de ti, Corazin! Ai de ti, Betsaida! Pois que, se os prodígios realizados dentro de vós o tivessem sido, outrora, em Tiro e em Sidon, elas teriam feito penitência na cinza e nos cilícios! 14 – Eis porque no dia do juízo, Tiro e Sidon, serão tratados com menos rigor do que vós! 15 – E tu, Cafarnaum, que te elevaste até ao céu, submergirás até ao inferno!”.

Estas palavras de Jesus se referem AO ESTADO DOS ESPÍRITOS ENCARNADOS NAQUELA ÉPOCA. Penitência significa arrependimento. Quando diz que Tiro e Sidon teriam feito penitência, cobrindo-se de cinza e de cilícios, se tivessem visto os milagres que se operaram em Corazin e Betsaida, o Mestre emprega imagens materiais apropriadas, como sempre, aos Espíritos daquele tempo. A PENITÊNCIA DO ESPÍRITO CONSISTE NO CAUSTICANTE REMORSO DE SUAS FALTAS E NA  EXPIAÇÃO QUE LHE SEGUE, MAS TUDO NA ORDEM MORAL. Seria possível, porventura, que seres materiais, como eram até mesmo os primeiros adeptos do Cristianismo, compreendessem que a penitência moral basta para o resgate das faltas perante a Justiça de Deus? Nas suas transgressões, eles não viam mais do que o ato material; portanto, NÃO PODIAM ADMITIR UMA REPARAÇÃO QUE NÃO FOSSE MATERIAL. Apreciai de outra maneira, o Cristão do Novo Mandamento, todas as coisas! Procurai O ATO ESPIRITUAL, penitenciai-vos dele e, no futuro, não praticareis mais atos materiais algum capaz de ofender o Senhor! Que o Espírito em vós domine o corpo; e a carne, subjugada, se tornará instrumento obediente, próprio a efetuar com mais presteza e maior facilidade a purificação espiritual. Jesus declara que os habitantes de Tiro e de Sidon serão tratados com menos rigor que os de Corazin e Betsaida, PORQUE A ESTES A LUZ FOI TRAZIDA E ELES A RECUSARAM. “A terra de Sodoma – disse, ainda, o Mestre – será tratado com menos rigor do que Cafarnaum”. É que, em Sodoma, os crimes tinham principalmente origem no rebaixamento da matéria, ao passo que os de Cafarnaum se originavam da revolta do Espírito. Fazendo tal distinção entre Sodoma e Cafarnaum, JESUS QUERIA QUE OS HOMENS COMPREENDESSEM ISTO: DE TODOS OS CRIMES PASSÍVEIS DE CASTIGO, OS MAIS GRAVES SÃO OS QUE A INTELIGÊNCIA COMETE. Conhecendo o Senhor as fraquezas da vossa matéria, não pune os seus arrastamentos senão quando o Espírito participa deles CONSCIENTEMENTE. Cafarnaum recebera a luz. Fora testemunha dos milagres. Mas, impenitente, tudo rejeitara. Entretanto, Sodoma – afundada no lodaçal da matéria – talvez tivesse saído da cloaca imunda de suas paixões grosseiras se ouvisse a Palavra de Deus. Talvez, presenciando os prodígios do Cristo, tivesse aceitado a luz, ouvindo a voz do arrependimento e renunciando aos seus crimes, dando ao Espírito o predomínio sobre os instintos brutais. Não vos admireis de que Jesus tenha usado o termo “talvez” quando, ao falar dos sodomitas, declarou: “Talvez Sodoma ainda hoje subsistisse”. Sem dúvida alguma, estando em relação constante e direta com Deus, ele, como sabeis, tinha a presciência do futuro e, bem assim, o conhecimento do passado. DISSE “TALVEZ” PORQUE NÃO CONVINHA QUE FALASSE AOS HOMENS, DE MODO PRECISO, DOS ATOS DAQUELE QUE NENHUMA CRIATURA PODE SONDAR. ERA MISTER (TAMBÉM O SABEIS E NÃO O PERCAIS DE VISTA) QUE, COMO SUCEDIA, JESUS PASSASSE ENTÃO ENTRE OS HOMENS – POR UM HOMEM IGUAL A ELES, E, SENDO ASSIM, NÃO PODIA APRESENTAR-SE A ELES COMO CONHECEDOR DO JUÍZO DE DEUS.

INFERNO E JUÍZO

P – No ponto que estudamos, Jesus se refere ao inferno com muita energia, quando censura Cafarnaum. Isso dá origem às concepções infernalistas das religiões humanas, que se dizem baseadas no próprio Cristo! Que nos diz, a respeito, o Espírito da Verdade?

R – Exprimindo-se, relativamente a cafarnaum, desta maneira “TU QUE TE ELEVASTE ATÉ AO CÉU”, isto é, tu que foste inundada de luz e que, orgulhosa, a rejeitaste, “SUBMERGIRÁS NO INFERNO”, usava o Mestre de linguagem e expressões apropriadas à inteligência de seus ouvintes. Por INFERNO designava, veladamente, as penas que os Espíritos culpados sofrem – primeiro, como seres erráticos e depois reencarnando na Terra ou em mundos inferiores, de expiação e provações. O INFERNO É A CONSCIÊNCIA DO CULPADO E O LUGAR, QUALQUER QUE ESTE SEJA, ONDE EXPIA OS SEUS CRIMES. Não se trata de espaço limitado. O lugar, seja qual for, que o Espírito culpado ocupe, quando na erraticidade, é bem o que ainda chamais – e o Cristo alegoricamente chamava – inferno, pois, em tal lugar, o Espírito se acha presa de contínuas torturas. Também o Espírito encarnado se acha realmente num inferno quando, metido na prisão de carne em mundos inferiores, passa por provações, sofrimentos, torturas morais e físicas; por expiações que constituem a pena secreta da sua encarnação precedente, a pena correspondente ao que lhe cumpre ainda reparar, tendo em vista suas existências anteriores. Jesus também disse “NO DIA DO JUÍZO”, falando dos habitantes de Tiro e de Sidon, de Corazin e de Betsaida, de Cafarnaum e de Sodoma. Foi uma figura, uma comparação de que o Mestre se serviu. Deveis compreender suas palavras do modo seguinte: “Eu vos digo que os habitantes de Corazin e Betsaida serão julgados mais severamente que os de Tiro e de Sidon que, juntamente com os primeiros, se apresentarão ao Juiz Supremo; que os de Cafarnaum serão julgados mais severamente que os de Sodoma, que – com eles- se apresentarão ao supremo Juiz”. Tende sempre em conta o estilo figurado de que usava Jesus, FORÇADO PELAS NECESSIDADES DA ÉPOCA, PELOS PRECONCEITOS RESPEITADOS, PELO ESTADO DAS INTELIGÊNCIAS, PELA CONVENIÊNCIA DE VELAR A VERDADE, até que chegassem os vossos dias, em que o Espírito, mediante o advento da Nova Revelação, seria despojado da letra, a fim de preparar os homens para se tornarem ADORADORES DE DEUS EM ESPÍRITO E VERDADE, PORQUE ESTA É A VONTADE DO CRIADOR.  As palavras “NO DIA DO JUÍZO” não tinham, no pensamento então velado de Jesus, a significação de um JUÍZO FINAL, a que sejam chamados, como o diz a Igreja, TODOS OS QUE MORRERAM DESDE A ORIGEM DOS TEMPOS. Não: os habitantes de Tiro e de Sidon, de Corazin e de Betsaida, de Cafarnaum e de Sodoma, bem como todos os Espíritos culpados que viveram na Terra desde que o homem aí apareceu, passaram, DEPOIS DA MORTE, AO CABO DE CADA EXISTÊNCIA, PELO JULGAMENTO. Isto é, pela expiação na erraticidade e, em seguida, pela reencarnação. Dentre os Espíritos culpados das diversas cidades, de que falava Jesus, alguns já terminaram suas provações expiatórias e outros progrediram muito. Poucos chegarão à época da renovação do vosso Planeta sem terem conseguido a satisfação de seus desejos. E aí tendes a prova da inexistência do INFERNO ETERNO, a prova da justiça que se patenteia na Lei da Reencarnação, diante da qual TODOS OS HOMENS SÃO RIGOROSAMENTE IGUAIS.



JUÍZO FINAL

P - Desde crianças, fomos educados na crença do terrível  JUÍZO FINAL que despachará as criaturas para o céu ou para o inferno. Como explica isso o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Não haverá esse JUÍZO FINAL, único e definitivo, de que fala a Igreja de Roma. O que de fato se dará é que, NOS ÚLTIMOS DIAS DA ERA MATERIAL DA HUMANIDADE TERRESTRE, OS QUE SE CONSERVAREM REBELDES SERÃO DEGREDADOS PARA MUNDOS INFERIORES, SÓ OS QUE TIVEREM CHEGADO AO GRAU DE APERFEIÇOAMENTO QUE DEVEM ATINGIR PODERÃO PERMANECER NA TERRA, PARA AÍ CONTINUAREM A PROGREDIR. Não é essa, porém, a idéia que (influenciados pelas falsas interpretações, próprias do “reinado da letra”) os homens fazem do JUÍZO FINAL Os Espíritos culpados irão sendo afastados gradualmente da Terra, e esta se purificará DE MODO QUASE IMPERCEPTÍVEL PARA VÓS OUTROS. A renovação do vosso mundo, não resultará de violento abalo, mas de um progresso contínuo. Ainda estais numa era material, sob o império da matéria, e as coisas no vosso planeta estão dispostas de forma a que ele preencha as condições necessárias à vossa existência. Mas chegam os tempos em que a Terra progredirá, do mesmo passo que os vossos corpos, E SE ELEVARÁ COMO ESSÊNCIA, PURIFICANDO-SE E ETERIZANDO-SE. Quanto mais crescer em vós o domínio do Espírito, tanto mais diminuirão as necessidades materiais e, entre os homens de então e os de agora, mais sensível será a diferença material do que a que existe entre os de hoje e os primeiros habitantes do vosso orbe. NA ÉPOCA DA MATÉRIA – VIDA E ÓRGÃOS MATERIAIS; NA ERA DO ESPÍRITO – ESPIRITUALIDADE!  O vosso planeta está destinado, como todos os que gravitam na imensidade, a percorrer a via do progresso até ao dia em que a transformação se complete e em que, quais homens despojados da matéria, VIVEREIS ESPIRITUAL E FLUIDICAMENTE, NUM MUNDO FLUÍDICO. Preparai-vos, portanto: a época da renovação da Terra é aquela em que os rebeldes, ao voltarem para o mundo dos Espíritos, serão afastados dela e mandados para os mundos inferiores. E as próximas calamidades abrirão grandes claros nas fileiras humanas, a fim de que estas se renovem mais depressa. DO PONTO DE VISTA FÍSICO, A TERRA ACOMPANHARÁ O PROGREDIR DO ESPÍRITO; E O PROGRESSO FÍSICO DESTE, DE HARMONIA COM O DO PLANETA, SERÁ CONSEQÜÊNCIA DO SEU EVOLVER MORAL E INTELECTUAL. Como todos os mundos já formados e todos os que se hão de formar na imensidade, segundo Leis Naturais e Imutáveis, estabelecidas por Deus, o vosso Planeta saiu dos fluidos impuros; depois chegou, progressivamente, ao estado material, de onde passará, num continuo progredir, a estados cada vez menos materiais, até chegar – por sucessivas transformações – ao de pura fluidez, no qual ele e a sua Humanidade se encontrarão livres de todas as impurezas da matéria. Sim, entendei: cada calamidade ou abalo, cada deslocamento do mundo terrícola serve para levá-lo àquela transformação. Deveis compreender que, chamado a desempenhar outras funções, não pode ele permanecer no mesmo meio: com correr dos dias, e mediante esses deslocamentos gradativos à Terra tomará lugar NAS REGIÕES DOS FLUIDOS SUTIS, ONDE TENDES DE VIVER. Enquanto isso, outro planeta, afastando-se por sua vez do seu centro de formação, virá desempenhar as funções que o vosso desempenhava. No fim do ciclo, no último período dessa transformação, isto é, quando a Terra passar ao estado fluídico puro (e ao de Espíritos Puros os que souberam perseverar até o fim), JESUS APARECERÁ NA PLENITUDE DO SEU PODER, DA SUA GLÓRIA DA SUA PUREZA PERFEITA E IMACULADA, PARA VOS MOSTRAR A VERDADE SEM VÉU, PARA VOS CONDUZIR AO CENTRO DA ONIPOTÊNCIA E VOS FAZER CONHECER O PAI.





ANALFABETOS ESPIRITUAIS

P – Um ponto que desejamos aclarar, na Cruzada do Novo Mandamento em casa, é o que se refere aos humildes (às vezes, analfabetos) a quem Deus revela as coisas mais importantes, no dizer de Jesus. Como explica essa passagem do Evangelho o Espírito da Verdade?

R – Vamos harmonizar Mateus, XI: 25-27 e Lucas, X: 21-22.

MATEUS: 25 – Então, proferiu Jesus estas palavras: “Graças te dou, meu Pai, Senhor do Céu de da Terra, por haveres ocultado estas coisas aos sábios e aos prudentes, e por as teres revelado aos pequeninos! 26 – Assim é, meu Pai, porque te aprouve que assim fosse. 27 – Todas as coisas me foram entregues pelo Pai, e ninguém, senão o Pai, conhece o Filho, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o queira revelar.”

LUCAS: 21 – Nessa mesma hora, Jesus exultou pelo Espírito e disse: “Graças te dou a ti, Pai, Senhor da Terra e do Céu, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos! Assim é, Pai, porque foi do teu agrado. 22 – Todas as coisas me foram dadas por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho senão o Pai; ninguém sabe quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho quiser revelar.”

Examinando os versículos 25 e 26 de Mateus e 21 de Lucas, vemos que o Mestre felicitava e animava os seus discípulos, A FIM DE QUE NÃO SE AMEDRONTASSEM COM A TAREFA QUE LHES ERA CONFIADA. A Obra do Senhor é entregue aos simples e aos inocentes, aos fracos e aos obscuros, não como os entendem os homens, mas como os deveriam entender: ELA É  CONFIADA AOS QUE SE ENTREGAM AO SENHOR, AOS QUE TÊM CONFIANÇA E FÉ EM DEUS, E NÃO AOS QUE, ENTRE OS HOMENS, PASSAM POR SER OS GRANDES E OS PODEROSOS DO  ESPÍRITO HUMANO; OS QUAIS NÃO ADMITEM SENÃO AQUILO QUE JULGAM TER DESCOBERTO, MATEMATIZADO E ENSINADO, E NAGAM – DO ALTO DO SEU ORGULHO – A INFLUÊNCIA E OS SOCORROS ESPIRITUAIS, TUDO ATRIBUIDO, UNICAMENTE, A FORÇA DE SUAS VONTADES E DE SUAS INTELIGÊNCIAS. A TODOS ESSES AS VERDADES DIVINAS PERMANECERÃO OCULTAS, AINDA POR MUITO TEMPO: são terras muito gordas, onde nascem, abundantemente, ervas imprestáveis, que estiolam a boa semente, nelas espalhadas pelo vento. É preciso que suas forças se esgotem, em tentativas inúteis, em inúteis esforços, sem nada poderem produzir! JESUS MOSTRAVA QUE DEUS NÃO ESCOLHE OS QUE GOZAM DAS FACULDADES QUE OS HOMENS ADMIRAM, E SIM OS DE CORAÇÃO SIMPLES E ESPÍRITO HUMILDE: OS QUE AMAM E CONFIAM, OS QUE SABEM SOFRER E ESPERAR. Os sábios, os prudentes e entendidos, de que falava o Cristo, são os que a sociedade considera como tais. Entretanto, DIANTE DE DEUS NÃO PASSAM DE ANALFABETOS ESPIRITUAIS.



O PAI E O FILHO

P – Não podia ser mais feliz a explicação referente aos sábios e entendidos deste mundo. Mas queremos saber, ainda, o significado dos versículos 27 de Mateus e 22 de Lucas, no capítulo em pauta. Como os interpreta o Espírito da Verdade?

R – Pelas palavras desses versículos, Jesus aludia à sua elevação e à sua missão como ESPÍRITO PROTETOR E GOVERNADOR DA TERRA. Entre os homens a quem falava, só ele estava apto a compreender a grandeza infinita do Senhor. Fora a vontade de Deus que lhe dera a lembrança da sua origem, PORQUE ENTRE OS HOMENS A MATÉRIA APAGA QUALQUER LEMBRANÇA.  Fora, também, a vontade de Deus que lhe dera A VISÃO DO FUTURO, DE QUE OS OLHOS HUMANOS SÃO INCAPAZES.  Daí suas palavras: “Todas as coisas me foram dadas pelo Pai. Ninguém sabe quem é o Filho senão o Pai; ninguém sabe quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Jesus era, entre os homens, o único que, revestido de um perispírito  tangível, estava ISENTO DA ENCARNAÇÃO HUMANA TAL COMO A SOFREIS, CONSERVANDO SEMPRE A SUA QUALIDADE DE ESPÍRITO: COMO ESPÍRITO PURO, SOB A APARÊNCIA CORPORAL DE UM HOMEM, PODIA COMPREENDER SEU DEUS E COMPREENDER-SE A SI MESMO.  As palavras “ Todas as coisas me foram dadas por meu Pai” se referem às relações diretas que havia entre Deus e o seu Ungido. Graças a essas relações permanentes, todas as coisas lhe eram constantemente postas nas mãos pelo Senhor. Agora, concentrai nisto vossa atenção: “Ninguém sabe quem é o Filho senão o Pai, ninguém sabe quem é o Pai senão o Filho E AQUELE A QUEM O FILHO O QUISER REVELAR”. São palavras da mais alta importância; tem por fim fazer sentir aos homens que eles nada podem saber das coisas celestiais, extra-humanas e de além-túmulo, SENÃO POR MEIO DA REVELAÇÃO. Aludem à Revelação que o Paráclito, por sua ordem, traz à Humanidade, para lhe dar a conhecer quem é o Filho – JESUS, O CRISTO DE DEUS – e a Doutrina do CRISTIANISMO EM ESPÍRITO E VERDADE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO, com as profecias que fez no seu Evangelho e, principalmente, no seu Apocalipse! Diante dos fatos, preparai-vos para receber o Mestre na sua volta gloriosa, porque ele vos mostrará quem é o Pai. Tornai-vos capazes e dignos de recebê-lo, caminhando ativamente, sem vacilações, pela via do progresso moral e intelectual. Todo aquele que não compreende nem a grandeza, nem a justiça de Deus, não o conhece. Aquele que ousa traçar-lhe humanos limites ao poder, confinando-o no acanhado âmbito da inteligência material, também não o conhece. Só aquele que RECEBE E ACEITA A REVELAÇÃO – QUANDO ESTA LHE É FEITA - PODE DIZER QUE CONHECE O SEU DEUS, NA MEDIDA DO QUE, A ESSE RESPEITO, LHE VAI SENDO PROGRESSIVAMENTE REVELADO.



PASSADO E FUTURO

P – É um fato incontestável: só mesmo a LBV, por ser o CAMPO NEUTRO eqüidistante de todos os sectarismos, pode unificar as Revelações do Único Mestre! Acha o Espírito da Verdade que chegaremos à glória de conhecer o Pai?

R – Ele disse: – QUEM PERSEVERAR ATÉ AO FIM SERÁ SALVO. Ora, fazendo-vos conhecer quem é o Filho, a Nova Revelação vos prepara, progressivamente, para serdes capazes e dignos de conhecer o Pai, porquanto vos põe na situação de compreenderdes o vosso passado e de conhecerdes o vosso futuro. Não percebeis que, saídos das mãos do Senhor, fostes incumbidos do desempenho de uma tarefa, que vossas faltas tornaram pesada, mas que – como o infatigável operário – chegareis a cumpri-la e receber o salário? Tereis de atingir a Perfeição, voltando ao seio amoroso do Pai que vos criou! Pois, sempre que necessário, não vos levantamos o véu do passado? E as particularidades das vossas vidas anteriores NÃO TEM DESPERTADO ENTRE VÓS A LEMBRANÇA DA VOSSA ORIGEM? Igualmente incentivando em vós, permanentemente, o anseio do mais alto, não levantamos também a ponta do véu que ocultava o futuro? Assim, não entrevedes vosso Pai no seu trono imutável, a esperar que seus filhos pródigos – sinceramente arrependidos – venham terminar, junto a esse trono de luz, a missão que Ele lhes confiou? AQUELE QUE DESEJE COMPREENDER (SE ENTROU SINCERAMENTE, COM FÉ E AMOR, NO CAMINHO DO MESTRE), NÃO PRECISA MAIS DE INDAGAÇÕES.  Quem recebe e aceita a Nova Revelação pode compreender o seu passado e conhecer o seu futuro, pois sabe de onde veio e para onde vai, em que condições vive na Terra, o que deve aí fazer e não fazer, o que o espera e lhe vai acontecer depois da “ morte”. Se pode conhecer o seu passado? Evidentemente, pois sabe que faliu. E sabe que, por haver falido, reencarnou e foi mandado para mundos inferiores, de expiação e provações. Sabe que iniciou nesses mundos a obra da sua reabilitação, e que tem de terminá-la pelo trabalho, pela humildade, pela caridade e pelo amor, praticados tanto na ordem material quanto na ordem moral e intelectual. Sabe, ainda (embora a matéria lhe anuvie a lembrança das vidas anteriores), que lhe É POSSÍVEL ACHAR OS TRAÇOS DESSAS EXISTÊNCIAS E SABER O QUE TEM DE EXPIAR E REPARAR, EVITAR E ADQUIRIR NA SUA VIDA ATUAL, DESDE QUE PROCEDA, NO ÍNTIMO DE SUA CONSCIÊNCIA, A UM EXAME PRECISO E COMPLETO DE SEUS PENSAMENTOS, PALAVRAS E ATOS. Só assim vencerá, com a ajuda dos Bons Espíritos, seus maus pendores e seus maus instintos. Se pode conhecer o seu futuro? Sim, porque ele sabe que – terminadas suas tarefas, segundo a vontade de Deus, o Pai de Infinito Amor – ingressará na categoria dos Espíritos Bons. E sabe, ainda, que terá de progredir sempre, até chegar à Perfeição que o levará aos braços do Pai Celestial. Até lá, terá de viver o Novo Mandamento do Mestre, relembrando suas palavras: – NINGUÉM VAI AO PAI SENÃO POR MIM.



JUGO SUAVE E FARDO LEVE

P – Uma expressão de Jesus, que muito nos comove, é esta: “Meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Todos, aqui em nosso Posto Familiar, desejam vê-la interpretada, pelo Espírito da Verdade. É possível?

R – Vejamos o Evangelho segundo Mateus, XI: 28-30.

28 – “Vinde a mim todos vós, que estais fatigados e oprimidos, e eu vos aliviarei. 29 – Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou pacífico e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas, 30 – porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Trilhai sempre a estrada que vos é indicada, porque o Mestre vos deu o único rumo que vos pode conduzir à felicidade eterna. Peça-lhe amparo à Alma que se encontra carregada de dores e, QUAISQUER QUE SEJAM OS SEUS SOFRIMENTOS ATUAIS, nele terá o grande médico apto a curar todas as chagas. Sendo a luz de todas as inteligências, ele sempre ilumina a treva que a carne vos impões. POR VÓS SE FEZ HOMEM AOS VOSSOS OLHOS; AOS VOSSOS OLHOS SOFREU CONVOSCO, EXATAMENTE COMO SOFREIS. VOSSAS LÁGRIMAS LHE SAEM DOS OLHOS E NO SEU CORAÇÃO REPERCUTEM, INCESSANTEMENTE, AS VOSSAS DORES. E AINDA VOS ENVIA OS ESPÍRITOS CONSOLADORES, QUE ABRANDAM AS VOSSAS PENAS! Em paga de tanta abnegação e tanto amor, que pede ele que façais? Algum sacrifício? Que lhe deis glória? No fastígio da glória ele já está. Pede-vos amor? Todos os Espíritos do Senhor se curvam diante dele, felizes de o fazerem. Não: só vos pede que trabalheis, sob a sua direção, pela vossa própria glória. Estende-vos a mão, e sustenta até mesmo aqueles que a recusam! Acudi-lhe, portanto, ao chamado amoroso. Seu jugo é leve e ele não o impõe, porque ELE VOS DEIXA LIVRES PARA O ACEITAR OU REPELIR. NÃO EMPREGA A VIOLÊNCIA, COMO FAZEM OS HOMENS, PARA VOS FORÇAR A PERCORRER O SEU CAMINHO.  NÃO VOS DIZ: “CRÊ OU MORRE!” MAS VOS DIZ: “EM MIM ESTÁ A VIDA”. Escutai-lhe, pois, os conselhos santos, caminhai-lhe nas pegadas e, sejam quais forem o culto exterior que pratiqueis e a nação a que pertençais na Terra, VINDE TODOS, TODOS A ELE, PORQUE NÃO HÁ OUTRO NOME EM QUE POSSAIS SER SALVOS! As ovelhas são por ele conduzidas aos campos onde o lobo voraz não aparece: os mundos superiores, moradas dos Espíritos Puros; os mundos fluídicos, onde habitam os que chegaram ao estado de  Perfeição. Todos vós que estais fatigados e carregais o peso dos sofrimentos, que se originam das provações, vinde a  Jesus e Jesus vos dará forças. NÃO VOS DÁ ELE O EXEMPLO DA RESIGNAÇÃO E DA CORAGEM?  Não é a sua palavra amigo, simples e persuasiva, que levanta o ânimo abatido e vos faz ver o bálsamo que deveis aplicar às vossas feridas? Não é Jesus quem as pensa e vos sustém com sua mão poderosa, ajudando-vos a vencer os obstáculos, contra os quais vossa fraqueza se julga preste a se quebrar? Que esperais, portanto? TOMAI SOBRE VÓS O SEU JUGO E COM ELE APRENDEI, POIS O MESTRE É PACÍFICO E HUMILDE DE CORAÇÃO. SOMENTE ASSIM ENCONTRAREIS REPOUSO PARA VOSSAS ALMAS! Sim, encontrareis repouso para vossas Almas, isto é, a Perfeição a que chegareis pelo progresso espiritual. Vivendo o Evangelho, cada dia, vos depurais: despojando-vos das impurezas, nos pensamentos, palavras e atos, alcançais o repouso para vossas Almas. Quer dizer: NADA MAIS TENDO A EXPIAR, ELAS ENTRARÃO NA PAZ DO SENHOR. Entretanto, a Paz do Senhor é UMA PAZ ATIVA, CHEIA DE GRANDES COISAS E DE BOAS OBRAS. Não se trata da paz do mundo, a paz que significa apenas comodismo ou ociosidade, mas da Paz que traduz O TERMO DAS EXPIAÇÕES E DOS SOFRIMENTOS. Como o próprio Cristo o diz, seu jugo é suave e seu fardo é leve. Aquele que, do fundo de seu coração, segue o Redentor, não suporta pesado jugo, porque sua Moral é de prática fácil a todos os Homens e Mulheres da Boa Vontade de Deus, que já se libertaram dos mesquinhos desejos da humanidade ignorante. VINDE, VÓS QUE SOFREIS, POR QUE JESUS É O CAMINHO, E JAMAIS HAVERÁ OUTRO!





O SÁBADO FEITO PARA O HOMEM

P – Nós aqui procuramos santificar o sábado, de acordo com os Dez Mandamentos de Deus, confiados a Moisés por Jesus. Mas alguns ainda se confundem, ao lerem os Evangelhos Sinóticos. Não acha o Espírito da Verdade que o assunto merece novas atenções?

R – Harmonizemos Mateus, XII: 1-8, Marcos, II: 23-28 e Lucas, VI: 1-5.

MATEUS: 1 – Naquele tempo, passou Jesus em dia de sábado por uns trigais. Seus discípulos, tendo fome, se puseram a colher algumas espigas e a comê-las. 2 – Vendo isso, os fariseus lhe disseram: “Teus discípulos estão fazendo o que não é permitido em dia de sábado”. 3 – Disse-lhes, então, Jesus: “Não lestes o que fizeram David e aqueles que o acompanhavam, quando tiveram fome? 4 – Como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição, que nem a ele, nem aos que o acompanhavam, era lícito comer, só sendo aos sacerdotes? 5 – Também não lestes na lei que os sacerdotes, no templo, violam o sábado e não cometem pecado? 6 – Ora, eu vos digo que aqui está quem é maior do que o templo. 7 – Se soubésseis o que significa “misericórdia quero, não holocausto”, jamais condenaríeis inocentes, 8 – porque o Filho do Homem é senhor do sábado”.

MARCOS: 23 – Sucedeu ainda que Jesus, atravessando em dia de sábado umas searas, seus discípulos, avançando por elas, se puseram a colher algumas espigas. 24 – Ao que os fariseus disseram: “Como é que teus discípulos fazem em dia de sábado o que não é permitido fazer-se?” 25 – Jesus lhes respondeu: “Não lestes o que fez David premido pela necessidade, quando teve fome, assim como aqueles que o acompanhavam? 26 – Que entrou na casa de Deus, sendo Abiatar o príncipe dos sacerdotes, e comeu os pães da proposição e os repartiu com os do seu séqüito, não obstante só aos sacerdotes ser permitido come-los?” 27 – E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado. 29 – Assim, pois, o Filho do Homem também é senhor do sábado”.

LUCAS: 1 – Aconteceu que, num dia de sábado, chamado o segundo-primeiro, passando Jesus por uns trigais, seus discípulos se puseram a cortar algumas espigas, a debulhá-las com as mãos e a comê-las. 2 – Alguns fariseus, então, lhes disseram: “Por que fazeis o que não é permitido fazer no sábado?” 3 – Jesus, tomando a palavra, replicou: “Não lestes nas Escrituras o que fez David quando, com os que o acompanhavam, sentiu fome? 4 – Como entrou na casa de Deus, tomou os pães da proposição, os comeu e distribuiu com os do seu séqüito, muito embora só aos sacerdotes fosse lícito come-los?” 5 – E concluiu: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”.

Já vos explicamos porque foi instituído o sábado como o dia de descanso, no Decálogo dado a Moisés no Sinai, bem como o sentido das palavras de Jesus. “O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado”. Por segundo-primeiro se designava o segundo sábado da primeira parte do mês. Os pães da proposição, que só os sacerdotes podiam comer, eram os pães oferecidos no altar. Lembrando aos fariseus o que fizera David, ensinava o Cristo: NADA DO QUE DEUS PÔS À DISPOSIÇÃO DO HOMEM E LHE POSSA SERVIR DE ALIMENTO ESTÁ DEFESO ÀS NECESSIDADES DA EXISTÊNCIA HUMANA; QUE OS PÃES DA PROPOSIÇÃO, COMO O PRÓPRIO SÁBADO, ESTÃO SUBMETIDOS A ESSA NECESSIDADES. Por isso, aos fariseus, que pretendiam ter sido o homem feito para o sábado, exigindo a sua OBSERVÂNCIA ABSOLUTA, MESMO EM DETRIMENTO DA CARIDADE, Jesus perguntou: “Não vistes na lei que, no templo, os sacerdotes violam o sábado e não cometem pecado?” Ora, segundo a lei, o judeu, em dia de sábado, devia abster-se de todos os atos manuais, inclusive tocar em quaisquer metal. Os sacerdotes, entretanto, cumprindo os ritos do culto, violavam o sábado no templo. DEVERIAM, PORTANTO, CONSIDERAR-SE CULPADOS. Com a frase: “AQUI ESTÁ QUEM É MAIOR QUE O TEMPLO”, o Mestre expressou o seguinte: “EU SOU, AQUI, O REPRESENTANTE DA VONTADE DE DEUS”. Estas outras palavras que Jesus recordou aos fariseus, dizendo-lhes que não tinham sabido e sabiam compreendê-las: “MISERICÓRDIA QUERO, NÃO HOLOCAUSTO”, significavam e significam, (tirando-se da letra o espírito) que DEUS, SEMPRE INDULGENTE PARA COM SUAS CRIATURAS, FRACAS E FALÍVEIS, LHES DÁ A OPORTUNIDADE DE SE ARREPENDEREM E DE REPARAREM SUAS FALTAS. Dizendo “não tereis condenado inocentes”, aludia o Mestre às numerosas condenações proferidas contra os que, sob os pretextos mais fúteis, eram acusados de sacrilégio e LAPIDADOS SEM COMPAIXÃO. Finalmente, as palavras: “O Filho do Homem também é senhor do sábado”. Sim, o sábado precisa e deve ser santificado como O DIA DO DESCANSO, instituído por Deus no Decálogo confiado a Moisés. Mas nunca em oposição aos preceitos divinos, dando mais importância ao sábado que ao próprio homem, que foi o objetivo dos Dez Mandamentos e da vinda em pessoa do Cristo ao vosso mundo! Daí a conclusão do Salvador: “O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM, NÃO O HOMEM PARA O SÁBADO”. E quem o disse foi o único a poder declarar: AQUI ESTÁ QUEM É MAIOR DO QUE O TEMPLO, O SENHOR DO SÁBADO!



A GRANDE TRANSIÇÃO

P - Cremos na restauração do Sábado do Senhor, como cremos na restauração das verdades do Evangelho e do Apocalipse do Cristo. Por isso mesmo, Satanás está em desespero, por saber que lhe resta pouco tempo. Como explica o Espírito da Verdade a hora que vivemos?

R – Estais vivendo, sem dúvida, a grande transição dos tempos chegados. Deveis perseverar na Doutrina do Novo Mandamento, enquanto se operam a reforma e a transformação dos cultos exteriores, a unificação de todos os homens pelo CRISTIANISMO DO CRISTO. Até lá, o sábado DEVE PERTENCER SEMPRE A DEUS, e muitos meios tendes de o consagrardes a Ele. Elevai ao Pai Eterno, mais amiúde e com mais fervor, os vossos pensamentos, pois nesse dia cessam as perturbações humanas – Satanás e suas seduções de ouro e prazeres ilusórios. Sejam mais numerosas as vossas boas obras: lembrai-vos – quer começando, quer encerrando a vossa semana de lutas – das pobres criaturas que esperam socorros de seus irmãos em Deus. Santificai sempre o dia reservado ao repouso. TORNANDO MAIS ÚTIL ESSE REPOUSO. Imitai vossos irmãos do Espaço, cujos instantes – todos – se assinalam por obras de caridade incessante. Iniciai o sábado oferecendo-o ao Criador, qualquer que seja o culto exterior a que pertençais pelo nascimento, e prestai a Deus O CULTO DA VOSSA ADORAÇÃO EM ESPÍRITO, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO.  É o exemplo que dais aos irmãos que vos cercam, e que são conhecedores da vossa fé sem fronteiras. Presos aos cultos exteriores, gerados pela letra, serão levados a meditar na mensagem libertadora que lhes endereçais. Depois, ide levar aos necessitados o alívio e as consolações de que carecem. Ide aos que vos ofenderam para que também esqueçam AS VOSSAS FALTAS ANTIGAS. Levai a todos o perdão e a paz somente pelas obras santificareis o Sábado do Senhor, perseverando no Bem, até que sejam restauradas as VERDADES ETERNAS DO EVANGELHO E DO APOCALIPSE DO CRISTO DE DEUS.



UMA SÓ RELIGIÃO

P – Em face e em conseqüência do advento da era do CRISTIANISMO DO CRISTO, mudanças radicais se operam no seio da Humanidade. Que diz o Espírito da Verdade sobre o destino das religiões humanas?

R – Aproximam-se os tempos em que Deus não será mais adorado nem no alto da montanha, nem em Jerusalém: os homens serão os adoradores que o Pai deseja – seus adoradores em ESPÍRITO E VERDADE, A LUZ DO NOVO MANDAMENTO. Aproximam-se os tempos em que os homens estarão unidos por uma só religião, que assim se resume: DEUS, uno e único, o Criador Universal, o Pai: JESUS,  Espírito puro e perfeito governador e protetor da Terra e de sua Humanidade, o vosso único Mestre, o Filho: OS ESPÍRITOS DO SENHOR TODO-PODEROSO prepostos por Ele à obra do progresso do vosso planeta, nele trabalhando sob a direção do Cristo, formando o Espírito Santo. Aproximam-se os tempos em que, adoradores de Deus, os homens compreenderão que sua Alma, quando realmente pura, é o único templo do Senhor do Universo; que o Cristo está onde duas ou mais pessoas se reúnam em seu nome, formulando com fé, humildade e amor (abstração feita de todos os cultos exteriores que ainda os dividem e separam) A PRECE DO CORAÇÃO, não dos lábios somente! Aproximam-se os tempos em que TODOS OS HOMENS E MULHERES DE BOA VONTADE COMPREENDERÃO QUE A LEI DIVINA SE CONTÉM NO NOVO MANDAMENTO DE JESUS – “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO EU VOS AMEI E AMO” – A RELIGIÃO DE DEUS, PORQUE DEUS É AMOR, O AMOR UNIVERSAL PARA TODA A ETERNIDADE. Esta é A RELIGIÃO, segundo a qual os homens viverão as leis morais de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade, justiça, amor e caridade. Semelhantemente ao culto dos hebreus obra meramente disciplinar e transitória, os cultos exteriores derivados das instituições e interpretações humanas a que a missão terrena de Jesus deu lugar, não poderão impedir que se forme UM SÓ REBANHO PARA UM SÓ PASTOR – O CRISTO NOSSO SENHOR E MESTRE





A MÃO SECA

P – A LBV já nos ensinou como é fácil fazer a Cruzada do Novo Mandamento no Lar. Mas, sem dúvida, essa facilidade decorre das lições do CEU, que nos apresenta o Evangelho sem mistério e “milagres”. Como o Espírito da Verdade interpreta a cura do homem da mão seca?

R – Vamos harmonizar os Evangelhos sinóticos: Mateus, XII: 914, Marcos, III: 1-6 e Lucas, VI: 6-11.

MATEUS: 9 – Então, veio Jesus à sinagoga deles. 10 – Aí se achava um homem que tinha seca uma das mãos. E, para acusarem o Cristo, lhe perguntaram: “É permitido curar em dia de sábado?” 11 – Jesus lhes respondeu: “Qual, dentre vós, tendo uma ovelha e vendo-a cair num fosso em dia de sábado, não procurará tirá-la dali?” 12 – E não vale o homem muito mais do que uma ovelha? Sim é permitido fazer o bem em dia de sábado!” 13 – E disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem a estendeu, e ela ficou sã como a outra. Os fariseus, porém, se reuniram em conluio contra ele, estudando o modo de se vingarem de Jesus.

MARCOS: Jesus entrou de novo na sinagoga. Como, ali, se achasse um homem que tinha seca uma das mãos, 2 – eles ficaram observando, para ver se Jesus o curaria em dia de sábado, a fim de o poderem acusar. 3 – Disse, então, Jesus ao homem que tinha a mão seca: “Vem aqui para o meio”. 4 – E perguntou: “É permitido, em dia de sábado, fazer o bem ou o mal, salvar ou tirar uma vida?” Eles ficaram calados. 5 – Perpassando, então, por eles o olhar, tomado de cólera, em vista da dureza de seus corações, disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem a estendeu, e ela ficou sã. 6 – Os fariseus se retiraram logo e, com os herodianos, fizeram conciliábulo, buscando o meio de o perderem.

LUCAS: 6 – Entrando na sinagoga, em outro sábado, Jesus começou a ensinar. Lá estava um homem cuja mão direita era seca. 7 – Os escribas e os fariseus o observavam para ver se ele curaria em dia de sábado, para o acusarem. 8 – Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse ao homem que tinha a mão seca: “Levanta-te e fica de pé aqui no meio”. O homem se levantou e ficou de pé. 9 – Então, disse Jesus: “É lícito, em dia de sábado, fazer o bem ou o mal, salvar a vida ou tirá-la?” 10 – Depois de olhar para todos, disse ao homem: “Estende a tua mão”. Ele a estendeu, e ela ficou sã. 11 – Cheios de furor, os escribas e os fariseus perguntavam uns aos outros, o que fariam a Jesus.

Nenhuma explicação reclama o que, nestes versículos, se refere ao sábado e ao emprego que o homem pode e lhe deve dar: já dissemos o que tínhamos a dizer a esse respeito. Quanto a cura que o Mestre operou na sinagoga tratava-se de uma paralisia que atacara a mão direita do homem de quem se fala. Nas traduções se lê “mão seca, mão árida”; entretanto, de acordo com o texto original, corretamente interpretado, o caso era de MÃO PARALÍTICA. Já por duas vezes explicamos as curas de paralisia feitas pelo Cristo. A mão paralítica, a que aludem os versículos de hoje, se tornou sã, como a outra, por ato da vontade do Mestre, que dirigiu, mediante a ação magnética do olhar – para a mão doente e para o organismo do homem – os fluidos fortificantes. NÃO TENDES VISTO O MAGNETISMO OPERANDO PELO OLHAR? Relativamente aos escribas e fariseus, nas traduções do Evangelho segundo Marcos, se diz que JESUS OS OLHOU TOMADO DE CÓLERA EM VISTA DA DUREZA DE SEUS CORAÇÕES. Meras palavras humanas! Não confundais nunca, nas narrações evangélicas, O QUE REPRODUZ AS IMPRESSÕES, AS IDÉIAS, A OPINIÃO, AS APRECIAÇÕES DOS QUE CERCAVAM JESUS, DAQUELES A QUEM ELE FALAVA, COM AS PRÓPRIAS PALAVRAS PENSAMENTOS E ATOS DE JESUS. A CÓLERA JAMAIS ENTROU NO CORAÇÃO DELE!  A palavra do texto original, bem interpretada, pode ser tomada nas acepções de cólera e de indignação: nesta última, e não naquela, é que deve ser entendida. Os judeus não cessavam de falar na cólera do Todo-Poderoso a cair sobre o culpado. COMO ADMITIR QUE DEUS E O CRISTO, REPROVANDO A CÓLERA NO HOMEM, DELA FOSSEM PASSÍVEIS? Jesus pareceu encolerizado diante doa homens que o cercavam, indignado por ver que os escribas e fariseus resistiam voluntariamente aos esforços que ele empregava para os conduzir ao bom caminho. Sofria, realmente, vendo que OS ESPÍRITOS CULPADOS, A QUEM TRAZIA A LUZ DA VERDADE, FECHAVAM OS OLHOS PARA REJEITÁ-LA. Vossos Anjos da Guarda não se afligem com o vosso endurecimento de coração? E os escribas e fariseus não tinham o livre arbítrio? Não vos admireis, portanto, de que Jesus sofresse ante a maldade consciente deles, embora tivesse A PRESCIÊNCIA DO FUTURO.



A PRESCIÊNCIA DE DEUS

P – A alusão à presciência do futuro interessou a todos nós, em nosso Posto Familiar. Poderia o Espírito da Verdade falar, uma vez mais, sobre a presciência de Deus?

R – Diante da presciência de Jesus, como REPRESENTANTE DIRETO DA DIVINA VONTADE, em presença do livre arbítrio do homem, compreendei o que é a presciência de Deus! Deus vê, sabe (como já o explicamos) qual o estado do Espírito; sabe, vê e acompanha as fases de progresso: as fases sucessivas das existências que a Alma tem a percorrer, munida de seu livre arbítrio, usando-o para o Bem ou para o mal, por impulso da sua vontade pessoal ou sob a influência oculta dos bons ou dos maus Espíritos, que ela atrai ou repele conforme à natureza boa ou má de seus sentimentos, de seus pendores e de suas tendências. Essa influência, sob a qual a Alma se acha a todo instante, constitui a TENTAÇÃO A QUE ELA PODE CEDER OU RESISTIR UMA VEZ QUE É SEMPRE LIVRE PARA ESCUTAR OU NÃO AS BOAS INSPIRAÇÕES, DE AS SEGUIR OU NÃO, COMO TAMBÉM É LIVRE PARA ACEITAR OU REPELIR AS MÁS INSPIRAÇÕES.  É sob a ação e os efeitos dessas influências – que o assediam a todo momento – que o Espírito, no pleno gozo do seu livre arbítrio, tem de avançar ou parar, na estrada do progresso. Assim, pois, era sob a ação e os efeitos de tais influências que aos escribas e fariseus, no pleno gozo do seu livre arbítrio, cumpria escutar ou repelir os ensinos de Jesus. Sem dúvida, aqueles escribas e fariseus, que o rodeavam na sinagoga, eram, como Espíritos encarnados, muito empedernidos: por isso mesmo, não aceitariam a luz. Mas nem por isso a luz deixava de ser, para eles, um meio de escaparem a cruéis expiações. Da parte do Senhor nunca há prevenção. Em geral, os Espíritos encarnam procedendo livremente à escolha tanto do meio quando do gênero das provações. Via de regra, escolhem os meios que lhes são simpáticos. Ora, nos grupos que os fariseus os príncipes dos sacerdotes, os escribas e todos os que exerciam qualquer autoridade, entre os judeus, formavam à volta de Jesus, O ORGULHO REINAVA SOBERANAMENTE E, POR CONSEGÜINTE, LHES TAPAVA OS OLHOS E OS OUVIDOS. Mas, Deus, na sua infinita bondade, abria para eles ( como abre para todos) uma via nova de purificação. Seus anjos guardiãs faziam por eles o que fazem por todos. ELES, PORÉM, OS REPELIAM POR SUA VONTADE INDEPENDENTE: NO PLENO GOZO DO SEU LIVRE ARBÍTRIO, ACEITAVAM AS MÁS INFLUÊNCIAS, AS INSPIRAÇÕES DOS MAUS ESPÍRITOS!  Em suma: se é certo que nenhum resultado produziu a caridade de Deus, abrindo-lhes nova estrada naquela existência, não menos certo é que essa obra de purificação teria de dar os seus frutos APÓS A MORTE DELES E NAS SUAS EXISTÊNCIAS SEGUINTES.





O PROFETA E O MESSIAS

P – Realmente, negar o Velho Testamento é o mesmo que rejeitar o Messias anunciado ao mundo desde Moisés. As profecias de Isaías, sobre o Cristo, se confirmaram de maneira fiel e impressionante. Que diz sobre o assunto o Espírito da Verdade?

R – Evidentemente, como declarou o próprio Cristo: O Velho Testamento “não pode falhar”, e não falhou. Vejamos Mateus, XII: 15-21.

15 – Sabendo disso, ele se retirou daquele lugar. Muitos doentes o seguiram e a todos curou, 16 – ordenando-lhes que não o descobrissem, 17 – a fim de se cumprirem as palavras do profeta Isaías: 18 – “Eis aqui o servo que elegi, o meu bem-amado, em quem muito se compraz minha alma! Sobre ele porei meu Espírito, e ele às nações anunciará a justiça. 19 – Não discutirá, não gritará e ninguém lhe ouvirá a voz nas praças públicas. 20 – Não acabará de partir o caniço já quebrado e não apagará a mecha ainda fumegante, enquanto não alcance a vitória da justiça. 21 – Em seu nome depositarão as nações todas as suas esperanças”.

Despindo-se da letra o espírito, facilmente compreensíveis se tornam, não só as palavras de Isaías aos hebreus, com referência ao Cristo, mas também a indicação do cumprimento dessa profecia relativamente aos fariseus que tramavam contra Jesus, estudando os meios de que poderiam lançar mão para liquidá-lo, inquirindo uns dos outros como contra ele atentariam! Mais ainda: a proibição feita pelo Mestre aos doentes que o haviam acompanhado e que foram curados por ele. JESUS É SERVO E BEM-AMADO DE DEUS, PELA SUA QUALIDADE DE ESPÍRITO PURO E PERFEITO, GRAÇAS AOS SEUS PRÓPRIOS MÉRITOS. POR ISSO É QUE O SENHOR O ELEGEU, QUANDO O FEZ PROTETOR E GOVERNADOR DA TERRA. Nele se compraz, fazendo-o participar do seu poder, da sua justiça e da sua misericórdia, dando-lhe a investidura de vosso Mestre, encarregando-o de presidir à formação do vosso planeta, de o conduzir e guiar, com tudo o que nele existe e se move, com a Humanidade que o habita, pelas vias do progresso físico, moral e intelectual, incumbindo-o de vos levar à perfeição que tereis que atingir. Deus fez e faz que seu Espírito sobre ele pouse, constantemente, comunicando-lhe diretamente à inspiração. Pelo desempenho da sua missão terrena, Jesus anunciou às nações a justiça, mostrando-lhes a única forma de proceder, segura e reta, que as pode conduzir ao fim colimado. E agora, chegados os tempos, ele anuncia a justiça às nações por intermédio dos Espíritos do Senhor, os quais, em seu nome, desenvolvem e explicam em Espírito e Verdade, sempre à luz do Novo Mandamento, as revelações que ele EM PESSOA deu aos homens, embora sob o véu da letra. Esses Espíritos também mostram a todos, novamente, a mesma norma de proceder do Espírito da Verdade, ILUMINANDO O CAMINHO DO PROGRESSO POR ONDE TODAS AS CRIATURAS, TENDO A GUIÁ-LAS A LUZ QUE SE IRRADIA DO FACHO DA VERDADE, POSSA AVANÇAR COM PASSO FIRME, CULTIVANDO A CIÊNCIA, A CARIDADE E O AMOR – SELOS DA ALIANÇA ENTRE A FÉ E A RAZÃO.  Estas palavras do profeta, referentes ao Messias prometido desde Moisés: “Ele não discutirá, não gritará e ninguém lhe ouvirá a voz nas praças públicas”, encerravam alusão ao hábito que tinham os hebreus de se reunirem publicamente, para deliberar sobre assuntos importantes, procurando cada um abafar com a voz a dos seus adversários, para que sua opinião prevalecesse. Jesus não discutiu desse modo, não gritou: ninguém lhe ouviu ASSIM a voz nas praças públicas. É QUE ELE FALAVA COM AUTORIDADE, NÃO DA MANEIRA POR QUE FALAVAM OS ESCRIBAS E FARISEUS.



CANIÇO QUEBRADO, MECHA FUMEGANTE

P – No capítulo em exame, o profeta Isaías se refere ao “caniço já quebrado” e à “mecha ainda fumegante”. Como o Espírito da Verdade explica ambas as expressões, pelo CEU da LBV?

R – O “caniço já quebrado” e a “mecha ainda fumegante” significam OS ESPÍRITOS CULPADOS, NOS QUAIS UMA TENDÊNCIA, POR MUITO FRACA QUE SEJA, HÁ SEMPRE PARA SE MELHORAREM.  Jesus “não acabará de quebrar o caniço já quebrado, não apagará a mecha ainda fumegante”, como nunca o fez, porque – tendo todos os Espíritos de alcançar a meta – ele a nenhum culpado repele, até que venha a Justiça, isto é, até que o Espírito, pela expiação, se despoje dos vícios que o tornam impuro ou injusto. ASSIM COMO DAIS AO CRISTO O QUALIFICATIVO DE “JUSTO”, NA SIGNIFICAÇÃO DE “PURO”. AQUI DO MESMO MODO, O TERMO “INJUSTO” É EMPREGADO COMO SINÔNIMO DE “IMPURO”.  Sim, como afirma o profeta no Velho Testamento da Bíblia Sagrada, Jesus não acabará de partir o caniço já quebrado, nem apagará a mecha ainda fumegante, enquanto não alcance A VITÓRIA DA JUSTIÇA. Estas últimas palavras significam: enquanto os Espíritos que reencarnaram na Terra não se hajam purificado, seja nesse planeta, ao tempo de sua renovação, seja nos mundos inferiores, para onde serão mandados a expiar suas faltas, durante séculos, os que, naquela época, se conservarem culpados e rebeldes. Sendo certo, porém, que TODOS OS ESPÍRITOS HÃO DE CHEGAR AO FIM PARA O QUAL FORAM CRIADOS POR DEUS, certo é, também, que Jesus não acabará de partir o caniço já quebrado, nem apagará a mecha ainda fumegante. Os que, na hora da renovação da Terra, se conservarem culpados e rebeldes, verão claramente que NO ENDURECIMENTO DE SUAS ALMAS E NA SUA VOLUNTÁRIA CEGUEIRA ESTÁ A CAUSA DE SEREM DEGREDADOS PARA MUNDOS INFERIORES. Então neles se manifestará, sob a ação do terror das expiações cruéis, do pesar e do remorso, uma tendência, por mais tênue que seja, para se melhorarem. E continua Isaías: “Em seu nome depositarão as nações todas as suas esperanças”. Significa esta profecia que TODOS OS POVOS COMPREENDERÃO SER A MORAL DO CRISTO A ÚNICA QUE PODE OBRIGAR OS HOMENS A PROGREDIR, PELA RAZÃO E PELA FÉ, PELA CIÊNCIA E PELA RELIGIÃO AO MESMO TEMPO. A REVELAÇÃO ATUAL INICIA ESTA FASE NOVA, E TODOS CONFIARÃO NA SUA INFLUÊNCIA PARA ATINGIR A PERFEIÇÃO.  As palavras de Isaías tinham de se cumprir com relação aos fariseus que conspiravam contra Jesus, porque eles eram “o caniço já quebrado” que o Mestre “não acabaria de quebrar”, e seriam – depois da morte – “ a mecha ainda fumegante” que o Redentor não apagaria, porquanto lhes cumpria, como a todos os Espíritos, purificar-se pela expiação, vencendo os vícios (principalmente morais) que os faziam tão injustos. E, para que tal profecia se cumprisse mais depressa, Jesus proibiu aos doentes que o acompanhavam, e foram por ele curados, “que descobrissem”. Fazendo-lhes essa proibição, QUERIA O CRISTO EVITAR QUE AQUELES ESPÍRITOS CULPADOS, EXCITANDO-SE AINDA MAIS, AINDA MAIS CULPADOS SE TORNASSEM, EXPONDO-SE A EXPIAÇÕES MUITO MAIS DURAS.





SUBJUGADO: CEGO E MUDO

P – Uma passagem que muito nos impressiona é a do cego e mudo “possesso do demônio”. Como o Espírito da Verdade explica o fato, pelo CEU da LBV?

R – Vamos harmonizar Mateus, XII: 22-28 e Marcos, III: 20-26.

MATEUS: 22 – Apresentaram-lhe, então, um homem cego e mudo, possesso do demônio. Ele o curou, de sorte que o homem começou a ver e a falar. 23 – A multidão, estupefata, perguntava: “Porventura é este o filho de David?” 24 – Os fariseus, porém, ouvindo isto, diziam entre si: “Ele expulsa demônios por Belzebu, príncipe dos demônios”. 25 – Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, falou: “Todo reino que se dividir contra si mesmo será destruído; toda cidade ou casa, dividida contra si mesma, não poderá subsistir. 26 – Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está ele dividido contra si mesmo, como poderá, então, o seu reino subsistir? 27 – Se é por Belzebu que eu expulso os demônios, por quem os expulsam vossos filhos? Estes, por isso mesmo, é que serão os vossos juízes. 28 – Mas, se expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é que o Reino de Deus veio até vós”.

MARCOS: 20 – Entraram em casa e aí se aglomerou tão grande multidão que nem sequer podiam comer. 21 – Ao saberem disso, os parentes de Jesus vieram para se apoderarem dele, dizendo que perdera o juízo. 22 – Os escribas, vindos de Jerusalém, diziam: “Ele está possesso de Belzebu e expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios”. 23 – Jesus, porém tendo-os chamado, lhes dizia por parábolas: “Como pode Satanás expulsar a Satanás? 24 – Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir. 25 – Se uma casa estiver dividida contra si mesma, desmoronará. 26 – Se, pois, Satanás se rebelar contra si mesmo, estará dividido e terá fim.”

Aquele homem “possesso do demônio” estava subjugado por um mau espírito: estava cego e mudo por efeito da subjugação. O obsessor, lançando-lhe sobre os órgãos da visão e da audição os fluidos de que dispunha, combinando seu perispírito com o do subjugado, lhe paralisara aqueles órgãos e o deixara, por essa forma, privado momentaneamente do uso das faculdades de ver e ouvir. JESUS O CUROU PELA AÇÃO DA SUA PODEROSA VONTADE, AFASTANDO O OBSESSOR. POR MEIO DA AÇÃO MAGNÉTICA RESTITUIU AO ESTADO NORMAL, INSTANTANEAMENTE, GRAÇAS AOS FLUIDOS QUE PENETRARAM NO HOMEM, OS ÓRGÃOS SOBRE OS QUAIS ATUAVA O ESPÍRITO MAU. O homem, que se achava cego e mudo por efeito da subjugação, expiava desse modo graves abusos da palavra, anteriormente cometidos e expiava também o não ter sabido aproveitar-se da luz que lhe fora concedida. A multidão, presenciando um fato que não conseguia entender nem explicar, tomada de espanto, perguntava: “Porventura é este o filho de David?” É que fora predito que O MAIOR DOS PROFETAS DESCENDERIA DA LINHAGEM DE DAVID, e as interpretações hebraicas consideravam o filho de David como um libertador material. As palavras que Jesus dirigiu aos escribas e aos fariseus e bem assim as que, com relação a ele, proferiram os que eram, no entender dos homens, ou se intitulavam seus parentes, alcançavam tanto o presente quanto o futuro; TINHAM, POIS, UM ALCANCE TANTO EVANGÉLICO QUANTO APOCALÍPTICO. Foram ditas como lição, COMO ENSINO – NECESSÁRIO NAQUELE MOMENTO – AOS APÓSTOLOS E AOS DISCÍPULOS. As épocas se ligam e, quanto mais avançardes, tanto melhor compreendereis a ligação que existe entre o aparecimento de Jesus na Terra e a manifestação universal dos Espíritos. ESTES CONTINUAM, DESENVOLVEM E COMPLETAM A OBRA DE REGENERAÇÃO DA HUMANIDADE TERRESTRE.



BELZEBU, SATANÁS, DEMÔNIOS

P – O próprio Jesus, no Evangelho, se refere a Belzebu, Satanás e demônios. Tomando isso ao pé da letra, as igrejas humanas mantiveram sua crença em tais entidades. Qual a interpretação do Espírito da Verdade?

R – Para que o compreendessem e, sobretudo, o escutassem, Jesus apropriava sua linguagem ao estado das inteligências, às idéias em voga, aos preconceitos e tradições dos homens a quem falava. Por isso é que empregava as expressões Belzebu, Satanás, Diabo, Príncipe dos Demônios, QUE PARA ELE NÃO TINHAM – COMO NÃO DEVEM TER PARA OS HOMENS – MAIS DO QUE UM SENTIDO FIGURADO, servindo para designar os Espíritos maus que, depois de haverem falido na sua origem, permanecem nas sendas do mal, praticando-o contra os homens incautos. Acusado de usar poderes do Espírito das trevas, para realizar as obras admiráveis que operava, Jesus aponta aos escribas e aos fariseus seus próprios filhos hebreus como eles, dotados daquela faculdade, se bem que em grau bastante inferior. De fato, entre os judeus havia alguns homens de escol, Espíritos em missão naquele meio, COMO HÁ SEMPRE EM TODAS AS NAÇÕES, PARA MOSTRAREM O MELHOR NO CENTRO MESMO DO QUE EXISTIA DE PIOR. Havia homens sinceramente piedosos, que de coração obedeciam à Lei de Moisés, tendo em vista servir a Deus. Esses conseguiam, algumas vezes, por meio da prece e da perseverança, afastar os Espíritos malfazejos, que se manifestavam pela obsessão ou pela subjugação. Como já o explicamos, ESSES FILHOS DOS HOMENS SE PURIFICAVAM E ELEVAVAM DE SEUS PAIS, CONSTITUINDO-SE ASSIM OS JUÍZES NATURAIS DESTES ÚLTIMOS. Hoje, vós outros também sois acusados pelos escribas e fariseus, vossos contemporâneos, de agir sob influência diabólica, exatamente como o foi Jesus outrora. Diante do fato, repitamos as palavras do Mestre: “NENHUM REINO DIVIDIDO CONTRA SI MESMO PODERÁ SUBSISTIR”. Podeis pela fé, pela prece, pelo conhecimento do Evangelho e do Apocalipse, esclarecer as consciências, aliviar o sofrimento de vossos irmãos obsidiados, repelir os Espíritos da treva que desejem instalar-se entre vós. Cuidai, pois, de cumprir o Novo Mandamento do Cristo, elevando o pensamento, dominando a carne, para que a nova geração seja preparada para a grande TRANSIÇÃO DO MILÊNIO: CAMINHAI SEM MEDO, PORQUE NÓS MARCHAMOS À VOSSA FRENTE, EM DREÇÃO AO MESTRE QUE VOLTA!



PELO ESPÍRITO DE DEUS

P – No capítulo em pauta, disse Jesus: “Mas, se eu expulso os  demônios pelo Espírito de Deus, é que o Reino de Deus veio até vós”. Como explica isso o Espírito da Verdade?

R – A expressão PELO ESPÍRITO DE DEUS, considerada em relação a Jesus, significa – tirado da letra o espírito – A INFLUÊNCIA DIRETA QUE O SENHOR EXERCE SOBRE ELE. Em relação aos homens, deveis compreendê-la como designando os Espíritos purificados que o Senhor vos envia, na qualidade de MEDIANEIROS ENTRE A SUA BOA VONTADE E OS VOSSOS PRÓPRIOS ESPÍRITOS. Deus, o Senhor Onipotente, é – como sabeis – uno, único, indivisível. Eterno, infinito, Ele reina sobre todos os mundos, no Universo sem limites. Para todos os orbes, promulgou a Lei Imutável do Progresso, MAS A CADA UMA DAS MORADAS CELESTES DEU A CONSTITUIÇÃO QUE LHE ERA APROPRIADA. Nem todos os mundos têm de passar pelas mesmas fases. Assim como há Espíritos que nunca faliram, também há orbes que se conservaram sempre fluídicos e outros mais ou menos materiais, de acordo com as necessidades dos Espíritos a cuja habitação se destinam. Quando chegar a hora de vos dizermos o que significam estas palavras do Mestre “HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI”, nós vos daremos – a cerca da natureza dos mundos – explicações que não cabem agora, porque nos fariam sair do círculo em que, presentemente, nos devemos manter. CADA PLANETA TEM UM ESPÍRITO, DE PUREZA PERFEITA, ENCARREGADO DE O DIRIGIR E FAZER PROGREDIR, DEPOIS DE LHE HAVER PRESIDIDO A FORMAÇÃO: EXATAMENTE COMO JESUS COM RELAÇÃO A TERRA. Tais Espíritos são perfeitos em tudo, não só do ponto de vista moral e espiritual, como também com referência ao saber, considerado este em face da obra e da missão que lhes confiou o Criador. Eles estão sempre em relação direta com Deus: podem aproximar-se do Centro da Onipotência. Por intermédio deles é que as vontades do Senhor se transmitem aos grandes Espíritos e destes aos homens, através de seus Anjos da Guarda ou Bons Espíritos, COM A RAPIDEZ DO PENSAMENTO. É deste modo que o Espírito de Deus opera e desce até vós, com grande poder e glória, vencendo o mal com o Bem. Podeis, assim, compreender as palavras de Jesus aos escribas e fariseus: “MAS, SE EU EXPULSO OS DEMÔNIOS PELO ESPÍRITO DE DEUS, É QUE O REINO DE DEUS VEIO ATÉ VÓS”.



JESUS EM RELAÇÃO DIRETA COM DEUS

P – Até hoje, ninguém revelou que há um Diretor para cada um dos Planetas. O que ensinavam é que Jesus governava todo o Universo. Que diz a isto o Espírito da Verdade?

R – Essa interpretação resulta do erro da concepção de Jesus como Deus, e daí se dizer: “ Maria, mãe de Deus”. Sabeis, entretanto, que o próprio Jesus estabeleceu a diferença, não só no seu Evangelho como, também, no seu Apocalipse. JESUS ESTÁ PARA A TERRA COMO DEUS PARA O UNIVERSO, O QUE EM NADA HUMILHA A GRANDEZA ESPIRITUAL DO CRISTO.  Jesus, que tem a seu cargo a direção do vosso mundo, é um dos Espíritos que podem aproximar-se do CENTRO DA ONIPOTÊNCIA DIVINA, porque é de uma essência que se conservou sempre pura, de perfeita e imácula pureza, visto que jamais faliu. Como servidor do Pai, Nosso Mestre e vosso Mestre, é ele quem preside os destinos da Terra, quem a governa e lhe acompanha a evolução com paternal solicitude. EM RELAÇÃO DIRETA COM DEUS ( DO MESMO MODO QUE AQUELES DE SEUS IRMÃOS QUE, SENDO-LHES IGUAIS NA PUREZA, DESEMPENHAM MISSÕES ANÁLOGAS A SUA), ELE RECEBE, SEM INTERMEDIÁRIOS, AS VONTADES DO ONIPOTENTE. Neste sentido é que se pode dizer que “ só o Pai conhece o Filho e só o Filho conhece o Pai”. Inclinai-vos com respeito, reconhecimento e amor diante de Jesus que, desde o instante em que a Terra saiu dos fluidos espalhados na imensidade, em que esses fluidos, para formarem um orbe, se reuniram PELA AÇÃO DA SUA VONTADE DIVINA (DIVINA NO SENTIDO DE SER ELE ÓRGÃO DE DEUS) velou sempre por vós, cheio de devotamento, através de todas as fases por que passaram vossos Espíritos. Amai, com todas as forças de vossa Alma, esse maravilhoso Jesus que, para surgir às vistas dos homens, aceitou o sacrifício da encarnação, a fim de lançar as bases, os fundamentos da Obra de Regeneração da Humanidade! Sim, repetimos, amai sempre o vosso Redentor, que aceitou a encarnação, SENDO, EMBORA, DE UMA PERFEIÇÃO QUE SE PERDE NA NOITE DAS ETERNIDADES; QUE A ACEITOU, HUMILDEMENTE, EMBORA NUNCA HOUVESSE MERECIDO ENCARNAR COMO EXPIAÇÃO, AINDA QUE NOS MUNDOS ELEVADOS, PORQUANTO CHEGOU A PERFEIÇÃO SEM JAMAIS HAVER FALIDO. Ele não teve de sofrer por expiação, insistimos, a encarnação MESMO NOS MUNDOS ELEVADOS, onde se exilam, para resgatar suas faltas, por mais leves que sejam, os Espíritos que se conservaram puros na via do progresso até alcançarem grande evolução, mas que vieram a falir, se bem que ligeiramente, visto que DIANTE DO SENHOR ONIPOTENTE SÓ A PERFEIÇÃO, SEM MANCHA ALGUMA, PODE APRESENTAR-SE. Com efeito, a menor fraqueza, tão pequenina que com os vossos órgãos de percepção sois incapazes de a apreciar, constitui uma falta que o Espírito adiantado no caminho da evolução, RECONHECE IMEDIATAMENTE E EXPIA, POR MEIO DE UMA ENCARNAÇÃO MAIS OU MENOS MATERIAL, MAIS OU MENOS FLUÍDICA, DE ACORDO COM O SEU GRAU DE ELEVAÇÃO, COM A EXTENÇÃO OU A GRAVIDADE DA MESMA FALTA. Todo castigo é adequado ao erro praticado. Uma falta que por demasiado sutil vos escapa, é uma ofensa ao Criador e não escapa ao Espírito que, já bastante evoluído, dela tem consciência, antes mesmo de germinar no seu íntimo: Por isso é que se exila para expia-la, temporariamente dos gozos infinitos do ESPÍRITO PURO E LIVRE. Mais razões tendes, portanto para amar o Mestre que, completando a sua Obra de Regeneração, vos envia o Paráclito, para vos lembrar o que ensinou e revelar o que não pode dizer. ELE DECLARA QUE VIRÁ MUITO BREVE, PARA CONDUZIR-VOS, DE LUZ EM LUZ, AO DEUS ÚNICO E ETERNO, SENHOR DE TODOS OS MUNDOS, A QUEM DEVEIS A HOMENAGEM DA VOSSA ADORAÇÃO.





O REINO DE DEUS PARA TODOS

P – Por que os parentes de Jesus não entenderam sua missão? Que pensavam eles do Reino de Deus? Poderia o Espírito da Verdade revelar quem eram, afinal, esses parentes?

R – O Reino de Deus vem para todo aquele que, finalmente, encontra a Verdade que liberta e leva diretamente ao fim. Para os judeus endurecidos, transgressores da Lei de Moisés, que por eles fora mais deformada que a Lei de Deus e foi pelos seus “ representantes”, aquele Reino viera a fim de que os que preparavam, para si mesmos, longa e dolorosa expiação, achassem aberta a porta da esperança e o caminho mais curto de chegarem à salvação. O Reino de Deus veio ainda para os que, em vez de seguirem simplesmente a LEI DE JESUS, SINTETIZADA NO SEU NOVO MANDAMENTO, a amoldaram – arrastados pelo egoísmo e pelo orgulho – às suas conveniências, fazendo de uma Lei tão pura – para uns, os que se servem da religião como de um meio, os que só a praticam exteriormente e a afeiçoam às suas necessidades, elástica vestimenta, dentro da qual possam executar os movimentos mais desregrados; e, para outros, uma geena a lhes tolher os movimentos numa constrição cruciante. Estes últimos, a nosso ver, são os que tomam a sério a religião, mas que, dotados de pouca inteligência, se submetem ao jugo que lhes é imposto, em nome do próprio Cristo! Também para vós veio o Reino de Deus, porquanto – depois de termos nós os Apóstolos e discípulos do Redentor, trabalhado no caminho que ele abriu – hoje, com a Nova Revelação e ajudados pelos nossos irmãos, os outros Espíritos do Senhor, o limpamos dos juncos, dos espinhos, das pedras agudas, e ao mesmo tempo vos estendendo as mãos PARA VOS AJUDARMOS A AVANÇAR NELE SEMPRE, TIRANDO A VENDA AOS QUE AINDA TEM A VISTA FRACA E FAZENDO BRILHAR A LUZ PARA OS QUE JÁ A PODEM SUPORTAR. Esperai mais um pouco, porque o Reino de Deus se aproxima cada vez mais, com o fulgor dos esplendores celestes. Procurai ter, portanto, a vista bastante forte, a fim de que a sua luz não vos ofusque. Até lá, enfrentai todas as injúrias e difamações dos filhos da treva. Vê-de que em várias ocasiões, em diferentes lugares e em circunstâncias diversas, os escribas e os fariseus acusaram Jesus de ser agente de Belzebu, de Satanás, do Príncipe dos Demônios. Entendei: o que Marcos refere, no capítulo em estudo, não ocorreu na mesma ocasião em que se passou o que consta da narração de Mateus. O que Marcos relata se deu quando Jesus acabou de escolher os doze apóstolos e lhes conferiu o poder de curar as enfermidades e expulsar os maus Espíritos, então chamados “demônios”. Ao saberem disso – diz o Evangelho – os parentes de Jesus vieram para se apoderarem dele, dizendo que perdera o juízo. Sabeis que, durante a sua missão terrena, Jesus tinha de passar, e – para a sua família, como para os homens em geral – passava por ser UM HOMEM IGUAL AOS OUTROS. A revelação feita a José e Maria tinha de permanecer (e permaneceu) secreta até ao termo daquela missão. Nessa época, por efeito da mesma revelação, os homens fizeram de Jesus um Deus, pois entraram a considera-lo como parte e fração do próprio Deus. Os hebreus, pelo consórcio dos membros de uma tribo com os de outras, eram parentes quase todos, ou se intitulavam parentes uns dos outros. Em tais condições, Jesus, no entender dos homens, estava cercado de primos mais ou menos próximos, chamados irmãos no Evangelho. Esses parentes, segundo os quais JESUS SAIRA DO MESMO TRONCO QUE ELES, ACHANDO-SE NAS MESMAS CONTINGÊNCIAS HUMANAS EM QUE ELES SE ENCONTRAVAM, NÃO PODIAM ADMITIR QUE ELE SE ELEVASSE TÃO ALTO, QUE INSTITUISSE APÓSTOLOS E LHES DESSE TAIS PODERES. Eis por que resolveram apoderar-se dele, dizendo que perdera o juízo, isto é, fora atacado de loucura! Jesus personificava a Doutrina do Novo Mandamento, e – como sucede com todas as grandes e generosas idéias – ela foi mal compreendida. Daí veio a oposição que se lhe deparou sobretudo entre os que,  segundo os homens, desconhecedores da sua origem extra-humana eram membros da sua família. Não disse ele que NINGUÉM É PROFETA EM SUA TERRA E DENTRO DE SUA PRÓPRIA CASA? Não vêdes, ainda hoje, entre as famílias, muito de seus membros apedrejarem os que não seguem a sua rotina? O HOMEM NEGA TUDO O QUE NÃO COMPREENDE E NEGA TUDO O QUE O EMBARAÇA OU ASSUSTA. Vós, que – aceitando a Doutrina do Novo Mandamento – sais da rotina, pregando a UNIFICAÇÃO DE TODOS OS CRISTÃOS, QUE SÃO TODOS OS HOMENS, sois ( como o foi o Mestre pelos seus parentes e pelos outros homens) acusados de haver perdido o juízo, segundo os escribas e fariseus de vossos dias. Mas, como discípulos do Cristo, que pregais a Doutrina do Redentor, que renasce explicada e desenvolvida pela Nova Revelação, oponde a essas acusações a paciência, a firmeza, a indulgência e a coragem. Caminhai ousadamente: O CRISTO VELA POR VÓS E VOS PROTEGE E ILUMINA. E MANDA QUE OS ESPÍRITOS DO SENHOR VOS GUIEM OS PASSOS!



O VALENTE ARMADO

P – Achamos perfeita analogia do nosso Posto Familiar com aquela passagem do homem valente que guarda a sua casa. Como o Espírito da Verdade a interpreta para nós?

R – Harmonizemos Mateus, XII: 29-37, Marcos III: 27-30 e Lucas XI: 21-23 e XII: 10.

MATEUS: 29 – Disse Jesus: “Como poderá entrar alguém na casa do homem valente e roubar-lhe as alfaias, se antes não o amarar? Depois disto é que lhe saqueará a casa. 30 – Quem não é por mim é contra mim; quem comigo não junta- espalha. 31 – Eis porque vos digo: todas as blasfêmias e todos os pecados serão perdoados aos homens, menos a blasfêmia contra o Espírito Santo, que não o será. 32 – O que alguém disser contra o Filho do Homem ser-lhe-á perdoado; mas não terá perdão, nem neste século nem no futuro, o que alguém disser contra o Espírito Santo. 33 – Se uma árvore for boa, o seu fruto será bom: se for má seus frutos serão maus, pois pelo fruto é que se conhece a árvore. 34 – Raça de víboras, como podeis, sendo maus, dizer boas coisas? A boca diz aquilo de que está cheio o coração. 35 – O homem que é bom tira boas coisas do bom tesouro, e o homem mau tira coisas más do mau tesouro. 36 – Ora, eu vos digo que os homens, no dia do julgamento, prestarão contas de toda palavra ociosa que houverem proferido. 37 – Pelas tuas palavras te justificas, pelas tuas palavras te condenas”.

MARCOS: 27 – “Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e lhe roubar os bens, se antes não o manietar; só depois disto conseguirá saquear-lhe a casa. 28 – Em verdade vos digo que aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados que hajam cometido e todas as blasfêmias que hajam pronunciado. 29 – mas aquele que houver blasfemado contra o Espírito Santo não terá perdão na eternidade: será réu de delito eterno”. 30 – Jesus falava assim porque diziam: “Ele esta possesso de um Espírito impuro”.

LUCAS: 21 – “Quando um homem valente guarda, armado, a entrada de sua casa, tudo o que ele possui está em plena segurança. 22 – Mas, se outro mais forte vem e o vence, levará consigo todas as armas em que ele confiava e se apossará de seus haveres. 23 – Aquele que não está comigo está contra mim; aquele que comigo não entesoura – dissipa”. XII: 10 – “Se alguém falar contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas não terá perdão aquele que blasfemar contra o Espírito Santo”.

Jesus, como já o temos dito tantas vezes, falava aos homens daquela época a linguagem que lhes era adequada; a linguagem que, convindo ao momento não comprometia o futuro que, ao contrário, era preparado e salvaguardado PARA SER COMPREENDIDO E IMPRESSIONAR A IMAGINAÇÃO DOS HOMENS DAQUELE TEMPO, O MESTRE USAVA DE IMAGENS MATERIAIS, E TODAS ENCERRAVAM UMA ADVERTÊNCIA, UMA LIÇÃO, UM ENSINAMENTO. Ele o disse: “O espírito, é que vivifica: as palavras que vos digo são espírito e vida”. Para vós outros chamados a receber a Nova Revelação e a compreender por meio desta o sentido e o alcance daquelas palavras, é que elas foram pronunciadas. Sabei, portanto, tirar sempre da letra o espírito, a fim de apreenderdes o pensamento do Cristo, o sentido verdadeiro de seus ensinamentos. Dizendo o que consta dos versículos 29 de Mateus e 27 de Marcos, ALUDIA JESUS AO PECADO QUE, PONDO CERCO AO HOMEM, O RODEIA DE SEDUÇÕES PARA DELE SE APODERAR. E, UMA VEZ QUE O HAJA EMPOLGADO, O DESPOJA DE TODAS AS SUAS VIRTUDES.  Suas palavras eram portanto, simbólicas ou emblemáticas. Vs. 21 e 22 de Lucas – O homem pode estar certo de vencer desde que se mantenha forte contra si mesmo, vigilante sobre a sua consciência, pronto sempre a combater os maus instintos, os maus pendores e as más paixões. Se, porém, se descuida, se cai na voluptuosidade e no sono da consciência, nele penetram os vícios, e lhe impõem suas algemas e terminam por escraviza-lo. Tomam-lhe, uma a uma, todas as armas, arrancando-lhe uma a uma, as boas resoluções por fim as virtudes e, depois de o terem suplantado VOLTAM CONTRA ELE AS SUAS MESMAS ARMAS, PORQUANTO AS VIRTUDES PERDIDAS SE TORNAM VÍCIOS. Quem não pratica o mal deve praticar o Bem que lhe é oposto, pois quem negligencia em praticar o Bem inevitavelmente cai no mal. Aquele a quem falta à caridade não é egoísta e orgulhoso? Aquele que se esquece de seu Deus não se torna ímpio? O mesmo se dá com as virtudes que não são praticadas: tomam seu lugar os vícios, que elas, se cultivadas, poderiam destruir. Estas palavras do versículo 22 de Lucas: “e se apossará de seus haveres” não são emblemáticas relativamente às inteligências para as quais falava o Mestre: são o complemento da figura material que ele apresentava aos judeus. Quem quer que como ladrão penetra na casa de outrem, o desarma e amarra, há de ter, necessariamente um objetivo material. Por esta razão é que Jesus acrescentou: “e se apossará de seus haveres”. Sem este complemento, os hebreus não teriam compreendido o motivo do proceder do ladrão porque do seu ato não colhia qualquer proveito. Certamente os vícios, que substituam as virtudes no coração daquele que adormece confiante em si mesmo, não tiram proveito das virtudes destruídas MAS O TIRAM DA DESTRUIÇÃO DELAS, DO SEU BANIMENTO DO CORAÇÃO EM QUE FLORESCIAM, NO SENTIDO DE QUE ASSIM LOGRAM PENETRAR LÁ, ONDE DE OUTRO MODO NÃO TERIAM ACESSO: LOGRAM ALOJAR-SE LÁ, ONDE NÃO TERIAM ENTRADO: DESPOJAM PORTANTO, AS VIRTUDES DO ASILO QUE LHES FORA PREPARADO. TODA A VIGILÂNCIA É POUCA, NOS LARES DO NOVO MANDAMENTO. E, POR ISSO, É QUE JESUS INSISTE, RECOMENDANDO SEMPRE: ORAI E VIGIAI!



QUEM NÃO É POR MIM É CONTRA MIM

P – O CEU da LBV está esclarecendo uma série impressionante de dúvidas. Todos sentem, agora, que o Evangelho tem de ser explicado EM ESPÍRITO E VERDADE, SEMPRE À LUZ DO NOVO MANDAMENTO. Uma afirmação do Cristo merece capítulo à parte: “Quem não é por mim é contra mim”. Como a interpreta o Espírito da Verdade?

R – Versículo 30 do Evangelho Segundo Mateus: “ Quem não é por mim é contra mim, quem comigo não junta – espalha”. Versículo 23 do Evangelho segundo Lucas: “Quem não está comigo está contra mim: quem comigo não entesoura – dissipa”. Significa: QUEM NÃO SEGUE A LEI DE JESUS, ISTO É, A DOUTRINA DO NOVO MANDAMENTO, DELA SE APARTA. LOGO, ESTÁ CONTRA ELE, PORQUE SEGUE CAMINHO OPOSTO AO QUE POR ELE FOI TRAÇADO. A profecia do Mestre terá de se cumprir, queiram os chefes religiosos ou não. Os que insistem na supremacia do seu sectarismo estão opondo obstáculos à vontade daquele que formou a Terra, o Cristo que declarou: “HAVERÁ UM SÓ REBANHO E UM SÓ PASTOR”. Para ele, sem cuja permissão ninguém está no vosso mundo, todos são naturalmente cristãos, nos diferentes graus da escala evolutiva. Assim, “quem comigo não junta – espalha” e “quem comigo não entesoura – dissipa”. Todo aquele que não caminha pela estrada que Jesus abriu, preferindo os atalhos das religiões humanas, prega o separatismo fanático e suicida. Dispersa, espalha e desnorteia as ovelhas do Bom Pastor. Por conseguinte, quem age assim não reunirá os tesouros que o Senhor reserva para os justos. Quem se desvia desse caminho, fascinado pelas doutrinas de preceitos humanos, DISSIPA ESSES TESOUROS E PERDE PRECIOSO TEMPO, DE QUE DARÁ PESADAS CONTAS. Quanto às divergências dos Evangelhos Sinóticos, repetimos: Não leveis em conta as ligeiras diferenças que se notam nessas três narrativas – Mateus, Marcos e Lucas. Como sabeis, Jesus repetia muitas vezes, aos hebreus que o cercavam, os mesmos ensinos, sem contudo usar as mesmas palavras. Ele tinha de apropriar suas lições às inteligências e às necessidades daqueles que as recebiam. Daí as “diferenças” referidas. Lembrai-vos desta observação que vos fizemos: CADA EVANGELISTA NARRA FATOS MAIS OU MENOS SEMELHANTES, OCORRIDOS COM PEQUENOS INTERVALOS, MAS CUJAS PARTICULARIDADES NÃO COINCIDEM PERFEITAMENTE. CADA UM, DENTRO DO QUADRO QUE LHE FOI TRAÇADO, RELATA SOB INSPIRAÇÃO MEDIÚNICA O QUE VIU, OUVIU OU SOUBE POR INFORMAÇÃO DIGNA DE CRÉDITO. SOBRETUDO, LEMBRAI-VOS DE QUE ISSO ATESTA A VERACIDADE DOS EVANGELHOS!



BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO

P – Estamos estudando, no ponto em exame, os versículos 31 e 32 do Evangelho segundo Mateus, 28 e 29 segundo Marcos, 10 segundo Lucas. O que mais nos prende a atenção é esta afirmativa de Jesus: “TODOS OS PECADOS E BLASFÊMIAS SERÃO PERDOADOS AOS HOMENS, MENOS A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO, QUE NÃO O SERÁ. O QUE ALGUÉM DISSER CONTRA O FILHO DO HOMEM SER-LHE-Á PERDOADO, MAS NÃO TERÁ PERDÃO, NEM NESTE SÉCULO NEM NO FUTURO, O QUE ALGUÉM DISSER CONTRA O ESPÍRITO SANTO”. Como interpreta estas palavras o Espírito da Verdade?

R – Por essa forma, Jesus patenteava, em primeiro lugar, a diferença que há entre ele (não obstante a sua essência superior, sua origem e sua posição espirituais) e o Senhor Onipotente, criador do Universo. Já sabeis que, no entender dos judeus, O ESPÍRITO SANTO ERA A INTELIGÊNCIA MESMA DE DEUS, FALANDO, POIS, AQUELES HOMENS DA BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO, JESUS SE REFLETIA À BLASFÊMIA CONTRA O PAI CELESTIAL, SENHOR DE TODOS OS MUNDOS. Consiste a blasfêmia em negar a Deus, em acusar de injustiça ou erro Aquele que é TODO O AMOR, TODA A CIÊNCIA E TODA A JUSTIÇA, EM SUMA – A VERDADE ABSOLUTA. Qual o crime que se pode comparar a esse? A blasfêmia contra Deus não constitui a maior ofensa que se lhe possa fazer? Se, numa família, os filhos se revoltam contra o irmão mais velho, ainda que este represente o pai, cometerão falta menor do que se insultarem e injuriarem o próprio pai. Ora, a mesma relação, no que diz respeito ao Cristo, podeis estabelecer, lembrando-vos de que ele personifica a Moral Divina que PREGOU MAIS POR EXEMPLOS DO QUE POR PALAVRAS. Quanto àquela “ameaça de penas eternas”, feita pelo Mestre, não existe. Para os hebreus, de acordo com os seus preconceitos, escrituras e tradições, os termos eternidade, na eternidade, eterno e eternamente tinham dois sentidos, podiam ser tomados em duas acepções diversas. No sentido absoluto, quando empregados relativamente a Deus, designavam a ETERNIDADE PROPRIAMENTE DITA. No sentido relativo, quando empregados com relação aos homens, designavam uma duração imensa, MAS POR MAIOR QUE FOSSE, LIMITADA, CONDICIONADA A TER FIM. Basta verificar estas passagens do Velho Testamento: Êxodo, XV: 18 – “O Senhor reinará para todo o sempre”; Miquéias, IV: 5 – “Porque todos os povos andam cada um em nome do seu deus; mas, quanto a nós, andaremos em nome do Senhor nosso Deus para todo o sempre”; Esdras, X: 3 – “Segundo o conselho do Senhor e o dos que tremem ao mandado do nosso Deus, tudo seja feito segundo a Lei”; Josué, XIV: 9 – “Então Moisés naquele dia jurou, dizendo: Certamente a terra será tua e de teus filhos, em herança perpétua, pois perseveraste em seguir o Senhor meu Deus”; Isaías, LVII: 15-16 – “Porque assim diz o Altíssimo, o sublime que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas também moro com o contrito e abatido de espírito. Pois não contenderei para sempre, nem me indignarei continuamente; porque, do contrário, o espírito definharia diante de mim e se extinguiria o fôlego da vida que Eu criei”. Proferindo aquelas palavras dos versículos 31 e 32 de Mateus, 28 e 29 de Marcos, 10 de Lucas (que só a Nova Revelação poderia explicar umas pelas outras, tornando-as – perfeitamente reunidas todas – COMPREENSÍVEIS EM ESPÍRITO E VERDADE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO), o Cristo entregava às interpretações humanas o conjunto delas. E os homens as interpretaram falsamente, dando ao vocábulo ETERNIDADE sentido absoluto, quando Jesus o empregara em sentido relativo. Não compreenderam que, no pensamento do Mestre, se tratava de uma eternidade relativa, de “mais de um século” de “mais do que o século vindouro”, modo pelo qual objetivava ele dar uma idéia da extensão do castigo, da sua “duração imensa”, qualquer que fosse a palavra dita contra Deus, na intenção de nega-lo, de o acusar de erro ou de injustiça. Entretanto, não censureis os que erroneamente interpretaram as palavras de Jesus: REALMENTE, TUDO TEM SUA RAZÃO DE SER AS FALSAS INTERPRETAÇÕES HUMANAS, CAUSADAS PELO ESTADO DAS INTELIGÊNCIAS, PELAS NECESSIDADES DA ÉPOCA E DOS TEMPOS QUE SE SEGUIRIAM, SERVIRAM AQUELE TEMPO E PREPARARAM O CAMINHO DA NOVA REVELAÇÃO.



OS DOGMAS E AS VERDADES ETERNAS

P - A Igreja baseia sua crença no inferno e suas penas eternas em palavras de Jesus, como as que constam do capítulo em estudo. Que diz a isto, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R - Jesus se dirigia a homens cuja imaginação precisava ser despertada. Vede que o mesmo ainda hoje se dá: não usamos de idêntica linguagem, para com todos vos. Muitas vezes nos adaptamos às vossas fraquezas, aos vossos preconceitos e até mesmo ao ranço de sectarismo latente em vós, A FIM DE VOS CONDUZIRMOS GRADUALMENTE AS VERDADES QUE, REVELADAS DE CHOFRE, PODERIAM DETERMINAR O VOSSO AFASTAMENTO. Jamais chocamos inutilmente as crenças humanas, enquanto possam conciliar-se com o progresso da Humanidade. Mas, desde que um Espírito fraco se apegue fortemente a este ou aquele dogma, a tal ou qual cerimônia, nós lhe dizemos lealmente: “O CULTO QUE AGRADA AO SENHOR Ê UNICAMENTE O CULTO QUE VEM DO CORAÇÃO; A SEUS OLHOS NENHUM VALOR TÊM OS ATOS EXTERIORES". Inversamente, aos fracos que necessitem de apoio para a sua crença, de uma barreira que os impeça de transpor certos limites, dizemos: "SERVI EM PLENA CONSCIÊNCIA, AO SENHOR DEUS: PRATICAI COM REGULARIDADE E SINCERA ATENÇÃO 0 VOSSO CULTO, QUALQUER QUE ELE SEJA; MAS' NÃO VOS DESCUIDEIS DO CULTO DA ALMA, TÃO GRATO AO PAI CELESTIAL. SOIS FRACOS E TENDES NECESSIDADE DE AMPARO; BUSCAI-0 ONDE COSTUMAIS ENCONTRÁ-LO; MAS BUSCAI, TAMBÉM, O DOS VOSSOS AMIGOS CERTOS, OS ESPÍRITOS DO SENHOR, QUE VOS CERCAM E AUXILIAM, QUE CONHECEM O ÚNICO OBJETIVO  QUE DEVEIS ALCANÇAR: A PAZ NA VIDA PRESENTE E A FELICIDADE NA VIDA FUTURA". Como vedes, conformamos nossos ensinos com os preconceitos e as fraquezas humanas. Todavia, para que não haja obscuridade em nossas palavras, declaramos: jamais os conformamos com erros e faltas das crenças humanas, subordinando a Verdade Eterna à transitoriedade dos dogmas. Falamos a uns com doçura e outros com severidade, apropriando nossa linguagem ao caráter e às disposições de cada um. Ora, Jesus - sábio por excelência - soube muito melhor do que todos nós, tornar a lição compreensível de modo oportuno e útil, aos Espíritos obstinados que o ouviam. Por isso vos dizemos; NÃO HÁ, NUNCA HOUVE, DA PARTE DO MESTRE, AMEAÇA DE PENAS ETERNAS. Entendei bem, portanto, estas palavras: "Aquele que houver blasfemado contra o Espírito Santo não achará perdão na eternidade, será réu de um delito eterno; não terá perdão nem neste século, nem no futuro". O Cristo adequava a palavra à inteligência: A FALTA ACARRETA UM CASTIGO QUE PODEIS CONSIDERAR ETERNO, TENDO EM VISTA A MEDIDA DE QUE USAIS PARA MEDIR O TEMPO. O Espírito rebelde, que blasfema contra Deus, tem de sofrer longas provações para voltar ao cumprimento do dever. Esse ato inaudito denota, no Espírito, um sentimento de rebelião e de orgulho que o levará a multas quedas. Não concebeis que as diversas categorias de delito impliquem a idéia de maior ou menor perversidade? Necessariamente, quem cometer certa falta que, comparada a outra, seja leve, estará mais perto de se arrepender: e menos radicalmente vicioso ficando entendido que A DIFERENÇA DE CULPABILIDADE RESULTA DA INTENÇÃO E NÃO DA CARÊNCIA DE OPORTUNIDADE. Não há caso algum em que o Espírito fique absolutamente excluído de perdão. Apenas, relativamente semelhante exclusão existe para o culpado pelo temor, que este experimenta, de que ela seja real, à vista do castigo e da sua duração. ESTA NADA É EM FACE DA ETERNIDADE, MAS SE AFIGURA SER A PRÓPRIA ETERNIDADE AQUELE QUE NADA VÊ PARA ALEM DOS ACANHADOS LIMITES DA SUA INTELIGÊNCIA. Não tendes ouvido Espíritos culpados dizerem, por entre gemidos, que se acham condenados a penas eternas"? E não sabeis que a existência neles, desta crença constitui um dos meios de os levar ao arrependimento? Não vedes como? Eis aqui: o rigor e a duração do castigo consomem as más energias do culpado.Cassado de sofrer, aterrorizado com a perspectiva de dores sem fim, ele se volta para si mesmo, olha com desespero para o seu passado, conta todas as faltas, todos os crimes que o precipitaram no abismo e, finalmente, exclama: "Ah! se eu pudesse começar tudo de novo!” Os Espíritos, que o cercam logo tratam de intervir, impelindo-o a pesquisar SE TERÁ, MESMO, DE RECOMEÇAR E A SABER COMO ELE 0 PARIA SE TIVESSE A NOVA OPORTUNIDADE, Pouco a pouco, o arrependimento lhe vai penetrando no íntimo, fazendo nascer a esperança do perdão, ao influxo desta esperança, o arrependimento se desenvolve; a expiação passa a ser suportada com paciência e resignação. Depois, à medida que aquele se torna mais sincero e profundo, vem surgindo o desejo de reparar, de expiar e progredir, com o auxílio de novas provações. E DEUS PERDOA E CONCEDE AO CULPADO QUE SE ARREPENDEU E SUBMETEU A GRAÇA DA REENCARNAÇAO.



A JUSTIÇA PERFEITA DE DEUS

P – Não podia ser mais feliz e edificante a explicação do capítulo em exame. Uma pergunta, ainda, queremos formular ao Espírito da Verdade: - Pode haver Espírito eternamente culpado?

R – Quando Jesus falava (ou os Evangelhos falavam, em suas narrativas) em ESPÍRITO SANTO, esta expressão, como sabeis, designava os Espíritos Puros, ou Espíritos Superiores, os Bons Espíritos, que desempenham junto dos homens as funções de órgãos do Senhor, de seus ministros, mensageiros ou agentes, de acordo com o grau de elevação de cada um. Servindo-se da expressão ESPÍRITO SANTO, QUANDO TRATOU DA BLASFÊMIA CONTRA DEUS, Jesus o fêz porque, como também já o dissemos, os judeus entendiam por Espírito Santo a inteligência mesma de Deus. Em última análise, tudo vem a dar no mesmo, num caso e noutro, por isso que OS ESPÍRITOS DE LUZ NADA MAIS SÃO QUE O REFLEXO DA VONTADE DO SENHOR ONIPOTENTE. O homem que blasfema contra Deus é um rebelde às inspirações do seu Anjo da Guarda e dos Bons Espíritos; incorre em culpa grave e não obtém perdão ENQUANTO PERMANECE CULPADO E REBELDE: PORTANTO, A ETERNIDADE DO CASTIGO CORRESPONDE A ETERNIDADE DA FALTA. Se o Espírito permanecesse eternamente rebelde, seria réu de delito eterno; jamais obteria perdão na eternidade, nem além dela (para nos servirmos das expressões bíblicas). Mas não é nem pode ser assim. Por efeito da onipotência, da justiça, da bondade e da misericórdia infinitas do Senhor, e de acordo com a promessa que Jesus fez, em nome do Pai, e com o que disse na “Parábola do Filho Pródigo”: MEU PAI NÃO QUER QUE PEREÇA NENHUM DESTES PEQUENINOS – VIM SALVAR O QUE ESTAVA PERDIDO SEDE PERFEITOS COMO É PERFEITO O PAI QUE ESTÁ NO CÉU”, não há Espírito culpado e rebelde que, no curso da Eternidade que se desdobra diante de si, não experimente o influxo das Leis Imutáveis do progresso e da perfectibilidade, do sofrimento e da expiação. Não há Espírito que, usando de seu livre arbítrio, sob a ação de sua consciência, presa do remorso e do arrependimento, auxiliando na erraticidade pelos sofrimentos ou torturas morais adequados e proporcionados aos crimes e faltas cometidos, iluminado pelas provações e expiações, deixe – com o tempo e mediante a reencarnação – de voltar ao aprisco, assim como a ovelha tresmalhada; de voltar à casa paterna, como o filho pródigo, arrependido e submisso. É assim a justiça perfeita de Deus: NINGUÉM HÁ QUE, PURIFICADO, NÃO VENHA A SER, UM DIA, ACOLHIDO PELO PAI DE FAMÍLIA, PELO SENHOR ONIPOTENTE, DE INFINITA MISERICÓRDIA!



RAÇA DE VÍBORAS

P – Finalizando o estudo que fazemos, na Cruzada do Novo Mandamento no Lar, concentramos nossa atenção nos versículos 33 de Mateus, sobre os frutos da árvore; 24 e 25, também de Mateus, sobre “ raça de víboras”; 36 e 37, ainda no Evangelho de Jesus segundo Mateus, sobre “ palavras ociosas”. Como explica tudo isso o Espírito da Verdade?

R – Versículo 33 de Mateus: “Se uma árvore for boa, seu fruto será bom; se for má, seu fruto será mau: pelos frutos é que se conhece a árvore”. Por estas palavras, dirigidas aos discípulos, JESUS LHES ENSINAVA A CONHECER OS HOMENS. Sem dúvida, o homem de maus instintos praticará más ações. Mas, se o virdes esforçar-se por fazer o Bem, por cumprir os deveres que a consciência lhe impõe, podeis dizer que a árvore é boa. E ficai certos de que, se for cultivada, com as lições do Evangelho e do Apocalipse, melhor ainda se tornará. Versículos 24 e 25: “Raça de víboras, como podeis, sendo maus, dizer coisas boas, se a boca fala aquilo de que está cheio o coração? O homem bom tira boas coisas de bom tesouro e o homem mau tira coisas más de mau tesouro”. Pelos termos RAÇAS DE VÍBORAS, apropriados aos tempos e aos homens, JESUS DESIGNAVA AQUELA RAÇA DE ESPÍRITOS INFERIORES E ORGULHOSOS, QUE ACREDITAVAM PODER ALCANÇAR, SEM SOCORRO, A MORADA CELESTE, E QUE NÃO QUERIAM RECEBER LUZ ALGUMA. A palavra emerge do coração, quando exprime abertamente a maneira de pensar. Mas, se oculta o pensamento, ou lhe dá a aparência da doçura, sendo ele agressivo, então a palavra é mentirosa, hipócrita e má. Por isso é que Jesus perguntava aos fariseus: “Como é que, sendo maus, podeis dizer coisas boas?” As palavras saem do tesouro do coração. Se o tesouro é mau, também más serão as palavras e ações, quer as primeiras exprimam abertamente a maneira de pensar, quer sirvam de disfarce à mentira, à hipocrisia  ou à maldade. Versículos 36 e 37: “Ora, eu vos digo que os homens, no dia do julgamento, darão contas de toda palavra ociosa que houverem proferido. Porque sereis justificados pelas vossas palavras e pelas vossas palavras sereis condenados”. As traduções preferiram os termos: ociosa e inútil para – dando maior extensão ao texto – fazerem que as palavras do Mestre ABRANGESSEM A TODOS E NÃO SOMENTE AOS BLASFEMADORES. Essa alteração do original teve por efeito reprimir os costumes e por um freio ao deboche dos inimigos do Evangelho. Estendendo a sentença do Cristo até às palavras ociosas, restringia a linguagem aos limites do justo e do necessário. Sendo mister coibir as conversações mais que levianas, capazes de desviar as inteligências do fim elevado que se lhes propunha, necessário era que se batesse com força para atingir esse objetivo. O DIA DO JUGAMENTO, em que os homens prestarão contas, é aquele em que o Espírito culpado, após a morte, faz uma introspecção, observa a sua passada existência, suas faltas ou crimes e, TOCADO PELO ARREPENDIMENTO, FUSTIGADO PELO REMORSO, SOFRE A EXPIAÇÃO, INEVITAVELMENTE SEGUIDA DA NECESSIDADE DE REENCARNAR. E ISSO EXPLICA A ADVERTÊNCIA DE JESUS: NÃO SAIRÁS DA PRISÃO (O CORPO MATERIAL) ATÉ PAGARES O ÚLTIMO CEITIL.





O “MILAGRE” DE JONAS

P – A passagem do “milagre” de Jonas tem sido causa de muita controvérsia. Como a explica, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Vejamos o Evangelho segundo Mateus, XII: 38-42, e segundo Lucas, XI: 29-32.

MATEUS: 38 – Então, alguns dos escribas e fariseus lhe disseram: “Mestre, queremos ver um milagre feito por ti”. 39 – Jesus lhes respondeu: “Esta geração adúltera e má pede um milagre, mas nenhum outro lhe será dado senão o do Profeta Jonas. 40 – Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, também o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra. 41 – Os Ninivitas, no dia do juízo, se levantarão contra esta geração para condena-la, pois eles fizeram penitência ao ouvirem a pregação de Jonas: e aqui está quem é maior do que Jonas. 42 – A rainha do Sul se levantará, no dia do juízo, contra esta geração e a condenará, pois veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria do rei Salomão; e aqui está quem é maior do que Salomão.

LUCAS: 29 – Disse, então, à turba que o cercava: “Esta geração perversa me pede um sinal; mas nenhum sinal lhe será dado senão o do Profeta Jonas. 30 – Assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração. 31 – A rainha do Sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará, pois veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui quem é maior do que Salomão. 32 – Os ninivitas se levantarão, no juízo, contra esta geração para condena-la, pois se arrependeram ouvindo a pregação de Jonas; e eis aqui esta quem é maior do que Salomão”.

Aquela geração, que repelia todos os esforços empregados para conduzi-la ao caminho do Bem, era má e adúltera: ADÚLTERA NO SENTIDO DE DESPREZAR A FÉ NO SEU DEUS PARA SE ENTREGAR ÀS PRÁTICAS MATERIAIS LAMENTÁVEIS. Não é este o lugar de vos explicarmos como se deu o que os homens consideraram a passagem de Jesus da vida material para a morte e a sua volta a vida espiritual. Respondei-nos, porém: - Sua ressurreição depois de três dias e três noites de morte aparente, mas considerada real pelo vulgo – não constitui um milagre, idêntico ao que se atribui a Jonas? Dizemos “que se atribui” a Jonas porque o fato, que com ele se deu, foi referido aos hebreus ampliado, comentado e desnaturado. Houve, da parte do narrador, erro e falsa interpretação quando disse “ que Jonas fora atirado ao mar; que Deus preparara um peixe imenso para engolir o profeta; que este passou três dias e três noites dentro de tal peixe; que o Senhor falou ao peixe e que este pela boca deitou Jonas na praia”. JONAS NÃO FOI LANÇADO AO MAR: ESTEVE, SIM, TRÊS DIAS E TRÊS NOITES A FERROS NO FUNDO DO NAVIO QUE O LEVAVA.  Um devotado marinheiro tirou-o de lá e o trouxe; num bote, até à praia, onde o deixou. Salvou-o, portanto, a dedicação de um homem – que serviu de instrumento à Divina Providência – o qual, por influência e inspiração espirituais, cumpriu a vontade de Deus, libertando Jonas das cadeias que o prendiam, trazendo-o num bote do navio e deixando-o na praia. A credulidade e a atração que exerce no homem tudo o que revista a auréola do maravilhoso deram origem à crença num acontecimento sobrenatural, isto é, num milagre. ENTRETANTO, O GRANDE PEIXE OUTRO NÃO ERA SENÃO O NAVIO A CUJO BORDO ESTAVA JONAS: A BOCA NADA MAIS ERA QUE O BOTE, QUE DEIXOU O PROFETA NA PRAIA. Dizendo “Assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim também o Filho do Homem o será para esta geração. Jesus se colocava – como sempre – no ponto de vista das crenças humanas, relativamente a Jonas e a si próprio. O profeta que era um homem igual aos demais, foi tido pelos habitantes de Ninive como um ENTE EXCEPCIONAL DA RAÇA HUMANA, visto que pudera viver dentro de um peixe e sair, são e salvo, depois de haver passado ali três dias e três noites. Para o vulgo, e mesmo para os discípulos, Jesus era um homem igual aos outros, com um corpo de carne e ossos, exatamente como os corpos deles. Em tais condições, sua ressurreição e sua ascensão não podiam ser mais compreensíveis nem menos milagrosos do que a volta de Jonas. Mas vós, que conheceis as causas e compreendeis os efeitos, não podeis ver na ressurreição e na ascensão de Jesus mais do que uma conseqüência da sua missão e da sua organização fluídica. SIM, NÃO HÁ MILAGRE NO SENTIDO QUE LHE DÁ A IGREJA HUMANA, COM DERROGAÇÃO DAS LEIS IMUTÁVEIS QUE DEUS ESTABELECEU PARA TODA A ETERNIDADE.



JONAS, NINIVE E A RAINHA DE SABÁ


P – Só mesmo o Evangelho em Espírito e Verdade, à luz do Novo Mandamento, aclara todas as dúvidas dos homens! Como vemos, até hoje as igrejas humanas explicam na base do milagre a “ressurreição” e a “ascensão” de Jesus! Que diz a isto o Espírito da Verdade?

R – Evidentemente, a ressurreição e à ascensão de Jesus só se explicam pela revelação que vos trouxemos da origem do Cristo, do seu corpo fluídico (ou perispírito tangível) que ele tornou, com a forma ou aparência do corpo humano. Entretanto, os homens daquela época, presenciando a “ascensão”, O QUE VIRAM FOI UM CORPO, FEITO DE MATÉRIA IMPURA, ELEVAR-SE POR SI MESMO, PARA IR INSTALAR-SE LÁ ONDE TUDO É ESPIRITUAL. Bem mais sensível era o milagre para os homens de então. Foi, por assim dizer, essa impossibilidade da reunião da matéria com a espiritualidade que preparou a vossa era. Foi ela que, da crença nos milagres, afastou os pensadores. Tão concebível se lhes patenteou aquela reunião que ELES PROCURARAM UMA EXPLICAÇÃO POSSÍVEL PARA O FATO E ACABARAM NEGANDO-O POR NÃO PODEREM ACREDITAR NELE. Todos, porém, hão de aceitar a explicação simples, racional e irrefutável, da tangibilidade conferida ao perispírito do Mestre. Roto o véu, compreendeis agora que Jesus, desde o momento em que não quis mais conservar aquela tangibilidade, haja – sob a aparência do corpo humano – mantido a sua essência etérea; haja podido sair do sepulcro sem arrombamento, não ficando nele fragmento algum do corpo; haja podido apresentar-se a muitas pessoas em diversos lugares e retomar a tangibilidade, quando isso foi preciso; haja, finalmente, voltado à plenitude das suas faculdades espirituais quando, elevando-se na presença de seus discípulos, voltou para as regiões etéreas de onde se exilara voluntariamente, PARA VÓS CONVENCER E VOS SALVAR DE VÓS MESMOS. Dizendo o que consta dos versículos 41 e 42 de Mateus, 31 e 32 de Lucas, tinha o Cristo a intenção de – como sempre – ferir a imaginação dos hebreus por meio de um paralelo entre a época das Escrituras e aquela em que ele falava. Com relação aos habitantes de Ninive – Está bem claro que a comparação não era possível e não foi feita por Jesus senão com os que haviam tirado proveito da pregação de Jonas, permanecendo na via do Senhor, depois de terem ingressado nela, COM OS QUE A RECEBERAM, E PARA LOGO A ESQUECERAM, NÃO SERIA POSSÍVEL ESTABELECER COMPARAÇÃO ALGUMA. Com relação à rainha de Sabá – Ela viera das montanhas do Líbano, as quais – para os judeus daquele tempo – ficavam nos confins da terra, a fim de ouvir o rei Salomão, cuja grande reputação de sabedoria a atraíra. Depois de conversar com ele, ouvindo longamente as suas palavras, disse a rainha do Sul: “Bem maiores que a fama, que chegou até mim, são a tua sabedoria e as tuas obras! Felizes são os que te pertencem! Felizes são os teus servos, que estão sempre na tua presença e escutam as palavras da tua sabedoria! Bendito seja o Senhor teu Deus, que te dispensou as suas complacências, que te colocou no trono de Israel e te fez rei, para reinares com eqüidade e distribuíres a justiça!” Os Ninivitas que, aproveitando a pregação de Jonas, entraram e permaneceram na via do Senhor e a rainha de Sabá que, cedendo à inspiração que recebera, reconheceu a grandeza de Deus e a sabedoria daquele a quem fizeram rei, ERAM A CONDENAÇÃO DOS HEBREUS, QUE RESISTIAM A TODOS OS ESFORÇOS DE JESUS PARA OS RECONDUZIR AO BOM CAMINHO. Depois de aludir às escrituras, comparando o que elas narram com o que se passava em torno de si, Jesus chamou a atenção dos homens para a superioridade da sua missão (superioridade que só a Nova Revelação pode apresentar em Espírito e Verdade) e para a culpabilidade dos que se rebelavam contra suas palavras e seus exemplos, dizendo: “AQUI ESTÁ QUEM É MAIOR DO QUE JONAS: AQUI ESTÁ QUEM É MAIOR DO QUE SALOMÃO”. Salomão e Jonas eram Espíritos em missão, mas de ordem inferior. Seria admissível que Jesus se equiparasse a qualquer dos dois sendo ele O CRISTO DE DEUS, O ÚNICO REPRESENTANTE DO SENHOR NA TERRA, O MESTRE, REI DO VOSSO PLANETA E DA SUA HUMANIDADE? HOJE COMPREENDEIS TUDO ISSO FACILMENTE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO.



O ASSÉDIO INCESSANTE DA TREVA


P – Queremos debater, em nosso Posto Familiar, o caso do Espírito imundo que volta à sua residência. Como o Espírito da Verdade interpreta essa passagem, pelo CEU da LBV?

R – Harmonizemos Mateus, XII: 43-45 com Lucas, XI: 24-26.

MATEUS: 43 – Quando o Espírito impuro sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso, e não o encontra.  44 – Diz, então: “Voltarei para a casa de onde saí”. E, voltando, a encontra vazia, limpa e ornada. 45 – Então parte de novo, arrebanha sete outros Espíritos ainda piores do que ele, entram todos na casa e passam a habita-la. Ora, o último estado do homem fica sendo pior que o anterior. Assim acontecerá com esta geração criminosa.

LUCAS: 24 – Quando o Espírito imundo sai de um homem, anda por lugares áridos, em busca de repouso. E, não o encontrando, diz: “Voltarei para a casa de onde saí”. 25 – Voltando, ele a encontra varrida e ornamentada. 26 – Vai-se, então, de novo, reúne outros sete espíritos mais impuros do que ele, e entram todos na casa e lá se instalam. E o último estado do homem fica sendo pior que o de antes. 27 – Ora, sucedeu que quando Jesus dizia essas coisas, uma mulher, elevando a voz do meio do povo, lhe disse: “Feliz é o ventre que te trouxe ao mundo! Bem-aventurados os seios que te amamentaram!” 28 – Jesus, porém, respondeu: “Felizes e bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a praticam!”

Jesus fazia ver aos homens que lhes cumpria estar sempre em guarda contra as más paixões que, repelidas a princípio facilmente, voltam depois com mais força e maior tenacidade. Tomai, se quiserdes, por símbolo das más paixões os “Espíritos imundos” do Evangelho, os maus Espíritos cuja influência vos ensinamos a evitar. Aquele que, fraco de Espírito, cede com facilidade às más inspirações, por serem más as suas tendências, oporá – tomando boas resoluções – sério obstáculo aos esforços que empreguem os Espíritos malfazejos, no sentido de o arrastarem para o mal. O Espírito que o influenciava se afasta, e vai em busca de alguma outra inteligência que lhe seja mais fácil impressionar, A FIM DE SE APODERAR DELA, TENDO SEMPRE, PORÉM, DEBAIXO DAS VISTAS, AQUELE SOBRE QUEM EXERCIA SUA AÇÃO FUNESTA E QUE FÔRA OBRIGADO A ABANDONAR. Ora, ao notar da parte deste um descuido, por menor que seja, um relaxamento das boas resoluções, volta prontamente a se apossar da sua antiga vítima. Se encontrar resistência, não podendo esta ser muito forte, pois não nasce de um sentimento realmente puro, ELE SE OBSTINARÁ E, SE FOR PRECISO, CHAMARÁ EM SEU AUXÍLIO OS ESPÍRITOS INFERIORES QUE O CERCAM, SEMPRE DISPOSTOS AO MAL. Todavia, não concluais das nossas palavras que todas as vossas ações más, todos os vossos maus pensamentos sejam resultado de uma influência oculta. SE EM VÓS NÃO EXISTIR O GERME DO MAL, NÃO ATRAIREIS OS ESPÍRITOS DO MAL. As vossas tendências, boas ou más, é que determinam a ordem dos Espíritos que virão grupar-se em torno de vós. Os que simpatizarem com os vossos pendores certamente vos cercarão. VIGIAI, PORTANTO, PORQUE O ASSÉDIO DA TREVA É INCESSANTE. Policiai, a todo instante, os vossos pensamentos mais secretos; varrei cuidadosamente a vossa casa; purificai a vossa Alma e montai guarda à porta do santuário, a fim de impedirdes a aproximação dos que não sejam dignos de penetrar nele! COMO ORDENA JESUS: VIGIAI E ORAI, ORAI E VIGIAI!



O ESPÍRITO ACIMA DA LETRA

P – As explicações do CEU da LBV libertam da letra que mata, o espírito que vivifica. Como o Espírito da Verdade interpreta a expressão “lugares áridos” de Jesus?

R – É o que consta do versículo 43 de Mateus e 24 de Lucas, no capítulo em estudo os “lugares áridos”, por onde erra o Espírito impuro (o Espírito mau) sem encontrar abrigo, são os homens purificados, que não lhes dão entrada às sugestões.

P – “Busca repouso e não o encontra”. Qual o sentido oculto dessas palavras?

R – O Espírito mau busca UMA OCUPAÇÃO CONDIZENTE COM SEUS INSTINTOS, TENDÊNCIAS OU CAPRICHOS. Jesus, não o esqueçais, falava aos judeus, e os judeus acreditavam que o Espírito imundo, habitava no homem subjugado. O Mestre os deixava nessa crença, para que a possessão lhes inspirasse horror ainda maior. Ora, falando para ser compreendido por aqueles homens, era natural que lhes figurasse o Espírito impuro a procurar repouso nos lugares áridos sem o encontrar, isto é, A RONDAR OS HOMENS FORTES E A ENCONTRA-LOS SURDOS ÀS SUAS INSTIGAÇÕES. Aí tendes, na altura do vosso entendimento, o espírito despojado da letra. Tentando penetrar num homem, cuja Alma se ache bem guardada, e não o conseguindo, sendo forçado a afastar-se sem ver lugar para seu repouso – aí tendes a lição na altura do entendimento dos judeus a quem o Cristo falava.

P – Como devemos entender o versículo 44 de Mateus e mais os 24 e 25 de Lucas?

R – Aquele que, embora por pouco tempo, expurga a Alma de seus maus pendores, dá imediato acesso aos SENTIMENTOS BONS, QUE SE OPÕEM AOS MAUS INSTINTOS, AS VIRTUDES SÃO O ORNAMENTO DA ALMA. É preciso que, quando o Espírito mau queira voltar para a casa de onde saiu, a encontre limpa e ornada. Nutrindo sentimentos de real pureza, conservai vossa Alma sempre inacessível aos maus instintos e às seduções da treva. Ornai-a de virtudes, para que o Senhor nela encontre morada digna dele, para que lhe seja grato ampliar cada vez mais o vosso progresso, moral e intelectual, concedendo-vos a assistência dos Bons Espíritos, cujo amparo conseguireis com a vossa perseverança na fé.



A COMUNHÃO DO CRISTO


P – Os ensinos do CEU da LBV, no capítulo em exame, parece ter relação com o chamado “sacrifício da eucaristia”. Que diz a isso o Espírito da Verdade?

R – Sim, mas nunca no sentido que lhe poderia dar a igreja humana. Não admitais que o corpo do homem possa servir de morada, nem eterna, nem temporária, à Divindade, como pretende a igreja romana, cujos erros provieram todos da falsa interpretação das Sagradas Escrituras; pois sempre as compreendeu segundo a letra, jamais segundo o espírito. Não admitais que “corpo e o sangue reais do Salvador” (expressões do romanismo) se possam EQUIPARAR AOS ALIMENTOS HUMANOS E FICAR, DESSE MODO, SUJEITOS AS LEIS DA DIGESTÃO NO CORPO DO HOMEM! Não admitais que o perispírito tangível, do que Jesus se revestiu temporariamente, atendendo às exigências e à duração da sua missão terrena, vaso precioso que continha uma essência ainda mais preciosa, formada de fluidos que – na chamada hora da ascensão – foram restituídos aos meios de onde haviam sido tirados, possa estar submetido àquelas leis! NÃO ADMITAIS QUE O ESPÍRITO DE JESUS ESSÊNCIA PERFEITA, DE PUREZA IMACULADA, FAÇA DO CORPO HUMANO A SUA HABITAÇÃO! A comunhão do Cristo, simbolizada pela ceia, como vos explicaremos quando chegar a ocasião, foi o último e solene apelo feito por ele em prol da fraternidade contida em seu Novo Mandamento. A comunhão dos discípulos era uma lembrança simbólica daquela outra comunhão. Cristãos de todas as correntes, aprendei o que ensina a Nova Revelação que Deus vos manda e que vos trazemos em nome de Jesus: PARA O ESPÍRITO DEVE SER TUDO ESPIRITUAL, O HOMEM RECEBE “ O CORPO E O SANGUE” DE JESUS APENAS SIMBOLICAMENTE, POIS REPRESENTAM O SEU EVANGELHO, A SUA DOUTRINA DE SALVAÇÃO, O CORPO PARA ALIMENTAR-LHE A ALMA, O SANGUE PARA LAVA-LA DE SUAS IMPUREZAS, MAS A MATÉRIA NÃO PARTICIPA, DE MODO ALGUM, DESSE SACRIFÍCIO! QUE TOMEIS as vossas refeições antes ou depois do “sacrifício”, pouco importa. Das superfluidades humanas é que cumpre vos abstenhais, antes do ato da “comunhão”, que deverá simbolicamente aproximar o vosso Espírito do Redentor que, fazendo a sua aparição na Terra, se abaixou até vós para vos elevar. Praticai, sim, esta abstinência! Com o intuito de vos preparardes para essa festa de família, imponde-vos algumas privações, que possam redundar em proveito – tanto material quando moral e intelectual – de vossos irmãos. IMPONDE-VOS MORTIFICAÇÕES MORAIS; CONVIDAI PARA A CEIA DO NOVO MANDAMENTO AQUELES QUE SE HOUVEREM AFASTADO DE VÓS OU DE QUEM VOS HOUVERDES AFASTADO. CONVIDAI-OS PELO PENSAMENTO, NA ORAÇÃO, SE NÃO O PUDERDES FAZER DE OUTRA MANEIRA PERDOANDO-LHES DE CORAÇÃO AS OFENSAS E TOMANDO A RESOLUÇÃO IRREVOGÁVEL DE NÃO GUARDAR QUEIXA ALGUMA DE TODOS OS ELES. Praticai a ceia do senhor espiritualmente, em comum, como os apóstolos sempre realizaram, até a época em que as paixões e os maus instintos forçaram a mudança, determinando a instituição da comunhão aparente, pois QUEM SE APROXIMA DA MESA DO MESTRE LEVANDO NO CORAÇAO UM SENTIMENTO MAU INCORRE  NO CRIME DE TRAIÇAO DE JUDAS ISCARIOTES. RESTAURAI A CRIA DO NOVO MANDAMENTO, CONVIDANDO OS IRMAOS DE TODAS AS CRENÇAS RELIGIOSAS E FILOSOFICAS, POIS SÓ ASSIM CUMPRIREIS A ORDEM DO CRISTO, FORMANDO UM SO REBANHO PARA UM SÓ PASTOR!



FORA DE DEUS NÃO HÁ SEGURANÇA


P – Disse Deus: “Sem mim, nada podereis fazer”. Compreendemos, sinceramente, que toda a nossa segurança está em Deus, no Cristo e o Espírito Santo. Como o Espírito da Verdade explica o versículo 45 de Mateus, no capitulo em estudo?

R – Parte, então, de novo o Espírito mau, arrebanha sete outros Espíritos ainda piores do que ele, entram na casa e passam a habita-la; e o ultimo estado do homem fica sendo pior que o anterior. Depois de pronunciar estas palavras, cujos sentido e alcance já conheceis, o Mestre acrescentou: “Assim acontecerá com esta geração criminosa. A RECAIDA É PIOR DO QUE A MOLÉSTIA. A GERAÇAO DE QUE JESUS FALAVA DISPUNHA DE TODOS OS MEIOS PARA SE ESCLARECER E PROGREDIR. Tocada pelas prédicas do Bom Pastor, parte dela tentara reformar-se. Mas a boa semente caíra sobre pedregulhos: as más paixões, por um momento sopitadas, voltaram com mais força à antiga habitação, tornando a expiação mais longa e mais dolorosa. Que o mesmo não suceda com a geração a quem Cristo hoje se dirige, mediante a Nova Revelação! Disse o mestre: “MAIS SE PEDIRÁ A QUEM MAIS SE DEU”. Ora, os que repelem a luz que se lhes apresenta, os que apagam ou fecham os olhos para não vê-la, terão de prestar muito maiores contas do que aqueles que vivem nas trevas da ignorância.

P – Como devemos entender os versículos 27 e 28 de Lucas?

R – A mulher que elevou a voz do meio da multidão falou, como médium, sob a inspiração momentânea de um Guia, que assim deu ensejo à resposta de Jesus. Fora previsto, evidentemente, tudo o que pudesse servir de ensinamento ao povo. As palavras da mulher tinham todo cabimento, do ponto de vista das crenças humanas de então, segundo as quais JESUS ERA FILHO DE JOSÉ E MARIA. Realmente, o fato de haver Maria, como os homens acreditavam, gerado e amamentado Jesus, indicava da parte dela grande elevação espiritual. Esta, porém, ela a alcançara antes de lhe ser concedido desempenhar a missão de Redentor, ao passo que aqueles a quem Jesus pregava, pecadores e culpados, pouco até então haviam merecido; ENTRETANTO, MUITO VIRAM A MERECER, DESDE QUE RECEBESSEM COM FÉ E PUSESSEM EM PRATICA AS PRECIOSAS LIÇOES QUE LHES ERAM DADAS. Bem podia Jesus, portanto, dizer: “Mais felizes são os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam!” Ele antevia o progresso imenso que fariam os que sinceramente enveredassem pela nova estrada. Também nós, ò bem amados, vos dizemos: - Felizes os que recebem a luz e se esclarecem com seus raios, aqueles que escutam a Palavra do Evangelho e do Apocalipse, pondo-a em pratica em Espírito e Verdade! Iniciando-vos, desde a vida terrena nos “mistérios da vida eterna”, abreviais a duração das provas no estado de Espíritos livres. Evitais, sobretudo, a expiação, pondo-vos em guarda contra vós mesmos. Por tudo isso, PROCURAI PROGREDIR NA VIDA TERRENA E MAIS RAPIDAMENTE PROGREDIREIS QUANDO VOLTARDES DA VIDA ETERNA!



A FAMÍLIA DE JESUS

P – Um assunto empolgante, para todos nós, está nos Evangelhos que falam dos parentes de Jesus, no próprio entender do Mestre. Como nos explica essas passagens o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Vamos harmonizar os Evangelhos Sinóticos: Mateus, XII: 46-50, Marcos, III: 31-35 e Lucas, VIII: 19-21.

MATEUS: 46 – Estando Jesus ainda a pregar à multidão, sua mãe e seus irmãos, do lado de fora, procuravam falar com ele. 47 – Alguém, então, lhe disse: “Tua mãe e teus irmãos aí fora, procuram falar contigo”. 48 – Respondendo a quem assim falara, disse Jesus: “Quem é minha mãe e quais são os meus irmãos?” 49 – E estendendo a mão para os discípulos, falou: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 50 – Quem quer que faça a vontade do Pai Celestial esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

MARCOS: 31 – Sua mãe e seus irmãos, tendo vindo e ficado do lado de fora, o mandaram chamar. 32 – Ora, como a multidão o cercasse, alguém lhe disse: “Olha que tua mãe e teus irmãos te procuram”. 33 -  Mas Jesus lhe perguntou: “Quem é minha mãe e quem são os meus irmãos?” 34 – E, olhando para os que estavam sentados em redor dele, disse: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos; 35 – porquanto aquele, que fizer a vontade de Deus, é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

LUCAS: 19 – Sua mãe e seus irmãos vieram ter com ele, mas não puderam vê-lo por causa da multidão. 20 – Disseram-lhe, então: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te querem ver”. 21 – Mas Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são todos aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam”.

Não estando ligado à Virgem Maria por nenhum laço humano, Jesus patenteava aos homens os sentimentos de amor e fraternidade que os deviam unir. Efetivamente, qual poderia ser o desejo do Bom Pastor, que vinha em busca das ovelhas tresmalhadas? Qual poderia ser o seu objetivo? Reuni-las em torno de si. Todas, fossem quais fossem. Sendo, com relação aos homens, pela sua pureza e pelo seu poder, o Unigênito do Pai, e vindo dizer-lhes “SOIS TODOS, COMO EU FILHOS DE DEUS”. Jesus precisava demonstrar que punha em prática os ensinos que dava à multidão e provar que TODOS OS SERES HUMANOS SÃO, DE FATO, FILHOS DE DEUS E, POR ISSO, IRMÃOS DELE, ENQUANTO CAMINHAM NAS VIAS DO SENHOR. Falando do Cristo, usamos a expressão “ o Unigênito” ou “Filho Único” do Pai Celestial. Ele o era e é, no sentido de ser, pela sua elevação espiritual, única relativamente à de todos os Espíritos que se acham ligados ao vosso planeta, quem lhe preside os destinos. Desse ponto de vista e comparado a vós outros, Jesus pode e deve ser considerado FILHO ÚNICO DO TODO-PODEROSO. Sua essência pura, que nunca se desviou da linha do progresso, se aproxima da natureza do Criador Universal. Insistimos: seu poder ilimitado, sobre tudo o que concerne à Terra, participa da Onipotência Divina, com a qual ele está sempre em RELAÇÃO DIRETA. Maria e os chamados irmãos de Jesus o foram procurar, induzidos pela influência espiritual dos seus Anjos da Guarda e também levados pela idéia de que – devendo o Mestre atender às necessidades do corpo – lhes cumpria ir à sua procura, para esse fim. Conquanto fosse um Espírito muito elevado. Maria estava, até certo ponto, submetida à matéria que a envolvia; não compreendia que Jesus pudesse resistir a tão grandes fadigas, SEM TOMAR OS ALIMENTOS QUE SUSTENTAM O CORPO. Tinha ela a intuição da sua sorte futura: mas como sempre, o passado se lhe apresentava coberto por um véu: o véu da carne. Nunca é demais repetir: em virtude da revelação que lhes fora feita, e que se conservou secreta até depois de finda a missão terrena do Mestre, JESUS, PARA MARIA E JOSÉ ERA UM ENTE EXCEPCIONAL, GRANDE AOS OLHOS DE DEUS POR SER FILHO DO MESMO DEUS E QUE ENCARNARA MILAGROSAMENTE, MAS SEM DEIXAR DE PARTICIPAR DA NATUREZA DO HOMEM E DE ESTAR SUJEITO ÀS NECESSIDADES DA EXISTÊNCIA HUMANA. E para os homens, ele era um homem igual aos outros , filho – por obra humana – de José e Maria, e como tal o consideraram enquanto durou sua missão terrena e até a época em que já encerrada aquela missão, a revelação se tornou conhecida do povo. A ida de Maria e dos chamados irmãos de Jesus à procura deste lhes foi inspirada para provocar como provocou, a profunda observação do Mestre. Ao que lhe dissera: “Tua mãe e teus irmãos te procuram” ele respondeu perguntando: Quem é minha mãe e quem são os meus irmãos?” E acrescentou, apontando os discípulos: “EIS AQUI MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS POIS AQUELE QUE CUMPRE A VONTADE DO PAI, A VONTADE DE DEUS ESSE É MEU IRMÃO MINHA IRMÃ E MINHA  MÃE: MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS SÃO TODOS AQUELES QUE OUVEM A PALAVRA DE DEUS E A PRATICAM”. As versões de Mateus, Marcos e Lucas são exatas e se completam: Jesus apontou com a mão para os discípulos que o cercavam e respondeu, deixando fluir sobre o povo a atração poderosa do seu olhar irradiação magnética que atraía os homens como o ímã atrai o ferro. Por esse gesto ele apresentava seus discípulos como exemplo e atraia para eles a multidão que os teria de imitar. Ao dar aquela resposta, o presente e o futuro se completavam no seu pensamento. Deu-a tendo por fim (atento o motivo que determinara a ida de Maria e dos que eram designados por irmãos dele) provar que A MISSÃO, A CUJO DESEMPENHO SE CONSAGRAVA NO MEIO DOS HOMENS, SOBRELEVAVA AOS LAÇOS DA FAMÍLIA HUMANA E AS NECESSIDADES MATERIAIS QUE, NO ENTENDER DOS MESMOS HOMENS, SE LHE FAZIAM SENTIR. Em todas as oportunidades, Jesus procurava despertar as consciências. Tinha também por fim atentas às palavras que lhe eram dirigidas mostrai veladamente que nenhum laço humano o prendia a Maria Santíssima nem aos que eram tidos por seus irmãos, nem aos Apóstolos e aos discípulos, SÓ OS LIGAVA O LAÇO ESPIRITUAL, O PARENTESCO ESPIRITUAL, TUDO SEGUNDO O ESPÍRITO, NADA SEGUNDO A CARNE E ASSIM MESMO RELATIVAMENTE AOS QUE HOUVESEM FEITO A VONTADE DIVINA OUVINDO E PONDO EM PRÁTICA A PALAVRA DE DEUS!



A GRANDE FAMÍLIA ESPIRITUAL DE JESUS


P – Foi muito oportuna a explicação sobre as palavras do Cristo: “Quem é minha mãe e quais são os meus irmãos?” Liquidou a argumentação dos que acusavam o Mestre de indiferença para com sua família! Que tem ainda a nos dizer, a respeito do assunto, o Espírito da Verdade?

R – “Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Minha mãe e meus irmãos são os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam”. Ao dar esta resposta, Jesus visava, também, a preparar os homens para – nos tempos preditos – receberem a Nova Revelação, que lhes faria conhecer sua verdadeira origem, as condições e o modo por que se deu a sua aparição na Terra, sua missão messiânica, sua potencialidade e seus poderes como ÚNICO REPRESENTANTE DE DEUS NO QUE DIZ RESPEITO AO NOSSSO PLANETA CUJA FORMAÇAO PRESIDIU, tendo por meta dirigir-lhe o progresso e levá-lo à realização de seus destinos, conduzindo a Humanidade à Perfeição pela regeneração espiritual, através do amor e da ciência pura. Por esta Nova Revelação, ficam todos sabendo, EM ESPÍRITO E VERDADE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO, QUE JESUS É DE TODOS IRMÃO E AO MESMO TEMPO SENHOR, PELO PODER ILIMITADO QUE TEM SOBRE QUANTO SE RELACIONA COM O MUNDO QUE HABITAIS. Tinha, ainda, por fim preparar os homens para – quando chegasse o momento – abandonarem a crença de que “Jesus é Deus e Maria é mãe de Deus” crença que (ele mesmo o previra) se havia de generalizar, uma vez terminada a sua missão terrena, de acordo com o estado das inteligências, com as impressões, interpretações e aspirações humanas e, ainda, com as necessidades da época. Correspondendo a essas necessidades e servindo para preparar os tempos de hoje (que, então, eram o futuro) tal crença seria, como realmente foi, uma condição e um meio de progresso, MAS QUE HOJE NÃO TEM MAIS NENHUMA RAZÃO DE SER. Disseram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos te procuram”. Confrontando tais palavras com estas outras “Não é esse o filho do carpinteiro? Sua mãe não é Maria? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?” (Mateus XIII: 55); com mais estas “E todas as suas irmãs não se acham entre nós?” (Mateus, XIII:56); com estas, ainda “ Não é esse Jesus o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José e de Simão?” (Marcos, VI:3); e com estas mais “E José não a tinha conhecido quando ela se deu à luz o seu filho primogênito, ao qual deu o nome de Jesus” (Mateus, I:25) – PRETENDEM ALGUNS IGNORANTES, AINDA HOJE, AFIRMAR QUE O CRISTO TEVE IRMÃOS E IRMÃS POR OBRA DE JOSÉ E MARIA! Há nisso um erro manifesto que, após as discussões travadas outrora e principalmente nos dias deste fim de ciclo, não pode nem deve subsistir. Diante da Nova Revelação, relativamente à verdadeira origem espiritual do Mestre, ao seu aparecimento na Terra, à natureza e ao caráter da sua missão no passado, no presente e no futuro; à elevação e à pureza de Maria e de José, à natureza e ao caráter da missão que os dois desempenharam, auxiliando a Obra do Salvador – SEMELHANTE ERRO TEM DE DESAPARECER DAS CONTROVÉRSIAS E DEBATES HUMANOS. Somente aos olhos dos homens, jamais na realidade dos fatos, existia parentesco próximo entre Jesus e aqueles que eram chamados seus irmãos e suas irmãs por laços de sangue. Em hebreu a palavra irmãos tinha várias acepções: significava, ao mesmo tempo o irmão propriamente dito, o primo co-irmão, o simples parente. Entre os judeus os descendentes diretos da mesma linha eram considerados irmãos, se não de fato, ao menos de nome, e se confundiam, muitas vezes, tratando-se indistintamente de irmãos e irmãs. Geralmente se designavam pelo nome de irmãos os que eram filhos de pais-irmãos, os que agora chamais primos-irmãos. Assim, os chamados irmãos e irmãs de Jesus nos Evangelhos citados eram segundo o parentesco humano que entre eles havia aos olhos dos homens seus primos-irmãos. Maria não era filha única: tinha uma irmã, que também se chamava Maria, mulher de Cleofas e mãe de Tiago, de José, de Simão e de Judas, que todos tratavam como “irmãos de Jesus”. Do mesmo modo as chamadas irmãs do Cristo eram suas primas co-irmãs, de acordo com o parentesco humano que, segundo os homens havia entre elas e o Mestre. Que importaria aos homens que Jesus tivesse irmãos e irmãs na Humanidade, uma vez que a essência deles não podia ser igual à do Cristo Espírito Perfeito que encarnara, para ser visto pelos mesmos homens, tomando um perispírito tangível, com a forma ou a aparência do corpo humano, adequado às necessidades e à duração da sua missão terrena? TAL, PORÉM NÃO PODIA DAR-SE E NÃO SE DEU: Espíritos muito elevados, José e Maria sofriam o constrangimento do envoltório material que haviam aceitado, mas não estavam sujeitos aos instintos carnais de que já se haviam libertado. Exilados momentaneamente da verdadeira pátria dela guardavam intuitivamente a lembrança e um, unicamente um, era o anelo de ambos: voltar para lá. Nunca se deve acompanhar o curso de um rio de águas impuras. Deixai que os ímpios desnaturem os fatos mais sérios. Nós repetimos: ESPIRITOS MUITO ELEVADOS, ENCARNADOS EM MISSÃO SUPERIOR, JOSÉ E MARIA NÃO EXPERIMENTAVAM AS NECESSIDADES CARNAIS DA HUMANIDADE. Intuitivamente preparada para a missão que lhe cumpria desempenhar naquela grande Obra de Regeneração, cujo desenlace constituiu exemplo para todas as raças humanas que, a partir de então, se sucederam, Maria foi e permaneceu sempre virgem. José, menos elevado que ela, mas também desempenhando missão sagrada, compreendeu, pela revelação do Anjo. QUAL O OBJETIVO DA SUA EXISTÊNCIA MATERIAL E A ELA SE CONSAGROU INTEIRAMENTE, PARA HONRA E GLÓRIA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! 



FILHO PRIMOGÊNITO

P – Uma pergunta nos ocorre, diante dos argumentos dos materialistas dialéticos: – Qual o sentido real da expressão “filho primogênito”? Eles se baseiam nisto para afirmar que José e Maria tinham outros filhos! Que nos tem a dizer, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Com a locução “filho primogênito”, em que esses adversários se apóiam para atribuir muitos filhos a José e Maria, dá-se o que dissemos com relação aos vocábulos irmãos e irmãs. “Filho primogênito” é o mesmo que “filho único”, no verdadeiro sentido da palavra hebraica. Quando um único filho havia nascido, esse necessariamente era o primeiro. Vede o texto hebreu, ide à língua hebraica, investigai a forma, por que os judeus dela usavam, e achareis a explicação, com o significado exato das palavras. Eles empregavam indiferentemente, na sua linguagem, a locução “filho primogênito”, TANTO NO CASO DE HAVER UM SÓ FILHO COMO NO CASO DE HAVEREM MUITOS, QUANDO ALUDIAM AO QUE PRIMEIRO NASCERA, QUER OUTROS TIVESSEM NASCIDO DEPOIS, QUER NÃO. No verdadeiro sentido da frase judaica, o que vemos no Evangelho de Jesus segundo Mateus, I: 25, é a locução “filho primogênito” significando, apenas, que Maria não tivera antes outro filho. Jesus era, portanto, o primogênito. O autor não previu as considerações e interpretações de que tal locução seria causa. Sob este aspecto, sua contextura é defeituosa para o vosso entendimento. O versículo 25 do capítulo I do Evangelho segundo Mateus teve por fim, exclusivamente, confirmar o que deles se deduz, isto é, que José não tomou parte alguma na concepção do filho de Maria NESSA OBRA DO ESPÍRITO SANTO; que não se aproximara dela; que aquela concepção fora OBRA EXCLUSIVA DOS ESPÍRITOS DO SENHOR. Assim, pois, a locução “filho primogênito” não visava senão a certificar que Maria concebera sendo virgem. ABSOLUTAMENTE NÃO FOI EMREGADA PARA EXPRIMIR A PRIORIDADE DO NASCIMENTO DE UM IRMÃO ENTRE MUITOS, PARA REGISTRAR A PRIMOGENITURA DE UM DELES, FATO QUE NA VOSSA JURISPRUDÊNCIA, POLÍTICA OU FEUDAL, CONFERIA – SOB O TÍTULO “DIREITOS DE PRIMOGENITURA” – CERTOS PRIVILÉGIOS AO IRMÃO MAIS VELHO. Jesus, portanto, sendo “filho primogênito”, era o que chamais “filho único”. Terminada a sua missão terrena, os hebreus – por não quererem admitir que o Mestre tivesse tido a vida especial que lhe atribuíram não só a revelação que, conservada até então secreta, se tornara conhecida do povo, mas ainda as interpretações a que essa dera lugar, tomaram a locução “filho primogênito” como indicando que ao de Jesus se seguiriam outros nascimentos. Vós outros, cristãos do Novo Mandamento, vos apegastes ao sentido verdadeiro, que é o de FILHO ÚNICO. EIS AÍ A EXPLICAÇÃO DESTAS PALAVRAS DE QUE NOS SERVIMOS: “O QUE CHAMAIS FILHO ÚNICO”.





A PARÁBOLA DO SEMEADOR

P – Todos aqui, em nosso Posto Familiar, desejam a explicação completa da parábola do semeador. Como se manifesta a respeito, o Espírito da Verdade?

R – Harmonizemos Mateus, XIII: 1-23; Marcos, IV: 1-20 e 25; Lucas, VIII: 1-15 e 18 e X: 23-24.

MATEUS: 1 – Naquele dia, saindo Jesus de casa, foi sentar-se à beira-mar. 2 – Grande multidão se reuniu em torno dele. Então entrou numa barca, e aí se sentou, ficando a multidão na praia. 3 – E começou a dizer muitas coisas por parábolas, falando assim: – “Eis que o semeador saiu a semear. 4 – Enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à margem do caminho; vieram os pássaros do céu e as comeram. 5 – Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde pouca terra havia; as sementes germinaram prontamente, pois a terra, ali, não tinha profundidade; 6 – o sol, nascendo, crestou-as; e, como não tinham raízes, secaram. 7 – Uma outra caiu entre espinheiros, que cresceram e a abafaram. 8 – Uma outra, finalmente,, caiu em terra boa e as sementes germinaram, produzindo cem aqui, sessenta ali e, mais além, trinta por um. 9 – Ouça quem tiver ouvidos de ouvir!” 10 – Os discípulos, aproximando-se, lhe perguntaram: “Por que lhes falas por parábolas?” 11 – Jesus respondeu: “Porque a vos é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles isso não é dado. 12 – Aquele que tem mais ainda se dará, em toda a plenitude; mas ao que não tem, até mesmo o que tem lhe será tirado. 13 – Eis por que lhes falo por parábolas: é que, vendo, eles não vêem; ouvindo, não ouvem nem compreendem. 14 – Neles se cumpre esta profecias de Isaías: “Escutareis com os ouvidos e não entendereis; olhareis com os olhos e não vereis. 15 – O coração deste povo se embotou; os ouvidos se lhes tornaram surdos, os olhos se lhes fecharam, para que não vejam com os olhos, não ouçam com os ouvidos, não compreendam com o coração e, não se convertendo, não sejam curados por mim”. 16 – Felizes os vossos olhos porque vêem, os vossos ouvidos porque escutam; 17 – porquanto em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, ouvir o que ouvis e não ouviram. 18 – Entendei, pois, a parábola do semeador. 19 – Do coração de todo aquele que escuta a palavra de Deus do reino, e não a compreende, vem o espírito mau tirar o que nele foi semeado: é a semente que caiu ao longo do caminho. 20 – A que caiu em terreno pedregoso representa aquele que ouve a palavra e a recebe com alegria no primeiro momento; 21 – mas, não tendo raízes no seu coração, subsiste apenas por pouco tempo, sobrevindo as tribulações e perseguições por motivo da palavra, ele logo se escandaliza. 22 – A semente lançada entre os espinheiros representa aquele que ouve a palavra, mas em quem os cuidados do século e a ilusão das riquezas abafam e impedem de produzir frutos. 23 – A que foi semeada em terra boa indica o que ouve a palavra e a compreende, aquele em quem ela frutifica, produzindo cada grão cem, sessenta ou trinta.

MARCOS: 1 – Jesus se pôs de novo a pregar o Evangelho perto do mar. Como fosse enorme a multidão que ali se reuniu, ele entrou numa barca e sentou, ficando todo o povo na praia. 2 – Muitas coisas ensinava por parábolas, dizendo, segundo o seu modo de doutrinar. 3 – “Escutai: o semeador saiu a semear; 4 – e, enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à borda do caminho, vieram as aves do céu e as comeram. 5 – Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde havia pouca terra; as sementes germinaram logo, pois era pequena a profundidade do solo; 6 – veio o sol, crestou as plantas e estas, por não terem raízes, secaram. 7 – Outra parte caiu entre os espinheiros; estes cresceram e a abafaram, de sorte que ela não deu frutos. 8 – Outra, finalmente, caiu em terra boa; os grãos deram fruto: elevaram-se, multiplicaram-se, produziram cem, sessenta, trinta por um.” 9 – E acrescentou: “Ouça quem tiver ouvidos de ouvir”. 10 – Quando ficaram a sós com ele, os doze que o seguiam o interrogaram acerca dessa parábola. 11 – Jesus respondeu: “Dado vos é a vós conhecer o mistério do Reino de Deis, mas, para aqueles que são de fora, tudo se faz por parábolas, 12 – a fim de que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam, para que não se convertam e os pecados lhe sejam perdoados”. 13 – Perguntou-lhes, em seguida: “Não entendeis esta parábola? Como podereis entender todas as parábolas? 14 – O semeador semeia a palavra de Deus. 15 – A margem do caminho, ao longo do qual a semente caiu, são aqueles de cujo coração Satanás vem arrancar a palavra, logo depois de ter sido ali semeada. 16 – Semelhantemente, o terreno pedregoso são os que, ouvindo a palavra, a recebem jubilosos. 17 – Como, porém, nesses, ela não cria raízes dura pouco tempo. Vindo as tribulações e as perseguições, por causa da palavra, eles logo se escandalizam. 18 – Os outros, designados pela parte das sementes lançadas entre os espinheiros, são os que ouvem a palavra, 19 – mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e as outras paixões, entrando em seus corações, a sufocam e ela não frutifica. 20 – O terreno bom onde é lançada a última parte das sementes, são os que ouvem a palavra, e a aceitam, e dela tiram frutos na proporção de cem, de sessenta e de trinta por um. 25 – Mais será dado ao que já tem, e ao que não tem se tirará mesmo o que tem.”

LUCAS: 1 – Algum tempo depois, ia Jesus de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, pregando o reino de Deis. Acompanhavam-no os doze 2 – e algumas mulheres, que tinham sido libertadas dos Espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada a Madalena, da qual foram expulsos sete demônios; Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes; Suzada e muitas outras que o assistiam com seus bens. 4 – Como o cercassem grande multidão de gente, vinda de todas as cidades, disse ele esta parábola: 5 – “O semeador saiu a semear suas sementes; e, enquanto o fazia, uma parte delas caiu à margem do caminho, foi pisada e os pássaros do céu a comeram. 6 – Outra parte caiu sobre as pedras, e secou por falta de húmus, logo depois de haver germinado. 7 – Outra caiu sobre espinheiros que, crescendo a sufocaram. 8 – Finalmente, outra parte caiu na terra boa, germinou e frutificou, produzindo cem por um.” E, dizendo isso, exclamou: “Ouça quem tem ouvidos de ouvir!” 9 – Os discípulos lhe perguntaram o que significava tal parábola. 10 – Ele respondeu: “Dado vos foi a vós conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos outros, só se lhes fala por parábolas, a fim de que, vendo, não vejam, e ouvindo não compreendam. 11 – Eis o que diz esta parábola: a semente é a palavra de Deus. 12 – A que caiu junto do caminho indica os que ouvem a palavra, mas Satanás a arranca de seus corações, pelo temor de que, crendo se salvem. 13 – As que caem sobre as pedras são os que tendo-a escutado, recebem com alegria a palavras;esta, porém, não cria raízes, porque eles crêem apenas durante algum tempo recuando quando chegam as tribulações. 14 A parte que cai entre espinheiros corresponde aos que escutaram a palavra, mas em seus corações ela é abafada pelas preocupações terrenas, pelas riquezas e prazeres da vida e não produz frutos. 15 – A terra boa, onde cai a última parte das sementes, são os que, ouvindo a palavra, a guardam em seus corações e dela tiram frutos pela perseverança. 18 – Vede, pois, de que modo ouvis, porque mais se dará àquele que já tem, e ao que não tem se tirará até mesmo o que julgue ter” X: 23 – Voltando-se para os discípulos o Cristo lhes disse: “Felizes os olhos que vêem o que vedes! 24 – Em verdade vos digo que muitos reis e profetas desejaram ver o que vedes e não viram, ouvir o que ouvis e não ouviram!”

A parábola do semeador não precisa explicações: a que Jesus deu aos Apóstolos, na medida do que eles podiam e deviam receber, como Espíritos encarnados, a fim de desempenharem suas missões, basta para que a compreendais perfeitamente. Entretanto, convém que, por meio de explicações especiais sobre alguns pontos, tornemos conhecidos e (tirando da letra o espírito) desenvolvamos o sentido e o alcance integrais do que disse o Mestre aos seus discípulos. Antes de tudo, porém, cumpre vos façamos compreender de que pontos de vista deveis encarar o que Jesus falou à multidão, servindo-se da parábola, e o que disse aos Apóstolos explicando-a, porque ALGUMAS DAS PALAVRAS DAQUELE MESTRE BONDOSO E INDULGENTE, DAQUELE BOM PASTOR DESEJOSO DE NÃO PERDER NENHUMA DE SUAS OVELHAS, PARECEM DESMENTIR OS ATOS DE TODA A SUA VIDA HUMANA (HUMANA NO ENTENDER DOS HOMENS). A geração que vivia o tempo em que Jesus desempenhava a sua missão se compunha de Espíritos orgulhosos e fúteis, voluntariamente surdos e cegos, revoltados contra qualquer autoridade. Espíritos que, mesmo antes de reencarnarem, recusavam todo amparo que lhes era oferecido para se tornarem melhores! Filhos humanos dos hebreus vindos do Egito, Espíritos que – havia séculos – passavam por provações, sem perderem a tendência à murmuração e à rebeldia, que caracterizavam os judeus desde os primórdios da formação de sua nacionalidade, os homens daquela época – ainda quando fossem capazes de receber sem véu a palavra do Redentor – não se submeteriam a ele e, assim, incorreriam em culpa muito maior. Já por aí podeis admirar a providente bondade do Cristo, modelo de doçura e de perseverança, poupando ao merecido castigo o filho rebelde e obstinado, evitando fazer-lhe uma imposição à qual sabia que ele procuraria fugir.  RECEBENDO VELADA A PALAVRA DE JESUS, OS QUE ESTIVESSEM DISPOSTOS A CAMINHAR PARA  A FRENTE PODERIAM – COMO O FIZERAM OS DISCÍPULOS – ESFORÇAR-SE POR LHE DESCOBRIREM O SENTIDO OCULTO. Os que, ao contrário, não quisessem curvar-se ao jugo da Lei, que lhes prescrevia uma reforma por demais pesada para as suas naturezas más, SERIAM CULPADOS APENAS DE INDIFERENÇA, DE NÃO PROCURAREM DEVASSAR OS MISTÉRIOS QUE DE PRONTO NÃO COMPREENDIAM. Dizendo,pois, “não se lhes falará senão por parábolas, para que não se convertam”, Jesus aludia aos que, cedendo a um primeiro impulso, tentariam avançar, mas que, detidos bruscamente pelos seus maus instintos, fariam sem demora um recuo, que lhes viria a ser causa de grande castigo; porquanto, atentai bem, MUITO SERÁ DADO AO QUE JÁ TEM (ISTO É, AQUELE QUE DESEJA PROGREDIR E SE ESFORÇA POR CONSEGUI-LO, DE TODOS OS LADOS RECEBERÁ PROTEÇÃO E AMPARO), AO PASSO QUE, AQUELE QUE POUCO TENHA, MESMO ESSE POUCO LHE SERÁ TIRADO! QUER ISTO DIZER QUE ESTE ÚLTIMO, INDIFERENTE AO QUE LHE FOI DADO, NEGLIGENTE EM GUARDAR O QUE RECEBEU, DEIXARÁ QUE AS MÁS PAIXÕES SE APODEREM DE SUA ALMA EM SÉCULOS DE DOR!



O MISTÉRIO DO REINO DE DEUS

P – Todos estão interessados no conhecimento da parábola do semeador e do mistério do Reino de Deus, a que Jesus se refere.  Pelo CEU da LBV, poderia o Espírito da Verdade esclarecer o assunto?

R – Devendo tornar-se pública a explicação que da parábola Jesus deu em segredo, aos seus discípulos ela só foi divulgada pelas narrações evangélicas como já o tinha sido pelos Apóstolos, mas somente depois de finda a missão terrena do Cristo: SÓ ENTÃO A MASSA POPULAR, PREPARADA POR TODAS AS PALAVRAS QUE ELE PRONUNCIARA E POR TODOS OS ATOS QUE PRATICARA DURANTE AQUELA MISSÃO, ATÉ AO MOMENTO DA SUA CHAMADA “ASCENSÃO”, SE MOSTROU APTA A OUVIR COM PROVEITO DA BOCA DOS APÓSTOLOS E DOS DISCÍPULOS, A EXPLICAÇÃO DE TUDO O QUE DISSERA O MESTRE – EXPLICAÇÃO QUE ERA DADA NA MEDIDA DO QUE ELA PODIA SUPORTAR E DO MODO PELA QUAL O DEVIA SUPORTAR. Efetivamente, só depois de concluída a missão messiânica, a massa popular se mostrou apta a ter conhecimento daqueles atos e palavras pela narrativa evangélica, que na ocasião oportuna se lhe transmitiu. Essa narrativa tinha de ser, sob o império da letra, e foi – tanto naquela época, quanto no presente e será até ao final do ciclo – sob o reinado do espírito, o Livro da Libertação, a fonte de onde jorram, e hão de sempre jorrar, a luz e a verdade – O EVANGELHO COMPLETADO PELO APOCALIPSE DE DEUS, TRAZIDO A TERRA POR JESUS E ESPALHADO PELO ESPÍRITO SANTO, ISTO É, PELOS ESPÍRITOS DO SENHOR EM MISSÃO NO VOSSO PLANETA. Mateus, versículos 11-15: Marcos, 11 12 e 25; Lucas, 10-18 – Aqui tendes agora (despojado da letra, que mata, o espírito, que vivifica) o pensamento de Jesus sem mais incertezas no modo de entender os textos desses versículos. “Dado-vos é conhecer o mistério dos céus – os segredos do Reino de Deus; mas a eles, não: esse conhecimento não lhes é proporcionado senão por parábolas” (Mateus, 11; Marcos, 11; Lucas, 10). Aos Apóstolos e aos discípulos era dado conhecerem o mistério do Reino dos Céus, os segredos do Reino de Deus, porque – sendo seus Espíritos mais elevados que os dos outros homens da época – eles se achavam em condições de espalhar as verdades que Jesus trazia ao mundo. MAS, PARA O FAZEREM, TINHAM DE COMEÇAR POR COMPREENDÊ-LAS, RAZÃO PELA QUAL NÃO LHES FOI DADO SENÃO O QUE PODIAM E DEVIAM SUPORTAR, PARA A MISSÃO QUE LHES CUMPRIA DESEMPENHAR. E, com relação à vossa época, acontece o mesmo. Vossas inteligências progrediram e nós; trazendo-vos a Nova Revelação, com a explicação do mistério do Reino dos Céus, dos segredos do Reino de Deus, vos confiamos a pregação definitiva, para que possais espalhar por todo o mundo este conhecimento. Como ordena o Mestre, ide e pregai, de povoado em povoado, de cidade em cidade, de nação em nação, o Evangelho e o Apocalipse de Deus, dizendo como diziam os Apóstolos: “APRESSAI-VOS, ARREPENDEI-VOS, PORQUE O MOMENTO SE APROXIMA!” As expressões “Reino dos Céus, Reino de Deus”, usadas na parábola do semeador, compõem uma imagem destinada a materializar, por assim dizer, a felicidade dos bem-aventurados. A homens atrasados, que não viam mais do que a matéria, era preciso que se apresentasse UMA FIGURA MATERIAL DA OUTRA VIDA. A RESPEITO DA QUAL NADA PERCEBERIAM, SE LHES FOSSE APRESENTADA EM TODA A SUA ESPIRITUALIDADE. O mistério do Reino dos Céus, os segredos do Reino de Deus eram os meios, desconhecidos até então, de chegar-se àquela felicidade. Antes das revelações feitas por Jesus, os homens não formavam nenhuma idéia clara da outra vida. Por ser muito vaga, a intuição, que tinham, dela, os havia deixado na indiferença, relativamente à existência e à felicidade que poderiam esperar no além-túmulo. Jesus veio levantar o véu e esclarecer as inteligências. Mas, entendei, apenas uma ponta do véu foi levantada; a luz permaneceu velada. CONTINUAMOS HOJE A LEVANTAR O VÉU QUE OCULTAVA TODA A VERDADE, RELATIVAMENTE A VIDA ETERNA. Conquanto ele não tenha sido, ainda, totalmente levantado, já a luz brilha com mais vivo fulgor, com o fulgor que os vossos olhos, tornados mais fortes, já podem suportar. Para todos os homens, porém, tão cedo ainda não poderá brilhar porque não atingiram a idade da razão, a indispensável maturidade espiritual. Mas, também, terão de evoluir, para conhecer o mistério  do Reino de Deus, os segredos do reino dos Céus. Só os conhecerão quando tiverem alcançado a purificação moral, aprendido a conhecer a infinita sabedoria do Criador; quando houverem adquirido a ciência dos elementos e propriedades de ação dos fluidos no que diz respeito à vida e à harmonia universais, debaixo do ponto de vista do Bem, que leva à felicidade, e do mal que, não evitado leva à punição. Como diz o Mestre: - A CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS!



AO QUE TEM E AO QUE NÃO TEM

P – Muito nos interessa entender o sentido destas palavras de Jesus, completando a parábola do semeador: “ Ao que tem mais ainda se dará, em toda a plenitude”. Pelo CEU da LBV pode o Espírito da Verdade transmitir o ensinamento do Cristo de Deus?

R – Sabendo, como sabeis, que o Espírito – ao revestir um invólucro de carne, em vosso mundo – trás consigo o tesouro que pôde acumular nas suas vidas anteriores facilmente compreendereis que ESSE TESOURO MAIS DEPRESSA AUMENTARÁ QUANTO MAIS SÓLIDAS FOREM AS BASES SOBRE AS QUAIS SE CONSTITUI. Aquele que nasce, com o desejo ardente de rapidamente progredir, tudo fará para o conseguir: a luz lhe será tanto mais abundante quanto maior seja o ardor com que deseje vê-la. Por isso, repetimos: MUITO SERÁ DADO AO QUE JÁ TEM, E ELE FICARÁ NA ABUNDÂNCIA: ISTO É, AQUELE QUE QUER PROGREDIR, E SE ESFORÇA POR CONSEGUI-LO, RECEBERÁ AMPARO DE TODOS OS LADOS. “Mas ao que não tem – adverte Jesus – até mesmo o que tem lhe será tirado” (Mateus, 12, Marcos, 25). “E ao que não tem se tirará até mesmo o que ele julgue ter” (Lucas, 18). Estas palavras do Mestre precisam ser entendidas segundo o espírito, jamais segundo a letra. Por isso é que Jesus disse, ao se dirigir aos discípulos e à multidão: “ouça quem tiver ouvidos de ouvir”. O fim com que foram proferidas era tornar mais frisante, para as inteligências humanas, o pensamento de quem as pronunciava. Jesus se exprimiu assim para dar mais força à imagem. Todo espírito encarnado possui alguma coisa. Por pouco que haja progredido, antes de chegar ao vosso planeta, sempre tem algum progresso feito. O pensamento velado do Mestre era este: AQUELE QUE TEM POUCO – SE TIRARÁ MESMO O QUE TENHA; AO QUE NADA TEM, MAS JULGA TER, SE TIRARÁ MESMO O QUE JULGUE TER. Ao que tem pouco se tirará mesmo o que tenha porque, conforme à explicação dada, indiferente, ao que obteve, negligente em guardar o que recebeu deixará que as más paixões dominem sua Alma; que os vícios e males que o oprimirão durante séculos, tomem o lugar das virtudes em cuja posse já estivesse. Efetivamente, DA NEGLIGÊNCIA NA PRÁTICA DO BEM NASCEM AS RAÍZES DO MAL. Quando, por indiferença, recusa alguém socorro ao desgraçado, não é porque seja mau o coração de quem assim procede, mas sim por uma espécie de lassidão de espírito que impede a criatura de atender no Bem que teria podido fazer. Falta, por conseqüência, à caridade ensinada pelo Redentor. AQUELE QUE, VERIFICANDO SER MAU O CAMINHO EM QUE ENTROU, NÃO TRATA – POR INDIFERENÇA – DE SAIR DELE, CAI EM TODOS OS PRINCÍPIOS QUE O MARGEIAM.  Aquele que não é devotado se torna egoísta. O que não é caridoso se torna insensível. O que não é humilde de coração se torna vaidoso e orgulhoso. O que não é obediente à vontade de Deus se torna rebelde às suas Leis Eternas. O MAL NASCE, SEMPRE, DA NEGLIGÊNCIA EM PRATICAR O BEM. O ESPÍRITO NÃO RETROGRADA, MAS PERMANECE ESTACIONÁRIO, O QUE EQUIVALE A UM RETROCESSO, PORQUE ELE É DE ESSÊNCIA ATIVA E PROGRESSIVA. “Ao que tem pouco – se tirará mesmo o que tenha”. Aquele que não entesoura; que, ao começar a sua vida humana pouco traz das vidas anteriores, enlanguesce cada vez mais. NENHUM DESEJO NUTRE DE PROGREDIR E, COMO NADA ADQUIRE PELO SEU ESFORÇO, FINALMENTE TUDO PERDE, PORQUE, PARA O ESPÍRITO, ESTACIONAR SE TORNA, AO CABO DE ALGUM TEMPO, FONTE DE DORES E DE REMORSOS. Tendes, por destino, progredir sem cessar, caminhar para a frente e para o alto. Pedi, pedi sempre, mas com humildade, desinteressadamente, sem outro objetivo que não seja o amor a Deus e ao próximo, sem outro desejo que não o de progredir moral e intelectualmente, de trabalhar para o Senhor, auxiliando o progresso de vossos irmãos! Pedi, pois que, quanto mais pedirdes TANTO MAIS VOS SERÁ CONCEDIDO PELO PAI CELESTIAL; QUANTO MAIS VOS ESFORÇARDES MENORES SERÃO AS DIFICULDADES. É  NESTE SENTIDO QUE MAIS SE DÁ AO QUE JÁ TEM E, DE CERTO MODO, SE TIRA AQUELE QUE NADA TEM, MELHOR FALANDO: ESTE É QUE TIRA DE SI MESMO, PORQUE A FALTA DE PROGRESSO REPRESENTA, PARA O ESPÍRITO, PERDA CEM VEZES MAIOR DO QUE, PARA O USUÁRIO, A DO SEU TESOURO MATERIAL PERECÍVEL. “e àquele que nada tem, mas que julga ter, se tirará mesmo o que julgue ter”. Por estas palavras, queria Jesus combater o orgulho inato nos homens, os quais por pouco que valham – se atribuem um valor fictício, muito acima do seu valor real. Depois da morte, o Espírito, ao fim de certo tempo, vê claramente o que é e o que vale. O orgulho considerado do ponto de vista dos obstáculos que opôs ao seu progresso, e das faltas a que o arrastou, se lhe torna, então, uma fonte de dores e de remorsos. É TAMBÉM NESTE SENTIDO QUE AO QUE NADA TEM, MAS JULGA TER, SE TIRA, DE CERTO MODO, O QUE JULGUE TER OU ANTES: É ELE PRÓPRIO QUE TIRA DE SI, AOS GOLPES INEXORÁVEIS NA EXPIAÇÃO, POIS CADA UM COLHE EXATAMENTE O QUE SEMEIA!



MUITOS OS CHAMADOS, POUCOS OS ESCOLHIDOS

P – O capítulo em estudo empolga a todos os componentes da nossa Cruzada do Novo Mandamento no Lar. Querem saber o verdadeiro sentido destes versículos: Mateus, 13, 14 e 15; Marcos, 12 e 22, Lucas, 10. Como os interpreta, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Vamos reler esses versículos: “Eis porque lhes falo por parábolas; é que, vendo, eles não vêem; ouvindo, não ouvem nem compreendem. Com relação a eles se cumpriu esta profecia de Isaías: “escutareis com os ouvidos e não entendereis; olhareis com os olhos e não vereis”. O coração deste povo se embotou, os ouvidos se lhe tornaram surdos e os olhos se lhe fecharam, para que não veja com os olhos, não ouça com os ouvidos, não compreenda com o coração e, não se convertendo não seja curado por mim”. (Evangelho segundo Mateus, 13, 14 e 15). Mas, para os que são de fora, tudo se faz por parábola, a fim de que, vendo, não vejam; ouvindo não ouçam nem compreendam; para que não se convertam e os pecados lhe sejam perdoados. (Evangelho segundo Marcos, 12 e 22). Mas, aos outros, só por parábolas se lhes fala do reino de Deus, a fim de que, tendo olhos não vejam e, tendo ouvidos, não compreendam. (Evangelho segundo Lucas, 10) – A interpretação dessas palavras de Jesus, foi falseada pela significação dos vossos vocábulos, bem como pelas traduções e repetições. Vamos dar-vos, sem a menor incerteza quanto a inteligência dos textos, O PENSAMENTO DO MESTRE E O SENTIDO DAS SUAS PROPOSIÇÕES. Repetindo-o, dizemos: “Ouça quem tiver ouvido de ouvir!” Ora, suas afirmações, compreendidas EM ESPÍRITO E VERDADE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO, não poderiam desmentir – como não desmentem – os atos de toda a sua vida, toda por humana pelos homens. Para o Cristo, pastor das almas transviadas, os homens daquela época se assemelhavam a frutos verdes que, expostos aos raios de um sol demasiado, ardente, secam – em vez de amadurecer – razão por que o pomareiro trata de abriga-los dos ardores solares, a fim de que tenham tempo de desenvolver-se. Chegados ao ponto de maturação, o sol – a que, com arte, foram subtraídos acabará de dourá-los com seus raios benéficos. MUITOS SÃO OS CHAMADOS E POUCOS OS ESCOLHIDOS, disse Jesus, mas nunca no sentido que deu a essas palavras a igreja humana, isto é, NÃO NO SENTIDO DE QUE O MESTRE ATRAIU TODOS OS HOMENS PARA JUNTO DE SI, COM O FIM DE ESCOLHER UM PEQUENO NÚMERO DELES E DEIXAR QUE OS RESTANTES, EM GRANDES MASSAS, FOSSEM LEVADOS PARA ESSAS REGIÕES ONDE SÓ SE OUVEM PRANTO E RANGER DE DENTES! Ao contrário, os homens, frutos verdes e duros, se aproximavam do sol benfazejo, que os havia de madurar e desenvolver e que para consegui-lo – atenuava o seu brilho e o seu calor. Porventura falais a uma criança como falais a um homem? Podeis explicar à criança as questões morais e filosóficas que lhe fareis compreender ao chegar aos vinte anos? Evidentemente, não. À criança falais de modo apropriado à sua inteligência que desponta deixando-lhe, contudo, entrever que mais tarde – lhe direis muitas outras coisas, fazendo-lhe ver que a sua pouca idade a torna incapaz de apreender um raciocínio. SERÁ QUE PROCEDEIS ASSIM COM O PROPÓSITO DE LHE RETARDAR O DESENVOLVIMENTO? Será porque, uma vez homem, este seja incapaz de se instruir e compreender? Claro que não. É que o fruto está verde e por isso o protegeis da luz e do calor, temendo que o excesso destes dois princípios benéficos, atuando muito cedo, o esmole em vez de o fortificar. JESUS, QUE ERA A BONDADE POR EXCELÊNCIA, NÃO PODIA – BEM O PODEIS COMPREENDER – PRIVAR VOLUNTARIAMENTE AS CRIATURAS HUMANAS DA SALVAÇÃO QUE ELE MESMO LHES TRAZIA! Pelo contrário, para não arrasta-las à prática de faltas, deixava sempre aos Espíritos indolentes o recurso de não lhe compreenderem as palavras. Assim, as que constam dos versículos acima – no Evangelho segundo Mateus, Marcos e Lucas – NÃO DEVEM SER ENCARADAS SENÃO COMO FORMA DE FALAR ÀS INTELIGÊNCIAS DOS HOMENS DAQUELE TEMPO.



QUEM PARA – RECUA E CAI

P – A explicação dos versículos de Mateus, Marcos e Lucas, no ponto em exame, a todos satisfez plenamente. Agora, eles perguntam ao Espírito da Verdade – como reagiram os Apóstolos?

R – Os Apóstolos ficaram surpreendidos ante aquela linguagem velada, que se lhes afigurava confusa e procuraram a explicação do fato. A Jesus, porém, não era dado patentear-lhes o motivo porque assim procedia, UMA VEZ QUE, TENDO TAMBÉM ELES DE SER INSTRUMENTOS DA OBRA DE REGENERAÇÃO, SÓ RECEBIAM O QUE PODIAM E DEVIAM SUPORTAR NO MOMENTO, PARA O BOM EXITO DA MESMA OBRA REDENTORA, MEDIANTE O DESEMPENHO DE SUAS MISSÕES, NO MEIO QUE LHES ESTAVA PREPARADO. Assim sendo, Jesus lhes deu uma razão capaz de satisfaze-los, de os mover à piedade para com os que ele, intencionalmente, deixava na obscuridade da parábola, e de lhes insuflar o mais ardente amor e o mais vivo reconhecimento para com aqueles que os escolhera, a fim de os iniciar nos “mistérios do Reino de Deus”. É evidente que QUEM VIERA PARA ENSINAR AOS HOMENS A EXPIAÇÃO DE SUAS FALTAS, DIANTE DA LEI DIVINA, NÃO IRIA VOLUNTARIAMENTE OBSTAR A QUE OS CULPADOS OBTIVESSEM O PERDÃO DE SEUS PECADOS MAS, ONDE NÃO HOUVER ARREPENDIMENTO, NÃO PODE HAVER REMISSÃO DE FALTAS. O Mestre, prevendo as recaídas, evitara incorressem nas faltas mais graves os que, num ímpeto ardoroso e irrefletido entrassem pelo novo caminho que se lhes abria. De fato, esses – embora aos olhos dos homens parecessem merecer a remissão de seus pecados – em faltas mais graves incorreriam porque – NÃO TENDO CONSISTÊNCIA NEM FUNDO A SUA NOVA CRENÇA – de pronto cairiam em estado pior que o precedente, tornando-se merecedores de mais severo castigo. Entendei, portanto: Jesus cuidava de lhes poupar mais duras reprimendas. Com a sua caridosa previdência, poupava aos rebeldes as probabilidades de queda e, aos ingratos impedernidos, ensejo de praticarem novas ingratidões. Como podeis imaginar, os “milagres” que o Cristo operava nos doentes exerciam grande influência nos Espíritos. Muitos, porém, dos que no momento ficavam impressionados se apegavam apenas ao ato material; e, assim como os homens pouco reconhecidos se mostram ao hábil cirurgião que os livrou de um mal perigoso, TAMBÉM OS DOENTES CURADOS PELO MÉDICO DAS ALMAS DEPRESSA ESQUECEU OS SOCORROS MORAIS E MATERIAIS QUE DELE RECEBIAM. Jesus, por isso, evitava os “milagres” e usava de linguagem velada, sempre que falava onde sabia que suas palavras e seus atos não dariam frutos, tal a esterilidade da terra, capaz unicamente de produzir flores efêmeras. Espiritualmente, acontece a mesma coisa. O Espírito encarnado que contorna a luz, sem procurar aproximar-se dela, será punido apenas pela sua indiferença. Mas aquele que, ATRAÍDO PELO CLARÃO DA VERDADE, COMEÇA A SE ESCLARECER E DEPOIS FECHA OS OLHOS E RECUA, TERÁ DE EXPIAR A SUA INCONSTÂNCIA E A TRAIÇÃO QUE PRATICOU CONTRA SI MESMO. Não é que o Senhor lhe faça cair sobre a cabeça, especialmente, o peso da sua Justiça. Ele expiará pelos remorsos, pela incessante visão do Bem que teria feito, do progresso que teria realizado, os quais brilharão sempre aos seus olhos, como a presa que foge no momento em que vai ser agarrada. Já o dissemos e agora repetimos: A NINGUÉM É LÍCITO RECUAR, UMA VEZ QUE ENTRASTES NO CAMINHO CERTO – O CRISTIANISMO DO CRISTO – TENDES DE AVANÇAR CONSTANTEMENTE, ESTENDENDO AS MÃOS PARA A DIREITA E PARA A ESQUERDA, A FIM DE LEVARDES CONVOSCO AQUELES QUE NÃO POSSAM IR SOZINHOS, ASSIM PROCEDEI COM REFLEXÃO E PRUDÊNCIA, DZENDO SEMPRE AOS QUE DESEJEM SEGUIR-VOS – TEMOS DE CAMINHAR SEMPRE PARA FRENTE; QUEM PARA – RECUA, E QUEM RECUA – CAI!



A PALAVRA DO REINO

P – Nossas atenções se voltam, agora, para o Evangelho segundo Mateus, versículos 16 e 17, e segundo Lucas, 23 e 24. Também nos interessa muito a explicação dos versículos 18 e 19 de Mateus, 15 de Marcos e 12 do capítulo VIII de Lucas. Como os interpreta o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Disse Jesus. “Bem-aventurados os vossos olhos porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem! Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram: ouvir que hoje ouvis e não ouviram!” Dizendo tais palavras, Jesus aludia ao Espírito encarnado. OS PROFETAS E OS JUSTOS DE QUEM ELE FALA PREVIAM A VINDA DO CRISTO: FELIZES TERIAM SIDO SE ELA SE HOUVESSE VERIFICADO DURANTE O TEMPO DA ENCARNAÇÃO DE TODOS ELES. E prossegue o Mestre na parábola do semeador: “O caminho a cuja margem a semente caiu são aqueles que ouvem a Palavra do Reino e não compreendem, que a escutam e de cujo coração – mal a têm escutado – satanás a vem arrancar, pelo temor de que esses, crendo, se salvem”. “A Palavra do Reino significa: os ensinamentos dados pelo Cristo, para que os homens aprendessem a merecer o reino do céu. Embora não fosse o próprio Deus, ele podia dizer que personificava A PALAVRA DO REINO, por ser de Deus o órgão que se fizera carne (no entender dos homens, que o julgavam encarnado, como eles, num invólucro corporal humano), mas que, na realidade, se fizera carne ENCARNANDO APENAS NUM PERISPÍRITO TANGÍVEL, NUM CORPO PERISPIRÍTICO INCORRUPTÍVEL. Quanto às expressões Satanás, Diabo, Maligno, sinônimas como sabeis, eram empregadas para exprimir a mesma coisa: designam figuradamente, de modo emblemático ou simbólico, os Espíritos maus, Espíritos de erro e de mentira, espíritos inferiores, impuros, levianos ou perversos. Falando do Maligno, que arranca do coração do homem. A Palavra do Reino PELO TEMOR DE QUE, ACREDITANDO, O HOMEM SE SALVE, referia-se o Mestre aos espíritos maus que se congregam em torno dos que não lhes resistem e procuram impedi-los de sair da situação precária em que se encontram. A crença humana em Satanás, ou Diabo, com seu inferno eterno, se originou da necessidade de materializar os símbolos a fim de os tornar perceptíveis à matéria; foi um freio, um meio de infundir terror (às vezes, salutar), durante os séculos que se seguiram à ascensão do Cristo. COMO IMPEDIR QUE O HOMEM MODIFIQUE A VERDADE AO SABOR DE SUAS CONVENIÊNCIAS E NECESSIDADES? COMO IMPEDIR QUE O HOMEM EXPLORE O HOMEM? COMO IMPEDIR QUE O INTELIGENTE DOMINE O SIMPLÓRIO QUE O FORTE ESMAGUE O FRACO E QUE, PARA CONSEGUI-LO EMPREGUE TODOS OS MEIOS AO SEU ALCANCE? Qual o freio mais próprio do que o temor, para ser usado naquela época de ignorância e de barbárie, em que teve início o reinado de Lúcifer? Esse temor era o meio de que lançava mão a igreja humana, tanto contra o forte quanto contra o fraco; era um jugo que se aplicava igualmente a todas as frontes para domar todas as naturezas. Não reproveis com excesso: o que na Antigüidade , se passou com os hebreus de dura cerviz (e depois convosco) tinha de ser assim. Impotentes teriam sido, então, a Lei de Amor e Caridade que hoje vos pregamos, a Lei da Reencarnação, natural e imutável, que vos revelamos sem véu, em seu princípio e nas suas conseqüências; leis que – pela reparação, pela expiação e pelo progresso – vos mostram o caminho que tendes de percorrer para entrardes, purificados no Reino do Céu. AO FOGO DAS PAIXÕES HUMANAS FOI PRECISO CONTRAPOR UM FOGO AINDA MAIS ARDENTE, CAPAZ DE ABALAR AQUELES HOMENS DE CORAÇÃO EMPEDERNIDO, OS QUAIS, SEM ISSO, SE TERIAM ESTRANGULADO UNS AOS OUTROS DESAPIEDADAMENTE!  O que se deu, portanto, tinha de se dar. A fonte era boa, mas o homem se turvou, e o lodo das paixões humanas continuou a escurecê-la. Hoje, pela Nova Revelação, restituímos ao manancial a sua limpidez de outrora; e a fonte da vida, em vez de se despenhar sobre pedras que seriam arrastadas pela torrente, vai deslizar tranqüila e clara por sobre dourado saibro que lhe formará o leito. Nada mais dos vãos temores, todavia úteis naqueles bárbaros tempos! A Unificação das Revelações do Cristo de Deus proclama: - Abaixo a exploração do homem pelo homem! O ignorante deixará de ser presa do instruído, porque a Verdade tem de se universalizar. O forte não mais esmagará o fraco, porque a força do primeiro não servirá senão para amparar o segundo. O poderoso não pisará mais a fronte do pequenino, porque, ao contrário, se abaixará – cheio de solicitude – para tomar o outro nos braços e ajudá-lo a erguer a cabeça para o céu! CADA SÉCULO TEM TIDO SUAS CRIAÇÕES, DESTINADAS TODAS AO PROGRESSO DA HUMANIDADE.



AS TENTAÇÕES E OS DESERTORES

P – Todos estão maravilhados com a explicação da parábola do semeador. Querem, agora, a parte final, que se refere aos que desertam e aos que perseveram. Poderia instruí-los, a respeito, o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – É o que lemos no Evangelho segundo Mateus versículos 20 e 21, segundo Marcos 16 e 17: Lucas 13. Disse Jesus: “O que sucede à semente que cai em terreno pedregoso, onde há pouca terra, é o que se dá com aquele que ouve a palavra e a recebe com mostras de alegria, no primeiro momento; não tendo ela, porém, raízes em seus corações, estes só crêem por pouco tempo, sobrevindo as tentações, retrocedem e, em chegando as tribulações e perseguições, logo se escandalizam”. Os que, sobrevindo as tentações, se afastam, recuam e desertam, são os que cedem desde que se lhes apresente ocasião de reincidirem nos seus antigos transviamentos, tornando-se rebeldes e surdos à Palavra de Deus, deixando-se levar de novo pela corrente de seus erros e faltas, influenciados pelos maus Espíritos, QUE SEUS MAUS PENDORES ATRAEM E AOS QUAIS NÃO SABEM RESISTIR. Os que logo se escandalizam, quando chegam às perseguições e tribulações por causa da Palavra, são os que, baldos de energia, se impressionam ou amedrontam e, finalmente, desertam. Ora, com relação aos Apóstolos, Jesus aludia às tribulações e perseguições morais e físicas. Com relação a vós outros, CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO, AS TRIBULAÇÕES E PERSEGUIÇOES SÃO PRINCIPALMENTE DE ORDEM MORAL, A COMEÇAR PELA CAMPANHA DE RIDÍCULO. Tais perseguições e tribulações são, ainda, os mil obstáculos que se vos opõem, e se vos oporão, por mais algum tempo. Vem próximo o momento das contrariedades sérias para a Humanidade. As Igrejas humanas e seus sectários se elevarão como barreira, para vos deterem a marcha! Barreira que será tanto mais temível quanto parecerá que some à vossa aproximação, para logo adiante se erguer ainda mais ameaçadora. Vãos, porém serão os seus esforços! CONTRA ELAS MESMAS SE VOLTARÁ O RIDÍCULO DE QUE FAZEM ARMA PARA VOS CONBATER, SOBRE ELAS RECAIRÁ O ANÁTEMA QUE LANÇARÃO CONTRA VÓS, BREVE ESTÁ O DIA EM QUE AS VEREIS – HUMILHADAS ANTE A INUTILIDADE DOS SEUS ESFORÇOS – ABRIR-VOS AS PORTAS E PEDIR-VOS A LUZ QUE HOJE TENTAM ABAFAR EM TREVAS! É destas pequenas oposições que se amedrontam os que como aqueles mornos do Apocalipse, não ousam afrontar a opinião pública, quando a sentem contrária, e fraquejam na guerra de família que se vem travando – e cada vez mais feroz se travará – e que nos faz dizer-vos como Jesus: - Não vos trazemos a paz, e sim a divisão. Não se tornem pedra de escândalo, portanto, os que se encontram às voltas com essas oposições domésticas! E não abandonem a pugna, se não querem perder a parada! PARA VÓS, A PARADA É A PAZ, É O PROGRESSO, É UM ADEUS DEFINITIVO AS MISÉRIAS DO VOSSO MUNDO. Por isso mesmo, não abandoneis a luta! Oponde a Boa Vontade aos ataques íntimos; a razão, a firmeza e a dignidade aos ataques exteriores! Tende por divisa: paciência e resignação ante os desígnios de Deus! Sustentados pela Fé, vencereis todos os obstáculos que vos criem as forças das trevas. Sob os vossos passos eles se desmancharão como montículos de areia. CORAGEM, IRMÃOS BEM – AMADOS! E NÃO VOS ESCANDALIZEIS, POIS NÃO TENDES O DIREITO DE DESERTAR!



OS ESPINHEIROS E A TERRA BOA

P – Para encerrar o estudo do capítulo em pauta, tão edificante para todos nós, queremos a explicação dos versículos 18 de Mateus e 14 de Lucas; e, ainda, 23 de Mateus, 20 de Marcos e 15 de Lucas. É o arremate, ótimo e perfeito, da parábola do Semeador. Como os interpreta o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Disse o Mestre: “O grão semeado entre os espinheiros representa aquele que ouve a Palavra de Deus mas deixa que os cuidados do mundo, as preocupações, a ilusão das riquezas, os prazeres da vida e as outras paixões a abafem e impeçam de dar frutos”. Aqueles em quem, desse modo, a Palavra de Deus é abafada e não dá frutos são os que tudo sacrificam aos instintos e apetites materiais, QUE DÃO CAUSA A PREDOMINÂNCIA DA MATÉRIA SOBRE O ESPÍRITO OU, MESMO, A ESCRAVIZAÇÃO DO ESPÍRITO A MATÉRIA. “Os que são designados pela terra boa onde é semeada e cai uma parte dos grãos, são os que escutam a Palavra de Deus, e a compreendem e aceitam, pondo-a em prática e fazendo-a germinar pela paciência e frutificar na proporção de cem, de sessenta e de trinta por um”. A terra boa são os que, de conformidade com o seu desenvolvimento moral e intelectual, TUDO FAZEM PARA POR EM PRÁTICA A PALAVRA DE DEUS, SEMEADA PRIMEIRO PELO CRISTO E, DEPOIS, PELO ESPÍRITO DA VERDADE.  São os que a fazem germinar pela paciência, isto é, são os que tendo maus pendores a combater, se aplicam, com toda a perseverança, em os extirpar e substituir pela boa semente. A Lei de Amor é isenta de egoísmo. Jesus pregava às multidões, para que suas palavras fossem ouvidas e penetrassem na terra fértil. DO MESMO MODO VÓS OUTROS – NOVOS DISCÍPULOS DO MESTRE – DEVEIS HOJE ELEVAR A VOSSA VOZ, SEMPRE QUE PUDERDES ESPERAR QUE ELA SEJA OUVIDA: O GRÃO PRODUZIDO PELA SEMENTE LANÇADA EM TERRA BOA TEM DE SER, POR SUA VEZ, SEMEADO PARA PRODUZIR A BENDITA COLHEITA DA SALVAÇÃO DAS ALMAS, HAVERÁ COISA MAIS BELA DO QUE SALVAR ALMAS PARA DEUS? PORTANTO, IDE E PREGAI, PORQUE O MESTRE SEGUE A VOSSA FRENTE, COM PALAVRAS E EXEMPLOS!





A PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO

P – Uma passagem que desejamos ver explicada é a do joio semeado entre o trigo. Como a interpreta, pelo CEU da LBV o Espírito da Verdade?

R – Evangelho segundo Mateus, XIII: 24-30.

24 – E Jesus lhes propôs outra parábola, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou bom grão no seu campo. 25 – Enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo e se foi embora. 26 – A plantação do homem germinou, cresceu e deu espigas, mas com ela cresceu também o joio. 27 – Os servos do pai de família vieram dizer-lhe: – Senhor, não semeastes bom grão no vosso campo? Como é que nele há joio? 28 – Respondeu: - Foi o inimigo quem o semeou. Os servos lhe perguntaram: - Quereis que vamos arrancá-lo? 29 – Ele replicou: - Não, pois receio que, arrancando o joio, arranqueis ao mesmo tempo o trigo. 30 – Deixai que ambos cresçam juntos, até à ceifa. Quando chegar a hora de ceifar, direi aos ceifeiros: – Arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes, para ser queimado: mas o trigo recolhei-o no meu celeiro.”

Os Espíritos não se acham todos no mesmo grau de desenvolvimento. Entre vós, uns são elevados, enquanto outros se encontram no início das suas provações morais. Diante disso, seria cabível que – para se operar a renovação da vossa geração espiritual – se condenasse toda a geração material a perecer num novo dilúvio, semelhante ao de que falam os antigos? Não. O joio cresce ao lado do bom grão DEPOIS EM CADA COLHEITA, O JOIO, PARA SE PURIFICAR, É LANÇADO AO FOGO DA EXPIAÇÃO, AO MESMO TEMPO QUE O BOM GRÃO É GUARDADO NOS CELEIROS DO SENHOR. Não vos equivoqueis quanto ao sentido das nossas palavras, ao falarmos do dilúvio tal como é figurado. Quisemos, tão somente, apresentar-vos à inteligência a idéia de uma calamidade geral. Se o dilúvio se houvesse produzido nas condições em que o narram as tradições humanas, não teríamos dito “semelhante ao de que falam os antigos”. Não, não houve dilúvio no sentido de cataclismo completo: houve renovamentos parciais. As transformações sucessivas, por que a Terra tem passado, desde que saiu do estado de fluidez incandescente até aos vossos dias, são A OBRA DE PREPARAÇÃO E DE PROGRESSO GRADUAIS DOS REINOS MINERAL, VEGETAL, ANIMAL E HOMINAL, À QUAL SE SEGUIRÁ, NATURALMENTE, A OBRA DE DEPURAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DOS FLUIDOS PLANETÁRIOS – MINERAIS, VEGETAIS, ANIMAIS E HUMANOS. Os elementos tem que mudar de natureza em cada nova fase que a Humanidade atravessa. As matérias se depuram e progridem sob a ação espiritual, e o solo tem de satisfazer às necessidades das gerações humanas que o habitam. As expressões “o inimigo” e “o inimigo do pai de família”, indicando aquele que semeou o joio, eram as que estavam ao alcance dos homens a quem Jesus se dirigia. Não se fazia mister compreenderem o que o Mestre lhes dizia? O Cristo, servindo-se delas, aludia às inteligências do mal, encarnadas ou não, que trabalham por destruir no coração do homem as sementes que os Bons Espíritos aí lançaram. MAS O JOIO PODE CRESCER AO LADO DO BOM GRÃO, PORQUE ESTE, OU SEJA – O CORAÇÃO PURO, REPELE A SEMENTE MÁ. O CONTATO COM ESTA, PORTANTO, NENHUM PREJUÍZO LHE ACARRETA. À pergunta dos servos: “Quereis que vamos arrancar o joio?” Respondeu o pai de família: “Não, pois receio que, arrancando o joio, arranqueis ao mesmo tempo o trigo”. Ao compor este ponto da parábola, teve Jesus em mira refrear o zelo dos Apóstolos que, levados pelo desejo de fazer progredir a Humanidade, poderiam ir longe demais. À força de quererem reprimir os abusos, poderiam chegar ao extremo de constranger os homens retos e, até, de os afastar. Nesse particular, dava ele, ainda, um ensinamento para o futuro. No ensinar as Verdades Eternas, toda a ciência está em apropriá-las às inteligências que as tenham de receber. Não sendo assim um por exemplo, que teria aceitado a Moral Cristã, se lhe fosse apresentada sob aspecto condizente com o seu ponto de vista, dela se afasta e a rejeita, quer ofuscado pela intensidade da luz que a envolve, quer atemorizado com as grandes dificuldades que ela lhe deixa antever. A ceifa, de que fala a parábola se dá na ocasião em que os Espíritos voltam à sua condição de origem, isto é, AO ESTADO DE ESPÍRITOS, DESPOJADOS DE SEUS CORPOS MATERIAIS REGRESSANDO AO MUNDO ESPIRITUAL. ELES O FAZEM – OU NO ESTADO DE JOIO QUE TEM DE SER QUEIMADO, OU NO ESTADO DE BOM GRÃO, QUE SERÁ RECOLHIDO AO CELEIRO DO PAI DE FAMÍLIA. Verifica-se a primeira hipótese quando vão sofrer, na erraticidade, a expiação, a depuração pelo fogo das torturas morais e, depois, a reencarnação em mundos inferiores ao vosso, ou mesmo no vosso, conforme as tendências e à culpabilidade para o fim de resgatarem as faltas e de progredirem mediante novas provações. A segunda hipótese se verifica, evidentemente, quando merecem ir para outros mundos superiores à Terra, onde continuarão a se aperfeiçoar e a progredir. Encarada por este duplo aspecto, a ceifa já foi, está sendo e será feita ainda durante longo tempo. Por outro lado, considerada destes dois pontos de vista, A ÉPOCA DA CEIFA DEFINITIVA SERÁ COM RELAÇÃO AO VOSSO PLANETA. AQUELA EM QUE AO JOIO, NÃO MAIS SE PERMITA CRESCER AÍ AO LADO DO TRIGO, EM QUE O PRIMEIRO SERÁ ARRANCADO E LANÇADO FORA PELA EXPULSÃO DE TODOS OS ESPIRITOS QUE SE TENHAM CONSERVADO CULPOSOS E REBELDES. Estes se verão compelidos a afastar-se para mundos inferiores, desde que na Terra só deva crescer o trigo, isto é, desde que ela tenha passado a fazer parte do Reino de Deus, o que vale dizer: desde que se haja tornado exclusivamente, morada de Bons Espíritos. Os ceifeiros, no caso são os Espíritos Superiores, aos quais incumbe velar pelas expiações dos culpados na erraticidade, e classificar os que, por terem cumprido suas provas, mereceram ascender a orbes mais elevados que o vosso.





A PARÁBOLA DO GRÃO DE MOSTARDA

P – O interesse pelas parábolas, explicadas em espírito e verdade, cresceu de forma impressionante em nosso Posto Familiar. Todos querem compreender, agora, a do grão de mostarda. Como a interpreta o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Harmonizemos Mateus, XIII: 31-35; Marcos, IV: 26-34; Lucas, XIII: 18-22.

MATEUS: 31 – Jesus lhes propôs outra parábola, dizendo: “O reino dos céus se assemelha ao grão de mostarda, que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 – Esse grão, que é a menor de todas as sementes, quando cresce, torna-se planta maior do que todas as outras; torna-se árvore em cujos ramos os pássaros do céu vêm habitar”. 33 – E lhes disse, também, esta outra parábola: “O reino dos céus se assemelha ao fermento que uma mulher toma e mistura com três medidas de farinha, até que a massa fique inteiramente levedada”. Jesus disse, por parábolas todas essas coisas à multidão; não lhes falava sem parábolas, 35 – a fim de se cumprirem estas palavras do profeta: “Eu abrirei minha boca para falar por parábolas, revelarei coisas que estão ocultas desde a formação do mundo”.

MARCOS: 26 – E Jesus dizia: “O reino de Deus é semelhante a um homem que lança à terra a semente. 27 – Quer o homem durma, quer vigie noite e dia, a semente germina e cresce, sem que ele saiba como; 28 – pois a terra, por si mesma, produz primeiro a erva, depois a espiga e, afinal, o grão que cobre a espiga. 29 – E, quando o fruto já está maduro, logo se lhe mete a foice, pois é esse o momento da ceifa.” 30 – Disse mais Jesus: “A que podemos comparar o reino de Deus? Por que parábola o representaremos? 31 – Ele se assemelha a um grão de mostarda que, ao ser semeado, é a menor de todas as sementes que existem na terra. 32 – Mas, uma vez semeada, ela cresce e se torna maior do que todos os arbustos; deita grandes ramos a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra”. 33 – E assim lhes falava por muitas parábolas, de acordo com o que eles podiam entender. 34 – Não lhes falava senão por parábolas; mas a sós com os discípulos, tudo lhes explicava.

LUCAS: 18 – Dizia Jesus: “A que é semelhante o reino dos céus? Como que o poderei comparar? 19 – Assemelha-se ao grão de mostarda, que o homem toma e planta no seu horto; ele germina, cresce e se torna árvore em cujos ramos pousam os pássaros do céu”. 20 – E disse mais: “A que poderei comparar o reino de Deus? 21 – Ele se assemelha ao fermento que uma mulher toma e mistura com três medidas de farinha até que a massa fique completamente levedada” 22 – E assim ia ensinando pelas cidades e aldeias a caminho de Jerusalém.

Assemelhando e comparando o reino dos céus ao grão de mostarda, Jesus mostrava à multidão que, POR MÍNIMO QUE SEJA O PONTO DE ONDE SE PARTA PARA CHEGAR AO CÉU, ELE SE PODE DESENVOLVER E PRODUZIR RESULTADOS GRANDIOSOS. Esses o objetivo e a razão de ser da parábola do grão de mostarda, aplicada à época em que Jesus falava. Seu pensamento, porém, abrangia o presente e o futuro. Libertando da letra, que mata, o espírito, que vivifica, ela comporta uma explicação mais ampla. A comparação do reino dos céus com um grão de mostarda, que se torna árvore grande, em cujos os ramos os pássaros do céu vêm habitar, encerra uma figura alegórica: o grão de mostarda representa o ponto de partida, a origem, o germe do planeta e da Humanidade terrestre, o estado rudimentar de um e de outra; o crescimento oculto do grão, sua afloração, seu desenvolvimento e sua transformação em árvore simbolizam as fases por que passou, no estado latente, o vosso planeta durante a sua formação, que se operou de acordo com as Leis Naturais Imutáveis, sob a ação espiritual do Senhor Onipotente: simbolizam as fases da formação dos reinos mineral, vegetal, animal e humano, as do aparecimento, desenvolvimento e progresso desses reinos, as de depuração e transformação física do planeta e de transformação física, moral e intelectual da Humanidade. OS RAMOS DA ÁRVORE, ONDE OS PÁSSAROS DO CÉU VIRÃO HABITAR, INDICAM O GRAU DE DESENVOLVIMENTO QUE O PLANETA TEM DE ATINGIR PARA SE TORNAR MORADA DE PAZ E FELICIDADE, QUE OS ESPÍRITOS PURIFICADOS VIRÃO HABITAR PARA COM ELA CONTINUAREM A PROGREDIR POR UM NOVO CAMINHO ASCENDENTE QUE OS LEVARÁ À PERFEIÇÃO, MEDIANTE O CONCURSO E O AUXÍLIO DOS ESPÍRITOS DO SENHOR, SOB A DIREÇÃO DO CRISTO DE DEUS.

A PARÁBOLA DA MASSA FERMENTADA

P – Disse Jesus: “O reino dos céus se assemelha ao fermento que uma mulher toma e mistura com três medidas de farinha, até que a massa fique inteiramente levedada”. Como explica essa parábola o Espírito da Verdade pelo CEU da LBV?

R – Formulando essa parábola, figurou Jesus, para que todos ali o compreendessem, O TRABALHO SECRETO, MAS PERMANENTE, DA SEMENTE REGENERADORA QUE O MESTRE LANÇAVA NOS CORAÇÕES HUMANOS.  Os séculos a desenvolveram, mas – na maioria dos homens – ela apenas aflora. Longe estais ainda da época em que essa semente, como o grão de mostarda se tornará árvore em cujos galhos frondosos se abrigarão os fiéis. Precisando, na parábola, o número de medidas de farinha a serem misturadas com o fermento. Jesus só o fez para apropriar sua linguagem aos costumes da época. Aquela quantidade de farinha era a que as donas de casa levedavam de cada vez. Livrando da letra o espírito imortal o Reino de Deus – que nela é comparado ao fermento com que se leveda a massa de farinha – representa AQUELA SEMENTE QUE, PELA SUA DOUTRINA MORAL PELOS SEUS ATOS, PALAVRAS E ENSINAMENTOS, JESUS LANÇOU NOS CORAÇÕES E QUE, POR UM TRABALHO SECRETO E CONTÍNUO, NO PASSADO (TRABALHO QUE NO PRESENTE VIMOS ATIVAR COM A NOVA REVELAÇÃO E QUE TRIUNFARÁ NO FUTURO PRÓXIMO), ELEVARÁ O ESPÍRITO, FAZENDO-O ATINGIR A PERFEIÇÃO, GRAÇAS AO QUAL LHE SERÁ DADO GOZAR DA FELICIDADE DIVINA, ONDE QUER QUE SEJA. A levedação da massa representa a meta que estará alcançada pelo Espírito, quando tiver alcançado aquela pureza. Todos vós tendes no coração a levedura que o Senhor nele depositou. Esperamos que a fermentação que provocamos e ativamos na medida do que nos é prescrito, faça chegar à levedação da massa ao ponto que deve atingir. O fermento ainda se encontra na massa, e muito tempo passará até que ela fique inteiramente levedada. Como dizia Jesus, dizemos nós: nossas palavras não passarão. Mas as gerações humanas se sucederão em grande número, antes que o fermento acabe de levedar a massa. Regular tem de ser a marcha do progresso daqui por diante, como regular foi até aqui idêntica – embora inversa – à da bola que desce da montanha. De fato, enquanto a bola desce, o progresso inversamente galga a montanha. Seus passos são, a princípio, lentos e penosos; mas pouco a pouco, vencidas as primeiras dificuldades, ele abre passagem mais facilmente e acaba por descobrir cavado na rocha, o carreiro que o conduzirá ao cimo. Desde então acelera a marcha e, aos saltos, como cabrito que caçadores perseguem se lança em desabalada corrida transpõe todos os obstáculos e, afinal chega ao sítio bendito que buscava. A marcha da bola que desce da montanha também foi, a princípio, lenta; depois se acelerou pouco a pouco e – agora que chegou quase à metade do percurso que tem de fazer – sua rapidez aumenta na razão do impulso inicial que recebeu. Em breve, descerá aos saltos, para atingir o termo da descida. Mas, repetimos, ELA SE ACHA APENAS A MEIO DO PERCURSO QUE TEM DE FAZER. NÃO VOS DEIS PRESSA, PORTANTO, EM ACREDITAR NA RÁPIDA RENOVAÇÃO DOS HOMENS, PARA EVITAR DECEPÇÕES INEVITÁVEIS. Trabalhai com zelo pela melhoria moral e intelectual de vossos irmãos. Quando o trabalho espiritual se adiantar, vereis que o aspecto físico do planeta mudará: ANTES, PORÉM, QUE A HABITAÇÃO SEJA RECONSTRUÍDA SEGUNDO À LUZ DO NOVO MANDAMENTO, MISTER SE FAZ QUE OS HABITANTES SE ACHEM EM CONDIÇÕES DE NELA ENTRAR. Tudo se encadeia na obra divina: ao que é matéria só a matéria convém. Insistimos, portanto: quando progredindo moral e intelectualmente, houverdes chegado a viver mais a vida espiritual do que a vida animal, vereis que o aspecto do vosso mundo irá mudando gradualmente. SUA CONSTITUIÇÃO MATERIAL SE APERFEIÇOARÁ NA MESMA GRADAÇÃO: MUDANDO DE NATUREZA AS NECESSIDADES DO HOMEM, OUTRA PASSARÁ A SER A DESTINAÇÃO DOS PRODUTOS DO SOLO.  A matéria não foi criada para o Espírito e sim para o corpo. Quanto menos a carne imperar em vós, tanto mais diminuirão as necessidades materiais e tanto mais por conseguinte, o planeta se modificará, PARA ADAPTAR-SE AS MUDANÇAS OPERADAS NA VOSSA PRÓPRIA NATUREZA TANTO A TERRA QUANTO A HUMANIDADE TEM POR DESTINO PROGREDIR, SEM CESSAR, PARA CONDIÇÕES FLUÍDICAS, PORQUE ESTE É O OBJETIVO UNIVERSAL.


SEM QUE O HOMEM SAIBA COMO

P – No capítulo em pauta, disse Jesus, comparando o reino de Deus à semente que o homem lança à terra: “Quer ele durma, quer vigie noite e dia, a semente germina e cresce, SEM QUE O HOMEM SAIBA COMO”. Qual a explicação do Espírito da Verdade a essa passagem do Evangelho?

R – Marcos, IV: 26-29 – “E Jesus dizia: O reino de Deus é semelhante a um homem que lança a terra a semente. Quer o homem durma, quer vigie noite e dia, a semente germina e cresce, sem que ele saiba como; pois a terra por si mesma, produz primeiro a erva, depois a espiga e, afinal, o grão que cobre a espiga. E, quando o fruto já está maduro logo se lhe mete a foice, pois é esse o momento da ceifa”. Jesus mostrava, com essa comparação, que O ESPÍRITO DO HOMEM TEM DE PASSAR COMO A SEMENTE LANÇADA A TERRA, PELAS FASES DE GERMINAÇÃO, DE CRESCIMENTO, DE TRANSFORMAÇÃO, DE DESENVOLVIMENTO, DE FRUTIFICAÇÃO E TEM DE ATINGIR A MATURIDADE MORAL E INTELECTUAL, A FIM DE SE POR, CHEGADO O TEMPO DA CEIFA, AO ALCANCE DAS MÃOS DOS CEIFADORES, INCUMBIDOS DA COLHEITA PARA O REINO DE DEUS. “Quer o homem durma, quer vigie noite e dia, ela germina e cresce, sem que ele saiba como”, disse o Mestre, falando da semente lançada à terra, porque, na época de sua missão, os homens (especialmente aqueles que o ouviam) cuidavam pouco de remontar à origem das coisas de aprofunda-las para lhe seguirem a marcha. Observai que de todos os povos antigos, o hebreu era um dos mais obstinados: aceitava – embora com repugnância – os progressos que lhe impunham já realizados, mas tão orgulhoso se mostrava da sua raça que nada procurava alcançar por si mesmo. ATÉ HOJE, A SEMENTE DIVINA GERMINOU E CRESCEU SEM QUE O HOMEM SOUBESSE COMO O PROGRESSO SE EFETUOU SEM QUE ELE SOUBESSE QUAIS OS SECRETOS CAMINHOS QUE LHE ERAM ABERTOS PELA INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS DO SENHOR, SECUNDADOS PELOS ESPÍRITOS EM MISSÃO NA TERRA. O homem, não fora a sua apatia, desde muito tempo teria podido observar o trabalho da semente divina. Mas, à semelhança daqueles hebreus de dura cerviz, os que obtiveram a semente deixaram-na crescer sem perscrutarem esse fenômeno. A Nova Revelação, esclarecendo-vos acerca das influências que vos cercam, vos inicia nos meios reais de realizardes o vosso progresso e vos coloca nas condições de compreenderdes os fenômenos da GERMINAÇÃO E DO CRESCIMENTO DA SEMENTE DIVINA. Nasça ou morra o homem, durma ou vigie, o progresso continuará a sua marcha. Com o tempo, e mediante a reencarnação, o progresso dos culpados e rebeldes se há de operar: A LUZ DO EVANGELHO E DO APOCALIPSE BRILHA NA TERRA E ILUMINA OS PASSOS DE TODOS OS HOMENS. Ai dos que se conservarem voluntariamente cegos! Também eles progredirão, mas – para acompanharem a marcha da evolução – terão de sofrer, em planetas inferiores, as longas e dolorosas expiações que se houverem tornado necessárias a fazê-los melhorar moralmente. Liberto da letra, o espírito, a parábola da semente lançada à terra é o emblema dos períodos que a Humanidade percorreu e transpôs na via do progresso desde o aparecimento do Homem na Terra assim como dos períodos que ela tem de percorrer e transpor para a sua regeneração. O olhar profundo do Mestre sondava tanto o passado quanto o futuro. A erva que aflorou ao solo, produto da germinação da semente designa o tempo escoado desde esse aparecimento até aos vossos dias. A formação dos grãos que cobrem a espiga os próprios grãos já formados é o fruto ao qual, quando maduro, se aplica a foice, por ser essa a época da ceifa designam os tempos atuais de fim de ciclo E TUDO SE REALIZA EM CUMPRIMENTO AOS SAGRADOS DESÍGNIOS DE DEUS, SEM QUE O HOMEM SAIBA COMO!



O ESTADO ATUAL DA SEMENTE DIVINA

P – Não podem ser mais claras as lições do CEU da LBV. Mas, neste fim de ciclo apodrecido e gasto, que diz o Espírito da Verdade sobre o estado da semente divina?

R – Desde que o homem apareceu na Terra, o progresso das gerações humanas e a ampliação desse progresso, a germinação e o crescimento da semente que produz a erva e depois a espiga, foram auxiliados – DE ACORDO COM A BOA VONTADE IMUTÁVEL DE DEUS – na erraticidade pela influência oculta dos Espíritos do Senhor e no vosso mundo pelos Espíritos sempre superiores aos da massa geral dos homens sucessivamente enviados em missão por Nosso Senhor e Mestre Jesus. Esses mesmos Espíritos vão agora auxiliar – conforme a natureza e ao estado dos produtos, ao grau de fertilidade e de calor dos terrenos – a formação do grão, a maturação do que já esteja formado, a fim de que, em chegando a hora da ceifa, por eles possa a foice passar, como já tem passado pelos que amadureceram e passa pelos que vão amadurecendo, DESDE QUE A NOVA REVELAÇÃO ESPARGIU A SUA LUZ NA TERRA, PORQUE PARA ESSES CHEGOU O TEMPO DA SEGA. Neste momento o grão está formando; o grão amadurece e, em certas partes escolhidas, já está maduro ou já foi ceifado. Aparentemente, a Nova Revelação veio tarde; contudo, em muitos lugares o grão já não está formado? Noutros, os raios benfazejos do Sol da Verdade não produziram a maturação de muitas Almas? Finalmente, em certos lugares escolhidos, os ardores vitalizantes deste Sol não maduraram espigas que cuidadosamente colhemos? A SEARA AINDA NÃO ESTÁ MADURA: LONGE DISSO. Mas já se fazem colheitas parciais e o vasto campo, que o senhor nos confia apresenta terrenos bem mais férteis preparados para o amadurecimento dos frutos. É que o sol da verdade doura as espigas que se formam e os grãos se desenvolvem. Submetei, portanto, ao calor de seus raios as espigas com que contamos a fim de que amadureçam no momento em que se haja de fazer a colheita. Deixai que penetrem nelas as fecundantes ardências com que o Senhor as abençoa; e cada espiga madura se confiará as benditas mãos dos ceifeiros. Quando os feixes de espigas escolhidas estiverem formados, lançaremos de novo na terra esses grãos fecundos. Eles, então, penetrados do Amor Divino, fornecerão fartas colheitas e tornarão produtivos os mais ingratos terrenos. PREPARAI, POIS, AS ESPIGAS QUE TERÃO DE FORNECER AS SEMENTES. A alegoria é clara e todos vós podeis compreende-la: os grãos fecundos são espíritos purificados que descerão à Terra em gloriosas missões, ajudando os encarnados a progredir moral e intelectualmente, a passar pelas suas provas trilhando o caminho traçado por Jesus no seu Novo Mandamento. Vamos, filhos bem-amados, purificai-vos, elevai-vos, curvando sempre a fronte diante da Majestade Divina: curvai-a tanto mais quanto mais se houver elevado o vosso coração! Disse o Mestre: “Quando o fruto chega à maturidade, chega a hora da colheita”. Pois bem, QUANDO ESTIVERDES MADUROS, IREMOS BUSCAR-VOS PARA JUNTO DE NÓS, A FIM DE VOS DARMOS – SOB AS VISTA DO CRISTO E DE ACORDO COM A BOA VONTADE DE DEUS – AS INSTRUÇÕES QUE FOREM NECESSÁRIAS, PARA IRDES AUXILIAR O AMADURECIMENTO DO GRÃO. E, passada por ele a foice divina, realizada a gloriosa colheita, prepararemos a semente para a semeadura seguinte: assim se efetivam a depuração e o renovamento das gerações humanas. Agora podem todos entender os versículos 34 e 35 de Mateus: o que, com relação à Vida Eterna – Jesus revelava aos homens, sob o mistério e nas obscuridades das parábolas, ainda não fora dito. Os hebreus acreditavam na imortalidade da Alma, sim, mas de modo vago. Jesus veio dar corpo ao que não passava de uma sombra, tanto para os discípulos quanto para os judeus rebeldes. E diz Marcos, nos versículos 34 e 35: “Jesus falava aos da multidão e aos discípulos por muitas parábolas, de acordo com o que eles podiam entender; não lhes falava sem parábolas. Mas longe da multidão, tudo explicava aos discípulos”.  Ensinava aos discípulos o sentido em que deviam tomar as palavras que lhes dirigia. O mundo, só lhes deixava entrever o que elas continham de profético, não lhes dando mais do que eles podiam suportar como encarnados, nem mais do que deviam ter consigo para o desempenho de suas missões, sob o império e o véu da letra. Deixou velado TUDO O QUE DEVESSE PERMANECER SECRETO E OCULTO, PARA SOMENTE SER DESCOBERTO E DESVENDADO PELA NOVA REVELAÇÃO, QUE AGORA ILUMINA TODOS OS HOMENS – OS QUE TÊM OLHOS DE VER E OUVIDOS DE OUVIR!





A PARÁBOLA DO JOIO

P – Os componentes do nosso Posto querem a explicação da parábola do joio, na Cruzada do Novo Mandamento no Lar. Como a interpreta pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Mateus, XIII 36-43.

36 – Tendo despedido a multidão, entrou Jesus em sua casa. E os discípulos acercando-se dele, lhe pediram: “Explica-nos a parábola do joio semeado no campo”. 37 – Ele, respondendo, lhes disse: “Aquele que semeia o bom grão é o Filho do Homem. 38 – O campo é o mundo; os filhos do reino representam o bom grão; os filhos da iniqüidade são o joio. 39 – O inimigo que o semeou é Satanás; o tempo da colheita é o fim do mundo; os ceifeiros são os Anjos do Senhor. 40 – O que se faz com o joio, que é arrancado e queimado no fogo far-se- á no fim do mundo. 41 – O Filho do Homem enviará os seus Anjos, estes reunirão e levarão para fora do seu reino todos os que são causa de escândalo e de queda. 42 – e os lançarão na fornalha de fogo e ali haverá pranto e ranger de dentes. 43 – Então, os justos brilharão como o sol, no reino do Pai. Ouça quem tiver ouvidos de ouvir!”

Estas últimas palavras do Mestre (“OUÇA QUEM TIVER OUVIDOS DE OUVIR!”) mostram que ainda era velada a própria linguagem usada na explicação da parábola, deixam ver que para a compreensão exata dos termos empregados e dos pensamentos que eles vestem, necessário é libertar da letra, que mata, o espírito que vivifica. Elas advertiam os homens de que tivessem cuidado com a maneira de entender a explicação que lhes era dada. OS HOMENS, PORÉM, COMPREENDERAM E INTERPRETARAM AS PALAVRAS DE JESUS SEGUNDO A LETRA, DE ACORDO COM OS PRECONCEITOS E TRADIÇÕES DA ÉPOCA! MATERIALIZANDO AS EXPRESSÕES DO CRISTO, FALSEARAM-LHES O SENTIDO E A INTERPRETAÇÃO. Mas a Nova Revelação, que vos trazemos à luz do Novo Mandamento, vem explicar o pensamento real de Jesus. Atenção para o versículo 37: encarregado do progresso da Terra e da sua Humanidade, isto é, do progresso dos Espíritos que nela encarnem, Jesus – desde o aparecimento do homem no vosso planeta - vem semeando o bom grão e o semeará sempre; sempre trabalhou e trabalha na obra da vossa regeneração, por intermédio dos espíritos que o coadjugavam no desempenho da sua missão, E TRABALHARÁ NELA ATÉ QUE AQUELES ESPÍRITOS ATINJAM A PERFEIÇÃO QUE OS FARÁ OCUPAR, NA HIERARQUIA ESPIRITUAL, A CATEGORIA DOS ESPÍRITOS PUROS. Tendo vindo (pelas palavras que proferiu pelos atos que praticou, pelos ensinos e exemplos que espalhou) traçar a via do progresso e assentar as bases fundamentais da regeneração humana. Jesus veio, é evidente, semear o bom grão.  Chamando-se a si mesmo O FILHO DO HOMEM, lembrava aquela missão que, aos olhos materiais era humana. Ao mesmo tempo, pela explicação velada que deu da parábola apropriando às inteligências e as condições da época a sua linguagem que pela letra, atendia às necessidades do momento e, pelo espírito, atenderia às do futuro, MOSTRAVA SEU PODER E SUA SOBERANIA COMO REPRESENTANTE DE DEUS; COMO TENDO RECEBIDO DO ETERNO PAI A INVESTIDURA DE REI DO VOSSO PLANETA, AO QUAL CHAMA “SEU REINO”; COMO TENDO DEBAIXO DE SUA AUTORIDADE E AS SUAS ORDENS, OS “ANJOS” DO SENHOR; COMO TENDO  O PODER SOBRE A TERRA E, BEM ASSIM SOBRE AS GERAÇÕES HUMANAS, DESDE A PRIMEIRA ATÉ A ÚLTIMA; COMO SENDO QUEM NO “FIM DO MUNDO”, FARÁ QUE SEUS “ANJOS” REUNAM E LEVEM PARA FORA DA TERRA OS FILHOS DA INIQÜIDADE SIMBOLIZADOS PELO JOIO, E QUEM OS MANDARÁ LANÇAR NA FORNALHA DE FOGO”, ONDE HAVERÁ PRANTO E RANGER DE DENTES. Nessa ocasião, os filhos do reino, simbolizados pelo bom grão já se havendo tornado justos permanecerão no seu reino, brilhando como o sol. Versículo 38 – o campo representa o mundo, isto é, o vosso planeta e a sua população. Os filhos do reino, simbolizados pelo bom grão, são os que tendem a progredir e se esforçam por consegui-lo. Os filhos da iniqüidade, cujo símbolo é o joio, são os que cedem as más influências por serem ainda maus os seus instintos. Versículo 39 – Satanás, que semeou, semeia e ainda semeará na terra o joio – e que figura na parábola como sendo “o inimigo” – são TODOS OS ESPÍRITOS MAUS, DO ERRO E DA MENTIRA, IMPUROS, LEVIANOS, PERVERSOS, (ENCARNADOS OU ERRANTES) QUE, PROCURANDO EXERCER PERNICIOSA INFLUÊNCIA SOBRE OS HOMENS, TRABALHAM POR LHES TRAVAR A EVOLUÇÃO, FAZENDO-OS EVITAR O BEM E PRATICAR O MAL POR PENSAMENTOS, PALAVRAS E ATOS. Em suma, trabalham por arrasta-los para fora das vias do Senhor. Estas vias são as que de modo completo se acham indicadas pelas seguintes palavras de Jesus, uma vez que sejam bem compreendidas e praticadas em toda a sua extensão, dos pontos de vista material, moral e intelectual tanto nas relações sociais como nas de família, como ainda no trato de cada um consigo mesmo: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, COMO EU VOS AMEI. PROCEDEI SEMPRE EM TUDO, PARA COM TODOS, COMO QUEREIS QUE PROCEDAM PARA CONVOSCO”.



O FIM DO MUNDO

P – Todos estão interessados em saber a significação do “fim do mundo”, que está no versículo 40 do capítulo em pauta. Como o explica o Espírito da Verdade no CEU da LBV?

R – O fim do mundo, predito por Jesus e que, na parábola, corresponde ao tempo da ceifa, não é o que as interpretações humanas figuraram. Não se trata de um fenômeno repentino, como o imaginaram erroneamente quantos acreditaram que, de um instante para outro, o mundo inteiro seria transformado e renovado. O FIM DO MUNDO ESTÁ SENDO PREPARADO HÁ MUITO TEMPO E, POUCO A POUCO, SE VAI OPERANDO. Avançais para a época em que, pela só influência da vossa presença entre eles, os Espíritos inferiores que encarnam na Terra serão repelidos e fugirão para outros meios que lhes sejam menos incômodos. OS ESPÍRITOS INFERIORES, COMO SABEIS, TEMEM A PRESENÇA DOS ESPÍRITOS ELEVADOS. Não é natural que o homem devasso e vil fique embaraçado, pouco à vontade, numa reunião de pessoas de escol das mais instruídas e virtuosas? E não é natural, também, que volte – assim que lhe seja permitido – para o meio de seus iguais? É o que se dará com os Espíritos inferiores; quando chegar o fim do mundo, isto é, QUANDO, POR SE HAVEREM ELEVADO AS VOSSAS NATUREZAS, MUDANDO DE ORDEM, SUBINDO NA HIERARQUIA ESPIRITUAL, TUDO MUDARÁ EM TORNO DE VÓS. O joio terá sido, então, lançado ao fogo da purificação e o bom grão refulgirá aos olhos do Pai Celestial. Nesse tempo em que o vosso progresso será bastante para repelir os Espíritos inferiores que vos cercam, entrareis no princípio da Vida Espiritual. Quer isto dizer que, tanto para o homem quanto para o planeta, a matéria será depurada, sem passar, contudo às condições de fluidos puros. Compreendei bem todas as fases, todos os graus que, de modo mais ou menos material mais ou menos sutil, SEPARAM OS ESPÍRITOS ENCARNADOS NOS DIVERSOS MUNDOS QUE ELES OCUPAM. Chegando à primeira fase espiritual, a primeira separação da matéria espessa, entrareis numa categoria de Espíritos cujo INVÓLUCRO LEVE difere inteiramente do vosso invólucro atual, sem ser, todavia, completamente fluídico. Será uma vestimenta nova, que tereis de mudar ainda muitas vezes, antes de poderdes habitar MUNDOS FLUÍDICOS, o que acontecerá um dia, pois não deveis acreditar que, alcançando esse grau de adiantamento, estejais circunscrito ao planeta em que viveis. A Terra também terá progredido; mas, nessa ocasião, TODOS OS MUNDOS CUJA CATEGORIA CORRESPONDA A DOS VOSSOS ESPÍRITOS, VOS PODERÃO SERVIR DE MORADA: NÃO ESTAREIS ADSTRITOS A HABITAR ESTES DE PREFERÊNCIA AQUELES. O fim do mundo, compreendido como sendo a época da colheita, se apresenta dividido em três períodos distintos: o primeiro é aquele em que aos Espíritos inferiores foi e será “permitido” encarnar na Terra para – por sucessivas expiações e reencarnações – se purificarem, passarem de “filhos da iniqüidade”, que eram a “filhos do reino”; o segundo é aquele em que o joio começará a ser separado do trigo, aquele em que os Espíritos que se mantiverem culpados, rebeldes, voluntariamente cegos, serão afastados do vosso planeta e deportados para mundos inferiores; o terceiro é aquele em que, concluída a separação do trigo e do joio, estará acabado o afastamento dos Espíritos inferiores; é portanto, aquele em que  A TERRA SE TERÁ TORNADO MORADA DE PAZ E DE FELICIDADE, DE BONS ESPÍRITOS JÁ APTOS A ENTRAR NA VIDA ESPIRITUAL, O QUE SE FARÁ COMO DISSEMOS, E A AVANÇAR, SOB A INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS DO SENHOR E DE ESPÍRITOS ENCARNADOS EM MISSÃO NA VIA DO PROGRESSO, PELA CARIDADE, PELA CIÊNCIA, PELO AMOR INFINITO DO NOVO MANDAMENTO DO CRISTO DE DEUS!



OS CEIFEIROS DA PARÁBOLA

P – Não temos palavras para exprimir nossa alegria, ante as ações do CEU DA LBV! Nesta parábola, de tanta grandeza espiritual, desejamos esclarecimentos sobre os ceifeiros de que fala Jesus, no versículo 39. Que nos diz, sobre este ponto, o Espírito da Verdade?

R – Os ceifeiros ou Anjos são indistintamente, todos os Espíritos do Senhor, encarnados em missão ou não encarnados que trabalham na obra do progresso da regeneração e da purificação da Humanidade terrestre. Facilmente se compreende que OS QUE TRABALHAM NESSA OBRA SEJAM INCUMBIDOS DA COLHEITA. Versículos 40, 41 e 42 – O reino do Filho do Homem e a Terra com sua Humanidade. Quando uma e outra houverem chegado ao período de depuração e de progresso, no qual os Espíritos inferiores culpados, rebeldes, voluntáriamente cegos, serão afastados do vosso planeta e deportados para mundos inferiores, OS ANJOS REUNIRÃO E LEVARÃO PARA FORA DO REINO DE JESUS OS QUE SÃO CAUSA DE ESCÂNDALO E QUEDA: TODOS AQUELES QUE COMETEM INIQÜIDADE. Os Anjos de que o Mestre fala serão os Espíritos Superiores e os Espíritos Puros, e não os encarnados em missão porquanto A SELEÇÃO E A CLASSIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS, QUE PERMANECEREM CULPADOS E REBELDES, SE FARÁ ESTANDO ELES NA ERRATICIDADE.  Não esqueçais que, revestidos da libré de carne que trazeis, todos os Espíritos são mais ou menos falíveis, embora se trate dos que na Terra se acham empenhados na obra de regeneração. Nenhum pois, por aquela só razão, tem o direito de julgar seus irmãos também encarnados, de dizer a qualquer deles: “TU ÉS CULPADO E EU SOU TEU JUIZ” ou “ FALISTE E EU TE CONDENO OU TE ABSOLVO”. Um Espírito, por mais purificado que esteja, logo que toma a condição humana, lhe sofre a influência mais ou menos forte. Sendo, desde então, mais ou menos falível e lhe interdito julgar. Por tudo isso, OS ESPÍRITOS SUPERIORES E OS ESPÍRITOS PUROS SÃO OS QUE, LIVRES DE QUALQUER CONTATO HUMANO, VIRÃO SEPARAR DO TRIGO O JOIO QUE SERÁ LANÇADO AO FOGO.



PRANTO E RANGER DE DENTES

P – Desejamos formular nossa última pergunta, relativa ao capítulo em exame. Prende-se aos versículos 41 e 42: “O Cristo enviará os seus Anjos; estes reunirão e levarão para fora do seu reino todos os que são causa de escândalo e queda, e os lançarão na fornalha de fogo, e ali haverá pranto e ranger de dentes”. Como o Espírito da Verdade interpreta essa passagem do Evangelho segundo Mateus?

R – No fim do mundo, nessa época em que se vai operar a depuração gradual do vosso planeta, mediante a separação do trigo e do joio, este ainda será queimado, como terá sido antes. ENTRETANTO, O JOIO NÃO PODERÁ MAIS CRESCER AO LADO DO TRIGO. Quer isto dizer: os “filhos da iniqüidade” senão ainda, como o foram sempre, no passado, submetidos à expiação. MAS, DAÍ POR DIANTE, NÃO PODERÃO MAIS REENCARNAR NA TERRA. Os Anjos, que o Cristo enviará os afastarão do vosso Planeta levando-os para mundos inferiores, onde os classificarão de acordo com as suas tendências e a sua culpabilidade. Assim, uns irão para orbes de categoria inferior à que, então, o vosso planeta ocupará; outros (e ainda serão muitos) irão para planetas da mesma categoria que a do vosso atualmente. Mas, antes que lhes seja permitido reencarnar nesses planetas, serão lançados na “fornalha de fogo”, onde haverá pranto e ranger de dentes, isto é, ENTRANDO EM EXPIAÇÃO, OS ESPÍRITOS CULPADOS, REBELDES, VOLUNTARIAMENTE CEGOS, SERÃO LANÇADOS AO FOGO DOS REMORSOS MORAIS, APROPRIADOS E PROPORCIONAIS AOS CRIMES E FALTAS QUE HAJEM COMETIDO: VERDADEIRO FOGO DE PURIFICAÇÃO QUE GERA E DESENVOLVE O ARREPENDIMENTO E O DESEJO DA REPARAÇÃO POR MEIO DE NOVAS PROVAÇÕES. Lá, nesses mundos inferiores, longa e dolorosa expiação consumirá o joio, a planta má. Entretanto, o Espírito não é passível, como o joio, de ser, pelo fogo, reduzido a pó. Purificado pela ação do fogo regenerador, germina a boa semente que ele traz em si e das cinzas do joio brota messes de bom grão! O joio será queimado tantas vezes quantas forem necessárias, para que se torne bom grão, PARA QUE OS FILHOS DA INIQÜIDADE SE TORNEM FILHOS DO REINO E ENTREM, A SEU TURNO NA CLASSE DOS JUSTOS.  Já o dissemos e agora repetimos: quaisquer que sejam os versículos do Evangelho de Jesus, onde se leiam estas palavras – FORNALHA DE FOGO, GEENA, FOGO DA GEENA, PRANTO E RANGER DE DENTES – elas significam sempre a expiação do Espírito seguida de reencarnação, de novas reencarnações até que seja pago o último ceitil. Quanto ao versículo 43: “Então os justos brilharão como o sol no reino do Pai”. Estas palavras tem um sentido figurado: A LUZ QUE BRILHA NOS FILHOS DO SENHOR  É A DA VERDADE DA FÉ E DO AMOR. Os Filhos do Senhor são os justos a saber, os Espíritos purificados, cujos perispíritos – por efeito da purificação – se tornaram mais luminosos, irradiando uma luz cuja pureza e cujo brilho correspondem ao grau da elevação alcançada. OS MUNDOS SUPERIORES FORMAM O REINO DE DEUS: O VOSSO PLANETA DESDE QUE ATINJA A NECESSÁRIA ELEVAÇÃO, LHES PERTENCERÁ AO NÚMERO CONSITUINDO – SE QUEREIS UMA COMPARAÇÃO HUMANA  UMA DAS PRONVÍNCIAS DO REINO DE DEUS.



TESOURO OCULTO E PÉROLA DE ALTO PREÇO

P – Disse Jesus: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto num campo; o homem que o achou o esconde e cheio de alegria por tê-lo achado vai vender tudo o que possui e compra aquele campo”. Qual a explicação do Espírito da Verdade para Mateus XIII: 44?

R – Aquele que recebe a Palavra de Deus se sente tão feliz quanto o homem que acha um tesouro, se é que se pode estabelecer comparação entre sentimentos tão dessemelhantes. Cumpre-lhe encerrar no coração essa FONTE DE RIQUEZAS ETERNAS, esforçar-se por que nenhum dos vícios humanos lhe possa arrebatar o precioso tesouro! Vai o homem e vende tudo o que tem: quer isto dizer que ele se despoja dos erros, dos maus instintos dos maus pecadores, dos vícios escravizantes, em suma – DE TUDO O QUE PRENDE A MATÉRIA, como os bens terrenos o prendem ao solo que os encerra. E compra o campo; faz para conservar o tesouro espiritual, todos os sacrifícios que a Humanidade exija dele.

P – Disse ainda o Cristo: “O reino dos céus se assemelha a um negociante que compra belas pérolas; e, achando uma de alto preço, vende tudo o que tem para comprá-la”. Que explicação dá a esta passagem do Evangelho segundo MATEUS, XIII: 45-46, o Espírito da Verdade?

R – Esta parábola tem quase a mesma significação que a do tesouro oculto. Realmente ela traça a imagem do homem que sinceramente procura a Verdade e que, achando-a, recebendo-a em seu coração, se desembaraça, sem hesitar, de todos os seus erros, de todas as suas fraquezas, de todos os seus maus instintos, de todos os vícios e apetites materiais que, anteriormente, constituíam TODA A SUA RIQUEZA ILUSÓRIA E FUNESTA. Dela procura desfazer-se, com a maior diligência, empregando todos os esforços por conservar a pérola de alto preço, como o tesouro, é A VERDADE QUE ELE ENCONTROU AO ACEITAR A PALAVRA DE DEUS.





PARÁBOLA DA REDE LANÇADA AO MAR

P – Como estamos estudando as parábolas do Evangelho, queremos focalizar em nosso Posto Familiar a parábola da rede de pesca, principalmente na parte referente à separação dos peixes. Como a interpreta o Espírito da Verdade?

R – MATEUS XIII: 47-52.

47 – “O reino dos céus é semelhante a uma rede de pescar, a qual, lançada ao mar, apanha toda espécie de peixes. 48 – Quando fica cheia, os pescadores a puxam para bordo, onde, sentados, se põem a separá-los, deitando os bons nos vasos e lançando fora os maus. 49 – Assim será no fim do mundo: Os Anjos virão separar os maus do meio dos justos. 50 – e os lançarão na fornalha de fogo, onde haverá pranto e ranger de dentes.. 51 -  Compreendeis todas essas coisas?” Eles responderam: - Sim. 52 – Jesus, então lhes disse: “Todo escriba instruído acerca do reino dos céus se assemelha ao pai de família, que do seu tesouro tira coisas novas e coisas velhas”.

Não precisamos explicar-vos o símile da pesca: podeis facilmente compreender que se trata do afastamento dos maus e da escolha dos bons. Ele deve ser entendido e explicado, em tudo e por tudo, do mesmo modo por que o foi a parábola do joio. Podeis notar que muitas palavras têm o mesmo sentido. Foram ditas a homens diferentes muitas vezes em ocasiões diversas, mas sempre com o mesmo objetivo. “Compreendeis todas essas coisas?” – perguntou Jesus aos seus discípulos. E eles responderam: Sim. Eles haviam compreendido a parábola da pesca tal como lhes foi apresentada, isto é, COMO IMAGEM DA ESCOLHA QUE, POUCO A POUCO SE IRIA FAZENDO ENTRE OS ESPÍRITOS, A FIM DE QUE, NA HORA DETERMINADA, JÁ NÃO HOUVESSE MUITOS ESPÍRITOS REBELDES A AFASTAR. Disse-lhes, ainda, o Cristo: “Todo escriba instruído acerca do reino dos céus se assemelha ao Pai de família que do seu tesouro tira coisas novas e coisas velhas”. Por escriba designava Jesus o homem mais esclarecido do que as massas e encarregado de espalhar no meio delas as luzes provenientes do tesouro da sua erudição e da sua inteligência. Os escribas eram os sábios daquela época: espalhavam (ou, melhor, tinham o dever de espalhar) a luz! Mas, infelizmente, a colocavam debaixo do alqueire. “Tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas”. Aquele que se serve da Ciência, que recebeu dos tempos antigos, para fortificar e, por assim dizer, tornar recomendável aquilo que ele deseja ver acreditado. Assim, vós outros, modernos discípulos do Cristo, dentro dos limites da vossa instrução, das vossas faculdades, sempre em busca das Verdades Eternas, deveis investigar as crônicas antigas, esmiuçar as lendas dos povos, desencavar os velhos manuscritos – sepultados no fundo das bibliotecas seculares ou dos avaros conventos que os possuem – e, armados com os vetustos documentos que possuirdes, DEMONSTRAR AOS TÍMIDOS, AOS INCRÉDULOS, AOS PSEUDO-SÁBIOS DO MUNDO PROFANO A ANCIANIDADE E A AUTENTICIDADE DA DOUTRINA QUE PROFESSAIS, SINTETIZADA NO NOVO MANDAMENTO DO SÁBIO DOS SÁBIOS – NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.





NINGUÉM É PROFETA EM SUA TERRA

P – Diz a sabedoria popular que santo de casa não faz milagre. Lembramo-nos, então, das palavras de Jesus: “Ninguém é profeta sem honra senão em sua própria terra e dentro de sua própria casa”. Como o Espírito da Verdade analisa essas palavras do Mestre?

R – Harmonizemos Mateus, XIII: 53-58 e Marcos, VI: 1-6.

MATEUS: 53 – Tendo acabado de dizer  essas parábolas, Jesus partiu dali; 54 – e, voltando ao seu país os instruía nas sinagogas de tal modo que, tomados de admiração, eles diziam: “De onde lhe vêm esta sabedoria e estes milagres? 55 – Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não é Maria? Tiago, José, Simão e Judas não são seus irmãos? 56 – E suas irmãs não vivem todas entre nós? De onde, então, lhe vêm todas essas coisas?” 57 – Assim era que dele se escandalizavam. Jesus, porém, lhes disse: “Ninguém é profeta sem honra senão em sua terra e dentro de sua própria casa”. 58 – E lá não fez muitos milagres por causa da incredulidade deles.

MARCOS: 1 - Saindo dali, voltou Jesus a sua cidade, acompanhado pelos discípulos. 2 – E, chegando o dia de sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos dos que o ouviam, admirando-se da sua doutrina, diziam: “De onde lhe vieram todas essas coisas? Que sabedoria é essa que lhe foi dada? Como é que suas mãos operam tais maravilhas? 3 – Não é ele o carpinteiro filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas, e de Simão? E suas irmãs não estão aqui, entre nós?” E se escandalizavam dele. 4 – Entretanto, Jesus lhes disse: “Nenhum profeta é humilhado senão em seu país, na sua casa e entre os seus parentes”. 5 – E lá não pôde fazer nenhum milagre; apenas curou alguns poucos doentes, impondo-lhes as mãos. 6 – E se admirava da incredulidade deles. E continuava percorrendo as aldeias dos arredores, a ensinar.

Relativamente aos que eram tidos por irmãos e irmãs de Jesus; à maternidade humana da Virgem Maria, à paternidade humana de José – segundo o modo de ver dos homens – já dissemos tudo o que precisáveis saber. Já sabeis quem é o Filho, pela revelação que vos fizemos, da origem espiritual de Jesus, do modo e das condições em que se deu o seu aparecimento na Terra; do que foram a gravidez e o parto de Maria; da genealogia do Mestre. Não temos, pois, de voltar a esses pontos. Versículos 57 de Mateus e 4 de Marcos – Dizendo que ninguém é profeta sem honra senão em sua terra e dentro da sua própria casa, tinha Jesus o intento de lembrar aos que o ouviam O CARÁTER E A MISSÃO DE PROFETA QUE OS OUTROS HOMENS LHE DAVAM, pois aqueles – supondo-o um homem como os demais, nas mesmas condições de faculdades e de poderes que eles – se surpreendiam profundamente com a sabedoria da sua doutrina, com as suas palavras, com os seus ensinamentos e COM OS FATOS QUE PRODUZIA E QUE ERAM CONSIDERADOS MILAGRES. Do ponto de vista espiritual, essas palavras de Jesus encerram profunda reflexão filosófica, da mais alta categoria, e tendes verificado pessoalmente o seu valor. Mateus, 58 – “E lá não fez muitos milagres por causa da incredulidade deles”. Não sabeis que a oposição dos Espíritos, encarnados ou não, prejudica a boa influência que se possa exercer? Jesus se o quisesse teria dominado prontamente aquela influência contrária. Mas, que conseguiria ele? Que aqueles Espíritos, voluntariamente cegos, FOSSEM FORÇADOS A VER. ELES, PORÉM, SE OBSTINARIAM EM FECHAR OS OLHOS E, DESDE ENTÃO, PASSARIAM A MERECER CASTIGO MAIS SEVERO. Ora, o Mestre, com a infinita caridade do seu coração, jamais provocou a revolta de qualquer Espírito, a fim de lhe poupar o remorso da falta! Marcos, 5 – “E lá não pôde fazer nenhum milagre; apenas curou alguns poucos doentes, impondo-lhes as mãos”. Já dissemos que Jesus “não pôde fazer milagres PORQUE NÃO QUIS EXERCER SUA AUTORIDADE SOBRE OS ESPÍRITOS REBELDES. Portanto, não houve impotência, mas ausência de vontade, o que, aos olhos dos homens, era tido por impossibilidade. NÃO SUCEDE, MUITAS VEZES, EVITARDES FAZER UMA COISA OU FICARDES SEM PODER EXECUTÁ-LA, POR SE APRESENTAR UM OBSTÁCULO QUE NÃO QUEREIS DESTRUIR? A versão de Marcos é equivalente à de Mateus. Ambos, em termos que pouco diferem, exprimem a mesma coisa: Marcos 6 - “E Jesus se admirava da incredulidade deles”. É este um modo humano de exprimir a opinião de homens que não viam no Cristo mais que um homem igual aos outros. JESUS NÃO TINHA DE QUE SE ADMIRAR. NEM PODIA ADMIRAR-SE DA INCREDULIDADE DOS QUE O OUVIAM, PORQUE LIA O PENSAMENTO DE TODOS, OBSERVAVA OS INSTINTOS E AS TENDÊNCIAS DOS QUE COMPUNHAM A MULTIDÃO. ALÉM DISSO, VIA OS ESPÍRITOS QUE ATUAVAM NELES, GRAÇAS AO LIVRE ARBÍTRIO DE CADA UM, ATRAÍDOS POR AQUELES MAUS INSTINTOS E PAIXÕES INFERIORES: DO CONTRÁRIO, NÃO SERIA O CRISTO DE DEUS.





O BATISTA E A REENCARNAÇÃO

P – As lições do Centro Espiritual Universalista estão sendo acompanhadas com o mais vivo interesse. Nas referências a João o Batista, e ao Mestre Jesus, nos Evangelhos Sinóticos, vemos que os judeus acreditavam na Lei da Reencarnação. Que diz a respeito, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Vamos harmonizar Mateus, XIV: 1-12, Marcos, VI: 14-29 e Lucas, III: 19-20 e IX: 7-9.

MATEUS: 1 – A esse tempo chegou aos ouvidos do tetrarca Herodes a fama de Jesus, 2 – e ele disse aos seus servos: “Esse é João, o próprio Batista que ressuscitou dentre os mortos; por isso é que, por seu intermédio, se fazem tantos milagres”. 3 – Herodes mandara prender João, pusera-o a ferros e o metera na prisão, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão. 4 – É que o batista lhe dizia: “Não te é permitido tê-la por mulher”. 5 – Herodes queria dar-lhe a morte, mas temia o povo, que considerava João um profeta. 6 – Entretanto, no dia do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante dele e muito lhe agradou. 7 – tanto que prometeu sob juramento dar-lhe tudo o que pedisse. 8 – Ela, de antemão instruída por sua mãe, disse: “Dá-me, aqui mesmo, num prato a cabeça de João Batista!” 9 – Esse pedido muito afligiu o rei que, todavia, por causa do juramento que fizera e dos que com ele estavam à mesa, ordenou que lhe dessem a cabeça de João. 10 – Ao mesmo tempo, ordenou que ao Batista cortassem a cabeça, na prisão. 11 – E a cabeça de João foi trazida num prato e dada à moça, que a levou à sua mãe. 12 – Os discípulos do Batista vieram, carregaram seu corpo, o sepultaram e foram comunicar tudo isso a Jesus.

MARCOS: 14 – Ora, o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cuja fama se espalhara muito, e dizia: “João Batista ressuscitou dentre os mortos; daí vem que tantos milagres se operam por seu intermédio. 15 – Outros, porém, diziam: “È Elias!”E outros: “É um profeta, igual a qualquer dos profetas!” 16 – Ouvindo isso, disse Herodes: “Esse homem é João, a quem mandei cortar a cabeça e que ressuscitou dentre os mortos”. 17 – Herodes, tendo desposado Herodíades, não obstante ser ela a mulher de Felipe, irmão dele, mandara prender João, atando-o no cárcere, por causa dela. 18 – Pois João lhe dizia:”Herodes, não te é lícito possuir a mulher de teu irmão!” 19 – Desde então, Herodíades sempre lhe armava ciladas, desejosa de fazê-lo morrer, o que não conseguia. 20 – visto que Herodes temia João, por saber que era um varão justo e santo, e o guardava com segurança. E, quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o atentamente. 21 -  Afinal, chegou um dia favorável, o do aniversário de Herodes, no qual este ofereceu um banquete aos grandes da sua corte, e aos tribunos e aos maiorais da Galiléia. 22 – A filha de Herodíades teve entrada, dançou diante de Herodes, e de tal modo lhe agradou, bem como a todos os que se achavam à mesa, que ele lhe disse: “Pede-me o que quiseres e eu te darei!”. 23 – E acrescentou, jurando: “Sim, o que me pedires eu te darei, ainda que seja a metade do meu reino!” 24 – Ela, quando saiu, perguntou à sua mãe Herodíades: “Que devo pedir?” 25 – Esta lhe respondeu: “A cabeça de João Batista! 25 – Ela se deu pressa em voltar à sala onde estava o rei e fez o seu pedido, dizendo: “Quero que, neste mesmo instante, me dês num prato a cabeça de João Batista!” 26 – O rei se aborreceu com tal pedido; mas, por causa do juramento que fizera e dos que estavam com ele à mesa, não quis desatendê-lo. 27 – E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi, e o decapitou no cárcere, 28 – e, trazendo a cabeça num prato, a entregou, à jovem e esta, por sua vez a sua mãe herodíades. 29 -  Sabendo do ocorrido, os discípulos de João vieram, levaram-lhe o corpo e o  puseram num sepulcro.

LUCAS, III: 19 – Herodes, o tetrarca, tendo ouvido de João uma censura por causa de Herodíades mulher de Felipe, irmão dele, e por causa de todos os males que fizera, 20 – juntou a todos os seus crimes o de lançar João no cárcere. IX: 7 – Herodes, tendo ouvido falar de tudo o que Jesus fazia não sabia o que pensar, pois uns diziam. 8 – que João ressuscitara dentre os mortos, outros que Elias voltara, enquanto ainda outros afirmavam que um dos velhos profetas havia ressuscitado.  9 – Herodes dizia: “mandei decapitar João batista! Quem é, pois, esse de quem ouço tantas maravilhas?” E ardia por vê-lo.

Aquelas palavras “ È ELIAS!” – É JOÃO BATISTA, QUE RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS!” – É ELIAS QUE VOLTOU!” – É UM  DOS VELHOS PROFETAS QUE RESSUSCITOU!” ditas e repetidas como sendo o que a voz pública afirmava com relação a Jesus; estas outras, que o rumor popular levou Herodes a proferir, falando do Cristo: “Mandei decapitar João Batista! Quem é, pois, esse de quem ouço tantas maravilhas?” – Esse homem é João, a quem mandei cortar a cabeça!” – “João ressuscitou dentre os mortos!”, confirmam a existência, entre os judeus (embora de modo ainda incompleto), da crença na Lei Universal da Reencarnação. Com efeito, os homens não poderiam considerar Jesus como sendo OU ELIAS OU JOÃO BATISTA OU UM DOS ANTIGOS PROFETAS, QUE VOLTARA A VIVER NA TERRA, SENÃO ADMITINDO QUE A ALMA OU ESPÍRITO, QUER DE ELIAS, QUER DE JOÃO, QUER DE UM DOS ANTIGOS PROFETAS, REENCARNARA NAQUELE NOVO CORPO QUE – COMO ENTÃO ACREDITAVAM – ERA OBRA HUMANA DE JOSÉ E MARIA, OS QUAIS COMO SABEIS, PASSAVAM POR SER O PAI E A MÃE DE JESUS. Não vos admireis, portanto, de todas aquelas insistentes palavras de Herodes, tetrarca, filho de Herodes chamado “O Grande”. Ele não ouviu falar de Jesus só uma vez; por conseguinte, não fez só uma observação relativamente ao Cristo. As palavras que Lucas registra foram as primeiras que, a tal respeito, Herodes pronunciou e que repetiu em diversas ocasiões. As que constam das narrativas de Mateus e de Marcos só mais tarde ele as disse e também repetiu em oportunidades diferentes. Quanto ao que se refere à morte de João e às particularidades dessa morte, nenhuma explicação, precisamos dar: é uma simples narração de fatos. Notais, apenas, que os Evangelhos segundo Mateus e Marcos se explicam e completam um pelo outro. A filha de Herodíades não podia de antemão, saber qual o efeito que sua dança produziria no rei, nem que este lhe faria um oferecimento. Portanto, só depois que ouviu a promessa do tetrarca, foi consultar sua mãe Herodíades. Para dizer a Herodes: DÁ-ME AQUI, NESTE MOMENTO, A CABEÇA DE JOÃO BATISTA NUM PRATO!” É que fora previamente instruída. Ela havia saído e, depois de contar à mãe não só o efeito que a dança produzira no rei mas, também, o oferecimento que este lhe fizera, lhe perguntou: “Que devo pedir? E Herodíades prontamente respondeu: “A cabeça de João Batista num prato, neste mesmo instante! Esta explicação nós damos para dissipar a dúvida em vosso Espírito, que julgava estar diante de uma “contradição” entre os dois Evangelhos citados. MAS, COMO JÁ VOS ALERTAMOS. NÃO VOS DETENHAIS, NUNCA, ANTE TAIS FUTILIDADES, DESTITUÍDAS DE QUALQUER VALOR! Na verdade, que importaria que Herodíades tivesse dito a filha, antes ou depois da dança, antes ou depois do oferecimento do tetrarca que pedisse a cabeça do Batista? Entendei: HERODÍADES E SUA FILHA HAVIAM ESCOLHIDO TOMANDO CADA UMA A SUA PARTE AQUELA TEMÍVEL PROVA E O MEIO EM QUE DEVIAM SUPORTÁ-LA. Sendo essa prova superior as suas forças, tinham ambas, por isso mesmo, de sucumbir, e sucumbiram. Tendes alguma dificuldade em compreender, que Deus conheça, antecipadamente, quais os que sucumbirão? Pois assim é: sua Infinita Sabedoria, conhecendo a fraqueza do Espírito, prevê a que transviamentos este será levado, no uso do seu livre arbítrio. Se um dos vossos filhos vos pedir consentimento para desempenhar tarefa superior às suas forças. E SE OBSTINAR NO SEU INTENTO, NÃO PREVEREIS (AO CONCEDER A LIÇENÇA SOLICITADA) QUE A FORÇA E A PERSEVERANÇA LHE FALTARÃO? MAS, APESAR DISSO, CONDESCENDENDO, QUAL O VOSSO OBJETIVO SENÃO LHE DAR ENSEJO DE APRECIAR, COM JUSTEZA, O SEU VALOR REAL? Herodíades e sua filha depois daquelas provas a cujo peso faliram tinham de encontrar (e encontraram) na expiação, mediante novas provações, uma fonte e um meio de purificação e de progresso.





MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E DOS PEIXES

P – Um dos fatos do Evangelho que mais empolgam os freqüentadores do nosso Posto é o da multiplicação dos cinco pães e dois peixes. Como o interpreta, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Harmonizemos Mateus, XIV: 13-22, Marcos VI: 30-45 e Lucas, IX: 10-17.

MATEUS: 13 - Ouvindo a narrativa que lhe fizeram os discípulos de João, Jesus partiu numa barca e se retirou, secretamente, para um lugar deserto. Ao saber disso, o povo deixou as cidades e o foi seguindo a pé. 14 – Quando ele saltou em terra, viu grande multidão e, compadecendo-se dela, curou os doentes. 15 – Como caísse à tarde, os discípulos se aproximaram e lhe disseram: “Este lugar é deserto e a hora vai adiantada: manda-os embora, a fim de que possam comprar o que comer, nas aldeias”. 16 – Jesus, porém, lhes disse: “Não é preciso que eles se afastem daqui; daí-lhes vós mesmos de comer”. 17 – Os discípulos replicaram: “Só temos cinco pães e dois peixes”. 18 – Jesus ordenou: “Trazei-nos aqui”. 19 – Em seguida, mandou que a multidão sentasse na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, os abençoou, e os partiu, e os deu aos discípulos, que os passaram ao povo. 20 – Todos comeram ficaram saciados e ainda levaram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. 21 – Ora, os que comeram eram em número de cinco mil, sem contar as mulheres e as crianças. 22 – Feito isso, ordenou Jesus aos discípulos que tomassem a barca e passassem para a outra margem do lago antes dele, que ficou despedindo a multidão.

MARCOS:  30 – Ora, os apóstolos, reunindo-se em torno de Jesus, lhe deram conta de tudo o que haviam feito e ensinado. 31 – E ele lhes disse: “Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto, a fim de aí repousardes um pouco. É que eram tantos os que iam e vinham, que eles nem tinham tempo para comer. 32 – Entrando, pois, numa barca, se retiraram para um lugar deserto. 33 – Mas, tendo-os visto partir, e muitos tendo sido informados da partida, grande multidão acorreu a pé, de todas as cidades, e chegou antes deles. 34 – Ao saltar da barca, vendo Jesus a multidão, teve compaixão dela, pois era como rebanho sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas. 35 -  E como já se fizesse tarde, os discípulos se aproximaram dele e lhe disseram: “Este lugar é deserto e a hora já vai adiantada; 36 – despede-os a fim de que vão aos povoados e cidades dos arredores para comprar o que comer”. 37 – Respondendo, Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles replicaram: “Onde iremos comprar, por duzentos denários, pães que bastem, para lhes darmos de comer? 38 -  Jesus perguntou: “Quantos pães tendes vós? Ide e Vede”. Depois de o verificarem eles disseram: “Cinco pães e dois peixes”. 29 – Jesus, então, lhes ordenou que fizessem o povo sentar-se, em ranchos, na relva. 40 – Sentaram-se todos, formando diversos ranchos, uns de cem pessoas, outros de cinqüenta. 41 – E Jesus, tomando os cinco pães e os dois peixes e olhando para o céu, abençoou e partiu os pães, e os entregou aos discípulos, para que os pusessem diante do povo; assim também, repartiu os dois peixes com todos. 42 - Todos comeram e ficaram fartos. 43 -  E ainda levaram doze cestos com os pedaços de pão e peixe que haviam sobrado. 44 – apesar de serem cinco mil os que comeram. 45 – Em seguida, Jesus mandou que os discípulos entrassem de novo na barca e passassem para a outra margem do lago em direção a Betsaida, enquanto ele ficava despedindo a multidão.

LUCAS: 10 – De volta, os apóstolos relataram a Jesus tudo o que haviam feito. E, Jesus levando-os consigo se retirou para um lugar deserto, próximo a Betsaida. 11 – Informadas disso, as turbas o seguiram, e Jesus, recebendo-as, entrou a lhes falar do reino de Deus e a curar os enfermos. 12 – Ora, como estava o dia a declinar, os doze vieram e lhe disseram: “Manda embora essa gente, a fim de que vá procurar alojamento e algo para comer nas granjas e aldeias dos arredores, pois estamos num lugar deserto. 13 – Mas Jesus lhes disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Ao que eles replicaram: “Só se formos nós mesmos comprar comida para esse povo pois não temos mais que cinco pães e dois peixes”. 14 – Eram cerca de cinco mil pessoas. Disse, então, Jesus aos discípulos: “fazei-os sentar em grupos de cinqüenta”. 15 – os discípulos obedeceram e fizeram que todos sentassem. 16 – Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu e abençoou-os, parti-os e entregou aos discípulos, para que os distribuíssem pela multidão. 17 – Todos comeram, ficaram saciados e ainda encheram doze cestos com os pedaços que tinham sobrado.

Já vos temos falado da força de que dispunha o Cristo, por efeito da sua potencialidade superior, PARA ATRAIR OS FLUIDOS DE QUE PRECISAVA. QUEM, ABAIXO DE DEUS, CONHECE TÃO PROFUNDAMENTE A LEI DOS FLUIDOS? Pela ação da sua vontade poderosa sobre os Espíritos que lhes obedeciam pressurosamente, conseguiu ele, mediante transportamentos e o emprego dos fluidos, multiplicar ao infinito (como dizeis) a pequena quantidade de alimentos que os discípulos tinham à sua disposição. Preparados com os fluidos próprios à sua produção, os quais lhes davam as necessárias propriedades nutrientes, aqueles alimentos satisfaziam as exigências da matéria. BASTANDO UMA DIMINUTA PORÇÃO DELES PARA SACIAR A MAIS DEVORADORA DAS FOMES. Para que a multidão ficasse saciada, não bastaria que Jesus o quisesse? Sem dúvida! E para isso não lhe seria preciso mais do que reunir em torno dela os fluidos convenientes os quais SENDO ASPIRADOS FARIAM CESSAR QUAISQUER EXIGÊNCIAS DO ESTÕMAGO. Entretanto, era mister que, diante daqueles observadores materiais. SE PRODUZISSE UM EFEITO FÍSICO. Compreendei, irmãos, bem - amados de todo o mundo e principalmente vós, senhores das ciências humanas: A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E DOS PEIXES CAUSOU IMPRESSÃO MUITO AMOR DO QUE TERIA CAUSADO A VONTADE DE JESUS ATUANDO NOS HOMENS!



O “MILAGRE” DA MULTIPLICAÇÃO DE PÃES E PEIXES

P – Foi excelente a explicação dada, mas há um ponto que merece destaque maior: o fato de ser considerada, “milagre” a multiplicação dos pães e dos peixes. Como interpreta o caso o Espírito da Verdade, pelo CEU da LBV?

R – Para os Apóstolos, os discípulos e a multidão, foi com os pedaços em que Jesus dividiu os cinco pães e os dois peixes (pedaços que – multiplicados “ao infinito” – ele entregou aos Apóstolos e estes distribuíram pelo povo) que todos se saciaram dando ainda para encher doze cestos, depois de estarem todos satisfeitos. Foi isso o que todos viram; esse o fato que se passara à vista de todos; o fato de que todos eram testemunhas e do qual todos haviam participado, desde que comeram os pedaços dos cinco pães e dois peixes, partidos pelas mãos de Jesus e distribuídos pelos discípulos. FOI ISSO O QUE TODOS VIRAM, SOMENTE ISSO O QUE PODIAM ATESTAR, E ATESTARAM. Por lhes ser incompreensível e inexplicável, dada a ignorância de todos (dos Apóstolos, dos discípulos e da multidão) relativamente a origem, às causas e aos meios ocultos que o produziram. O FATO DA MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E DOS PEIXES FOI POR TODOS CONSIDERADO UM “MILAGRE”. Foi e ainda o é pelos que se conservam estranhos à Nova Revelação. Alguns homens de coração simples e espírito humilde, acreditaram na sua autenticidade sem o compreenderem, firmados no testemunho dos Apóstolos, dos discípulos e da multidão, e na fé que lhes inspira a narração evangélica. Os outros ou fingiram acreditar, por não ousarem negá-lo, ou o negaram e rejeitaram abertamente, encastelados na sua orgulhosa ignorância, pela simples razão de não o poderem compreender e não saberem explicá-lo. E sem a presença da ciência espírita, que vos veio mostrar a origem, as causas e os meios ocultos por que se operou a multiplicação dos pães e dos peixes, fato não seria um “milagre” mesmo para vós? Porventura vedes o que a todo momento se passa em torno de vós no mundo espiritual? Sem a Nova Revelação, ninguém saberia que aquela multiplicação se produziu pela ação espiritual e pelo emprego de fluidos, UMA VEZ QUE A CIÊNCIA COMUM É IMPOTENTE PARA COMPROVÁ-LA, PORQUE NÃO VÊ, NÃO OBSERVA E NÃO DESCOBRE SENÃO COM OS OLHOS CARNAIS. Os Evangelistas que, como os Apóstolos os discípulos e a multidão, não podiam compreender o fato. POR IGNORAREM TAMBÉM A FONTE, AS CAUSAS E OS MEIOS QUE O PRODUZIRAM, SE LIMITARAM (E ASSIM DEVIA, SER A NARRÁ-LO DEBAIXO DA INFLUÊNCIA MEDIÚNICA. “Jesus – dizem eles – partiu com as mãos os cinco pães e os dois peixes, e os deu aos discípulos e estes os deram ao povo; todos comeram e ficaram saciados, e ainda levaram doze cestos cheios dos pedaços de pão e peixe que sobraram”. Estas últimas palavras indicam que Jesus partia os pães e os peixes e dava os pedaços aos discípulos, que os depositavam em cestos, onde os transportavam para distribuí-los pela multidão. Os cestos eram os que as mulheres do Oriente costumam trazer à cabeça e que servem para o transporte de frutas e legumes, assim, como para abrigá-las dos ardores do sol. E muitas mulheres havia na multidão. Antes que se iniciasse a multiplicação dos pães e dos peixes os discípulos – cumprindo as ordens do Mestre – haviam arrebanhado (e colocado junto dele) todos os cestos que as mulheres traziam. Eis aqui, agora, como se operou a multiplicação: tendo nas mãos os pães e os peixes, JESUS OS ENVOLVIA EM FLUIDOS APROPRIADOS A PRODUÇÃO DE TAIS ALIMENTOS (FLUIDOS PRODUTORES). Como deveis compreender, o Cristo – para multiplica-los entre os seus dedos – atraía a si os fluidos próprios ao efeito desejado e os tornava visíveis, tangíveis, dando-lhes o aspecto, a forma e o sabor de pedaços de pão ou de peixe, pois JAMAIS OS CINCO PÃES E OS DOIS PEIXES TERIAM FORNECIDO PEDAÇOS, AINDA QUE DE TAMANHO MÍNIMO, NA QUANTIDADE QUE ERA NECESSÁRIA. Por esse meio, ia ele substituindo nos pães e nos peixes as porções que deles tirava. Assim, era que, com o auxílio dos fluidos produtores em que os envolvia, multiplicava os pães e os peixes e os pedaços em que os partia (pedaços que entregava aos discípulos e que estes colocavam nos cestos). No momento em que nos cestos eram depositados, sob a forma de pedaços de pão e de peixe, os produtos fluídicos obtidos por Jesus, LOGO A ELES SE JUNTAVAM OS QUE OS ESPÍRITOS POR SUA VEZ, TRAZIAM E QUE IMEDIATAMENTE SE TORNAVAM VISÍVEIS E TANGÍVEIS. Esses fornecimentos de pedaços de pão e de peixe os Espíritos os preparavam nas mesmas condições dos que Jesus entregava aos discípulos, com o auxílio dos fluídos produtores, e os depositavam invisíveis nos cestos vazios. À medida que os discípulos deitavam nestes os pedaços que recebiam do Mestre, os Espíritos tornavam visíveis e tangíveis os pedaços que ali já haviam depositado. Assim, de um lado Jesus e os Espíritos tiravam – indefinidamente – dos fluidos produtores que o Mestre atraía para junto de si, os elementos e os meios de multiplicação dos peixes e dos pães e, de outro lado, os discípulos tiravam dos cestos – indefinidamente – os pedaços de pão e peixe cuja provisão se renovava por si mesma, mas sempre mediante a intervenção dos Espíritos prepostos á. produção de tal efeito, que se verificava a medida que os discípulos ali depositavam os pedaços que recebiam de Jesus. Foi por esse processo que, pela ação do Cristo e dos Espíritos Superiores que invisivelmente o cercavam, se operou a multiplicação dos cinco pães e dois peixes, e que OS PEDAÇOS PARTIDOS PELO MESTRE PARECIAM, ÀS VISTAS CARNAIS MULTIPLICAR-SE INFINITAMENTE NAS SUAS MÃOS E DELAS SAÍREM PARA OS CESTOS. Sabeis que o Espírito não deixa ver o objeto que ele transporta senão quando quer ser visto operando, caso em que torna visível o fluido que envolve o mesmo objeto e que serve para realizar o transporte. Mas, igualmente, sabeis que o Espírito; à sua vontade, pode tornar invisível aos olhos grosseiros do homem o objeto que transporta, só o fazendo visível quando e como quiser. Os fluídos que envolvem o objeto transportado não são visíveis, senão querendo o Espírito que o sejam. Fora disso o Espírito passa despercebido assim como o próprio objeto; que ele não submete à vista do homem senão quando julga oportuno o momento, SE JESUS O TIVESSE DESEJADO, TERIA FEITO SOZINHO A MULTIPLICAÇÃO. Mas, entendei, os meios empregados eram mais prontos e mais fáceis para a consecução do fim visado. Com efeito, não era mais fácil e mais pronto que os Espíritos depositassem invisíveis, nos cestos vazios, os produtos que eles mesmos preparavam e os fossem tornando visíveis à medida que os discípulos ali colocassem os produtos que recebiam do Mestre do que este fazer sair de suas mãos para as mãos deles tudo o que fosse preciso para encher os cestos? Os produtos da multiplicação, tendo recebido as formas de pedaços de pão e de postas de peixe, como tais foram comidos pelos cinco mil. E TODOS FICARAM SACIADOS E AINDA LEVARAM DOZE CESTOS CHEIOS DOS PEDAÇOS QUE SOBRARAM.



PRODUTOS CESTOS E PEDAÇOS

P – Os cinco mil não notaram qualquer diferença no gosto do pão e do peixe? E qual o destino que tiveram os cestos? Que aconteceu, ainda, com os pedaços de pão e peixe que sobraram? São perguntas que fazem os componentes do nosso Posto, com relação ao capítulo em pauta. Como as responde o Espírito da Verdade?

R – Os cinco mil receberam os produtos da multiplicação como se não tivesse havido multiplicação: era o gosto perfeito do pão e do peixe. E não existe, aí nada que vos deva espantar. Os sonâmbulos magnéticos não tomam a água, o vinho, ou qualquer alimento COMO SENDO O QUE SE LHES DIGA QUE SÃO? Não sabeis qual seja o poder da influência espiritual no homem? Como então, ignorar A INFLUÊNCIA DE JESUS E DA FALANGE INUMERÁVEL DE ESPÍRITOS QUE O RODEAVAM? Não tendes visto aparecerem, sem que ninguém saiba como, sob a forma de coisas materiais, próprias para a alimentação humana, PRODUTOS OBTIDOS COM O EMPREGO DE FLUIDOS PRODUTORES E QUE TEM PARA O HOMEM, O ASPECTO E O SABOR DOS PRODUTOS HUMANOS QUE REPRESENTAM? Dizem os Evangelistas que todos comeram e ficaram saciados e ainda levaram doze cestos, cheios dos pedaços que sobraram. Não dizem o que foi feito desses doze cestos, nem que os cinco pães e os dois peixes estivessem com os Apóstolos. Não dizem, ainda, se foram conservados os pedaços que sobraram. É que tudo isso pouco importa. Qualquer que tenham sido a quantidade dos peixes e dos pães, as pessoas que forneceram os cestos e o destino dado a estes e àquilo que continham, o fundamental é que O FATO PRODUZIDO POR JESUS REALMENTE SE VERIFICOU. Isto, sim, importa que todos saibam. Deveis compreender que, em multidão considerável como aquela, há sempre uma certa agitação. Terminada a distribuição dos pães e dos peixes, os Apóstolos deixaram no chão os cestos, de que se tinham servido para fazê-la, e foram tomar a barca, a fim de se transportarem à outra margem, onde – de acordo com a ordem recebida – esperariam o Mestre, que ficava assistindo à dispersão do povo. Mais preocupados com suas necessidades espirituais do que com as do corpo, que no momento se achavam satisfeitas, os Apóstolos não cuidaram de mais nada. A influência oculta, que sobre eles era exercida, lhes dirigia a atenção para aquilo que os pudesse impulsionar, sempre que se fazia preciso desviá-la de outros pontos. A ordem de Jesus – passarem, antes dele, para a outra margem – tinha por objetivo preparar um novo fato que se devia produzir. Na sua retirada desordenada e confusa, aquela grande massa de homens, mulheres e crianças, ia tropeçando nos cestos, alguns dos quais foram apanhados vazios, enquanto outros já ficavam esmagados, SEM QUE NINGUÉM SE PREOCUPASSE COM ELES NEM COM O SEU CONTEÚDO. Os fluidos componentes dos “produtos fluídicos” que, sob as formas de pedaços de pão e de postas de peixe, sobraram da distribuição, voltaram à fonte de onde tinham sido tirados, logo que – sob a ação dos Espíritos – desapareceu dos mesmos produtos a tangibilidade e tudo entrou de novo na ordem da humanidade terrena. TUDO FORA PREVISTO, PREPARADO PARA A EXECUÇÃO DAS OBRAS DO CRISTO ENTRE OS HOMENS. Notai, por último, que a narrativa evangélica, feita sob a influência mediúnica, tratando do fato que acabamos de apreciar, reproduz mais uma vez – como convinha que ocorresse sempre – AS IMPRESSÕES E CONCLUSÕES HUMANAS. Notai, ainda, que o Mestre, segundo decore dessas impressões e conclusões, TEVE POR FIM, COMO SEMPRE, DESPERTAR E CHAMAR SOBRE SI A ATENÇÃO DE SEUS DISCÍPULOS E DA MULTIDÃO, DE TAL MODO QUE – ACREDITADO TODOS (COMO ACREDITARAM) SER JESUS DE NATUREZA IGUAL A DOS OUTROS HOMENS – FICASSEM VIVAMENTE IMPRESSIONADOS POR SEUS ATOS E PALAVRAS.





JESUS E PEDRO CAMINHAM SOBRE AS ÁGUAS

P – Todos estão ansiosos por ver explicada a passagem do Evangelho em que Jesus e Pedro caminham por sobre o mar. Como a interpreta, pelo CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Vamos harmonizar Mateus XIV: 23-33 e Marcos, VI 46-52.

MATEUS: 23 – Tendo despedido a multidão, Jesus subiu a um monte, para falar com Deus. Ao cair da noite, lá se achava ele só. 24 – Entretanto, a barca era impelida de um lado para outro pelas ondas, no meio do mar, pois o vento era contrário. 25 – Mas, na quarta vigília da noite, Jesus veio ter com eles, caminhando por sobre o mar. 26 – Ao vê-lo andando sobre as águas, eles se turbaram e diziam: “É um fantasma!” E, apavorados, se puseram a gritar. 27 – Logo, porém, Jesus lhes falou assim: “Tende confiança! Sou eu! Não temais!” 28 – Pedro lhe respondeu: “Senhor, se és tu mesmo, ordena que eu vá ao teu encontro caminhando sobre as águas!” 29 – E Jesus lhe disse: “Vem!” E Pedro, descendo da barca, andou sobre as águas em direção a Jesus. 30 – Mas, vendo que o vento estava forte, teve medo, e, como principiasse a submergir bradou: “Salva-me, Senhor!” 31 - Ato contínuo, Jesus estendendo-lhe a mão o segurou e lhe disse: “Por que duvidaste, homem sem fé?” 32 – Assim que subiram, para a barca, o vento cessou. 33 – Então os que estavam na barca se aproximaram dele e o adoraram, dizendo: És, verdadeiramente, o Filho de Deus!

MARCOS: 46 – Depois de haver despedido o povo, Jesus subiu a um monte, para orar. 47 – Ao cair da noite, a barca estava no meio do mar, e Jesus estava sozinho em terra. 48 – Vendo que seus discípulos tinham grande dificuldade em remar, por lhes ser contrário o vento, Jesus, por volta da quarta vigília da noite, veio ter com eles, caminhando sobre o mar, pois queria passar-lhes adiante. 49 – Eles, porém, desde que o viram caminhando sobre o mar, supuseram ser um fantasma e começaram a gritar. 50 – pois todos o viram e ficaram apavorados. Ele logo lhes falou, dizendo: “Acalmai-vos! Sou eu! Não tenhais medo!” 51 – Subiu para a barca onde eles estavam e o vento cessou, e eles ficaram ainda mais espantados, 52 – visto que não tinham compreendido a multiplicação dos pães e peixes é que seus corações estavam cegos.

Facilmente deveis compreender o fato de Jesus andar sobre as águas. Do mesmo modo que o Espírito pode atravessar os ares, podia o Mestre – unicamente pela ação da sua vontade. - PRIVAR O SEU PERISPIRITO TANGÍVEL DO CUNHO HUMANO QUE LHE IMPRIMIRA E DAR-LHE AS CONDIÇÕES ETÉREAS DAS FORMAS ESPIRITUAIS. No momento em que, caminhando por sobre o mar, veio ter com seus discípulos, Jesus se colocara nas condições perispiríticas das aparições. Seu corpo perispiritual, conservando a aparência do corpo humano, a visibilidade e a tangibilidade, era – quando deu a mão a Pedro – MAIS LEVE DO QUE A ÁGUA, TENDO-SE EM VISTA O PESO ESPECÌFICO DA ONDA DO MAR. Seus discípulos, como diz o Evangelista, julgaram tratar-se de um fantasma, quando o viram caminhando sobre as ondas. Ficaram sem saber se o que viam era, mesmo o Cristo ou uma simples aparição. É que nessa ocasião, como dissemos, Jesus se colocara, NAS CONDIÇÕES PERISPIRÍTICAS DAS APARIÇÕES, QUE ALGUNS DELES JÁ TINHAM PODIDO OBSERVAR. É QUE, EM TODOS OS TEMPOS O MUNDO INVISÍVEL ESTEVE SEMPRE EM COMUNICAÇÃO COM A HUMANIDADE TERRESTRE. Suas manifestações, que os homens não compreendiam por lhes desconhecerem as causas, passavam – mesmo no tempo do Mestre – por ser ou: fantasias da imaginação ou obra dos Espíritos maus; ou, ainda, uma graça especial, que Deus se dignava de conceder a esta ou àquela das suas criaturas na Terra. Entre os idólatras, vós o sabeis muito bem, essas aparições deram causa à multiplicação dos deuses e deusas DOS QUAIS FOI VÍTIMA A CREDULIDADE DO POVO, EXPLORADA PELA AMBIÇÃO OU PELA CUPIDEZ. Os judeus, como os outros povos, tinham, nas suas famílias, médiuns videntes que, às vezes, observavam a aparição de um amigo, de um parente e, mesmo, de alguns de seus patriarcas e profetas, pois – não o ignorais – OS ESPÍRITOS PODEM REVESTIR TODAS AS FORMAS. Daí o fato de não ter o Apóstolo Pedro – que era médium audiente e vidente muito adiantado, muito desenvolvido, e também médium de efeitos físicos – podido reconhecer o Mestre, tomando-o por um fantasma. Ele via em Jesus apenas a aparência inconsistente das aparições que já tinha observado. Só quando o Cristo o segurou pela mão, verificou que era realmente Jesus, pois AINDA NÃO TIVERA ENSEJO DE EXPERIMENTAR A TANGIBILIDADE DAS APARIÇÕES. Estando Pedro decidido, pela sua fé, a obedecer a Jesus, ordenou este mentalmente, aos Espíritos que o cercavam – prepostos ao efeito de sustentarem o Apóstolo sobre as ondas – que o sustentassem: assim, pôde ele, também, caminhar sobre as águas. Foi, ainda, obedecendo a uma ordem mental do Mestre, que os mesmos Espíritos deixaram que ele submergisse um pouco. NO MOMENTO EM QUE LHE VOLTAVA A DÚVIDA. Não era preciso que Jesus desse a mão a Pedro para que este, caminhando com ele sobre as águas, voltasse à barca: teria bastado o amparo dos Espíritos prepostos à sustentação do Apóstolo. O Cristo, porém, querendo demonstrar a Pedro que era mesmo, o seu Mestre (que ali se achava e o sustentava com o seu poder), lhe estendeu a mão. De fato, assim era, porque – se Jesus não o houvesse ordenado – os Espíritos não teriam ajudado o Apóstolo a manter-se em equilíbrio, caminhando pela superfície do mar. Como dissemos, Pedro era (para nos servirmos de uma expressão consagrada) médium de efeitos físicos, da mais alta categoria. Assim, foi com o auxílio dos fluidos nele existentes que os Espíritos prepostos conseguiram sustentá-lo, de modo a poder caminhar sobre as ondas FOI, TAMBÉM, GRAÇAS A ESSA MEDIUNIDADE QUE ELE CONSEGUIU (AUXILIADO PELOS ESPÍRITOS PREPOSTOS A REALIZAÇÃO DESSE OUTRO FATO) LIBERTAR-SE DAS CORRENTES COM QUE O ATARAM NA PRISÃO (ATOS DOS APÓSTOLOS, XII: 6-7). E QUE DE OUTRO MODO NÃO TERIA EXPLICAÇÃO.  Mas, mesmo, que o Apóstolo não fosse médium de efeitos físicos, nem por isso deixaria de ser sustentado pelos Espíritos prepostos e de caminhar, com o auxílio deles, sobre as águas do mar, JÁ QUE O MESTRE O QUERIA. Desde que essa era a vontade de Jesus, os Espíritos reuniriam em torno de Pedro os fluidos, de que necessitavam para sustentá-lo: o fato se produziria exatamente como se deu. Logo que Jesus e Pedro entraram na barca, cessou a ventania. CESSOU PORQUE ASSIM O ORDENOU JESUS MENTALMENTE AOS ESPÍRITOS PREPOSTOS AO GOVERNO DOS VENOS E DAS ÁGUAS, COMO ACONTECEU COM RELAÇÃO À TEMPESTADE QUE SE DESENCADEOU NO MAR E QUE POR ORDEM DO CRISTO, CESSOU IMEDIATAMENTE FAZENDO-SE GRANDE BONANÇA. Pois, sempre que, tenhais merecimento, o Mestre aplacará todas as tempestades que ameaçarem as vossas vidas por causa da pregação e da EXEMPLIFICAÇÃO DO NOVO MANDAMENTO DE JESUS!



JESUS NÃO É DEUS

P – Lemos no capítulo em exame: “Então os que estavam na barca se aproximaram dele e o adoraram dizendo: – És, verdadeiramente, o Filho de Deus”. Como devemos entender tais palavras nos ensinos do Espírito da Verdade?

R – Para o homem fatos que tanto o surpreendiam SÓ PODIAM PROVIR DO PRÓPRIO DEUS. Ora, sendo Jesus quem servia de intermediário para a produção dos fatos “milagrosos”, o cognome que ele a si mesmo dava de Filho de Deus lhe valeu imediatamente, aos olhos dos homens, o cunho da Divindade. Sem atinarem com o sentido genérico das palavras MEU PAI, que ele freqüentemente empregava, falando do Criador Universal, os homens lhes deram de pronto o sentido restrito, e assim o consideraram COMO TENDO SIDO GERADO PELO PRÓPRIO DEUS: SENDO, PORTANTO, UMA PERSONIFICAÇÃO DA DIVINDADE ONIPOTENTE. Em, conseqüência, eles o adoraram, o que deu causa ao erro – que tão profundamente se arraigou – segundo o qual Deus, querendo salvar a Humanidade e resgatar-lhe as faltas, se oferecera a si mesmo em HOLOCAUSTO DE PROPICIAÇÃO. Aliás, não foi um mal que tal erro se houvesse generalizado, pois serviu àquela época e PREPAROU O FUTURO RESERVADO A NOVA REVELAÇÃO DO PARÁCLITO. O homem, sempre orgulhoso do seu valor pessoal julgou-se tão importante aos olhos do Criador QUE ENTENDEU SÓ PODEREM SUAS FALTAS SER RESGATADAS COM O SACRIFÍCIO DO ONIPOTENTE EM PESSOA, NA CONDIÇÃO HUMANA! Só mesmo Deus, isto é, somente Aquele que, por efeito exclusivo de sua vontade, segundo o modo de ver do próprio homem precipitaria, se o quisesse, no completo caos todos os mundos disseminados pelo Infinito, poderia operar resgate tão precioso, MEDIANTE UM SACRIFÍCIO IMOLANDO-SE A SI MESMO, REBAIXANDO-SE, PORTANTO, AO NÍVEL DAS SUAS INDIGNAS CRIATURAS! SÓ ASSIM, SEM DÚVIDA, A VÍTIMA IMOLADA SERIA DIGNA DAQUELES CUJO RESGATE REPRESENTARIA O PREÇO DA IMOLAÇÃO! Orgulho, delirante orgulho do homem que sempre se considerou “o rei da criação”, quando não é mais que um miserável inseto que passa despercebido, por assim dizer, como insignificante mosquito que voa num raio de sol! Felizmente, a Nova Revelação, rompendo o véu da letra e todas as suas superstições, que ocultavam à Humanidade a Luz e a Verdade vem na hora certa, predeterminada pelo Senhor quando as inteligências se desenvolveram e o progresso espiritual se realizou DAR-VOS A CONHECER QUEM É O FILHO E QUEM É O PAI RESTAURANDO O ENSINO DO PRÓPRIO CRISTO QUE SEMPRE DEIXOU BEM CLARO PARA TODOS OS SÉCULOS: JESUS É O FILHO, COMO TODOS VÓS QUE “SEREIS DEUSES” E DEUS É O PAI ETERNO!



CORAÇÕES CEGOS

P – Diz o Evangelista: “O espanto de que ficaram tomados os discípulos, quando viram Jesus caminhando sobre as águas, mais ainda cresceu quando cessou o vento, logo que ele entrara na barca; pois não tinham compreendido a multiplicação dos pães e dos peixes porque seus corações estavam cegos”. Qual o significado real dessas palavras, segundo o Espírito da Verdade?

R – Estas palavras “porque seus corações estavam cegos” significam: PORQUE NÃO PROCURAVAM COMPREENDER. Seus olhos espirituais ainda estavam velados. Para os discípulos, a multiplicação dos pães e dos peixes se produzira a bem dizer, por si mesma, pois OS PÃES E OS PEIXES, QUE JESUS PARTIA, PARECIAM RENOVAR-SE INCESSANTEMENTE, NAS SUAS PRÓPRIAS MÃOS, DO MESMO MODO QUE NOS CESTOS OS PEDAÇOS SE MULTIPLICAVAM SEM ELES PODEREM VER POR QUE MEIOS, E SEM MESMO PROCURAREM INTEIRAR-SE DO FATO! Na verdade, não vos acontece, algumas vezes, serdes testemunhas de acontecimentos que, na aparência, se produzem com derrogação das leis comuns à humanidade, observá-los sem os compreenderdes e sem, sequer, fazerdes o menor esforço por consegui-lo? O fato de Jesus caminhar por sobre as águas e a tentativa de Pedro, para fazer o mesmo, IMPRESSIONARAM MAIS OS DISCÍPULOS QUE A MULTIPLICAÇÃO DOS PEIXES E DOS PÃES, porque – para o entendimento humano deles – o primeiro fato surpreendia mais, por isso que MAIS PERCEPTÍVEL LHES ERA A IMPOSSIBILIDADE DE QUALQUER CRIATURA TRANSFORMAR A SUPERFÍCIE MÓVEL DO MAR EM TERRENO CAPAZ DE LHE RESISTIR AO PESO. Concorrendo cada um daqueles fatos reciprocamente, para avivar a impressão do outro ambos contribuíram para que seus olhos se desvendassem; e eles acabaram por compreender os dois acontecimentos que num dia só, presenciaram. E os compreenderam NÃO PORQUE TIVESSEM ADQUIRIDO O CONHECIMENTO DE SUAS ORIGENS E CAUSAS, E DOS MEIOS PELOS QUAIS SE PRODUZIRAM, POIS SÓ A NOVA REVELAÇÃO ESTAVA RESERVADO DAR ESSE CONHECIMENTO AOS HOMENS, MAS PORQUE “APRENDERAM” QUE TAIS FATOS DENUNCIAVAM A AÇÃO DE UMA POTÊNCIA TÃO SUPERIOR AO HOMEM QUE SÓ MESMO DEUS OS PODIA PRODUZIR. DAÍ ACHAREM QUE FORAM “MILAGRES” OPERADOS PELA PRÓPRIA DIVINDADE ONIPOTENTE. Portanto, não foi por não terem compreendido o fato material da multiplicação que os discípulos se encheram de espanto, vendo Jesus caminhar sobre as ondas: foi porque na ocasião, não encararam aquele fato como obra do próprio Deus como posteriormente o consideraram. Se assim o tivessem considerado logo que se deu, não se teriam admirado do outro: O PRIMEIRO “MILAGRE” OS TERIA FEITO COMPREENDER DO MESMO MODO O SEGUNDO.





A FÉ E A AÇÃO MAGNÉTICA

P – Um episódio que motiva controvérsias é o da cura dos enfermos que tocavam as vestes de Jesus. Como a explica o Espírito da Verdade?

R – Vamos reler Mateus XIV: 34-36 e Marcos, VII 53-56.

MATEUS: 34 – Tendo atravessado o lago, vieram eles à terra de Genesaré, 35 – e, reconhecendo-os, os do lugar espalharam a notícia por todo o país e lhe apresentaram todos os doentes; 36 – e lhe pediam que os deixasse, apenas tocar na fímbria de suas vestes. E ficaram sãos todos aqueles que as tocaram.

MARCOS: 53 – Tendo atravessado o lago, vieram à terra de Genesaré, onde aportaram. 54 – Assim que desembarcaram, os habitantes do lugar reconheceram Jesus. 55 – Transmitiram a notícia a todo o país e começaram a trazer, de todos os lados, os doentes em seus leitos, para onde quer que o ouviam dizer que ele estava. 56 – Em qualquer lugar que entrasse – burgo, aldeia ou cidade – punham os enfermos nas praças públicas e pediam lhes fosse permitido tocar somente a fímbria de sua capa; e todos os que tocavam nela ficavam imediatamente curados.

Já vos explicamos O PODER MAGNÉTICO DE QUE JESUS DISPUNHA. O tocar-lhe nas vestes – fato que, devido à ignorância das causas e dos efeitos, os homens tinham por “milagroso” – não passava de UM MEIO MATERIAL, QUE LHES ERA INDISPENÁVEL. A cura se operava pela ação daquele que exercia poder soberano sobre os elementos etéreos. Era, portanto, resultado da união desse poder com a fé que os curados possuíam. Entendei: os doentes se curavam NÃO POR TEREM TOCADO NA FÍMBRIA DA CAPA OU DAS VESTES DE JESUS, MAS PELA AÇÃO DA SUA VONTADE PODEROSA, SOLICITADA PELA FÉ INABALÁVEL DOS ENFERMOS QUE TOCAVAM O MESTRE. A cura era feita, como dissemos pela ação magnética exercida por Jesus; pela emissão que ele fazia – sob o influxo desta ação – dos fluidos apropriados a cada espécie de doença, os quais eram dirigidos para o organismo do enfermo. Com o mesmo critério deveis entender as curas operadas por “lenços e panos” e até pela “sombra” dos Apóstolos, das quais vos falaremos quando chegar a hora: TUDO É MAGNETISMO, COMPLETADO PELA FÉ, SEM A QUAL É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS.





AS TRADIÇÕES E A HIPOCRISIA

P – Os escribas e fariseus censuraram os discípulos do Cristo por não lavarem as mãos antes de comer. A resposta do Mestre parece; a muitos opositores, apologia da falta de higiene. Como explica essa parte do Evangelho, no CEU da LBV, o Espírito da Verdade?

R – Vamos reunir Mateus, XV: 1-20 e Marcos, VII: 1-23.

MATEUS: 1 – Então, alguns escribas e fariseus que tinham vindo de Jerusalém, se aproximaram de Jesus e lhe disseram; 2 – Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos antigos, não lavando as mãos antes de comer? 3 – Jesus lhes respondeu: “É por que vós transgredis os Mandamentos de Deus, em obediência à vossa tradição? Deus ordenou; 4 – “Honra a teu pai e tua mãe” e Moisés acrescentou: “Seja punido de morte aquele que houver ultrajado a seu pai e sua mãe”. 5 – Vós, porém, dizeis, quem quer que haja dito a seu pai ou sua mãe: “Tudo o que ofereço a Deus vos é útil”, satisfaz à lei, 6 – embora, a seguir, deixe de honrar e assistir seu pai e sua mãe. Assim, tornastes nulo o Mandamento de Deus pela vossa tradição. 7 – Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, dizendo: 8 – “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 9 – Portanto, é em vão que eles me honram, ensinando doutrinas e mandamentos de homens!” 12 – Os discípulos, então, aproximando-se, disseram a Jesus: “Sabes que os fariseus, ouvindo o que disseste, se escandalizaram?” 13 – Ele respondeu: “Toda planta que meu Pai Celestial não plantou será arrancada pela raiz. 14 – Deixai-os, são cegos que conduzem cegos: ora, se um cego se faz guia de outro cego, ambos caem no fosso”. 15 – Disse, então, Pedro: “Explica-nos esta nova parábola”. 16 – Jesus lhe replicou: “Também vós sois tardos de entendimento? 17 – Não compreendeis que tudo que entra pela boca desce ao ventre e é lançado fora? 18 – Mas o que sai da boca vem do coração e mancha o homem, tornando-o impuro: 19 – pois do coração vêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as blasfêmias, os roubos, os falsos testemunhos, as maledicências. Estas são as coisas que mancham o homem; mas comer, sem lavar as mãos, não o torna impuro.

MARCOS: 1 – Alguns escribas e fariseus, vindo de Jerusalém, foram ter com Jesus, 2 – e, tendo visto seus discípulos tomarem a refeição com as mãos não lavadas, os censuraram; 3 – pois os fariseus não comem sem terem lavado as mãos muitas vezes, guardando a tradição dos antigos. 4 – E, quando voltam da praça pública, não comem, sem se haverem banhado, mantendo muitos outros costumes mais, cuja observância lhes foi transmitida pela tradição e eles conservam, como o de lavarem os corpos, os jarros, os vasos de bronze e os leitos. 5 – Perguntaram-lhe, pois, os escribas e os fariseus: “Por que não seguem teus discípulos a tradição dos antigos, comendo sem terem lavado as mãos?” 6 – Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: “Este povo me honra com os lábios mas o seu coração está longe de mim; 7 – É em vão que eles me honram ensinando doutrinas e mandamentos de homens”; 8 – pois, deixando de lado o Mandamento de Deus, observais com cuidado a tradição dos homens, lavando os jarros e os cálices, e fazendo muitas outras coisas semelhantes”. 9 – E lhes dizia: “Anulais totalmente o Mandamento de Deus, para guardardes a vossa tradição. 10 – Assim, enquanto Moisés diz: “Honrai a vosso pai e vossa mãe” e “seja punido de morte aquele que tenha ultrajado a seu pai ou sua mãe”, 11 – vós dizeis: “Se um homem diz a seu pai ou sua mãe “Tudo o que ofereço a Deus vos é útil”, ele satisfaz à lei”. 12 – E lhe permitis que não faça mais coisa alguma por seu pai ou sua mãe. 13 – Revogais, assim, a palavra de Deus pela tradição, que vós mesmos estabelecestes, e deste modo fazeis muitas outras coisas semelhantes”. 14 – Chamando novamente o povo para perto de si, Jesus lhe disse: “Ouvi-me vós todos e compreendei: 15 – Nada há do que existe fora do homem que, entrando nele, o possa macular e tornar impuro. 16 – Se alguém tiver ouvidos de ouvir, ouça!” 17 – Logo que apartando-se do povo, entrou em casa seus discípulos lhe perguntaram o que significava aquela parábola. 18 – Jesus lhes disse: “Tão pouco inteligentes sois ainda? Não compreendeis que tudo que está fora do homem e entre nele não o torna impuro, 19 – pois nada disso entra em seu coração, mas desce ao ventre e é lançado fora?” 20 – E acrescentava: “O que macula o homem é o que sai do próprio homem, 21 – Pois de dentro do coração é que saem os maus pensamentos, os adultérios, os homicídios, 22 – a avareza, o roubo, o orgulho, a felonia, as iniqüidades, os desregramentos. 23 – Todos esses males vêm de dentro do coração do homem e, por isso o maculam”.

Como Jesus, também nos vos dizemos: DESCONFIAI DAS TRADIÇÕES! SUAS PALAVRAS, DIRIGIDAS AOS FARISEUS, SE APLICAM PERFEITAMENTE AOS TEMPOS ATUAIS. Desconfiai das tradições, porque elas deturparam a Lei do Amor que o Cristo nos deu, ao decretar seu Novo Mandamento. Dessa Lei sublime a tradição fez o que já fizera com o Decálogo, dado a Moisés no Sinai. Por isso mesmo, deixai de lado a tradição e retornai ao Cristianismo do próprio Cristo, mesmo que os fariseus de hoje se escandalizem: ELES FALAM E PROCEDEM, COM RELAÇÃO A VÓS OUTROS, EXATAMENTE COMO FALARAM E PROCEDERAM COM RELAÇÃO A JESUS, OS FARISEUS DE OUTRORA. Sim, deixai que eles se escandalizem porque serão forçados a abandonar suas tradições e voltar a eterna Lei do Mestre, mãe de todas as virtudes! Mas preservai-vos de tudo o que vos possa manchar: maus pensamentos, palavras e atos! Conduzi-vos com humildade tirando boas coisas do bom tesouro do vosso coração e repartindo-as com os vossos irmãos! Os judeus, fazendo voto ou oferenda podiam dispor, em favor do culto de uma certa parte dos seus bens. Desde então pretextando que essa parte representava tudo o de que poderiam dispor em benefício de seus pais, se consideravam dispensados de lhes dar assistência: ALEGAVAM, PARA SE JUSTIFICAREM, QUE DO QUE OFERECIAM AO SENHOR OS PAIS APROVEITARIAM SOB A FORMA DE BENÇÃO CELESTES! HIPOCRISIA TANTO DO ÍMPIO QUE DESSE MODO DESONRAVA A DIVINDADE, QUANTO DO SACERDÓCIO INDIGNO, QUE TOLERAVA E ANIMAVA SEMELHANTES PROFANAÇÕES. Não houve apologia à falta de higiene: O Mestre combatia um exagero com outro exagero, o do Bem contra o Mal. E o exemplo, escolhido por Jesus, tinha por objetivo induzir os escribas e os fariseus a refletirem sobre o que chamavam A TRADIÇÃO DOS ANTIGOS E REJEITAREM TUDO O QUE ESSA TRADIÇÃO ENCERRAVA DE CONTRÁRIO À LEI DIVINA TAL QUAL O SENHOR A REVELARA POR INTERMÉDIO DE MOISÉS E DOS PROFETAS.



A TRADIÇÃO DOS ANTIGOS E A DOS CRISTÃOS

P – Nosso Posto deseja focalizar, na Cruzada do Novo Mandamento, estas palavras de Jesus: “Nada há fera do homem que, entrando nele, o possa macular Não é o que entra na boca do homem que o torna impuro: o que sal da boca é que o macula”. Como o Espírito da Verdade interpreta esse ensinamento do Mestre?

R – Os costumes aditados às Leis Reais é que constituíam a tradição dos antigos: o termo "costumes", aqui, indica TODAS AS DOUTRINAS, PRESCRIÇÕES, PRECEITOS E MANDAMENTOS CRIADOS PELOS HOMENS E POR ELES ESTABELECIDOS. Por Leis Reais designamos as Leis Divinas que, em obediência à vontade do Senhor, foram reveladas aos hebreus por Moisés. Vós outros, CRISTÃOS DO NOVO MANDAMENTO tendes igualmente a vossa tradição dos antigos, representada pelas doutrinas, prescrições, preceitos e mandamentos que os homens formularam, alterando, deturpando falseando com os seus acrescentamentos, a Lei Divina que, em obediência à vontade de Deus, Jesus lhes revelou, durante o desempenho da sua missão terrena. Mas aquela Lei – com exclusão de qualquer outra – se contém integralmente na palavra do Cristo que, velada pela letra ENQUANTO ISSO ERA NECESSÁRIO, constituiu a base, a fonte e o fundamento da Nova Revelação, que vem explicá-la, desenvolvê-la e fazê-la compreensível, na época marcada pelo Senhor para  o  advento  do   ESPÍRITO QUE VIVIFICA, SUBSTITUINDO A LETRA  QUE  MATA. Assim como Jesus veio combater, entre os judeus, a tradição dos antigos, arrancando desse modo toda planta que não foi plantada pelo Pai Celestial, TAMBÉM HOJE O ESPÍRITO DA VERDADE QUE REPRESENTA O CRISTO DE DEUS, VEM COMBATER ENTRE VÓS TUDO O QUE CONSTITUI A TRADIÇÃO DOS ANTIGOS, ARRANCANDO   IGUALMENTE   TODA   PLANTA QUE  PELO   SENHOR   NÃO  FOI   PLANTADA. O que Jesus disse aos escribas e fariseus daquele tempo se aplica aos escribas e fariseus de hoje – repelido e rejeitando a Nova Revelação, trazida aos homens pelos Espíritos do Senhor, órgãos do Espírito da Verdade – se esforçam também por manter a tradição dos antigos, honrando a Deus com os lábios, ensinando doutrinas e mandamento humanos! Entendei: DEUS PODE ADMITIR A PUREZA EXTERIOR, QUANDO VÊ. QUE O CORAÇÃO ESTA SUJO? PODE ACEITAR O CULTO DOS LÁBIOS QUANDO VÊ QUE O CORAÇÃO ESTA CHEIO DE HIPOCRISIA? PODE ABENÇOAR O HOMEM E PERDOAR-LHE, QUANDO VÊ QUE ÊLE AMALDIÇOA E SE VINGA? Eis por que vos dizemos: honrai a Deus do fundo de vossos corações vivei a Lei do Amor, sintetizada no Novo Mandamento; não sejais sepulcros caiados por fora.  Então, sim, estareis limpos integralmente, não apenas porque lavastes as mãos ou o corpo.