segunda-feira, 12 de junho de 2017

Tentação de Jesus / Jesus e Satanás / Deus Jesus Espírito Santo // Jesus e os Homens I a VII

TENTAÇÃO DE JESUS

P – Não podemos viver mais sem a Doutrina do Novo Mandamento de Jesus, ditada pelo Espírito da Verdade. A unificação das Quatro Revelações do Cristo são aúltima palavra para a pobre Humanidade desvairada! Como devemos entender a tentação do Mestre?

R – Para a explicação necessária, vamos reunir estas passagens dos Evangelhos Sinóticos: Mateus, IV: 1-11; Marcos, I: 12-13; Lucas, IV: 1-13.

MATEUS: 1 – Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado por Satanás. 2 – Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. 3 – Então, aproximando-se dele, disse o tentador: – Se és o Filho de Deus, ordena a estas pedras que se tornem pães. 4 – Jesus lhe respondeu – Está escrito: nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. 5 – Satanás o transportou à cidade santa, colocou-o no pináculo do templo, e lhe disse: 6 – Se és o Filho de Deus, lança-te daqui a baixo, pois está escrito que Ele ordenou a seus Anjos tenham cuidado contigo e te sustentem com suas mãos, para que não firas os pés em alguma pedra. 7 – Jesus respondeu: – Também está escrito: não tentarás o Senhor teu Deus. 8 – O tentador o transportou, ainda, para um monte muito alto, onde lhe mostrou todos os reinos do mundo e a glória que os acompanha, 9 – e lhe disse: – Eu te darei todas essas coisas se, ajoelhado diante de mim, me adorares. 10 – Jesus replicou: – Retira-te, Satanás, pois está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 11 – Então, Satanás o deixou. Os Anjos cercaram Jesus e o serviram.

MARCOS: 12 – E logo o Espírito o impeliu ao deserto, 13 – onde passou quarenta dias e quarenta noites, sendo tentado por Satanás. Habitava com as feras e os Anjos o serviam.

LUCAS: 1 – Cheio do Espírito Santo, Jesus se afastou do Jordão, e foi pelo Espírito impelido para o deserto. 2 – Alí permaneceu quarenta dias e quarenta noites, e foi tentado por Satanás; nada comeu durantes esses dias; passados eles, teve fome. 3 – Disse-lhe, então, Satanás: – Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães. 4 – Jesus lhe respondeu: – Está escrito: o homem não vive só de pão, mas de toda palavra que vem de Deus. 5 – Satanás o transportou para um alto monte e lhe mostrou, num instante, todos os reinos da Terra, 6 – dizendo-lhe: – Eu te darei todo esse poder e a glória desses reinos, porquanto eles me foram dados e eu os dou a quem quero. 7 – Se, pois, me quiseres adorar, todas essas coisas te pertencerão. 8 – Jesus lhe respondeu: – Está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 9 – Satanás ainda o transportou a Jerusalém, colocando-o no pináculo do templo, e lhe disse: – Se és Filho de deus, lança-te daqui abaixo, 10 – pois está escrito haver Ele ordenado a seus Anjos que te cerquem de cuidados e te guardem, 11 – e te amparem com suas mãos, para que não firas os pés em alguma pedra. 12 – Jesus lhe respondeu: – Está escrito: não tentarás o Senhor teu deus. 13 – Terminada a tentação, Satanás se afastou dele por algum tempo.

Satanás, o diabo, o demônio – são nomes alegóricos, pelos quais se designa O CONJUNTO DOS MAUS ESPÍRITOS empenhados na perda do homem e da mulher. Satanás não era um Espírito especial, mas a síntese dos piores Espíritos que, purificados agora na sua maioria, perseguiam os homens e mulheres, para desviá-los do caminho do senhor. Mas todos se purificarão com o tempo, por meio de uma série de provações e expiações em reencarnações sucessivas, precedida cada uma, no espaço, na erraticidade, dos sofrimentos e torturas morais apropriados e proporcionados aos crimes ou faltas cometidas. Tais são, para o Espírito culpado, encarnado ou errante, o inferno, o purgatório, a expiação, a reparação, o progresso. A reencarnação é a escada santa que todos os homens terão de subir. Constituem-lhe os degraus as fases das diversas existências nos mundos inferiores, depois nos mundos superiores, porque Deus determinou que, para chegar a Ele, teria o homem de nascer, “morrer” e renascer até aos limites da Perfeição. E nenhum chegará até Ele SEM SE PURIFICAR PELA REENCARNAÇÃO. Muitas Igrejas negam essa Lei Universal, mas nem por isso ela deixa de existir: é anterior ao homem e à vossa morada planetária.






A TENTAÇÃO E O JEJUM

P – Como o Espírito da Verdade explica, através do CEU da LBV, o jejum e a tentação de Jesus, narrados pelos Evangelistas Mateus, Marcos e Lucas?

R – O jejum e a tentação do Mestre são, igualmente, uma figura. Como vos explicaremos, daqui a pouco, só foram consideradas reais pelos homens em conseqüência dos comentários que, finda a missão terrestre do Cristo, os Apóstolos e os discípulos teceram em torno do discursso que ele, doutrinando, proferiu sobre as tentações a que está sujeita a humanidade, as ciladas que lhe armam os ESPÍRITOS DO MAL, da perseverança e da fé com que lhes deve resistir. Esses comentários, sob a influência dos preconceitos do tempo e das tradições hebraicas, criaram a opinião de que aquele discurso, dadas as circunstâncias em que foi pronunciado, resumia O QUE SE PASSOU COM O PRÓPRIO JESUS. Daí o tratarem os Evangelistas de um jejum e de uma tentação a que Satanás teria submetido o Mestre, como se falassem de fatos materiais, fatos reais ocorridos pessoalmente com o Salvador. Tais “fatos”, porém, tidos como reais, materialmente produzidos DO PONTO DE VISTA DAS AUTORIDADES RELIGIOSAS, são um emblema. Como poderia ter acudido à mente do homem a idéia de rebaixar, dessa forma, Aquele que o próprio homem considera uma fração de deus, uma parte do GRANDE TODO QUE GOVERNA O UNIVERSO? Tal opinião, aliás, se enquadrava sofrivelmente nas idéias panteístas. Como puderam rebaixar essa fração da Divindade ao ponto de pô-la em contato com o demônio, o maldito expulso do céu por Deus, sem se lembrarem de que, assim, era o próprio Deus quem, por uma fração de si mesmo, descia à condição de dialogar com o Anjo do Mal e até ficar na sua dependência? Como admitir que Jesus, sendo homem e, portanto, sujeito a enfermidades e necessidades da existência terrena, tenha podido viver quarenta dias e quarenta noites no deserto, sem tomar alimento algum? Como admitir que, sendo Deus, tenha Jesus sentido o tormento da fome, ao cabo dos quarenta dias e quarenta noites, que o haja sentido ao ponto de animar tentativas audaciosas do “Anjo caído” que, entretanto, seria dentro em pouco forçado a abandonar as suas presas (os demoníacos), EXATAMENTE PELA POTENTE VONTADE DO MESMO JESUS? Como se vê, foi o homem, de um lado, bastante orgulhoso e, de outro, bastante contraditório: deu a si mesmo por libertador um Deus, submetendo esse Deus ao império de Satanás, pondo-o em contato com este, de maneira a lhe sofrer a influência pela tentação! Pobre humanidade, que busca o maravilhoso nas coisas mais simples, que repele por impossíveis as mais evidentes, e que avilta – sem ter disso consciência – Aquele a quem, levada pelas suas supertições, ela mesma faz participe da Divindade e a quem, ao mesmo tempo, coloca, quanto ao presente e ao futuro (Satanás o deixou por algum tempo), à mercê desse outro que, maldito por toda a eternidade, sem esperança de perdão, emprega a sua força, a sua vontade, o seu “poder” em lutar contra o Criador! Todavia, não a condenamos por isso, porque essa crença numa tentação material teve a sua razão de ser, como vos explicaremos: o que ocorreu tinha de ocorrer na marcha dos acontecimentos. Tudo tinha o seu cabimento, como condição e meio de progresso, na via gradual dos sucessos, sempre acordes, do mesmo modo que as interpretações humanas com o estado das inteligências, com as necessidades das épocas da História, cada uma das quais representa um dos estágios que cumpre à Humanidade percorrer, para progredir constantemente, abrindo pouco a pouco os olhos à Luz e à Verdade. A PROPORÇÃO QUE VAI SENDO PREPARADA PARA RECEBER ESSA LUZ E ESSA VERDADE, que lhe são dadas na medida do que ela pode suportar e de maneira a esclarecê-la sem jamais a deslumbrar. O Espírito da Verdade, que abre uma era nova à Humanidade, e que vos ensina a origem espiritual de Jesus, mostrando, com esse ensino, que o jejum e a tentação de Jesus são apenas simbólicos, vem igualmente fazer-vos conhecer, a este respeito, a realidade das coisas, isto é, as próprias palavras do Cristo ao povo, das quais nasceu a crença naquele jejum e naquela tentação. O Espírito da Verdade vem, ainda, explicar como e quando os Apóstolos e os discípulos foram induzidos a pensar que O QUE JESUS ENSINARA, DE MODO GERAL, CONSTITUÍA O RESULTADO DO QUE SE PASSARA ENQUANTO O MESTRE ESTEVE AUSENTE, O RESUMO DO QUE ELE PESSOALMENTE EXPERIMENTARA. Acompanhai a aparente vida humana de Jesus, pregando constantemente, pelo exemplo, a Caridade e o Amor; acompanhai-lhe as palavras, os atos, os ensinamentos, e o vereis sempre submisso (na medida do que o exigia a sua missão terrena) aos usos, costumes e tradições dos hebreus, assim como à inteligência daqueles a quem se dirigia, a fim de que todos o compreendessem e, sobretudo, escutassem. Tudo isso para assegurar o bom desempenho de sua missão e conseguir que ela desse frutos no momento e no futuro: QUE FRUTIFICASSE PRIMEIRO PELA LETRA, DEPOIS PELO ESPÍRITO.



JESUS E SATANÁS – I

P – Os ensinos do CEU, da LBV, estão sendo colecionados por muitas pessoas que se declaram “profundamentes interessadas, embora não gostem de religião”. Vemos nisso um sinal de que tal matéria traz algo de novo, capaz de religar a criatura ao Criador. Quais as palavras que Jesus proferiu e que deram origem à crença de que ele sofreu a tentação e o jejum?

R – Diz o Espírito da Verdade: – Os profetas se preparavam para desempenhar suas missões por meio da prece, da meditação e do jejum, no deserto. Pareceu aos homens que Jesus se submeteu a esse uso, ou tradição, antes de adr início ao desempenho da sua missão publicamente. Depois de receber, diante do povo, pela descida do Espírito Santo sob a forma de uma pomba e pela “voz que se fez ouvir no céu”, a consagração (como Filho de Deus) da missão que ia desempenhar e que João, havia pouco, anunciara a todos os que o cercavam, Jesus se afastou das margens do Jordão. Perderam-no de vista aqueles que lhe seguiam os passos. Para impressionar as multidões, ele se tornou invisível durante o tradicional espaço de tempo – quarenta dias e quarenta noites – número este até certo ponto sagrado, segundo as tradições hebraicas. Desapareceu, não porque se internara no deserto, mas porque voltara – como fazia sempre que sua missão não lhe reclameva a presença entre os homens – para as regiões superiores onde, do alto dos esplendores celestes, governava, governa e governará a Terra e a Humanidade. Decorridos os quarenta dias e quarenta noites, reapareceu, dirigindo ao povo e aos discípulos que o rodeavam (e lhe haviam notado a ausência) estas palavras: “Em verdade vos digo: quando Satanás vos segredar – “Escuta os meus conselhos, faze a minha vontade, e eu te darei todos os reinos da Terra” – repeli-o com firmeza. Não tendes um reino maior que todos – o Reino de Deus, vosso Pai? Se a fome vos apertar e Satanás vos disser – “Obedece-me, e destas pedras farei pão para o teu alimento” – recusai-o sem temor. O pão da terra não alimenta senão o corpo, e vós tendes o Pão da Vida, que alimenta a Alma e a torna apta a entrar na Vida Eterna. Se o orgulho vos arrastar ao fastígio das grandezas humanas e Satanás vos disser – “Precipita-te no espaço que te atrai e não temas a queda, pois serás amparado” – imponde-lhe silêncio e não tenteis o Senhor vosso Deus. Recolhei-vos, medindo a vossa fraqueza e a grandeza do Pai, e Satanás se afastará por algum tempo. Mas não esqueçais que ele ronda constantemente, pronto sempre a deitar as garras à sua presa e se aproveitar de todas as suas fraquezas”. Aí tendes, bem-amados irmãos, as palavras que o Mestre pronunciou quando reapareceu e que, por sua ordem, vos revelamos e transmitimos. Aplicai a vós mesmos essas palavras, porque – como todas as que lhe saíram dos lábios, devem produzir frutos no presente e no futuro, do mesmo modo que, sob a figura da tentação material, produziram no passado. Semelhantemente ao que se dava com tudo quanto, então, se dizia, tais palavras passaram de boca em boca. Alguns dos Apóstolos (e discípulos) as ouviram do próprio Cristo; outros as receberam da voz pública; mas, enquanto durou a missão terrena de Jesus, tendo todos a atenção continuamente solicitada por fatos novos, não a detinham sobre nenhum. Só depois de terminada a missão, os fatos voltaram a ser considerados mais atentamente, e entre eles se apresentaram de novo o desaparecimento do Mestre, durante quarenta dias e quarenta noites, e as circunstâncias que o cercaram. Surgiram, então, os comentários e destes nasceu a opinião que gerou a crença no fato material do jejum no deserto e da tentação de Satanás. Os Apóstolos e os discípulos, como todos os que abraçaram a fé cristã, acreditaram nesse fato material. Na sua condição de homems, de Espíritos encarnados, tinham os preconceitos e as crenças da época e estavam imbuídos das mesmas tradições. Na verdade, era corrente, então, que todo profeta ia jejuar no deserto, antes de principiar o desempenho da sua missão. Coincidindo as palavras de Jesus com o seu desaparecimento por quarenta dias e quarenta noites, pensaram todos que essas palavras eram o resumo do que ocorrera com ele durante a sua ausência; que o que ensinara, relativamente às tentações do Demônio, tentações a que está sujeita a Humanidade, pela fome, pelo orgulho e pela ambição, relativamente às emboscadas que o Espírito do Mal lhe arma, e à fé e à perseverança com que lhe cumpre resistir, era o resumo do que o próprio Jesus experimentara. Assim, acreditaram que Jesus havia jejuado, quarenta dias e quarenta noites, no deserto; que, decorrido esse tempo, tivera fome e, então, fora tentado por Satanás, no exato sentido das palavras que dirigia ao povo. Ao homem material são precisos fatos materiais. O Cristo, para os homens, era um homem e, como tal, sujeito às enfermidades, a TODAS as necessidades da existência humana. Em matéria de provações, NINGUÉM, naquela época, podia compreender senão as provações físicas. Ao surgirem os comentários sobre as palavras do Mestre, já se divulgara pelas multidões a revelação que o Anjo fizera a José e Maria, e que fora conservada em segredo atá ao têrmo da missão terrena de Jesus. Diante da revelação da sua origem, tida em geral, segundo a letra, por miraculosa, divina, dada a qualidade que a mesma revelação lhe atribui de Filho de Deus; diante da sua vida de pureza perfeita e dos “milagres” que realizara, da sua “ressurreição” e da sua “ascenção”, difundiu-se a crença na sua divindade.



JESUS E SATANÁS – II

P – A ação libertadora da LBV, pela Pregação da Verdade, brevemente será proclamada e aceita por todos os brasileiros e estrangeiros de BOA VONTADE. Como o Espírito da Verdade explica a origem de um “diálogo” entre Jesus e Satanás?

R – Como homem, Jesus, para os Apóstolos e discípulos, estava sujeito às necessidades da existência terrena e, portanto, às tentações do “demônio”. Mas era, ao mesmo tempo, por efeito das impressões que lhes produzira a sua missão, UM GRANDE PROFETA. Em conseqüência das novas impressões que receberam, depois de terminada essa missão na Terra, passaram a considerá-lo MAIOR QUE TODOS OS PROFETAS que a Humanidade até então conhecera, incontestavelmente O FILHO DE DEUS, partilhando, portanto, da DIVINDADE DO PAI. Suscetível de ser tentado por Satanás, pensavam, ele o fôra e triunfara. De considerarem o que não passara de um ensinamento como sendo o resumo do que acontecera, durante a ausência de Jesus, entre ele e o “diabo”, como sendo a súmula de fatos reais e materiais de que o Mestre participara, veio a IDÉIA DE UM DIÁLOGO que devera ter travado entre os dois. Se é certo que das palavras, de que usou Jesus, se apagara a lembrança na memória dos homens, certo é, também, que o pensamento, a substância e a realidade do ensino se conservaram. Para reconstituírem o diálogo, de acordo com o objetivo da lição, os Apóstolos e discípulos recorreram às Escrituras. De fato, confrontai as palavras que já vos revelamos, pronunciadas pelo Cristo, com a versão que se criou – sob a influência das tradições e dos comentários – e vereis que o sentido, o fundo e o pensamento são idênticos; que a alegoria, tomada ao pé da letra, pela maneira por que foi apresentada, e que no futuro seria compreendida espiritualmente pela inteligência, encerra o ensino de Jesus, mas transformado num fato material – o da tentação real feita por Satanás ao Cristo que, tendo sofrido essa prova, dela triunfou como homem e FILHO DE DEUS. A Transportação do Redentor para o cimo de uma alta, depois para o pináculo do templo de Jerusalém, e ainda a fome que atribuíram – foram a conseqüência dos comentários. Do desaparecimento do Mestre pelo tempo, durante o qual, conforme às tradições, devia ele, comos os profetas, permanecer em jejum no deserto, antes de iniciar sua missão, concluíram os Apóstolos e discípulos que, findos os quarenta dias e quarenta noites, NECESSARIAMENTE SENTIRA FOME, tanto mais quando coincidiram com sua ausência as palavras que dirigiu ao povo, no momento mesmo em que reapareceu. Ora, aplicando materialmente a Jesus essas palavras calcularam os Apóstolos e discípulos que, forçosamente, Satanás o transportara a dois lugares elevados, a um para lhe mostrar todos os reinos da Terra, a outro para – colocando-o no fastígio das grandezas humanas – lhe dizer que se precipitasse no espaço, atirando-se “dali a baixo”. Não percais de vista a ignorância e a ingenuidade dos homens daquela época, dos Espíritos encarnados que se entregavam a tais comentários, relativamente às coisas terrenas. O cimo de alto monte e o pináculo do templo de Jerusalém foram os lugares mais próximos que acudiram à idéia dos Apóstolos e discípulos, que não compreendiam pudesse haver outros. Para eles o cimo de um monte elevado era o único lugar aonde o “diabo” poderia ter transportado Jesus, para lhe mostrar todos os reinos da Terra. Quando atribuíam sentido material às palavras do Mestre relativas ao fastígio das grandezas humanas, ao qual o “demônio” o elevara para lhe dizer “LANÇA-TE DAQUI A BAIXO, POIS SERÁS AMPARADO”, o único lugar que lhes parecia materialmente o ponto culminante das grandezas humanas, como elevação no espaço, era o pináculo do templo de Jerusalém. Os crentes aceitavam os fatos (do mesmo modo que hoje) como suas faculdades lhe permitiam. Os incrédulos os rejeitavam, como ainda os rejeitam, sem mais investigações. Afinal, A CRENÇA NUMA TENTAÇÃO MATERIAL TEVE SUA RAZÃO DE SER. O que se deu foi o que se devia dar, na marcha dos acontecimentos.



JESUS E SATANÁS – III

P – Com referência à tentação e ao jejum “impostos” a Jesus, disse o Espírito da Verdade: “O que se deu foi o que se devia dar, na marcha dos acontecimentos”. Havia, então necessidade de tal crença?

R – Tudo está previsto. Tudo acontece por efeito da Lei Universal que governa o vosso mundo no caminho do progresso, sendo o desenrolar dos fatos, bem como as interpretações humanas, acordes com o estado das INTELIGÊNCIAS E NECESSIDADES DE CADA ÉPOCA. Ohomem, todavia, dispõe do livre arbítrio, e Deus sabe que uso ele fará desse dom, porque o que para vós constitui o passado, o presente e o futuro, está sempre, por toda a eternidade, patente aos olhos do Todo-Poderoso. Ora, dispondo do livre arbítrio, o homem tinha a liberdade de escolher entre o modo de pensar acertado e a falsa (ainda que útil) maneira de apreciar as coisas. Dominavam-no, porém, suas naturais aspirações. Assim como preferia, ao de um profeta, o sacrifício de um Deus, por lhe aumentar o valor próprio, também a tentação material de Jesus pelo “demônio” lhe reanimava a coragem e mostrava o caminho a seguir, fazendo-lhe ver que ATÉ O HOMEM-DEUS ESTIVERA SUJEITO A TENTAÇÃO; fazendo-lhe ver que, embora FILHO DE DEUS, fração da Divindade, mas ao mesmo tempo homem e, como tal, sujeito às contingências da Humanidade, às enfermidades e fraquezas da vida humana, JESUS FÔRA ACESSÍVEL A SATANÁS, sofrera pessoalmente a prova e dela soubera triunfar. Nada ocorre sem ser pela vontade de Deus, no sentido de que, se lhe aprouvesse dar outra diretriz aos atos humanos, ou lhes opor sua vontade, bastaria querê-lo. Tal, porém, não faz: esta a razão por que, vendo a seriação e as conseqüências de todas as coisas, Deus não impede de antemão os atos de nenhuma das suas criaturas. Ele não governa como tirano: deixa que as coisas sigam o seu curso. Assegurando ao livre arbítrio a independência, auxilia a Humanidade a trilhar a via da evolução, por meio de SUCESSIVAS REVELAÇÕES, SEMPRE PROGRESSIVAS, que atuam na marcha dos acontecimentos, encadeando uns aos outros, e que, apropriadas ao estado das inteligências e necessidades de cada época, desenvolvem no presente o progresso realizado e preparam o progresso futuro. Se o quisesse, DEUS CERTAMENTE TERIA PODIDO, POR MANIFESTAÇÕES ESPIRITUAIS, DETERMINANDO UMA INFLUÊNCIA E UMA AÇÃO MEDIÚNICA SOBRE OS APÓSTOLOS, OS DISCÍPULOS E OS EVANGELISTAS, ESCLARECÊ-LOS SOBRE A FALSIDADE DA INTERPRETAÇÃO HUMANA, que transformou um ensino de Jesus ao povo em fatos materiais, como os da permanência no deserto, do jejum por quarenta dias e quarenta noites e da tentação praticada contra ele por Satanás. Mas, na realidade, as necessidades da época exigiam essa crença. Convinha que ela se implantasse nas massas populares. A vista da perfeição indispensável para chegar a Deus, diante da Perfeição sempre vitoriosa de Jesus, qual não seria o desânimo dos homens se não fossem prevenidos de que mesmo o mais forte pode estar sujeito à tentação? QUANTA FORÇA NÃO RECEBERAM DO EXEMPLO DA VONTADE QUE VENCE A INSPIRAÇÃO DO MAL? Se assim não fosse, talvez não pudessem alimentar a esperança de seguir as pegadas do Divino Modelo. Contemplando-o em tão grande altura, teriam permanecido, desanimados, ao nível do solo, ao passo que, vendo-o submetido à tentação e vitorioso pela fé, reconheceram que TODOS PODERIAM ESPERAR A MESMA VITÓRIA.



JESUS E SATANÁS – IV

P – Achamos perfeita a justificação da crença no jejum e na tentação de Jesus por Satanás. A evolução espiritual não dá saltos, como a própria Natureza nos ensina. Como o Espírito da Verdade explica o período de 40 dias e 40 noites e certos “mistérios” das tentações do “demônio”?

R – A tentação de Jesus, como agora entendeis, é uma figura que as exigências dos tempos, o estado das inteligências, as aspirações naturais (que dominavam os homens) e a preparação do futuro TORNARAM NECESSÁRIA. Jesus, cuja origem espiritual já conheceis, Espírito de pureza perfeita e imaculada, AQUEM TODOS OS ESPÍRITOS ESTÃO SUBORDINADOS, e que mostrou a sua onipotência sobre os “demônios”, jamais teve de sofrer na Terra a influência e o contato dos maus Espíritos ou obsessores. Nos seus ensinamentos, não há uma só palavra que permita afirmar-se, nem sequer pensar-se, o contrário. Quantos aos 40 dias e 40 noites que supuseram ter o Cristo passado no deserto, a ponto de sentir fome quando sabeis que ele jamais precisou comer, são o símbolo da vida humana: nesse curto espaço de tempo, todas as más paixões assaltam o homem, todas as necessidades se fazem sentir. A cada homem, ou mulher, no vosso mundo, cabe triunfar da prova. Escutai, irmãos bem amados, o que Jesus disse e ensinou, servindo-se das palavras que fomos por ele encarregados de vos revelar! Fazei o que vos indica essa figura emblemática de uma tentação material, que exprime o objetivo do ensinamento contido naquelas palavras! Triunfai das paixões e, mesmo, das necessidades humanas alimentadas pela ignorância espiritual. Em tudo, reportai-vos a Deus! Se só a Ele servirdes e adorardes, os Espíritos Bons descerão, para ajudar-vos a subir aos céus. O homem – quem quer que ele seja – está sujeito às tentativas que, para arrastá-lo ao mal, fazem os maus Espíritos, os quais, ignorantes, não sabem distinguir os que podem dos que não lhes podem resistir. Daí resulta que, das suas tentações, não estão isentos nem mesmo aqueles que reencarnam EM MISSÃO NA TERRA. Tanto as palavras do Mestre como a figura simbólica a mostrá-lo sofrendo a tentação de Satanás, apontam o caminho que deveis seguir. As tentações e influências mais perigosas para o homem (ou para a mulher) são o orgulho, a ambição, os apetites materiais que têm por móveis essas paixões animais. Aí estão os escolhos de encontro aos quais se vêm quebrar, desgraçadamente, as melhores intenções, SOBRETUDO DAQUELES A QUEM DEUS CONCEDE A GRAÇA DE ENCARNAR PARA AUXILIAREM O PROGRESSO DE SEUS IRMÃOS NA TERRA! Procurai repelir as tentativas dos obsessores, para merecerdes a graça que o Pai vos outorgou, enviando-vos o Divino Modelo! Sabei tornar-vos dignos do favor que Ele vos concede, abrindo-vos a Era da Unificação de TODAS AS REVELAÇÕES, enviando-vos a Sagrada Falange, com a missão de vos ampliar a cultura, o discernimento, a inteligência espiritual: o Espírito da Verdade, que vos ensina a paciência, a resignação, a afabilidade, a benevolência, a simplicidade de coração, a humildade real, a castidade segundo as LEIS DA NATUREZA, a fragilidade, a temperânça, a sobriedade, o desinteresse, a justiça, a tolerância, o devotamento, a caridade e o amor aos vossos irmãos, o amor ao trabalho e à ciência, o desejo de progredir física, moral, intelectual e espiritualmente, em direção reta ao Cristo e ao Pai Celestial! Portanto, orai e vigiai; vigiais e orai, com o pensamento em Deus, em todos os momentos da vossa vida! Vigiai, exercendo constante vigilância sobre os vossos pensamentos, palavras e atos! Orai, não com os lábios, mas com o coração, para atrairdes as boas influências, para que Deus vos conceda a proteção dos bons espíritos, que vos ajudarão a vencer todas as tramas do “demônio” que, na verdade, reside entro de cada criatura afastada do criador! Vencereis praticando todos os deveres indicados pela Sagrada Falange, a serviço do Senhor!



DEUS, JESUS, ESPÍRITO SANTO

P – Falando da opinião segundo a qual Jesus é uma fração de Deus, disse o Espírito da Verdade: “opinião que sofrivelmente se enquadra nas idéias panteístas”. Qual o sentido destas palavras?

R – Segundo a doutrina que, na linguagem humana, tem o nome de panteísmo, tudo sai de um só princípio e tudo volta a se reintegrar nesse mesmo princípio, para de novo daí sair e voltar, constituíndo essa perpétuas separações e reintegrações a rodagem da máquina universal. Em escala menor, Jesus e o Espírito Santo são frações de Deus, partes integrantes do Todo, formando com Ele, portanto, a Unidade. É uma variante do tema do panteísmo. No que ocorreu nas margens do Jordão, tendes um exemplo do cunho panteísta da opinião dos que consideram Jesus e o Espírito Santo como duas frações de Deus. Assim, vemos Deus dividido em três partes: uma – Jesus, num corpo idêntico aos vossos, sujeito às necessidades da existência humana e às contingências humanas da vida e da morte; outra – o Espírito Santo que, sob a forma de uma pomba, desceu sobre o Cristo; a terceira – Deus, de quem aquelas duas frações saíram e cuja voz se fez ouvir do céu, dizendo: “És meu filho bem-amado, em que ponho toda as minhas complacências”. As duas frações de Deus, depois de se terem separado do GRANDE TODO, voltam a reintegrar-se nele, reconstituíndo, assim, a sua Unidade. Se os homens não quiserem enquadrar nas idéias panteístas essa maneira de considerar Jesus e o Espírito Santo, terão de encaixá-las, forçosamente, nas concepções do paganismo, relativas à PLURALIDADE DOS DEUSES. Semelhante modo de ver, QUE É CHAMADO “MISTÉRIO”, E QUE A RAZÃO INSTINTIVAMENTE REPELE, nasceu das falsas interpretações humanas, resultantes da ignorância do homem sobre a origem espiritual de Jesus e do que se deve entender, em Espírito e Verdade, à luz do Novo Mandamento, por Espírito Santo. Graças à nova Revelação, entretanto, todos vós já sabeis: Deus é o só e único princípio universal, NÃO DIVISÍVEL, que sempre cria desde todas a Eternidade, mas NUNCA PELA DIVISIBILIDADE DA SUA ESSÊNCIA, PORQUE DEUS É UNO; Jesus é um Espírito criado por Deus, e teve a mesma origem de todos os Espíritos, O MESMO PONTO INICIAL DE EXISTÊNCIA, e se tornou Espírito Puro, de pureza perfeita e imaculada SEM TER FALIDO JAMAIS, Espírito cuja Perfeição se perde na “noite das eternidades”, PROTETOR E GOVERNADOR DA TERRA, cuja formação presidiu, encarregado por Deus de o levar ao estado fluídico e conduzir a sua Humanidade à integração com o Pai; Espírito Santo é uma designação alegórica, sob a qual se compreendem, indistintamente, de modo individual ou coletivo, OS ESPÍRITOS PUROS, OS ESPÍRITOS SUPERIORES E OS BONS ESPÍRITOS, como sendo, em ordem hierárquica, os ministros ou agentes da onipotente vontade de Deus, os órgãos de suas inspirações junto aos homens. E assim se dilui, diante da FÉ RACIOCINANTE, o dogma das três pessoas ou santíssima trindade.



PASSADO, PRESENTE E FUTURO

P – Afirmou o Espírito da Verdade: “O homem dispõe do livre arbítrio e Deus sabe que uso fará ele desse dom, porque tudo o que, para vós, contitui passado, o presente e o futuro, está sempre – e por toda a Eternidade – patente aos olhos do Senhor”. Como devem ser entendidas e explicadas estas palavras?

R – Admitis a presciência divina, ou apoucais a Inteligência Infinita nivelando-a com as vossas? A presciência divina é uma faculdade QUE NÃO TENDES POSSIBILIDADE ALGUMA DE ANALISAR. O livre arbítrio seria mera ficção, se estivesse subordinado a uma ação direta. Quanto se monta qualquer máquina, prevêem-se os resultados do seu funcionamento; o que ela faz é o que tinha de fazer. Se, porém, um operário desastrado se intromete nas engrenagens, ou se um curioso se aproxima demasiadamente, para ver de muito perto ou tocar numa das rodas, fatalmente é colhido, mutilado ou esmagado. O maquinista não o impeliu, direta ou indiretamente, mas sabia que quem fizesse o que fez o operário ou o curioso sofreria aquela conseqüência, tanto que, ao ver aproximar-se o imprudente, lhe disse: – “Toma cuidado, olha o perigo!” Neste caso, que nos serve de imperfeita comparação, onde a fatalidade relativa à ordem a que está sujeito o movimento da máquina e às pessoas que se movem em torno dela? Cheios de ignorância e de orgulho, pretendem os homens que Deus se intrometa em todos os atos que praticam, em todos os fatos que lhe dizem respeito. Cada um – pobre vermezinho! – quer que a Inteligência Suprema o conduza pela mão, REBAIXANDO-SE AO SEU NÍVEL. Considerai com mais elevação a grandeza do vosso Criador! Reinando sobre “todos os universos”, iluminando todas as trevas, a influência que o Senhor exerce é uma INFLUÊNCIA SUPERIOR, DIRIGENTE E GOVERNATIVA. Ele deixa que useis do vosso livre arbítrio com plena liberdade, em meio às diversas influências físicas e espirituais que vos rodeiam, e sob o império das Leis Gerais, Naturais e Imutáveis que a sua onisciência estabeleceu, desde toda a Eternidade. Essa INFLUÊNCIA SUPERIOR que dirige e governa, Ele a exerce pela sua ação universal, instrumento da sua Providência, e que também se efetua no âmbito e sob o império das suas Leis, sempre de acordo com a sua Vontade Onipotente e Imutável. É exatamente essa INFLUÊNCIA SUPERIOR que vos atrai continuamente para a vida do progresso, sem perturbar o exercício pleno e independente do vosso livre arbítrio, quer este vos induza à obediência, quer vos arraste à rebeldia. Ora, o conjunto se desdobra, desde e por toda a Eternidade, aos olhos de Deus. Passado, presente e futuro são palavras que as vossas limitações inventaram e que, para ele, carecem de significado: Deus é O QUE É, de toda e para toda a Eternidade. Não entendeis que, deixando ao homem inteira liberdade de usar das faculdades de querer, pensar e agir, seu olhar penetrante veja, ao mesmo tempo, o que fará o homem dessa liberdade? O maquinista, que vê o desastrado ou o curioso aproximar-se demasiadamente da máquina, percebe de antemão os efeitos dessa imprudência; mas de inteligência muito limitada, não pode saber de antemão qual o uso que o homem fará do seu livre arbítrio, se consumará ou não o ato, porque não lhe pode LER O PENSAMENTO, nem perscrutar a AÇÃO DA VONTADE. Para ele haverá sempre solução de continuidade – um passado, um presente e um futuro na sucessão dos atos – por mais imperceptível seja o intervalo que, a seus olhos, os separem, no uso do livre arbítrio. Deus, porém, para quem passado, presente e futuro nada significam; que, sem solução de continuidade, lê o pensamento do homem e vê a ação da sua vontade, DEUS TEM SEMPRE A VISTA A SÉRIE E AS CONSEQÜÊNCIAS DE TODAS AS COISAS, E SABE QUAL O USO QUE O HOMEM FARÁ DO LIVRE ARBÍTRIO. A razão é muito simples: para Deus tudo é continuamente, eternamente INSTANTÂNEO. Não há comparação possível entre o astro luminoso, que brilha com o máximo fulgor, e a pálida centelha que se reflete no arroio em que se extingue; entre o SER INFINITO, que irradia sobre todos O QUE É, e as vossas inteligências fragílimas. Por isso dissemos, e agora repetimos, que A PRESCIÊNCIA DIVINA É UMA FACULDADE QUE NÃO TENDES POSSIBILIDADE ALGUMA DE ANALISAR.



JESUS E OS HOMENS – I

P – O Espírito da Verdade poderia explicar quais eram os meios de vida e de nutrição do corpo que Jesus tomou, para o desempenho da sua missão terrena?

R – Já vos dissemos: Jesus tomou um corpo de natureza perispirítica, análogo aos corpos dos habitantes dos mundos superiores, porém mais materializado do que estes, por também terem entrado na sua composição fluidos ambientes do vosso planeta. Tal corpo teria, portanto, as mesmas propriedades que os corpos dos Espíritos Superiores, os mesmos meios de vida e nutrição. As necessidades da vida e da nutrição materiais, a que estão sujeitos os corpos humanos, desaparecem quando o Espírito – purificado, tendo atingido certo grau de elevação moral e intelectual – passa (livre de qualquer contato com a matéria) a encarnar, ou melhor – a incorporar fluidicamente nos mundos superiores. Desde então, as necessidade de vida e de nutrição se tornam conformes ao meio em que o Espírito se encontra, revestindo um corpo de natureza perispiritual. Este corpo, bem como o perispírito de cuja natureza ele participa, haure os elementos de vida e de nutrição NOS FLUÍDOS AMBIENTES QUE LHE SÃO PRÓPRIOS E NECESSÁRIOS, ASSIMILANDO-OS. Tais fluídos bastam ao sustento dos princípios constitutivos do mesmo corpo. A assimilação dos fluídos ambientes, para o efeito da nutrição e da conservação da vida, se efetua de acordo com as leis a que eles estão submetidos, LEIS QUE O HOMEM AINDA NÃO PODE CONHECER NEM COMPREENDER. Somente quando soa a hora, dentro da Lei da Evolução, lhe serão explicados a natureza desses fluídos, as leis a que estão submetidos, o emprego a que se destinam, e as funções que desempenham. É cedo para entrarmos nessas particularidades. Limitamo-nos, por ora, a lhe fazer notar que, nos mundos materiais, a cujo o número pertence a Terra, onde a união da matéria com a matéria é necessária para a formação da matéria, o homem, revestido de um invólucro material, formado segundo as leis da procriação e reprodução materiais, está sujeito a uma alimentação material, tirada dos reinos vegetal e animal. Além desse invólucro que, depois da “morte”, É RESTITUÍDO À MATÉRIA em forma de cadáver e a que chamais corpo humano, o homem tem outro invólucro, de natureza fluídica, a que destes o nome de perispírito e que, após a “morte”, fica sendo o CORPO FLUÍDICO DO ESPÍRITO e lhe constitui a individualidade humana. Para manter a vida e efetuar a nutrição desses dois invólucros, dispõe o homem de órgãos e aparelhos elaboradores dos elementos e dos meios necessários àquele fim: uns se destinam a operar a nutrição material do corpo humano, tirando-a dos elementos líquidos e sólidos, com o concurso dos elementos que lhe são próprios e necessários; outros servem para absorver os fluidos ambientes, apropriados à vida e à nutrição do perispírito ou envoltório fluídico. A ALIMENTAÇÃO MATERIAL não é, pois, necessária, nem possível, senão ao homem revestido de um corpo material, nos mundos materiais. Quando o Espírito encarna, ou, melhor, INCORPORA FLUIDICAMENTE EM MUNDOS SUPERIORES, onde o corpo é de natureza perispirítica, a vida e a nutrição se mantêm pela absorção dos fluídos ambientes apropriados. A planta não precisa beber nem comer, para se alimentar: alimenta-se absorvendo, da terra e do ar, os sucos e os fluídos que lhe são próprios e necessários. O ESPÍRITO, QUER NA ERRATICIDADE, QUER REVESTINDO UM CORPO DE NATUREZA PERISPIRÍTICA, NÃO TEM NECESSIDADE (NEM POSSIBILIDADE, COMO VÓS) DE COMER E DE BEBER. Também ele absorve, como meio de nutrição, para entreter o funcionamento da vida, os fluídos ambientes necessários à sustentação dos princípios constitutivos do perispírito, QUANDO SE TRATA DE UM ESPÍRITO ERRANTE; e, quando se trata de UM ESPÍRITO INCORPORADO FLUIDICAMENTE, os fluídos necessários à sustentação dos princípios constitutivos do perispírito e do corpo fluídico, de natureza semelhante à desse perispírito que o assimilou, COMPOSTO UNICAMENTE DE FLUÍDOS E LIBERTO DO APODRECIMENTO, O QUE NÃO SE DÁ COM OS VOSSOS CORPOS MATERIAIS!



JESUS E OS HOMENS – II

P – Compreendemos agora a maravilha que é a Lei da Evolução, neste confronto de Jesus com os homens. Pode o Espírito da Verdade antecipar o que seremos no futuro?

R – Chegou o momento desta explicação. Por sua natureza, o corpo que Jesus revestiu não foi mais que um espécime, prematuro entre vós, do organismo humano TAL QUAL VIRÁ A SER EM ALGUNS PONTOS DO VOSSO PLANETA, para a encarnação de Espíritos que terão atingido certo grau de elevação. Que a verdadeira Ciência, isto é, AQUELA QUE NÃO TEM O PRECONCEITO DA IMOBILIDADE, observe o passado e o que hoje é futuro, à medida que o tempo for correndo, e descobrirá os precursores materiais dessas organizações que, por enquanto, ainda parecem impossíveis. O homem (referindo-nos aqui à espécie e não ao sexo, pois do contrário designaríamos de preferência a mulher, como sendo de organização mais adiantada) – o homem, do ponto de vista fisiológico, se irá modificando, a matéria tornando-se mais fraca, o sistema nervoso mais desenvolvido, a inteligência mais precoce, E ULTRAPASSANDO MUITAS VEZES A FORÇA FÍSICA; o Espírito, enfim, irá dominando a matéria e a carne diminuindo, à medida que o sistema nervoso se for desenvolvendo e a força vital-animal substituída pela força espírito-nervosa. Tais os indícios que vos prevenirão da MUDANÇA que se há de operar em vós. Todo o sistema se irá depurando, pouco a pouco: no sangue espesso, que circula em vossas veias, o fluído vital substituirá, cada vez mais, as moléculas corruptoras; o sistema nervoso se desenvolverá à custa da cobertura de carne, até ao momento em que esta última, reduzida ao estado de simples película, acabará por desaparecer inteiramente, cedendo lugar a um envoltório fluídico tangível, dissolúvel sem abalo e sem sofrimento. Os próprios nervos nesse ponto do desenvolvimento, se assemelharão aos finíssimos filamentos em cuja trama balouçam no ar os microscópicos insetos que os tecem no outono, filamentos a que dais o nome poético de FIOS DA VIRGEM. Mudarão de natureza, pouco a pouco, invadidos também, gradativamente, pelo fluído vital nervoso. Ganharão em flexibilidade e brandura o que forem perdendo em volume. Na mesma proporção aumentará sua sensitividade e, harmonizando-se esta com o invólucro que os cobre, o conjunto acabará por ser o que, para nos fazermos entender, chamamos UM PERISPÍRITO TANGÍVEL, um corpo igual ao dos habitantes de planetas mais elevados que a Terra. Agora, é fácil fazer-vos compreender a vida e a nutrição desse corpo. Não conheceis, no reino animal, insetos constituídos de tal forma que seus órgãos se contentam, para alimentar o corpo, com o ar puro que os banha, com as matérias (inapreciáveis para vós) contidas no orvalho que cai, gota a gota, sobre as folhas que os envolvem, gotas que eles, entretanto, não bebem, limitando-se a lhes aspirar as emanações? TAL O ORGANISMO DO ESPÍRITO QUE CHEGOU AO PONTO DE REVESTIR INVÓLUCRO INDÊNTICO AO QUE JESUS TOMOU, porque esse corpo, de natureza perispirítica, era, com relação ao Mestre, O MAIS GROSSEIRO QUE A SUA GRANDEZA ESPIRITUAL PODERIA REVESTIR. Nas encarnações ou incorporações desse gênero, a absorção se efetua tanto pelos poros como pela respiração. O ser todo se nutre das substâncias sutis que o envolvem, que o penetram e lhe asseguram a manutenção. Passo a passo, chegareis lá. Estudai, primeiro, indivíduos fenomenais, do vosso ponto de vista, uns que se alimentarão somente de água ou qualquer líquido insípido; outros que – contra todas as regras – NÃO TERÃO NECESSIDADE DE ALIMENTO ALGUM. Tais fenômenos, incompletos a princípio, apresentarão o aspécto de uma enfermidade: a ciência humana os estudará, experimentará E NÃO DESCUBRIRÁ A CHAVE DO ENIGMA. Depois, os casos se multiplicarão, e a ciência acabará por admitir que CERTAS COMBINAÇÕES DA NATUREZA PODEM VIVER FORA DAS LEIS ORGÂNICAS POR TODOS CONHECIDAS. Depois, ainda, será forçada a reconhecer que as exceções crescem ao ponto de formarem a regra! Disseminai o conhecimento do Magnetismo Total; preparai as coisas de maneira a que, nas gerações futuras, se opere a EMANCIPAÇÃO ESPIRITUAL; depurai a matéria; purificai o sangue, carregando-o de fluídos, e ajudareis a libertação do Espírito, na sua luta e na sua vitória contra a matéria!



JESUS E OS HOMENS – III

P – Só mesmo o conhecimento da Verdade pode libertar o homem de todas as suas limitações e sofrimentos! É o que todos estamos vendo no confronto “Jesus e os homens”, com ensinamentos tão úteis! Por isso perguntamos ao Espírito da Verdade: chegaremos a dominar completamente a matéria?

R – Já vos dissemos: passo a passo, chegareis lá. Semelhante estado, que para vós constitui um fenômeno, não poderá durar na humanidade, como ordinariamente ela é. Alguns casos apenas, tidos ainda por mórbidos, oferecem exemplos desse estado. São os primeiros ensaios que a Natureza sempre faz, antes das CRISES DE TRANSFORMAÇÃO GERAL. Os que aqui se apresentaram são, realmente, casos mórbidos, ou considerados tais, porque, dada a vossa posição atmosférica e com os órgãos de que dispondes, aos indivíduos que – fora das regras admitidas e necessárias às funções do corpo – tentam esse modo de existência, faltam os elementos para consegui-lo: não basta, ainda, a alimentação por meio do ar ambiente à grosseria de seus organismos, que se esgotarão ao cabo de certo tempo, por efeito dos esforços que serão obrigados a fazer, a fim de absorverem e assimilarem os fluidos. Só de longe em longe têm aparecido desses casos; pouco a pouco, porém, eles se multiplicarão, até ao momento em que a maioria dos Espíritos que povoam o vosso planeta SEJA COMPOSTA DOS QUE SE ACHEM LIBERTOS DAS NECESSIDADES MATERIAIS, por já se haverem elevado bastante. Então, os encarnados materialmente se verão classificados entre os inferiores, até que também se libertem daquelas necessidades. Mas esse progresso, como toda transformação, só muito lentamente poderá operar-se. Sujeito igualmente à Lei do Progresso, o vosso planeta evoluirá no mesmo sentido. Outros serão os princípios alimentares que a Terra oferecerá: os elementos materiais de nutrição se tornam cada vez mais raros! O abuso que o homem faz de tudo o que está ao seu alcance CAUSARÁ A DESTRUIÇÃO DOS ANIMAIS, DAS PLANTAS ALIMENTICIAS, DAS ÁRVORES E, MESMO, DAS FLORES! Privado gradualmente dos recursos que a terra oferece, ele buscará na ciência UM REMÉDIO PARA ESSA PRIVAÇÃO. Criará uma alimentação factícia, produto de combinações químicas; extrairá, dos fluídos que o envolvem, as partes materiais que o seu organismo possa assimilar, da mesma forma que da matéria extraiu o calor, do ar a força, do carvão a luz. ESTUDARÁ A MANEIRA DE VIVER SEM ALIMENTO MATERIAL! As gerações, que se forem sucedendo, trarão progressivamente organismos mais aperfeiçoados, cada vez menos materiais, cada vez mais fluídicos, até chegardes à era que vos anunciamos. Não esqueçais que a temperança, o equilíbrio sexual e a pureza dos pais INFLUEM NOS ORGANISMOS DOS FILHOS, não só atraindo Espíritos mais elevados para encarnarem na família, como também lhes fornecendo um instrumento corporal mais perfeito e manejável para grandes missões. Não há capricho nem acaso na obra do progresso e transformação. Os Espíritos que encarnam em condições de serem considerados, do vosso ponto de vista, INDIVÍDUOS FENOMENAIS, serão Espíritos mais ou menos elevados, objeto de ponto de partida, para as investigações da Ciência digna deste nome, despertando a atenção para certas questões e fornecer os materiais necessários ás construções futuras. E ainda vos diremos, para terminar este capítulo: fácil vos será perceber a transformação que se há de verificar na matéria exterior. Tempo virá em que, tornando-se cada vez mais rara a alimentação material ( e já começou A SER DIFÍCIL), o homem se verá arrastado à mudanças de substâncias nutrientes, a chamar em seu auxílio as ciências, para que sustentem seus órgãos SEM PRECISAR RECORRER ÀQUELAS SUBSTÂNCIAS. Essas preparações, conquanto dêem resultado como alimentação factícia, acarretarão, desde logo um desvio de comportamento animal, enfermidades e empobrecimento do organismo humano. Depois, no curso das gerações que se forem superando, os órgãos que nos pais apresentavam lesões SE REPRODUZIRÃO MODIFICADOS NOS FILHOS, apropriados ao novo regime da Terra. Em seguida, esses órgãos, que se irão tornando cada vez mais sensíveis, também mais facilmente poderão assimilar os elementos nutritivos que a vossa atmosfera contém. Finalmente, os cataclismos que inevitavelmente abalarão todo o vosso planeta – E DOS QUAIS LHE RESULTARÁ A RECONSTITUIÇÃO FÍSICA – auxiliarão o desenvolvimento das novas faculdades gástricas da humanidade terrestre.



JESUS E OS HOMENS – IV

P – Formulamos duas perguntas ao Espírito da Verdade: 1ª) – Estando Jesus isento da necessidade de qualquer alimentação humana, isento de todas as necessidades inerentes à humanidade terrestre, como se passavam as coisas quando ele, à vista dos homens, tomava alimentos durante a sua missão, quer antes do seu aparecimento conhecido pelo nome de “ressurreição”, quer depois? 2ª) – Como se davam o desaparecimento de Jesus, quando o supunham no deserto ou no cimo da montanha, e o seu reaparecimento entre os homens?

R – Os Espíritos Superiores que o cercavam (em número, para vós, incalculável), todos submissos à sua vontade, seus auxiliares dedicados, faziam desaparecer os alimentos que lhe eram apresentados e que não tinham, para Jesus, qualquer utilidade. Aqueles Espíritos os subtraíam da vista dos homens, de modo a lhes causar completa ilusão, à medida que parecia serem ingeridos pelo Mestre, cobrindo-os, para esse fim, de fluidos que os tornavam invisíveis. Feito isso, os levavam e dispersavam de forma que pudessem servir (e serviram) para a satisfação das necessidades de outras criaturas. Jesus (notai-o bem, seguindo-lhe os passos no desempenho da sua missão terrena) só muito raramente – durante todo o tempo daquela missão, assim antes como depois do seu reaparecimento, chamado “ressurreição” – tomou parte, aos olhos dos homens, nas refeições humanas. Fazia-o unicamente quando “era preciso”, seja para os convencer da sua condição de homem, seja a título de ensinamento vivo, com o exemplo permanente da Caridade, do Amor e do Perdão. Aqueles que o acompanhavam sempre, não se surpreendiam com a sua maneira de viver. Viam-no orar e, sendo a do jejum uma lei rigorosa entre os judeus, criam que Jesus a observava à risca, para se mortificar, dando testemunho da sua Perfeição. Quanto ao desaparecimento e reaparição do Cristo, a explicação não menos simples. Ao Espírito é dado libertar-se temporariamente do invólucro material de que se ache revestido, conservando-se ligado e preso a ele POR UM CORDÃO FLUÍDICO, INVISÍVEL AOS HOMENS. Pode assim o Espírito, algumas vezes, libertar-se do corpo pelo desprendimento durante o sono e, em casos muito raros, quando o indivíduo, sem estar dormindo, se encontre num “estado de êxtase” mais ou menos pronunciado. Pode mesmo, pela bicorporeidade, pela bilocação e com o auxílio do perispírito, tornar-se visível e tangível – sob todas as aparências do corpo humano – de modo a produzir ilusão completa. PODE AINDA, EM CASOS EXCEPCIONALÍSSIMOS, E TENDES DISSO EXEMPLOS COMPROVADOS E AUTÊNTICOS, TORNAR-SE VISÍVEL E TANGÍVEL, COM TODAS AS FACULDADES APARENTES DA VIDA E DA PALAVRA HUMANA (Afonso de Liguori e Antônio de Pádua são exemplos dessa natureza). O Espírito materialmente encarnado não tem meios de desmaterializar o corpo de que está revestido: esse poder só o tem a decomposição resultante da morte. Mas, ao contrário, os Espíritos Superiores, quando em estado de encarnação ou incorporação fluídica, podem – à vontade – materializar o corpo fluídico por sua natureza, de que se achem revestidos, a fim de torná-lo visível e mesmo tangível aos vossos olhos, assim como o podem desmaterializar, a fim de que desapareça de vossas vistas, FAZENDO-O VOLTAR AO SEU ESTADO NORMAL, EM QUE NÃO O VEDES. Podem, igualmente, modificá-lo, assimilando-o às regiões que devam percorrer. Mas, desde que estejam sofrendo encarnação ou incorporação, aqueles Espíritos não podem desligar do corpo que tomaram senão pela morte que, só ela, os faz voltar a erraticidade com o perispírito que traziam, apresentando este o grau de purificação que lhe haja resultado da última encarnação ou incorporação. No que diz respeito ao corpo dos Espíritos Superiores, a morte não passa de uma desagregação da matéria que envolve o Espírito. Dizemos “matéria” porque os fluidos que o perispírito assimilou para operar a encarnação ou incorporação, de fato, para o Espírito, são matéria. Considerada a sutileza dos sentidos de tais Espíritos, essa desagregação se aproxima bastante da decomposição: para eles, as matérias que compõem o corpo, ainda que não mais sujeitas ao aperfeiçoamento se dissolvem visivelmente. Cada um dos princípios do corpo constitutivos do corpo fluídico se separa, completamente, e volta ao meio de onde saiu, e que de novo o atrai. Apropriando as Leis Naturais e Imutáveis (que regem a formação dos corpos fluídicos dos mundos superiores) aos fluidos ambientes que servem para a formação dos seres terrestres, conforme ao que já vos explicamos, é que Jesus formou o corpo com que se apresentava aos homens, CORPO APARENTEMENTE HUMANO, ao qual (para sermos entendidos) demos o nome de perispírito tangível, apto a LONGA TANGIBILIDADE, graças aos mesmos fluidos ambientes. Espírito Puro, não sujeito a encarnação ou incorporação alguma, em nenhum planeta, Jesus formava voluntariamente aquele perispírito tangível, DO QUAL TINHA O PODER DE SE LIBERTAR. As matérias que o compunham, de si mesmas sutilíssimas para olhos humanos, podiam desaparecer, subdividindo-se, e reagregar-se, à vontade do Mestre, para reaparecer. O conhecimento de que Jesus dispunha (e que só os Espíritos Puros possuem completo) da natureza dos fluidos empregados para a formação do perispírito tangível, das propriedades de tais fluidos para produzirem esse resultado sob a ação das lei de atração magnética – esse conhecimento perfeito aliado à sua potência espiritual é que lhe facultavam fazer da vista dos homens desaparecesse o mesmo perispírito, dissociando-lhe os princípios constitutivos, MAS SEMPRE MANDENDO-OS SOB O PODER DA SUA VONTADE, prontos a se reunirem de novo.



JESUS E OS HOMENS – V

P – O confronto de Jesus com os homens, tão bem equacionado pelo Espírito da Verdade, mostra a insignificância dos que dizem não crer em Deus e no SEU ÚNICO REPRESENTANTE na Terra, em todos os tempos da Humanidade. Agora, formulamos nova pergunta ao CEU da LBV: – Que é que ocorria, cientificamente, quando Jesus desaparecia da vista dos homens?

R – Não esqueçais: o perispírito que serviu de corpo visível e tangível ao Cristo, durante a sua permanência entre vós, não era mais que uma veste, que para ele usava para éster entre os homens, e que abandonava quando desaparecia de suas vistas, para voltar às regiões superiores. JESUS SE AFASTAVA TODAS AS VEZES QUE A SUA PRESENÇA ENTRE OS HOMENS DEIXAVA DE SER NECESSÁRIA. Quando desaparecia, as partes constitutivas do perispírito tangível apenas se eclipsavam, para surgirem de novo, quando o mestre o quisesse. Dissemos que apenas se eclipsavam porque elas se separavam, mas sem deixarem de permanecer tais quais eram, isto é, sem deixarem de existir, pronta e se reunirem novamente, pela ação da vontade de Jesus. Não havia solução de continuidade na vida orgânica daquele corpo, durante a ausência de quem o mantinha. Assim como a formação desse perispírito tangível, análogo aos corpos dos Espíritos Superiores, MAS QUASE MATERIAL, se deu pela aplicação das Leis Naturais e Imutáveis e pela apropriação dessas Leis ao vosso planeta, mediante a utilização dos fluidos ambientes que servem PARA A FORMAÇÃO DOS SERES TERRESTRES, também às Leis Naturais e Imutáveis obedeciam a sua vida orgânica, seus desaparecimentos e a maneira por que Jesus se libertava dele, deixando-o e retomando-o, até abandona-lo definitivamente quando se verificou a “ascensão”. Ainda não vos é possível ter a perfeita compreensão destas leis, nem nos é possível explica-las aos homens enquanto ignorarem a NATUREZA DOS FLUIDOS, suas combinações, suas propriedades, sob o império da grande Lei Universal de Atração Magnética, sob o influxo dessa atração e, ao mesmo tempo, sob a ação e o poder espirituais dos Espíritos Puros. Quando, pois, desaparecia das vistas humanas, Jesus abandonava o seu perispírito tangível, o seu corpo humano aparente, que sumia na massa dos fluidos, permanecendo, porém, no meio que lhes era próprio os princípios que o constituíam. Entendei: o liame que os prendia a Jesus, sob a ação da sua vontade, era efeito de atração magnética, efeito que ainda vos é impossível compreender perfeitamente. Os poderes dos Espíritos Puros e, mesmo, dos Espíritos Superiores, a potencialidade espiritual do Cristo de Deus – estão MUITO ACIMA DAS INTELIGÊNCIAS HUMANAS. Só à força de estudar e praticar o magnetismo humano é que chegareis a compreender o magnetismo espiritual e as propriedades da sua constante ação sobre toda a Natureza. Uma vez constituído por Jesus o seu corpo aparente, os elementos que o compunham se conservavam em estado de permanente e recíproca atração, do qual lhes resultava a reunião imediata quando, objetivando esse efeito, sob eles atuava a vontade do Mestre. A desagregação do seu perispírito temporário (temporário porque só lhe serviu durante sua missão terrena) não era obstáculo a que houvesse um traço de união entre suas partes integrantes. Gostaríamos de vos fazer compreender essa extraordinária ação, mas nos faltam os termos na vossa linguagem. Além disso, obsta a qualquer explicação direta a ignorância em que vos encontrais da NATUREZA E PROPRIEDADES DOS FLUIDOS, de suas ações e funções na formação e na vida do corpo fluídico dos Espíritos Superiores, na formação especialíssima do corpo de Jesus, das Leis Naturais e Imutáveis que regem a formação e a vida desses corpos. Todavia, considerai uma nuvem tocada pelo vento: ela se dispersa, se eleva à regiões superiores e desaparece de vossas vistas. Como, porém, há uma tendência para a unificação, logo que sopre favorável aragem, de novo se reúnem as partes que o vento separou e a nuvem compacta reaparece. Tal era (mas apenas aproximadamente, pois são falhas todas as comparações) o efeito que o afastamento espiritual de Jesus produzia sobre o corpo perispirítico que o tornava visível aos homens. Quando o Mestre se avizinhava dele, todas as partes componentes daquele corpo se aproximavam e se reuniam novamente e, conservadas unidas pela sua presença, formavam o todo representativo de um corpo semelhante ao vosso, isto é, TENDO A APARÊNCIA DO VOSSO, MAS DE NATUREZA DIVERSA. Pela análise e pela síntese, a química vos oferece numerosos exemplos de decomposição e composição de corpos que, enquanto reunidos os componentes, formavam um todo único, de aspecto diverso dos que cada um deles apresenta, quando dissociados. Considerai o que já consegue a vontade do homem no campo do magnetismo, de conformidade com a ciência humana, pouco desenvolvida, e com as experiências que realiza, tão limitadas; considerai os efeitos magnéticos que ele obtém pela ação permanente da sua vontade, mediante a influência atrativa dos fluidos e, em seguida, meditai sobre O QUE PODERIA SER O PODER DA VONTADE DE JESUS, para que, sob o império dessa vontade se manifestassem os princípios constitutivos do seu perispírito tangível, tendo o Cristo, como sabeis, O CONHECIMENTO PERFEITO DE TODOS OS FLUIDOS; de suas naturezas, propriedades e combinações; dos efeitos dessas combinações; dos modos pelo quais os mesmos fluidos se comportam, na formação e no entretenimento de um corpo perispirítico análogo aos dos corpos dos habitantes dos mundos superiores; da maneira de tornar esse corpo APARENTEMENTE HUMANO, pela adjunção dos fluidos ambientes que, na Terra, servem para a formação dos seres terrestres; das leis de atração que regulam essas formações, sob a ação do magnetismo espiritual e da poderosa vontade do Espírito Puro. Ó bem-amados irmãos, quando chegar O MOMENTO DE RESPONDER ÀS CRÍTICAS (a incredulidade, filha do orgulho e da ignorância, é o que menos falta a tantos homens) – poderemos desenvolver o pensamento que domina tudo o que acabamos de dizer. A cada dia basta o seu labor. Mas repetimos, para concluir: o perispírito que servia de corpo visível e tangível a Jesus, quando o Mestre permaneceu entre vós, não era mais que uma vestimenta, que ele tomava para estar entre os homens, e que despia, logo que se afastava de suas vistas. Somente depois de finda a sua missão terrena, na época da sua chamada “ascensão”, os princípios constitutivos desse perispírito (suas partes componentes) se separaram definitivamente e voltaram aos meios que as atraíam. Às esferas superiores volveram os fluidos tirados de lá, enquanto a vossa atmosfera reabsorvia os que dela haviam saído. Poderá existir fato mais simples? Claro que não, para os que têm olhos de ver.



JESUS E OS HOMENS – VI

P – Disse o Espírito da Verdade: “Como admitir que Jesus, na qualidade de homem (o que significa dizer sujeito às necessidades da existência humana), tenha podido viver quarenta dias e quarenta noites num deserto, sem tomar alimento algum?” Ora, os materialistas não poderão opor o exemplo de Moisés que, revestido de um corpo material humano, permaneceu no alto da montanha, quarenta dias e quarenta noites, sem comer e sem beber, e daí concluir que Jesus (também revestido de um corpo material humano, aos olhos deles) poderia ter feito o mesmo?

R – Mantemos nossas palavras, que acabais de citar. Moisés (diz o “Êxodo”, capítulo XXXIV, versículo 28) passou quarenta dias e quarenta noites na montanha, e “não comeu pão nem bebeu água”, durante todo esse tempo. Efetivamente, Moisés não tomou alimento algum preparado, MAS SE ALIMENTOU DE VEGETAIS SILVESTRES E ALGUNS INSETOS de que os hebreus se nutriam, quando era preciso. Não esqueçais, tampouco, a sobriedade natural dos orientais, que de parcos alimentos necessitam, como todos os habitantes dos climas quentes. Moisés não foi destino no desempenho da sua missão, antes de entrar na Terra Prometida? Qualquer dos missionários espirituais (Moisés, Elias, João e tantos outros) teve missão semelhante a do Cristo, o Ungido do Senhor? Com relação a Jesus, terão dito o mesmo que a respeito de Moisés? Não. O que está nos evangelhos (Mateus, capítulo IV, v. 2; Lucas, capítulo IV, v. 2) é que JESUS NADA COMEU; que jejuou durante quarenta dias e quarenta noites; que, portanto, passou todo esse tempo sem tomar alimento de espécie alguma, PREPARADO OU NÃO PREPARADO; que o passou em absoluta abstinência, tal como era o jejum entre os judeus. Confrontados os textos, não há paridade entre um e outro caso, pelo que repetimos o que antes dissemos: “Como admitir que JESUS, sendo homem, sujeito as enfermidades e necessidades da existência humana, tenha podido viver quarenta dias e quarenta noites num deserto, sem tomar nenhum alimento, JEJUANDO SEM ALIMENTAÇÃO ALGUMA, NÃO SEMELHANTEMENTE A MOISÉS, QUE SE ALIMENTAVA DE INSETOS E VEGETAIS SILVESTRES?” É tempo de explicarmos por que foi indispensável essa “encarnação especial” de Jesus, tal como vos revelamos. Se admitis que Jesus era um Espírito mais puro, mais perfeito que qualquer outro adstrito ao vosso planeta; se admitis que, escolhido como O GUIA DA TERRA antes de ser ela tirada do caos, isto é, da massa dos fluidos que lhe continham os germes, PRECISO ERA QUE TIVESSE SUPREMACIA SOBRE TUDO E TODOS. Como podereis achar razoável que um Espírito dessa magnitude suportasse o contato de matéria tão grosseira, qual a do corpo humano, tal como o compreendeis? Eis aí onde estaria o “milagre”, pois HAVERIA UMA SUBVERSÃO DA ORDEM ESTABELECIDA, POR DEUS, DESDE TODA A ETERNIDADE! Quando tendes de guardar líquidos espirituosos ou éteres, sois obrigados a procurar recipientes adequados a conte-los, sob pena de os vasos se quebrarem ou se evaporarem os éteres, voltando a massa dos fluidos de onde os extraístes. Por que, então, não podeis admitir que UM ESPÍRITO ETÉREO, COMO O DO CRISTO, TENHA SIDO LEVADO A FABRICAR UM “VASO” APROPRIADO A ENCERRÁ-LO? Haveis de convir que há grande presunção da parte dos homens, especialmente dos que teimam em considerar Jesus uma das três parcelas de Deus (embora tenham Deus por indivisível), quando pretendem que o Mestre revestiu um corpo igual aos vossos. De fato, isso equivale a dizer que DEUS, O ESPÍRITO DOS ESPÍRITOS, A ESSÊNCIA DE INAPRECIÁVEL SUTILEZA, se haja encerrado num vaso de argila, tão grosseiro como são os vossos corpos. Meditai e respondei, em plena consciência: podeis admitir semelhante despautério? Dissemos que aí, sim, é que haveria “milagre”. Realmente, só por “milagre” seria possível que UM ESPÍRITO TÃO SUTIL, TÃO ETÉREO, COMO O DO CRISTO, suportasse o contato de matéria tão grosseira como a do corpo humano, visto que TAL FATO ESTARIA FORA DAS LEIS NATURAIS E IMUTÁVEIS, importando, pois, numa subversão da ordem estabelecida, por Deus, desde toda a Eternidade!



JESUS E OS HOMENS – VII

P – Graças às lições do Espírito da Verdade, vemos que estão fora da Lei Divina todas as religiões fundadas pelos homens, por mais respeitáveis que sejam. Como devem os fiéis dessas crenças entender a aparição de Jesus no seio da humanidade terrestre?

R – O Espírito imaterial, isto é, o ESPÍRITO PURIFICADO não pode retomar um invólucro material e consistente que não esteja em relação com a sua sutileza. Pode apropriar para seu uso um invólucro muito inferior à sua natureza espiritual, MAS NÃO PODE, TENDO CHEGADO AO MÁXIMO GRAU DE PURIFICAÇÃO, RETOMAR A MATÉRIA PRIMITIVA, PORQUE A LEI DIVINA NÃO PERMITE. Por ser essencialmente etéreo, o laço fluídico, que haveria de prender o Espírito à matéria, não poderia aderir à matéria corporal humana. Entretanto, o mesmo Espírito pode colocar-se em relação com um corpo fluídico que, para vós, é imaterial mas que, de fato, é ainda grosseiro, relativamente ao estado de purificação e sutileza de certos Espíritos. O perispírito dos Espíritos Puros é, por sua sutileza, de natureza muito diversa, pelo o que toca à atração, da natureza do perispírito dos materialmente encarnados, O QUE LHE TORNA IMPOSSÍVEL ADERIR À MATÉRIA DO CORPO HUMANO. Tomando um corpo próprio de certos mundos elevados, Jesus tomava um invólucro relativamente material, para os olhos humanos, uma carne relativa. O “milagre”, na significação que ainda hoje se dá a esta palavra, consiste na prática de um ato ou na ocorrência de um fato em oposição às leis estabelecidas da Natureza. “Milagre” seria um homem gerar um leão, um elefante dar vida a uma baleia. “Milagre” haveria, com efeito, na realização das predições segundo as quais as estrelas cairiam do céu, porque tais fatos estariam fora da lei orgânica e regular das coisas. Mas os fatos, CUJO CONHECIMENTO ESCAPA A INTELIGÊNCIA HUMANA, nada têm de milagroso. Se, para os homens, apresentam esse caráter, e porque eles ignoram AS SUAS CAUSAS. Com o correr dos tempos e a purificação progressiva dos Espíritos, o estudo lhes demonstrará que O QUE AINDA HOJE É TIDO POR IMPOSSÍVEL, notadamente quanto à encarnação nos mundos superiores, quanto à encarnação de Jesus num mundo inferior, DEVE SER CLASSIFICADO ENTRE OS EFEITOS DE LEIS NATURAIS, exatamente como sucede com o movimento dos astros, as mudanças das estações, as marés e tudo o que diariamente se passa debaixo dos vossos olhos, inclusive a geração dos seres e das plantas, fato que vos parecem naturalíssimos, SE BEM QUE NÃO OS CONHEÇAIS INTIMAMENTE. Que os que rejeitam a revelação que vos fazemos, da natureza de Jesus e da sua origem, se reportem à vida inteira do Mestre, aos fatos do Evangelho que, explicados EM ESPÍRITO E VERDADE, À LUZ DO NOVO MANDAMENTO, militam a favor desta revelação. Que se iniciem, sem demora, nos estudos das Verdades Divinas. Depois, fácil lhes será compreender e admitir a Religião de Deus, de Jesus e do Espírito Santo, que paira muito acima das crenças baseadas em superstições e preceitos humanos. Chegará a vez de todos, pois já estamos na HORA DO APOCALIPSE. Por isso a todos dizemos: – Qualquer que seja a vossa opinião sobre a natureza e origem do Cristo, quer considereis seu corpo material, quer fluídico, quer vejais nele um Homem-Deus, quer um Messias do Altíssimo – admirai-lhe a figura incomparável, a irradiar sobre vós; examinai-lhe o amor e o devotamento à Humanidade; esforçai-vos por imitá-lo, e podeis ter a certeza de chegar, um dia, EM TEMPO BREVE, à luz da Verdade que liberta e salva!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Deus e a Vida Universal de VII até XX

DEUS E A VIDA UNIVERSAL – VII


P – A Doutrina do Novo Mandamento de Jesus está interessando a muita gente, que nunca se preocupou com Evangelho e Apocalipse. É uma prova de que está sendo cumprida a grande missão do Centro Espiritual Universalista, da LBV! Pode o Espírito da Verdade esclarecer outros pontos da vida e harmonia universais?

R – Sim, é a nossa maior satisfação: libertar as Almas pelo conhecimento da Verdade. Prossigamos, pois. Tempo longo, tempo cuja duração sois incapazes de calcular, demanda a essência espiritual no estado de inteligência relativa, no estado de animal, para adquirir, nesse reino, o desenvolvimento que lhe permita passar ao estado intermediário, que lhe permita, a seguir, atravessar as espécies que participam do animal e do homem. Depois de haver passado por todas essas espécies intermediárias, ela permanece ainda longo tempo, cuja duração não sois, igualmente, capazes de calcular, na fase preparatória da sua entrada na humanidade, fase esta da qual, pela vontade do Senhor e mediante uma transformação completa, sai o Espírito formado, com inteligência independente, livre, responsável. Nessa grande UNIDADE DE CRIAÇÃO E DE TODOS OS REINOS DA NATUREZA, tudo concorre para a vida e harmonia universais, segundo as leis naturais, imutáveis e eternas, por meio de uma ação recíproca e solidária, do ponto de vista da conservação, da reprodução e da destruição. Tudo concorre para o desenvolvimento e para o progresso de todas criaturas. Tudo o que é, vive e “morre”, nos reinos mineral e vegetal, todos os seres que, no reino animal e no reino humano, vivem e “morrem”, desde do ser microscópico até ao homem, tudo e todos têm um emprego, uma utilidade, uma função, que tendem e servem para o desenvolvimento de cada espécie, para a vida e a harmonia universais. Essa multidão de microscópicos animálculos, que olhos carnais não logram ver, que só pela ação óptica do microscópio solar se tornam visíveis, que se encontram espalhados no ar, na água, nos líquidos e nos sólidos, concorrem para entreter e desenvolver a existência animal e a existência humana, como os que vivem na água contribuem para a existência da planta e os que se escondem na planta – para a alimentação do carneiro e do cabrito que pastam. Em tais organizações, porém, é completa a ausência do pensamento, que também não é o agente que leva o carneiro a morrer para servir de alimento ao homem. Entretanto, a faca, que abre escoadouro ao sangue do animal, liberta a inteligência relativa, o Espírito em estado de formação e lhe proporciona ensejo de ser utilizado em melhores condições. É pela passagem da essência espiritual, durante uma “eternidade”, por todos os reinos da Natureza e pelas formas e espécies intermédias, mediante as quais eles se encadeiam, que o desenvolvimento se opera numa progressão contínua, que o pensamento surge e COMEÇA A EXISTÊNCIA MORAL. Não conclua o homem, porém, do que dissemos, que deva destruir o que em torno dele existe, para auxiliar aquele desenvolvimento: cairia num erro culposo! CADA UM TEM DE VIVER, MAS SOMENTE VIVER. Não destrua, portanto, senão o que for estritamente necessário à sua existência. Quanto ao mais, só a vontade soberana do Senhor pode prover.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – VIII


P – Hoje, sabemos que não há segurança fora da LEI DE DEUS. Somente o conhecimento da Verdade, como ensinou Jesus, poderá libertar o homem de todas as tragédias que o afligem. Haverá, então, respeito e amor entre os povos e nações. Que diz a respeito, o Espírito da Verdade no CEU da LBV?

R – Quando o homem entender os laços que o prendem a tudo o que é, na Divina Criação, seu coração se abrandará: em tudo, ele compreenderá a necessidade de USAR SEM ABUSAR. Tudo, realmente tudo, na grande UNIDADE DA CRIAÇÃO, nasce, existe, vive, funciona, “morre”, renasce – para a harmonia do Universo, sob a ação dos Espíritos Puros que cumprem a vontade de Deus, segundo as leis naturais e imutáveis que Ele estabeleceu, desde toda a Eternidade, mediante as aplicações e apropriações dessas leis. Observai bem: nada há de espontâneo na Natureza, porque TUDO TEM SUA ORIGEM PREPARADA. Ao homem só é possível notar os efeitos que lhe ferem os sentidos. O que nasce instantaneamente, sem que ele previsse a possibilidade de tal nascimento, se lhe afigura uma criação instantânea. A verdade, porém, é que já existiam germes dessa criação. Aos olhos dos homens, o que há de espontâneo é só a matéria. A inteligência, ou antes o germe da inteligência, que a tem de habitar, é colocado na matéria logo que esta o pode conter, e a vida se manifesta às vistas humanas, instantaneamente, de acordo com o meio e os ambientes, debaixo da direção e da vigilância oculta dos Espíritos prepostos, de conformidade com as leis naturais e gerais, que o homem ainda não tem capacidade para compreender e explicar. Irmãos bem-amados, cuja felicidade desejamos, não vos deixeis arrastar pelo orgulho, o inimigo encarniçado que tendes de destruir, o “demônio” que ainda vos subjuga e transvia! Não rejeiteis, sem exame, homens materialistas, esta REVELAÇÃO DA VOSSA ORIGEM! Não digais que ela vos rebaixa! Reconhecei, ao contrário, que ela vos engrandece, permitindo-vos entrever a onipotência criadora do Pai Celestial! Sim, nós, vós, todos – exceto Aquele que foi, é e será por toda a Eternidade – todos fomos, em nossa origem, essência espiritual, princípio de inteligência, Espírito em estado de formação. Todos passamos por essa metamorfoses, transfigurações e transformações da matéria, até chegarmos à condição de ESPÍRITO FORMADO, senhor do seu livre arbítrio. O que vos revelamos não é a metempsicose; é a LEI NATURAL, É A IGUALDADE, PERANTE DEUS, DE TUDO O QUE EXISTE, NO VOSSO MUNDO E EM TODO O UNIVERSO. Deus, Pai igualmente bom para todos os seus filhos, em todos os mundos, NÃO TEM PREFERÊNCIAS: todas as criaturas são obras sua; nenhuma será deserdada. Compreendei bem tudo o que há de profundo e elevado nessa cadeia sem fim, que liga todo o conjunto da Natureza e exalta o amor do homem, mostrando-lhe O AMOR INFINITO DO SEU DEUS! Não zombem mais os incrédulos e sofistas, os filósofos sem Filosofia. Estudai, todos vós, homens sem fé, estudai! Com o coração cheio de amor a Deus e ao vosso próximo, armados do amor à Ciência e ao desejo de progredir, procurai – humildes e desinteressados – a Luz do Mundo! Procurai compreender, e compreendereis; procurai ouvir, e ouvireis; procurai ver e, certamente, vereis. Nada há de oculto que não venha a ser revelado, nada ignorado que não venha a ser conhecido. A reencarnação dá ao homem a faculdade de retomar a obra incompleta ou inacabada. Mas só mesmo os humildes, pela sua Boa Vontade, podem chegar rapidamente ao conhecimento da Verdade, encerrada na Bíblia Santa, que é a palavra de Deus. E, vivendo o Novo Mandamento do Chefe Planetário que os protege, terão a segurança dos salvos da loucura, na hora apocalíptica do Armagedon que se aproxima. Quem poderá sobreviver? Satanás está em desespero, porque SABE QUE LHE RESTA POUCO TEMPO.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – IX


P – Queremos uma explicação importante do Espírito da Verdade, através do CEU da LBV: – Como é que, chegando ao período de preparação para entrar na humanidade, na espiritualidade consciente, o Espírito passa desse estado misto, que o separa do animal e o apronta para a vida espiritual, AO ESTADO DE ESPÍRITO FORMADO, isto é, de individualidade inteligente, responsável e livre? Outra pergunta que julgamos da mais alta importância: – Uma vez de posse do livre arbítrio, da consciência de suas faculdades, da sua vontade, da liberdade de seus atos, como é que lhe sucede FALIR POR ORGULHO OU INVEJA?

R – Depois de haver passado pela matéria animal, chegando a um certo grau de desenvolvimento, o Espírito, antes de entrar na vida espiritual, precisa permanecer num estado misto. Eis por que e como se opera essa “estagnação”, sob a direção e vigilância dos Espíritos prepostos. Para entrar na vida ativa, consciente, livre e independente, o Espírito tem necessidade de se libertar por completo do contato forçado em que esteve com a carne, de esquecer as suas relações com a matéria, isto é, de se depurar dessas relações. É NESSE MOMENTO QUE SE PREPARA ATRANSFORMAÇÃO DO INSTINTO EM INTELIGÊNCIA CONSCIENTE. bem desenvolvido no estado animal, o Espírito é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais: é conduzido aos mundos ad hoe, às regiões preparativas, porque lhe cumpre achar o meio onde se elaboram os princípios constitutivos do perispírito. Fraco raio de luz, ele se vê lançado na massa de vapores que o envolvem por todos os lados. Aí perde a consciência do seu ser, porque a influência da matéria tem de se anular no período da estagnação, e cai num estado a que chamaremos (para que todos possam compreender) letargia. Durante esse período, o perispírito, destinado a receber o princípio espiritual, se desenvolve e se constitui ao derredor daquela centelha de verdadeira vida. Toma, a princípio, uma forma instintiva, depois se aperfeiçoa gradualmente como o germe no seio materno, e passa por todas as fases do desenvolvimento. Quando o invólucro está pronto para contê-lo, o Espírito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admiração: nesse ponto, O PERISPÍRITO É COMPLETAMENTE FLUÍDICO, MESMO PARA NÓS. Tão pálida é a chama que ele encerra (a essência espiritual da vida) que os nossos sentidos, embora sutilíssimos, dificilmente a distinguem. Esse é o estado de infância espiritual. É então que os altos Espíritos (que comandam a educação dos que se encontram, assim, no estado de simplicidade, de ignorância e de inocência), os encaminham para as esferas fluídicas, onde deverão ficar durante o seu desenvolvimento moral e intelectual, até ao momento em que se achem, no uso completo de suas faculdades, EM CONDIÇÕES DE ESCOLHER O CAMINHO QUE DESEJEM TRILHAR. Seguem-se as fases da infância. Os Guias ou Protetores ensinam ao Espírito o que é o livre arbítrio que Deus lhe concede, explicam o uso que dele podem fazer e o concitam a se ter em guarda contra os escolhos que venha a deparar. O reconhecimento e o amor devidos ao Criador constituem o objeto da primeira lição que o Espírito recebe. Levam-no, depois, gradualmente, ao estudo dos fluidos que o cercam e das esferas que descortina. Conduzidos pelos seus prudentes Guias, passa às regiões onde se formam os mundos, a fim de lhes estudar os “mistérios”. Desce, enfim, às regiões inferiores, para aprender a dirigir os princípios orgânicos de tudo o que é, em qualquer dos reinos da Natureza. Daí vai as esferas mais elevadas, onde aprende a dirigir os fenômenos atmosféricos e geológicos, que todos vós observais SEM O COMPREENDER. Assim é que, de estudo em estudo, de progresso em progresso, o Espírito adquire a ciência que, infinita, o aproximará do Mestre Supremo. Mas, como já dissemos, quando o livre arbítrio atinge um desenvolvimento completo, os espíritos fazem dele bom ou mau uso, uns logo no início da vida espiritual consciente, outros em ponto mais ou menos adiantado da carreira. Todos seguem os seus caminhos entregues a si mesmos, como vos outros, isto é, não experimentando mais do que a influência amiga de seus Guias, que eles veem à volta de si, como o adolescente vê os membros da sua família se gruparem ao seu derredor, para o preservarem dos perigos da vida. É O TERRÍVEL APRENDIZADO, QUE LHE CUMPRE FAZER, DO LIVRE ARBÍTRIO. Tudo é tão belo nas regiões superiores, o Espírito admira tão grandes coisas que fica maravilhado, deslumbrado! As tendências, então, se desenvolvem. A ambição nobre de aprender, de crescer e de subir, quase sempre se imiscui o orgulho ou a inveja. Neste ponto, sente a influência paternal de Deus, cuja existência lhe é revelada, mas que ele não vê. Só o que é perfeito pode aproximar-se da Perfeição. Ora, o Espírito independente e livre, está ainda ignorante e não experimentou, por si mesmo, o seu valor.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – X


P – Chegamos ao ponto que mais de perto nos interessa: por que, já na posse do seu livre arbítrio, podem os Espíritos falir, por orgulho ou por inveja?

R – Os Espíritos no estado infantil – já o dissemos – são confiados a preceptores, que trabalham para o desenvolvimento moral e intelectual de seus discípulos, dando-lhes ensinamentos e exemplos. É então – também já o dissemos – que AS TENDÊNCIAS SE REVELAM. Os Espíritos, já de posse do seu livre arbítrio, ou trilham laboriosamente o caminho do progresso espiritual, planejado com amor, dóceis aos seus Guias, em prol do próprio desenvolvimento, crescendo em sabedoria, pureza e ciência, e chegam, SEM HAVER FALIDO, ao ponto onde nenhum véu mais lhes oculta a luz central, ou – ao contrário – confiantes em suas forças, desprezam os conselhos que lhes são dados, e inebriados pela visão dos esplendores que cercam os altos Espíritos – deixam que a inveja e o orgulho os empolguem. Já tendo grande poder sobre as regiões inferiores, cujo o governo aprendem a exercer no sentido de que (sempre sob as vistas dos Espíritos prepostos à missão de educá-los e sob as do Protetor Especial do planeta de que se trate) aprendem a dirigir a revolução das estações, a regular a fertilidade do solo, a guiar os encarnados, influenciando-os ocultamente, MUITOS ACREDITAM QUE SÓ AO PRÓPRIO MERECIMENTO DEVEM O QUE PODEM e, desprezando todos os conselhos, caem: e a queda pelo orgulho. Outros, por nem sempre compreenderem a ação poderosa de deus, NÃO ADMITEM QUE HAJA UMA HIERARQUIA ESPIRITUAL e acusam de injustiça Aquele que os criou, porquanto é Deus quem cria, não o esqueçais: esses caem pela inveja. Não é o que acontece convosco, dentro da ínfima hierarquia humana? Até o ateísmo – por mais incrível que pareça – até o ateísmo, não raro, se manifesta naqueles pobres cegos colocados no centro mesmo da Luz! E jamais, como aí, o ateísmo nasce tão diretamente do orgulho. Não vendo aquele de quem tudo emana, negam-lhe a existência, já se considerando a base e a cúpula do edifício! Nesse caso, sobretudo nesse caso, mais severo é o castigo. É um dos casos de primitiva encarnação humana: preciso se torna que os culpados sintam, em seu próprio benefício, o peso da força cuja existência não quiseram reconhecer. Qualquer que seja a causa da queda, orgulho, inveja, ateísmo, os que caem (tornando-se, por isso, ESPÍRITOS DAS TREVAS) são precipitados nos tenebrosos lugares da encarnação humana, conforme ao grau de culpabilidade, nas condições impostas pela necessidade de expiar e progredir. Não vos enganeis quanto ao sentido das novas palavras relativas à ação desses Espíritos em via de progresso, que ainda não faliram e que se grupam nas regiões inferiores para conduzir os encarnados, influenciando-os, a título de Guias, amigos e simpatizantes. Nos mundos inferiores, os encarnados têm seus Anjos da Guarda, que são Espíritos da categoria dos vossos, mais depurados (como dizeis) do que os seus protegidos, e que também têm, por Guias ou Protetores, OUTROS ESPÍRITOS DE ORDEM MAIS ELEVADA. Tudo se liga e encadeia, da base ao ápice, hierarquicamente, na unidade e na solidariedade.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XI


P – O Espírito da Verdade afirmou que os Espíritos destinados a ser humanizados, por terem cometido erros graves são lançados nas trevas exteriores – mundos primitivos, virgens ainda do aparecimento do homem (do reino humano), mas preparados e prontos para essas encarnações em substâncias humanas, às quais não se pode dar propriamente nome de corpos, nas condições de macho e fêmea, aptos para a procriação e para a reprodução. Quais as condições dessas substâncias humanas?

R – São corpos rudimentares. O homem aporta a essas terras, ou mundos primitivos, no estado de esboço, como tudo o que se forma nas trevas exteriores. Aí, o macho e a fêmea não são nem desenvolvidos, nem fortes, nem inteligentes. Mal se arrastando nos seus grosseiros invólucros, vivem – como os animais – do que encontram no solo e lhes convenha. As árvores e o terreno produzem, abundantemente, para a nutrição de cada espécie. Os animais carnívoros não os caçam: a previdência do Senhor vela sempre, pela conservação de todos. SEUS ÚNICOS INSTINTOS SÃO OS DA ALIMENTAÇÃO E OS DA REPRODUÇÃO. As gerações se sucedem, desenvolvendo-se. E as formas se vão alongando, tornando-se aptas a prover as necessidades que se multiplicam. Mas como não é nossa tarefa traçar aqui a História da Criação, prossigamos: o Espírito vai habitar corpos formados de substâncias contidas nas matérias constitutivas do planeta. Esses corpos não são aparelhados como os vossos, mas os elementos que os compõem se acham dispostos de maneira a que o Espírito os possa usar e aperfeiçoar. Não poderíamos compará-los melhor do que a criptógamos carnudos. Podeis formar idéia da criação humana estudando essas larvas informes, que vegetam em certas plantas, particularmente nos lírios. São massas, quase inertes, de matérias moles e pouco agregadas, que rasteja, ou antes desliza, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente. Eis aí, ó homem, a tua origem, o teu ponto de partida, quando o ateísmo, o orgulho, a inveja, a indocilidade e a revolta te fizeram falir, em condições que exigem A PRIMITIVA ENCARNAÇÃO HUMANA! Não desvies, horrorizado, o olhar: agradece, antes, ao Senhor, que te permite elevar os olhos para Ele e entrever a Imagem da Perfeição nos Espíritos radiosos que o cercam! E cabe, aqui, dar aos homens uma instrução séria, a fim de que não sejam levados a ver, nessas encarnações primitivas, ou nas suas causas, uma “vingança feroz” da Divindade. DEUS NÃO SE VINGA. Que necessidade teria de se vingar? Apenas, na sua previdência onisciente, coloca o Espírito orgulhoso, que se considera “o centro do Universo”, em condições de reconhecer a sua fragilidade. Procede como o chefe de família que, depois de consentir que o filho presunçoso tente levantar o peso que viu o pai erguer, exercita a força do menino, proporcionando-lhe meios de a desenvolver, pouco a pouco, a fim de aprender a fazer dela O USO CONVENIENTE. Tais encarnações, por mais horríveis que possam parecer, são um benefício imenso para o Espírito. Tendo falido, convém que ele se submeta ao jugo dessa matéria da qual se julgava o senhor, para compreender a sua impotência e adquirir, pelo exercício e pelo combate, a força, a destreza e, sobretudo, a experiência que lhe faltavam. Ora, aquilo que pune o Espírito é, também, aquilo que o regenera: sem essa terrível provação, ele ficaria vicioso, e seu poder – se fosse mantido – se tornaria nocivo à HARMONIA UNIVERSAL, o que é impossível, porque contrário à Lei de Deus. Assim, portanto, só por uma paternal previdência do Criador – e unicamente no interesse do seu desenvolvimento meritório – o Espírito se vê condenado a sofrer encarnações que o seu zelo, o seu arrependimento e a sua docilidade podem abrandar e abreviar ao infinito.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XII


P – Disse o Espírito da Verdade que “a previdência do Senhor vela, sempre, pela conservação de todos”. Poderia aprofundar o ensinamento e falar da paridade do desenvolvimento em todos os reinos da Natureza?

R – É que as espécies, incapazes de se defenderem, não são atacadas de modo positivo. Têm seus inimigos, mas entre seres tão fracos quanto elas mesmas, nunca entre aqueles que a destruiriam completamente, achando-as sem defesa ou meios de fugir. Cada espécie busca a alimentação que lhe é apropriada, não procurando jamais a que seja estranha aos seus apetites. O homem, no estado de encarnação primitiva, ou rudimentar, não tem que temer mais inimigos do que os tem a esponja, que só é vítima dos insetos que dela se nutrem, quando chega o têrmo da sua duração natural. Nem a carnívoros, nem a herbívoros, nem a nenhuma das espécies de peixes ou de pássaros, serve ela de alimento. Chegado, no seu desenvolvimento, ao período em que os carnívoros o atacam para devora-lo, o homem já não se acha mais sem defesa e sem meios de fugir. Dizemos os carnívoros e não os herbívoros porque o caçador não persegue a caça que não tenha atrativo para ele. Também afirmamos que o homem, no estado de encarnação primitiva, não é mais do que massa, quase inerte, de matérias moles e pouco agregadas, que rasteja, ou antes desliza, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente. Ainda mais: “As gerações se sucedem, desenvolvendo-se. E as formas se vão alongando, tornando-se aptas a prover as necessidades que se multiplicam”. A matéria está sujeita a um desenvolvimento regular. Os Espíritos, quando se elevam, transpõem o grau desse desenvolvimento, sem neles tocarem: há sempre categorias de Espíritos em correlação com os graus das encarnações. Desde o grau de encarnação primitiva até à forma humana, não á outra coisa senão um tipo único em germe, a se desenvolver. Tipo único, mas que se modifica, à medida que o seu desenvolvimento se opera, de conformidade com os meios em que se vai encontrando. E daí podeis tirar outras conclusões, relativamente à elaboração do Espírito nos diversos reinos da Natureza. Efetivamente, o que se dá com a origem do tipo humano, que provém do limo diluído e fecundado, se verifica também com o principio das primeiras plantas e dos primeiros animais. São, em começo, simples vegetações microscópicas, que se desenvolvem, crescem e se estendem por sobre o solo, e produzem sementes que, transportadas a diversos pontos, sofrem a influência da terra que as recebe, das águas que as regam, dos calores que a fecundam e, enfim, dos fluidos que a desenvolvem. Surgem, depois, os tipos animais, que passam pelas mesmas transformações, determinados pelas mesmas causas. Agora, é preciso compreender como e por que chega o homem a ter a direção e a supremacia no planeta, não obstante ser o desenvolvimento material das espécies animais, no momento da encarnação humana primitiva, superior ao do Espírito humanizado, sob o ponto de vista do invólucro. O homem, nessas condições, não é um atrasado, mas um retardatário: o que há, em tal caso, é uma retrogradação física. Nele, a inteligência tem de despertar, ao passo que nos animais tem de se desenvolver. Fique bem claro o seguinte: ao fundar-se um novo planeta, o princípio de inteligência, o princípio espiritual que, em estado latente, ele encerra, tem de se elaborar, desenvolver, individualizar e adquirir arbítrio. O princípio espiritual, portanto, tem de passar por uma série inumerável de transformações, para chegar a esse ponto. O Espírito que encarna, ao contrário, volta à matéria para lhe sofrer a opressão, para se habituar a dominá-la, para aprender a se dominar, podendo o princípio inteligente (que, então, já percorreu uma certa categoria de estádios) ascender rapidamente, se o quiser, da ínfima condição em que caiu até às esferas elevadas que lhe compete atingir. Não se trata mais, aqui, de um progresso lento, insensível, mediante o qual, por assim dizer, se cria o ser espiritual: trata-se de realizar um trabalho raciocinado, cujos primeiros princípios já foram executados e se cuida de aplicar. Façamos uma comparação, para maior clareza: o Espírito que se prepara nos diversos reinos inferiores (mineral, vegetal, animal), é como a criança da qual o germe, fecundado no seio materno, se desenvolve, nasce, se educa e chega à adolescência. Nesse ponto, contrai uma enfermidade terrível, por efeito da qual, na convalescença, não lembra sequer de uma letra dos seus primeiros estudos. Não sabe mais equilibrar nas pernas o corpo cambaleante, nem ir de um lugar a outro. Balbucia sons inarticulados e ininteligíveis. Estão mortos seus escritores prediletos, seus talentos, suas recordações. Mas, a pouco e pouco, a saúde lhe volta. Solícita, a mãe extremosa que lhe guia os passos, regulariza o seu falar, mostra nos livros as palavras que ele esqueceu, e por fim o reconduz à trilha das ciências que estudou. A inteligência se lhe desperta prontamente; de tudo vai se lembrando e tudo vai reconhecendo. JULGA APRENDER, QUANDO APENAS GRADUALMENTE RECORDA. E tanto mais rápido é o progresso quanto mais a saúde se avigora. O mesmo acontece com o Espírito que faliu: seus progressos espirituais dependem dos cuidados que dispense à sua saúde moral. Esses cuidados lhe permitem avançar, rapidamente, no campo da reminiscência dos progressos feitos no passado, reminiscência que ele toma por um estudo novo, enquanto não galga a altura de onde o passado pode, sem inconveniente, desenrolar-se aos seus olhos. Não lhe é dado fazer progressos novos (e estes, sim, serão realmente fruto de novos estudos) senão depois de atingir o ponto a que já chegara, quando caiu nas trevas da encarnação humana.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XIII


P – Desejamos que o Espírito da Verdade analise esta opinião, formulada nos seguintes termos: “Do mesmo modo que, para o Espírito em estado de formação, a materialização nos reinos mineral e vegetal e nas espécies intermediarias (e, igualmente, a encarnação no reino animal e nas espécies intermediarias), É UMA NECESSIDADE e não UM CASTIGO resultante de falta cometida, TAMBÉM PARA O ESPÍRITO FORMADO, que já tem inteligência independente, consciência de suas faculdades, responsabilidade dos seus atos (livre arbítrio), e que se encontra no estado de inocência e ignorância – a encarnação, primeiro em terras ou mundos primitivos, depois nos mundos inferiores e superiores – ATÉ QUE HAJA ATINGIDO A PERFEIÇÃO – É UMA NECESSIDADE e não UM CASTIGO”. Que devemos nós concluir de tudo isso?

R – Responde o Espírito da Verdade: A encarnação humana NÃO É UMA NECESSIDADE, e sim UM CASTIGO, diante das Leis Divinas que já analisamos. E o castigo não pode preceder a culpa. O Espírito não é humanizado (também já o explicamos) antes que a primeira falta o tenha sujeitado à encarnação humana. Só então ele é preparado (como, igualmente, já o demonstramos) para lhe sofrer as conseqüências. A opinião que submeteis à nossa análise, na vossa pergunta de hoje, se fundamenta por esta maneira: “Segundo um sistema que, à primeira vista, denota algo de especioso, os Espíritos não teriam sido criados para encarnar materialmente; a encarnação humana NÃO seria mais que o resultado de uma falta. Tal sistema cai pela simples consideração de que, SE NENHUM ESPÍRITO HOUVESSE FALIDO, NÃO HAVERIA HOMENS NA TERRA NEM SERES NOS OUTROS MUNDOS. Ora, sendo a presença do homem necessária, como é, para melhoria material dos mundos, visto que ele concorre – pela sua inteligência e pela sua atividade – apara a execução da obra geral, claro esta que o homem é um dos meios essenciais da Criação. Não podendo Deus subordinar o acabamento de sua obra à queda eventual das suas criaturas, a menos que contasse previamente com um número suficiente de culpados, para alimentar os mundos criados e por criar, o BOM SENSO repele semelhante modo de pensar”. A última frase deve ser riscada. O bom senso, ao contrário, indica que a presciência de Deus lhe faculta saber que, NO NÚMERO DOS QUE ELE CRIA SIMPRES, IGNORANTES E FALÍVEIS, HAVERÁ SEMPRE MUITO QUE – PELO MAU USO DO SEU LIVRE ARBÍTRIO – SUCUMBIRÃO AS SUAS FRAQUEZAS CAUSADAS PELO ORGULHO, QUE SE ORIGINA NA IGNORÂNCIA E TEM POR DERIVADOS A PRESUNÇÃO, O EGOÍSMO E A INVEJA. Seria, porventura, mais sensato pensar que Deus (o Infinito de todas as Perfeições) cria seres fracos expressamente para adquirirem força através dos sofrimentos, das provações? Que os cria inocentes para lhes ensinar a prática da inocência no assassínio, na indignidade, na multiplicidade dos vícios das encarnações humanas primitivas, vícios que tanto se enraízam nas criaturas, e que milhares de séculos passam sobre elas sem as polir? Sim, PORQUE AINDA HOJE SÃO INÚMERÁVEIS AS BAIXEZAS QUE AFLIGEM O GÊNERO HUMANO! Ora, se assim fosse poderíeis dizer que Deus concedeu ao Espírito o livre arbítrio sob a condição de ficar submetido a uma lei única – a do pecado! Por essa forma, teria Deus sujeitado a suplício igual (o da encarnação humana) tanto o Espírito que, no estado de inocência e de ignorância, dócil a seus Guias, segue o caminho que lhe é apontado para progredir, quanto o Espírito indócil, orgulhoso, presunçoso, egoísta e invejoso culpado e revoltado, que faliu por mau uso do seu livre arbítrio. Não! Deus é infinitamente grande, justo, bom e paternal. Seus filhos nascem simples de coração (Ele assim o quis); têm a liberdade dos seus atos (é Ele quem a concede). Se fazem mau uso do livre arbítrio, é que – dando o Senhor toda a liberdade ao Espírito – dele se afasta, por assim dizer, para deixá-lo entregue às suas próprias impressões e tendências. É ENTÃO QUE O ESPÍRITO ESCOLHE O RUMO QUE PREFERE SEGUIR. Então, e só então, sofre as conseqüências da escolha que faz. Tudo virá ao seu tempo. É esta uma verdade que abrirá caminho, como já o abriram estas duas outras – a anterioridade da Alma e a reencarnação. Uma geração semeia, a segunda monda e a terceira colhe. A onisciência de Deus lhe faculta saber, desde e por toda eternidade (pois o presente, o passado e o futuro lhe estão patentes a todos os instantes) que jamais faltou nada, nem falta, nem faltará à vida e a harmonia universais: que houve, há e haverá SEMPRE Espíritos culposos para alimentar as terras primitivas, o vosso e os outros mundos que Ele criou, cria e criará, destinados a servir de habitação aos Espíritos que faliram, estão falindo e vão falir, todos esses que tiveram, têm e terão que expiar e progredir nessas esferas e trabalhar pela melhoria material delas. A onisciência de deus lhe faculta saber, desde e por toda a eternidade, que também houve e sempre haverá Espíritos que, puros no estado de inocência e de ignorância, dóceis aos seus Guias, se conservarão puros no caminho do progresso, trilhando-o simples e gradualmente, conforme ao que lhe é indicado; que sempre houve há e haverá Espíritos, como esses, que NUNCA IRÃO FALIR, PARA ALIMENTAR TODOS OS MUNDOS FLUÍDICOS QUE ELE CRIOU, CRIA E CRIARÁ, apropriado às inteligências dos que os devem habitar, e nos quais essas inteligências têm de progredir em invólucros fluídicos.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XIV


P – O autor da mesma opinião analisada pelo Espírito da Verdade, continua assim: “A encarnação humana é uma necessidade para o Espírito que, desempenhando missão providencial, trabalha pelo seu próprio adiantamento, por efeito da inteligência e da atividade que lhe cumpre empregar, para prover a sua existência e o seu bem-estar. Mas a encarnação humana se torna um castigo quando o Espírito, por não ter feito o que devia, se vê constrangido a recomeçar a tarefa e multiplica suas vidas corporais, penosas por culpa sua. Um estudante não chega a tomar o grau senão depois de haver passado pelas fileiras de todas as classes. Percorrer essas classes constitui, porventura, um castigo para ele? Não: é uma necessidade. Se, porém, por preguiça, o estudante é obrigado a permanecer nelas o dobro do tempo, aí esta o castigo. Poder livrar-se de algumas, ao contrario, representa bastante mérito. A verdade, pois, consiste em que a encarnação na Terra só é, para muitos dos que a habitam, um castigo, porque esses – podendo tê-lo evitado – duplicaram, triplicaram, e até centuplicaram, por culpa própria, o números de suas vidas terrenas, retardando desse jeito o momento de entrarem nos mundos melhores. Assim, é errôneo admitir, em princípio, a encarnação humana como um castigo”. Que devemos pensar de tais conclusões?

R – Esclarece o Espírito da Verdade: – Errôneo, ao contrário, é admitir que a encarnação humana seja UMA NECESSIDADE, tanto para o Espírito que, investido do livre arbítrio no estado de inocência e de ignorância, jamais faliu, por não fazer dele mau uso, pois, sempre dócil aos seus Guias, trilha o caminho que eles indicam, para progredir; como para aquele que, indócil, rebelde e obstinado, faliu pelo mau uso desse mesmo livre arbítrio. Sim, errôneo, ao contrário, é admitir que a encarnação não seja, em princípio, UM CASTIGO, POR EFEITO DE UMA CULPA QUE O TORNOU NECESSÁRIO. Os que formaram essa opinião errônea ainda não foram esclarecidos, ou não refletiram bastante sobre a natureza e o objeto dos mundos que os encarnados habitam como planetas de expiação e de progresso; sobre a origem do Espírito e sobre as diversas fases por que ele passa no estado de formação. Sobretudo, ainda não refletiram acerca destas duas situações bem marcadas e que devem ser perfeitamente distinguidas: a situação em que, no estado de formação, o Espírito segue a sua contínua marcha progressiva, até chegar à condição de ESPÍRITO FORMADO, isto é, de inteligência independente, dotado de livre arbítrio, cônscio de sua vontade, das suas faculdades, da sua liberdade e, portanto, da RESPONSABILIDADE DOS SEUS ATOS; e a situação em que, como Espírito formado, ele se encontra num estado de inocência e de ignorância, podendo – ou usar o livre arbítrio no sentido de trilhar constantemente o caminho que lhe é indicado para progredir, ou fazer mau uso dele, sob a influência do orgulho, da presunção, da inveja, e se tornar, por isso mesmo, indócil, culposo, revoltado, podendo, em suma, falir ou não falir. A encarnação é uma necessidade para o Espírito no estado de formação; é indispensável ao seu progresso, ao seu desenvolvimento, como meio de lhe proporcionar e ampliar gradualmente A CONSCIÊNCIA DE SER, o que ele não conseguirá senão pelo contato com a matéria. É a união desses dois princípios que dá lugar ao desenvolvimento intelectual. Fique, portanto, bem claro: a encarnação é uma necessidade até ao momento em que, alcançando um certo ponto de desenvolvimento intelectual, o Espírito está apto a receber o precioso dom – mas tão perigoso – do livre arbítrio.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XV


P – A Doutrina do CEU, da LBV, liquida a “magia” do materialismo dialético, que ainda fascina tanta gente, no mundo inteiro. Agora, todos sabemos que a VERDADEIRA IGUALDADE é muito diferente. Que diz o Espírito da Verdade?

R – Um único é, originalmente, o ponto de partida PARA TODOS OS ESPÍRITOS: formação primitiva e rudimentar pela quintessência dos fluidos, substância tão sutil que por nenhuma expressão podem vossas inteligências limitadas fazer idéia perfeita dela: quintessência que a vontade de Deus anima para lhe dar o ser e que constitui a essência espiritual (princípio de inteligência), destinada a se tornar – por uma progressão contínua – Espírito. ESPÍRITO FORMADO, isto é, inteligência independente, dotada de livre arbítrio, consciente de sua vontade, de suas faculdades e de seus atos. Segue-se a encarnação, ou melhor – a co-materialização dessas essências espiritual mediante a sua união íntima com a matéria inerte, primeiro no reino mineral e nas espécies intermediárias que participam do mineral e do vegetal; depois no reino vegetal e nas espécies intermediarias que participam do vegetal e do animal. Desse modo, numa contínua marcha progressiva, se opera o seu desenvolvimento, que a prepara e conduz às raias da CONSCIÊNCIA DA VIDA. Em seguida, vem a encarnação no reino animal, depois nas espécies intermediarias que, do ponto de vista do invólucro material, participam do animal e do homem, adquirindo assim aquela essência (ESPÍRITO EM ESTADO DE FORMAÇÃO), sempre em progressão contínua, a consciência da vida ativa exterior, da vida de relação, o desenvolvimento intelectual que a levará aos limites do PERÍODO PREPARATÓRIO QUE PRECEDE O RECEBIMENTO DO LIVRE ARBÍTRIO, da vida moral, independente, responsável, característica do livre pensador. Chegados, quanto ao desenvolvimento intelectual, ao ponto em que recebem o dom precioso (e perigoso) o livre arbítrio, os Espíritos, IGUAIS SEMPRE, TODOS NO ESTADO DE INOCÊNCIA E DE IGNORÂNCIA, se revestem do perispírito que recobre a inteligência independente. Essa operação de revestir o perispírito (que, do vosso ponto de vista material, se deveria chamar envoltório) constitui então, PARA TODOS, UMA ENCARNAÇÃO FLUÍDICA. Todos, puros nessa fase de inocência e de ignorância, igualmente submetidos a Espíritos encarregados de os guiar e desenvolver, têm a liberdade dos seus atos e podem, no estado fluídico, progredir sempre, até à Perfeição, mediante conquistas espirituais contínuas e sucessivas. É o caso do estudante que, sempre dócil e atento à voz, às lições e conselhos dos Guias, passa por todas as classes e chega a tomar o grau. Eles podem, todavia, cometer uma falta e, dessa forma, provocar e receber o castigo, a punição a que faz jus ao culpado, MAS SOMENTE AO CULPADO. Dá-se, então, o que sucede com o estudante que, insubmisso, culposo e rebelde, pela sua própria falta provoca e recebe a punição, o castigo do ser expulso e ir, noutro estabelecimento de ensino, noutro meio e noutras condições, percorrer a fieira de todas as classes, até alcançar o grau. A muitos Espíritos acontece falir – já o dissemos – PORQUE QUASE TODOS FAZEM MAU USO DO LIVRE ARBÍTRIO. Alguns, porém, dóceis aos preceptores incumbidos de os guiar e desenvolver, seguem simples, gradualmente pelo caminho reto. Os primeiros sofrem uma punição, UM CASTIGO QUE TERIAM PODIDO EVITAR. É para experimentarem as conseqüências da falta cometida que, conforme ao que explicamos, uma vez preparados, eles entram na encarnação humana, de acordo com o grau de culpabilidade e nas condições apropriadas, sempre, às exigências da expiação e do progresso – ora em terras primitivas, ou em mundos já habitados por Espíritos que faliram anteriormente, exatamente o caso do vosso planeta, diluindo a tenda de Adão e Eva: quando a raça adâmica surgiu entre vós, a Terra já possuía muitos habitantes de outras raças. Pois, se houvesse em vosso mundo apenas um casal de brancos, seria impossível explicar a existência dos negros.


DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XVI


P – O que agrada na LBV é a sua Doutrina sem mistérios. Presta, assim, a Legião da Boa Vontade O MAIOR SERVIÇO aos brasileiros que desejem libertar-se da ignorância espiritual. Que diz o Espírito da Verdade sobre a multiplicidade dos mundos e dos Espíritos?

R – Em principio, a encarnação humana é apenas conseqüente à primeira falta, AQUELA QUE DEU CAUSA À QUEDA. A reencarnação é a pena da reincidência, da recaída, porque todas as vossas existências são solidárias entre si. O Espírito encarnado traz consigo a pena secreta, em que incorreu, na sua encarnação precedente. Os Espíritos que, dóceis aos seus Guias, não se transviam, continuam a progredir no estado fluídico. Os que faliram, como os que venceram, trabalham, uns e outros, com a sua atividade e a sua inteligência, pelo seu próprio adiantamento, desempenhando missão providencial na grande UNIDADE DA CRIAÇÃO, onde, para todos os Espíritos, em plano de absoluta igualdade, tudo é reciprocidade e solidariedade, tendo por fim a integração de TODOS EM DEUS, segundo as Leis Gerais do Progresso, mediante a ciência, a sabedoria espiritual e o AMOR QUE REGE O UNIVERSO. Desenvolvendo, como encarnados, atividade e inteligência, os que faliram não cuidam somente de prover as necessidade da vida e do bem-estar: concorrem, também, para a melhoria dos mundos que lhes servem de habitação. Isso constitui o lado material da tarefa; mas ainda trabalham pelo seu próprio adiantamento, moral e intelectual, e pelo desenvolvimento moral e intelectual das “humanidades” que povoam esses mundos. A encarnação material (castigo necessário à expiação e ao progresso) sucedem as ENCARNAÇÕES CADA VEZ MENOS MATERIAIS, EM MUNDOS CADA VEZ MAIS ELEVADOS (porque a matéria acompanha o progresso espiritual) e que se tornam cada vez mais fluídicos, desde que o Espírito, eximido de todo contato com a carne, graças à elevação alcançada, reingressa nas regiões superiores, percorrendo as camadas de ar e de mundos, aprendendo aqui, ensinando ali. Os que se conservam puros também desenvolvem atividade e inteligência, a fim de progredirem, NO ESTADO FLUIDICO, por meio dos esforços espirituais que necessitam fazer para, da fase de inocência, de infância e de instrução, chegarem, sem falir, à Perfeição! O trabalho é grande, incessante e penoso, debaixo do invólucro que constitui o Perispírito, invólucro que, para o Espírito, é matéria, e que – servindo-lhe de instrumento e meio de progresso – igualmente pode ser, a toda hora, como já foi para aquele que faliu, instrumento e meio de queda (e talvez de recaída), sendo sempre, porém, instrumento e meio de progresso, no curso das encarnações humanas. Ao mesmo tempo desenvolvem, na medida da elevação alcançada, atividade e inteligência em prol da vida e harmonia universais, estudando e trabalhando, sempre como Espíritos, nos mundos que servem de habitações a seus irmãos encarnados, POR TEREM FALIDO, e nas esferas onde se encontram os Espíritos no estado de erraticidade. Em suma – no espaço todo. Os mundos se multiplicam ao infinito. A MULTIPLICIDADE E A MULTIPLICAÇÃO DELES VOS DESLUMBRARIAM! Dentro do quadro estreito da inteligência humana, não há o que vos possibilite compreender sua extensão numérica. AINDA MAIS NUMEROSOS, TODAVIA, SÃO OS ESPÍRITOS. Estes, quer tenham falido, quer não, chegados a certo grau de adiantamento moral e intelectual, são atraídos para o estudo dos mundos, de seus princípios e suas organizações, e se entregam a esses estudos sob a direção de Espíritos de pureza perfeita. Debaixo desse comando, eles trabalham na formação de planetas, e os desenvolvem e os impelem, de esferas em esferas, para as regiões que lhes são próprias. Esse o momento que muitos se transviam, dominados pelo orgulho, que os leva a “desconhecer” a m~/ao diretora do Senhor, ou a duvidar do seu Poder, duvidando de suas próprias forças. Soa, então, a hora da encarnação humana correspondente ao delito. Em tal caso, o planeta, que não pode ficar sujeito a perecer por lhe faltar o obreiro primitivo, continua sua marcha progressiva SOB OS CUIDADOS E A AÇÃO DE UM ESPÍRITO SUPERIOR, QUE VEM SUBSTITUIR AQUELE QUE FALIU. Aludindo à formação dos planetas, acabamos de falar em Espiritos que alcançaram certo grau de ciência. Mas, antes de chegarem lá, quantos se precipitam do éter na matéria imunda! Quantos se desviam do caminho, ao entrarem nele! A quantos falece a coragem para, ao menos tentarem os esforços necessários, ou para perseverarem nesses esforços, uma vez tentados! Por isso é que Jesus advertia: “Será salvo aquele que perseverar até ao fim”. Entretanto, não percais de vista que TODOS OS ESPÍRITOS, tantos os que faliram como os que não faliram, todos, iguais na origem, isto é, no ponto de partida, iguais virão a ser no ponto de chegada, por isso que IGUAL É EM TODOS A PUREZA, DESDE QUE SE TORNARAM PUROS, seguindo embora caminhos diversos, diversidade essa de rumos proveniente da circunstãncia de TER SIDO DADO A CADA UM DE ACORDO COM SUAS OBRAS.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XVII

P – Queremos saber quais o sentido e o alcance destas palavras ditadas pelo Espirito da Verdade: “Maria, Espirito perfeito; José, Espirito perfeito, menos elevado que a Virgem; ambos inferiores a Jesus”. Quais, na PERFEIÇÃO, a causa e o motivo da inferioridade de uns com relação a outros?

R – Deus é perfeito de toda a Eternidade, somente Ele tem a PERFEIÇÃO ABSOLUTA: o amor universal infinito, a ciência universal infinita. Somente Deus pode dizer: “não irei mais longe”. Porque, desde toda a Eternidade, está no limite supremo (pobre linguagem humana!). DEUS É O ÚNICO QUE, TENDO SEMPRE SIDO, TENDO SEMPRE SABIDO, NADA TEM DE APRENDER OU DE SER MAIS. Criador incriado, Ele é ETERNO, e o ETERNO não tem causa. Ora, o Espirito criado jamais o pode igualar; tudo, no Universo, na Imensidade, no Infinito, tende sempre a progredir. Portanto, o Espirito – por mais adiantado que seja, moral, intelectual e espiritualmente – não poderá nunca igualar-se a Deus: tem de aprender sempre, atraves das “eternidades”, por toda a Eternidade! Para o Espirito, qualquer que ele seja, o progresso intelectual é indefinido, restando-lhe sempre aquisições a fazer em ciência universal, SEM QUE HAJA LIMITE ALGUM PARA ESSE PERMANENTE PROGREDIR. A PERFEIÇÃO MORAL, COMO A INTELECTUAL É RELATIVA. Um Espirito pode ser moral e intelectualmente perfeito com relação a todos os mundos inferiores ao que ele habita. Pode ser muito elevado relativamente a vós outros na hierarquia espiritual; perfeito, moral e intelectualmente, relativamente AO VOSSO PLANETA, e não ter chegado ainda ao ponto culminante da Perfeição. Cumpre-lhe, para atingí-lo, progredir muito em ciência universal. São esses os Espiritos que designais superiores. Perfeito, com relação a vós e ao vosso planeta, é o Espirito que se tornou senhor das paixões e soube libertar-se delas; que se despojou de toda impureza de pensamento e, por conseguinte, de ação; que vive animado do mais ardente e devotado amor a todas as criaturas de Deus; que alcançou o apogeu do amor e da caridade, MAS NÃO DA CIÊNCIA UNIVERSAL. O ponto culminante da Perfeição é a PERFEIÇÃO SIDERAL, isto é, a perfeição moral e intelectual relativamente aos mundos superiores e inferiores, materiais ou fluídicos, habitados por Espíritos que faliram ou por Espíritos que não faliram, até chegarem aos MUNDOS FLUÍDICOS PUROS, onde a essência do perispírito já está completamente purificada, do que RESULTA NÃO SE ACHAR MAIS O ESPÍRITO SUJEITO A ENCARNAR EM PLANETA ALGUM, porque já é nula sobre ele a influência da matéria. A PERFEIÇÃO SIDERLA SÓ O ESPÍRITO PURO A POSSUI; não possui, porém, o saber sem limites, do qual só Deus dispõe. Nem mesmo os Espíritos mais aproximados dEle pela ciência desfrutam desse saber sem limites, porquanto nenhum Espírito criado – é preciso repetir – poderá JAMAIS igualar-se a Deus. Aquele que conquistou a infalibilidade moral, não é infalível intelectualmente, senão de modo relativo e por efeito da assistência de que goza, quando lhe falta alguma coisa da ciência para o desempenho de qualquer missão. Perfeito moralmente, com relação a todos os Espíritos, sejam quais forem, ele é sempre, porque Deus assim o quer, assistido e sustentado pelos que lhe estão superiores em ciências. A hierarquia que, no tocante à ciencia, existe entre os Espiritos Puros, não passa – dentro da igualdade resultante da pureza que lhes é comum – de um princípio de assistência que se origina de deus, Única Fonte de onde promanam e à qual remotam todo o mérito e todo o poder. Continuaremos, antes de vos falarmos de Jesus, Maria e José.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XVIII

P – Já que o Epírito da Verdade apreciou a hierarquia dos Espíritos nos diferentes mundos do Universo, poderia também falar das funções que lhes são confiadas pelo Criador?

R – Gravai bem: o Espírito Puro, embora tenha muito que fazer, ainda, para ganhar os extremos limites da ciência universal no infinito, é sempre – moral e intelectualmente – perfeito com relação a todos os planetas de que se aproxime. Os Espíritos Puros são os mediadores entre a essência eterna de vida, a Inteligência Suprema, o Criador Incriado, causa primeira onipresente, onisciente e onipotente – DEUS – e os Espíritos Superiores, ministros das Vontades Divinas, os quais, segundo a escala hierárquica, por intermédio dos Bons Espíritos, as fazem chegar até vós. Eles trabalham, desempenhando a função que o Senhor lhes confiou, concernente ao progresso universal, na preparação, no desenvolvimento, na direção, no funcionamento, na realização da vida e da harmonia universais, SEGUNDO AS LEIS NATURAIS E IMUTÁVEIS ESTABELECIDAS DESDE TODA A ETERNIDADE, na Imensidade, no Infinito, em todos os mundos, que se trate dos que são habitados pelos que faliram, quer dos que servem de habitação aos que, sem falir, seguem a via de progresso que lhes é indicada. Cada mundo, qualquer que ele seja, tem por PROTETOR E GOVERNADOR UM ESPÍRITO, UM CRISTO DE DEUS, cuja Perfeição se perde na noite da Eternidade; infalível, que não faliu jamais e que, tendo-lhe presidido a formação, está encarregado de seu desenvolvimento e de seu progresso, assim como de todos os seus Espíritos que o habitam, a fim de os conduzir à Perfeição. As missões desses Cristos de Deus são relativas, conforme ao grau e ao desenvolvimento do planeta. As terras ingratas, como a vossa, eles pregam o AMOR; aos mundos mais elevados levam as GRANDES DESCOBERTAS, as ciências e as artes, desempenhando – em todos – as funções de alavanca para soerguer os instintos adormecidos, sempre de acordo com as capacidades e necessidades do planeta, cuja direção lhes cabe. Quaisquer que sejam a inferioridade ou a superioridade dos mundos confiados ao seu governo, é sempre com o máximo zêlo que desempenham as missões que lhes couberam, seja em Marte, seja na Terra, em Vênus ou em Júpter. Os Espíritos que, depois de terem falido, atingiram, purificando-se, a PERFEIÇÃO SIDERAL, e se tornaram, assim, Espíritos Puros, olham sempre com uma espécie de respeito e de amor para os que souberam manter-se invulneráveis, sem falir, conservando-se constantemente puros na via de progresso, até chegarem àquela Perfeição. Não acrediteis, porém, que haja uma linha de demarcação entre os que faliram e os que se mantiveram puros. Não: entre eles há completa igualdade de pureza, devotamento e amor. DEXAI AOS HOMENS DO VOSSO PLANETA A HIERARQUIA DAS POSIÇÕES E A DESIGUALDADE DAS CONDIÇÕES SOCIAIS! PARA O SENHOR, É IGUAL TUDO O QUE É IGUALMENTE PURO! Dissemos que os Espíritos Protetores e Governadores de planetas eram infalíveis e nunca faliram. São infalíveis por estarem EM RELAÇÃO DIRETA COM DEUS, recebendo dele as vontades e as inspirações. Não faliram nunca: são, portanto, superiores, em ciência universal, aos que, depois de terem falido, se tornaram Espíritos Puros. Ninguém procure, aí, vislumbrar qualquer pensamento ou ato de parcialidade: Deus que é a PERFEITA JUSTIÇA, é incapaz de parcialidade. A hierarquia, como já sabeis, se estabelece entre os Espíritos em conseqüência da elevação e do progresso deles. Todos devem compreender: o Espírito que – desde a sua origem – progrediu sem se afastar nunca do caminho traçado, ESTÁ SEMPRE MAIS ADIANTADO EM CIÊNCIA UNIVERSAL DO QUE OUTRO QUE SE PURIFICOU DEPOIS DE HAVER FALIDO. Ora, naturalmente aos mais adiantados devem caber as missões mais importantes do Universo. Maia e José eram, ambos, Espíritos perfeitos quando encarnaram em missão: eram perfeitos relativamente a vós, porque possuíam a perfeição moral e intelectual, relativamente ao vosso planeta. Não o eram porém, com relação aos mundos superiores que os dois já haviam habitado. Eram Espíritos Superiores, muito elevados na hierarquia espiritual, com relação a vós outros, mas não tinham ainda ascendido ao ponto culminante da Perfeição, a PERFEIÇÃO SIDERAL. Eram Espíritos devotados e bons, mas que ainda precisavam progredir muito em ciência universal, para chegarem àquela Perfeição. Por isso dissemos que eram inferiores a Jesus.



DEUS E A VIDA UNIVERSAL – XIX

P – Os ensinamentos do CEU (Centro Espiritual Universalista) da LBV estão merecendo comentários especiais em nossos Postos familiares. Os relativos a José e Maria nos levam a fazer mais uma pergunta que julgamos oportuna: – Eles faliram, alguma vez?

R – Sim: nenhum dos dois pertencia ao número dos que se conservaram sempre puros. Ambos eram ESPÍRITOS PURIFICADOS. Maria sofreu uma encarnação semi-material num planeta elevado. Encarnação semi-material porque o corpo era fluídico: participava, por esse lado, da natureza do perispírito. A natureza desses corpos fluídicos, nos mundos superiores, não vos será mais compreensível do que a do perispírito, enquanto não estiverdes em estado de conhecer a natureza dos fluídos que os compõem. O perispírito pode, com propriedade, ser qualificado de semi-material pela simples razão de, sendo fluídico, poder materializar-se à vontade. É, com relação à vossa matéria, o que é o vapor com relação a água: matéria tênue, porém matéria, capaz de, em cada ocasião, tomar a aparência de matéria compacta. Não conseguireis compreender a natureza dessa parte do vosso ser, senão quando a vossa inteligência se houver desenvolvido bastante, para sondar as profundezas do éter que vos cerca. Para vos inteirardes das qualidades do ar que vos envolve, vós o descompusestes, medistes e pesastes. O ar sempre esteve ao vosso alcance; contudo, quanto tempo vos foi preciso para chegardes a conhecê-lo! Para compreenderdes os fluídos que se encontram espalhados pelo espaço e que, por assim dizer, o compõem, necessário é que chegueis – com espírito de ciência universal – às regiões onde esses fluídos se despojem das partes heterogêneas. O homem, que já chegou à Lua, precisará saber premunir-se contra as correntes pestilenciais para a vossa humanidade. Há dificuldades bem grandes, mas a inteligência foi por deus dada ao homem para que ele a exercite. O horizonte se distende a seus olhos para o impelir, constantemente, a avançar. Que avance, pois, sem temor, mas com muita humildade. Armado de amor à ciência universal, no desejo de progredir (SUSTENTADO PELOS BONS ESPÍRITOS, PORQUE DEUS QUER QUE VOS AJUDEMOS, MAS QUE TRABALHEIS, FAZENDO A VOSSA PARTE) o homem chegará, brevemente, ao fastígio dos conhecimentos relativos à sua matéria. Então, essa matéria que o envolve se modificará por sua vez, a fim de se prestar às NOVAS NECESSIDADES HUMANAS; e ele, de estudo em estudo, de progresso em progresso, atingirá as venturosas mansões onde estará na posse de toda a ciência referente ao vosso planeta a ao turbilhão iluminado pelo Sol. Se quiserdes, para imaginar o que possam ser os corpos fluídicos nos planetas elevados, uma comparação com a matéria que muda de natureza sob as vossas vistas – se bem que sejam falhas todas as comparações entre coisas do vosso mundo e as coisas dos mundos elevados – compararemos o corpo humano na Terra à água, que vedes compacta, é o corpo igualmente humano, de alguns outros planetas, ao vapor. Como no primeiro caso, neste também o que temos diante dos olhos é água, mas num estado que lhe permite elevar-se nos ares, confundir-se com as nuvens, em vez de se conservar pesada sobre um suporte qualquer. Nas encarnações que se sucedem às vossas, o corpo perde, pouco a pouco, a densidade e se torna CADA VEZ MAIS AERIFORME. Deixa de ter os pés chumbados ao solo e se mantém em equilíbrio, qualquer que seja a sua posição. Cerca as regiões que esses diversos planetas ocupam, uma atmosfera adequada às necessidades da Natureza; e, assim como a água do mar sustenta, mais facilmente que outra, o corpo que se lhe confia, do mesmo modo o ar dessas regiões tem um peso superior ao dos corpos dos mortais que as habitam. Agora, já vos podemos dizer: a queda de Maria foi muito leve, mesmo tendo-se em vista a elevação que, SEM FALIR, ela havia alcançado; tão leve que não serieis capazes de vislumbrar, no ato que a determinou, QUALQUER INDÍCIO DE FALTA, AINDA QUE LEVÍSSIMA. A Virgem encarnou num desses mundos benditos, por que tanto anseais. Para vós, tal encarnação seria INVEJÁVEL RECOMPENSA, que tudo deveis fazer por conquistar. Mas, para a Virgem, foi uma punição, pois a privou de UM ESTADO BEM MAIS BELO. Sirvamo-nos, ainda, de uma comparação humana. Um homem que viveu na miséria mais abjeta, recebe, certo dia, uma herança; passa a ter uma renda que lhe proporciona existência venturosa. Sem dúvida, isso é para ele O CÚMULO DA FELICIDADE. Mas outro, ao contrário, que se embalou em berço de ouro, que teve satisfeitos todos os seus caprichos, vê de súbito desmoronar-se o alto pedestal (em que julgava manter-se SEMPRE) E COMPROMETER SUA FORTUNA. Não é uma desgraça para ele? Mas é impossível, repetimos, qualquer comparação ENTRE COISAS TERRESTRES E COISAS CELESTES. Atentai, pois, no sentido, não na letra da comparação. Maria, purificada por essa encarnação, retomou sem mais deslizes, o caminho simples e reto do progresso, e ainda o trilha, pois não chegou ao cimo, isto é, à PERFEIÇÃO SIDERAL. Embora não se ache, ainda, na categoria dos Espíritos Puros, suas atuais encarnações (empregamos o têrmo para que possais compreender o seu estado perispirítico) tão acima se acham das vossas inteligências QUE NÃO PODEIS FAZER IDÉIA DO QUE SEJAM! José, cuja falta foi mais grave, teve a princípio muitas encarnações na Terra. Mas, quando encarnou para auxiliar Jesus na sua missão terrena, já se havia purificado, mediante sucessivas encarnações em mundos mais adiantados. Grande é, presentemente, a sua elevação: é um Espírito Superior, porém menos elevado que o da Virgem Maria em ciência universal. Ambos, José e Maria, são muito inferiores a Jesus.



DEUS E AVIDA UNIVERSAL – XX

P – Ficamos profundamente impressionados com as revelações do Espírito da Verdade sobre José e Maria. Poderia dedicar um capítulo inteiro a Jesus?


R – Nesta série de vinte capítulos, dedicamos um cada século, porque já o Mestre se aproxima. Não podemos esconder a Verdade, e por isso vos dissemos que Maria e José SÃO MUITO INFERIORES A JESUS. Perfeitos, moralmente e intelectualmente, com relação a vós e ao vosso planeta, muito lhes resta por evoluir em ciência universal, para chegarem à PERFEIÇÃO SIDERAL. Mesmo quando, por a terem alcançado, forem Espíritos Puros, terão sempre de progredir nesta direção, visto que o Espírito, seja ele qual for, jamais atingirá o limite extremo da ciência divina. Tudo, na Natureza Universal, PROGREDIRÁ SEMPRE. Isto, porém, está muito acima da compreensão das inteligências humanas. O próprio Jesus, cuja pureza perfeita e imaculada se perde na Eternidade; que é a maior essência espiritual depois de Deus, SEM SER A ÚNICA; de um saber tão vasto que nem os Espíritos Superiores lhe podem apreciar a extensão; cuja a grandeza é tal que multidões de Espíritos Puros a admiram e trabalham por adquirí-las através das “eternidades” – o próprio Jesus, quando desceu à Terra, embora já fosse O MODELO DO AMOR E DA CIÊNCIA, estudava e ainda estuda! Estudava e estuda porque o progresso infinito é o objetivo único do Espírito. Só Deus, repetimos, pode afirmar: “não irei mais longe”, porque Ele é a própria Eternidade e o Infinito de todas as Perfeições; não concluais, daí, que Jesus tenha tido, naquela época, ou possa ter de suportar, quaisquer provas! Não: Ele, até então, não faliu NUNCA, e é INFALÍVEL POR ESTAR EM RELAÇÃO CONSTANTE E DIRETA COM DEUS. Era, e é, o Verbo de Deus junto aos homens, qualificado de deus relativamente a vós outros, no sentido de que era e é, para o seu e nosso Deus, para o seu e nosso Pai, O VOSSO ÚNICO MESTRE! Era e é, para nos servirmos de uma expressão humana, seu vice-rei e vosso rei, como Espírito protetor e governador do vosso planeta. Tinha e tem O AMOR DO PROGRESSO, e trabalha sem cessar por adquirir nosvos conhecimentos no LIVRO DO INFINITO. Somente Deus nada tem de apreder. Jesus, que já era infalível quando o vosso planeta lhe foi confiado, progrediu em ciência universal e fez a Terra progredir, incessantemente. É que o Pai Celestial dá saber ao Espírito, POR MAIS ADIANTADO QUE SEJA, na proporção e em recompensa do progresso que o seu amor e o seu devotamento produzem. O PROGRESSO PESSOAL DE UM ESPÍRITO CORRESPODE AOS PROGRESSOS QUE, GRAÇAS A ELE, SEUS IRMÃOS REALIZEM. O amor e o devotamento de Jesus tornaram, e tornam, cada vez mais ardentes os seus próprios esforços para vos conduzir ao ponto que deveis atingir – a Perfeição, que alcançareis quando o vosso mundo (que – na fase de sua formação – saiu do estado de incandescência dos fluídos impuros, e foi, progressivamente, passando pelas etapas sucessivas das revoluções planetárias, ao período material) chegar ao ESTADO FLUÍDICO PURO, depois de haver passado, atravessando os períodos de outras revoluções, do estado material a novos estados CADA VEZ MENOS MATERIAIS E, EM SEGUIDA, FLUÍDICOS. Então, o próprio Jesus que já era Espírito de pureza perfeita e imaculada na época em que presidiu à formação da Terra, terá subido em ciência universal, muito para cima do ponto em que se encontrava há quase vinte séculos. Tudo o que foi, é e será, em todos os reinos da Natureza, no vosso planeta, seguiu, segue e seguirá marcha contínua no caminho do progresso físico, moral e material. Mas, ao completar-se essa GRANDE OBRA DE PURIFICAÇÃO DA TERRA, bem como de sua Humanidade, nos tempos predeterminados para a REGENERAÇÃO – o joio será separado do trigo; os Espíritos que se mostrarem obstinados em culpa e rebeldia serão afastados para planetas inferiores, onde – durante séculos – terão de expiar a sua obstinação no mal. Maria e José, como todos nós, continua a auxiliar o Mestre na sua gloriosa missaõ, ajudando-vos também, debaixo da sua direção a cumprir os vossos destinos. Agora podeis compreender: quando estiverdes para alcançar a Perfeição, os Espíritos que integraram o grupo de coadjuvantes de Jesus, no desempenho da sua missão terrena, terão atingido a PERFEIÇÃO SIDERAL, colocados pelo Pai entre os Espíritos Puros.